segunda-feira, 4 de maio de 2009

Uma alegria para sempre (Mário Quintana)

(para Helena Quintana)
As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
casado, mudado, sumido, esquecido, enganado,
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que, a
o contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

(80 anos de poesia/Mário Quintana: organização Tânia Franco Carvalhal. - 7 ed. - São Paulo: Globo, 1996)

3 comentários:

  1. Para meu querido amigo Alexandre!

    Amigos

    Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
    Não percebem o amor que lhes devoto e
    a absoluta necessidade que tenho deles.

    A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
    eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
    enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,
    que não admite a rivalidade,e
    eu poderia suportar, embora não sem dor,
    que tivessem morrido todos os meus amores,
    mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

    Até mesmo aqueles que não percebem
    o quanto são meus amigos e
    o quanto minha vida depende de suas existências...

    Alguns deles não procuro,
    basta-me saber que eles existem.
    Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
    Mas porque não os procuro com assiduidade,
    não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
    Eles não iriam acreditar!
    Muitos deles estão lendo esta crônica e
    não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
    Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
    embora não declare e não os procure.
    E às vezes,
    quando os procuro,
    noto que eles não tem noção de como me são necessários,
    de como são indispensáveis ao meu equilíbrio Vital,
    porque eles fazem parte do mundo que eu,
    tremulamente,
    construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
    Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
    Se todos eles morrerem, eu desabo!
    Por isso é que sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
    E me envergonho porque essa minha prece é,
    em síntese, dirigida ao meu bem estar.
    Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
    Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
    Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
    cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
    compartilhando daquele prazer...
    Se alguma coisa me consome e me envelhece
    é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo,andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,
    todos os meus amigos, e,
    principalmente os que só desconfiam ou
    talvez nunca vão saber que são meus amigos!

    "A gente não faz amigos, reconhece-os.

    Mário Quintana

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  2. Oi Alexandre! Bom dia, então na onda poética te mando esse poema do Mario Quintana...ele é o cara! Sempre a nos traduzir.


    "A vida são deveres que trouxemos para fazer em casa.

    Quando se vê, já são seis horas...
    Quando se vê, já é sexta-feira...
    Quando se vê, já é natal...
    Quando se vê, já terminou o ano...
    Quando se vê, já não sabemos mais por onde andam nossos amigos.
    Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
    Quando se vê, passaram-se 50 anos.

    Agora é tarde demais para ser reprovado.

    Se me fosse dado um dia, uma oportunidade, eu nem olhava o relógio.
    Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
    Seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde e como estão, e diria: vocês são extremamente importantes para mim."

    Um grande abraço meu amigo!

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  3. Alexandre

    Mario Quintana está entre meus prediletos, um dos livros dele que mais gosto é o BAU DE ESPANTOS, cheio de poesias de grosso calibre de sensibilidade!

    Abraços, grato por ter dividido Quintana conosco!

    Ah! e fizestes o certo... postastes poesia antes de publicar as palhaças e as patifarias que rondam nosso Congresso!!!

    Dizem que cada povo tem o governo que merece...

    Será, meu amigo, que somos tão ruins assim???

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