segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ana Maria Braga - Menos Você (texto)

O discurso da classe média brasileira emerge através da voz da apresentadora Ana Maria Braga no programa Mais você, exibido todas as manhãs pela Rede Globo. Hoje, dia 13 de julho, numa matéria sobre os roubos de computadores pessoais (e as dicas para evitá-los) a apresentadora afirma que o ideal seria que as pessoas pudessem sair com seus carros, com seus computadores sem que corressem o risco de serem roubadas, incomodadas, mas que em todas as cidades brasileiras essa situação é praticamente impossível, tendo em vista a violência que se instalou no país.

Fiquei pensando: quem seriam essas pessoas que deveriam poder andar com seus carros e seus computadores pessoais sem que fossem incomodadas por essa outra sociedade? Para quem Ana Maria fala? Com quem ela troca essas ideias?

Além dessa pérola ela contou em seguida uma história sobre um rei que matava os ladrões, mas, é claro, se justificou dizendo que não estava dizendo que os ladrões devessem ser mortos. Não fiquei para ouvir.

3 comentários:

  1. respondendo a pergunta no seu texto,para quem ela fala? com que ela troca essa idéia?
    Ela fala com o cidadão de bem que batalha no di a dia para o trabalho digno,e que é vitima de uma outra parcela da sociedade que quer as coisas na moleza,sem trabalho nenhum...
    Não é todo mundo que tem computador pessoal para sair com ele na rua,mas qto ao carro muita gente tem,mesmo que seja o modelo mais simples...Porque se nao houvesse tanta gente que tem carro,essa cidade nao viveria congestionada e entupida de carros...
    De qualquer forma,o que ela quis dizer é que o ideal seria que as pessoas pudessem sair com tranquilidade sem tornar refèm do medo que os bandidos da mesma sociedade impoe.
    A mensagem da história que ela falou,tinha como objetivo mostrar que as pessoas pelo medo de se arriscarem pela liberdade,optam por continuar em algo que nao está bom...Em tempo a mensagem é texto escrito por alguem algum tempo,nao é de autoria dela...E nao tinha vinculo com a matéria anterior.

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  2. Discordo do comentário anterior porque, acho que a Ana Maria foi muito infeliz quando fez algumas afirmações hoje em seu programa.
    Pessoas passando fome e ela preocupada com uma parcela ínfima da sociedade que tem carro e computador pessoal (se isso não é o discurso de uma classe média alienada, eu não sei qual seria ele.) e mais, ela não quis dizer que o ideal é isso ou aquilo (porque o texto dito não tem apenas uma direção para ser interpretado, portanto não há verdade única para interpretar o que a apresentadora falou).
    E finalmente, ainda que o texto falado não seja de autoria da apresentadora (e ninguém disse que era) ela antes de lê-lo, na sua apresentação, disse sim que não estava defendendo a matança de ladrões, o suficiente para (quem entende um mínimo de inconsciente) entender que era isso sim que ela defendia.

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  3. "vítima de uma outra parcela da sociedade que quer as coisas na moleza,sem trabalho nenhum" Isto é uma paráfrase da fala de Ana Maria Braga, ou seja, aí tem o discurso de uma classe média alienada de qualquer problema social:
    1) porque não é vítima de nada, bem ao contrário, é quem produz, de certa forma, as diferenças sociais porque está preocupada apenas com o seu bem estar;
    2)quando escreve que é uma parcela da sociedade que "quer as coisas sem trabalhar, na moleza", banaliza questões fundamentais da organização da nossa sociedade, como por exemplo, a falta da educação, de emprego, de falta de verba do governo para programas sociais;
    3)Ainda, e isso não é apenas senso comum, é o que circula mesmo nos meios de comunicação (a pessoa deve se informar lendo Veja e Istoé): cidadão de bem quem tem emprego, carro e computador? Desde quando isso é critério para ser "gente de bem"?
    4) finalmente, o comentário só não é mais infeliz e mal organizado (escrito) porque é de uma ingenuidade sem tamanho: como pode dizer que não há relação entre o comentário da apresentadora e a fábula contada em seguida? Nada, nada mesmo é impensado num programa que vai ao ar nas emissoras de TV.

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