quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Histórias de Heloísa (textos)

Minha mãe tinha um amigo que tb era professor. Ah, morávamos no mesmo bairro, no Rio. Quase todos os dias antes de ele ir trabalhar, dava uma passadinha lá em casa para uma conversa bem rápida, um cafezinho, um oi apenas. Acontece que ele era um pouco tímido e, quando não tinha mais o que dizer, ele batia levemente com um dos dedos no braço do sofá. Umas batidas bem delicadas. Isso era o suficiente pra minha mãe encenar, em qualquer ocasião em que nós (eu e ela) tivéssemos conversando, essa maneira de sinalizar que o assunto tinha acabado.
É claro que, como sempre, tudo era exagerado, ao invés de pequenas pancadas no braço no sofá, ela batucava como se estivesse tocando um pandeiro (com batidas fortes e compassadas) e finalizava como se estivesse numa apresentação tirando o último som do instrumento.
Ríamos muito porque sabíamos que aquilo era uma espécie de código entre nós: se faltava assunto, tínhamos o braço do sofá.

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