terça-feira, 21 de junho de 2011

Ado, ado, cada um no seu quadrado (texto)

Começo esse post com parte de fala de uma entrevista concedida pelo filósofo esloveno Slavoj Zizek à revista Época na semana do dia 29.05.2011

ÉPOCA – O que o senhor acha das críticas a Lars Von Triers, que disse que entendia Hitler? 
Zizek – Não devemos ser livres para celebrar Hitler, nada disso. Claro que Hitler fez coisas horríveis. No caso de Lars tem outra questão: o artista deve ser julgado pelo que ele faz. Eu odeio essa ideia de que, se você conversar com um diretor ou com um autor, você vai descobrir algo incrível, algum segredo. O que eles sabem está no que eles produzem. Muitos deles são idiotas. David Lynch, francamente, é um idiota. Ele está agora numa empreitada para coletar milhões de dólares para construir uma imensa cúpula de meditação porque ele acha que se mais de dez pessoas meditarem num lugar isso vai liberar energia que vai trazer paz ao mundo. Mas nos filmes ele é um gênio.(grifos meus).

Bem, faz alguns anos, mais precisamente em 1992, o cantor e compositor Lulu Santos deu declarações sobre os músicos e a música sertajena num programa do Faustão que provocou certo incômodo na mídia.
Lobão, não faz muito tempo, num programa da Jovem Pan, acho que com o pessoal do Pânico, falou mal de Luan SantanaRestart e Fiuk.
E para completar o trio de patetas (na verdade não sei se é mais pateta quem dá tais declarações ou se quem as ouvem como se isso fosse alguma coisa para se prestar atenção), Ed Motta no Facebook fala mal de mulheres feias, da feiúra dos brasileiros, que não são do Sul ou de São Paulo, de Paula Toller, de Caetano Veloso, entre outros. E isso repercute como se fosse uma importante declaração.
Bem, concordo em gênero, número e caso com o Zizek, artistas devem ser bons naquilos que fazem como artistas. Portanto, Lulu Santos, Lobão e Ed Motta cumprem com bastante competência essa cláusula. E devíamos nos satisfazer com isso. O resto não deveria ser levado a sério, cada um diz o que pode e não o que quer.
Criar categoria de gosto é uma tremenda estultice. Tudo bem que não tenho em casa, e não entra, cd, dvd de Luan Santana, Restart ou Fiuk, porque na minha casa quem manda sou eu. Mas daí para decidir o gosto dos outros....meio demais né?
Não quero tb transformar nenhum cantor, compositor, ator, atriz, apresentador de programa, jornalista, padre-cantor etc. em guia espiritual, intelectual ou qualquer coisa desse gênero. Cada um no seu quadrado. O que eles fazem como artistas pode ou não me agradar. Tudo muito subjetivo. Agora se eles consideram isso ou aquilo importante, se gostam de certos lugares em detrimentos de outros, se usam certas marcas de roupa ou cortam os cabelos assim ou assado, se pensam isso sobre determinado assunto, definitivamente, não me interessa. Não tenho nenhum respeito pelo que dizem além do respeito de achar que devem dizer. Assim como eu faço aqui no meu blog.
Tudo o que eu escrevo é a minha forma de pensar sobre alguma coisa, não é verdade absoluta sobre nada. Não tenho nenhuma pretensão de dizer coisas interessantes, de sair do senso comum. Digo o que acho que devo dizer e estou abertíssmo às críticas, aos que pensam de outra maneira.

Um comentário:

  1. Bravo! Vc está corretíssimo, Alexandre! Tb a mim pouco importa a opinião de alguém fora de sua área de atuação. Artistas devem opinar sobre arte; cientistas sobre o que pesquisam. Qualquer outra coisa que comentem fora do seu âmbito não passa de mera doxa, ou seja, é pitaco. Portanto, não merece ser ouvido.

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