domingo, 2 de agosto de 2015

Das situações que não acontecem apenas nas crônicas de Fernando Sabino

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Dia desses, na verdade, faz bem mais do que isso, estava eu aguardando uma grande amiga, ali, na feirinha da General Glicério, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, descer do seu apartamento para uma conversa sem compromisso. Enquanto ela não descia, eu e uma outra amiga resolvemos tomar um caldo-de-cana e ouvir um chorinho que é frequente nessa feirinha, aos sábados. 
Caldo de cana vai, caldo de cana vem e nada da primeira amiga chegar. Cariocas têm uma característica bem peculiar: conversam até com pedra se esta lhe der alguma atenção. Bem, engatamos, e e a segunda amiga, um papo com um casal que também estava por ali tomando um caldo. 
Conversa vai, conversa vem, descubro que eles também estão por ali esperando alguém.

A feirinha da General Glicério é um ponto de encontro. Além do chorinho, do pastel e do caldo de cada tem um bolinho de bacalhau delicioso. É muito comum, pessoas que moram na região darem uma passadinha por ali.
Depois de algum tempo, minha amiga, Marta, desce e nos encontra na barraca do caldo. Ela chega e, como de costume, me dá dois beijos, um abraço, beija também a amiga comum e também o casal que está conversando comigo. Ficamos todos ali num papo de amigos de longa data.

Bem, em seguida, minha amiga nos convida pra subir e tomar um café com um bolo de laranja, que ela me devia fazia, pelo menos, uns dez anos. Todos animados subimos, nos sentamos na sala. Ela trouxe o café com bolo, comemos, bebemos, comemos mais, eu comi um pouco mais ainda porque era um bolo de dívida. Enquanto comíamos e bebíamos falamos de quase tudo. O casal muito agradável, ambos engraçados, cheios de histórias pra nos contar. A conversa rendeu.

Num certo momento, o casal se levanta e diz que precisa ir embora porque eles tinham um compromisso. Nos despedimos e como autênticos cariocas combinamos de nos encontrar num próximo sábado ali mesmo, na barraquinha do caldo-de-cana para mais uma conversa e, quem sabe, mais um bolo de laranja e um cafezinho na casa da Marta.

O casal vai embora e a minha amiga me diz:
_ Gostei muito dos seus amigos! 
_ Como assim, meus amigos? Eu não conheço essa gente. (lhe respondo).

De casal agradável passou para essa gente.

Ela, incrédula, acha que estou brincando e faz uma cara de surpresa. E eu lhe digo:

_ Achei que fossem seus amigos também já que você convidou todo mundo para um café com bolo.

Ela responde:
_ Mas só convidei porque achei que eram teus amigos já que estavam ali conversando animadamente.


Conclusão: eles não eram meus amigos, eles não eram amigos de ninguém. Nunca mais nos vimos porque cariocas têm dessas coisas: combinam de se encontrar, de se ligar com toda certeza no próximo fim de semana, mas deixam para o acaso o próximo encontro.

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