quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Saindo do armário embutido

Aí vc está passando pelo Leblon e, de repente, encontra o Chico Buarque (o Edu Lobo, o Cacá Diegues, o Miguel Farias, o Ruy Solberg e o Eric Nepomuceno), e ao contrário do que seria normal, ou seja, apenas olhar, pedir um autógrafo, dizer que é seu fã, gritar "gostoso", falar sobre o seu filme (que é muito bom!), sei lá, falar sobre uma música dele que tenha sido um marco na sua vida, ou simplesmente deixá-los passar, o que seria o mais indicado em virtude do horário e da sua nenhuma intimidade com o grupo, você o chama de "ladrão", de "merda", diz que ele deve "ir pra Cuba", "ir pra Paris".
Bem, o que dizer desse comportamento cada vez mais comum de, vou chamar assim, pessoas simpatizantes da direita que acabaram de sair do armário embutido?
Estranho não poder haver uma discussão política sem hostilização. Muito estranho vc não poder, apesar de tudo, se dizer de esquerda sem que um e outro o acusem de ser "ladrão", "vagabundo" e por aí. Mais estranho é a falta de argumentos, tudo se resume ao senso comum, ou, pior, a uma fúria agressiva, a um ódio desmedido.
Diante disso, me pergunto se esse ódio e essa indignação seletiva não teriam alguma relação com aquilo que mais te incomoda dentro de vc mesmo?

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