domingo, 18 de abril de 2010

Da Série Contos Mínimos (texto)

Uma vida inteira sem contar nada: felicidade, tristeza, solidão, encontro.  Toda ela deixando-se levar por emoções livres. Bastavam apenas as prisões cotidianas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Apesar...

A semana acabou e não dei conta da metade do que eu tinha para fazer. Sobrou bastante atividade para o final de semana. E tenho, sem alternativa, que finalizar várias tarefas. Nem dá para reclamar (muito), porque a semana, apesar de tudo, foi boa: apesar da alergia, apesar de ter ido ao teatro ver Os Pândegos (mais sem graça, impossível), apesar de um funcionário, responsável pelo meu curso, perder os meus documentos.
O tempo esquentou um pouco. Ri com amigos no trabalho e estou conseguindo finalizar uma projeto que começou em 2008 (pode parecer demais - e é -). Hoje, fiz mais testes para descobrir o porquê das manchas na pele. É sempre um começo. Fui à consulta com uma bolsa cheia de produtos que costumo usar. Já me furei mil vezes e, por enquanto, na-da.
Na próxima sexta os resultados e se nada for descoberto, mais uma bateria de exames. É capaz da alergia sumir sem se saber a sua identidade.  A gente vai levando.
Um bom final de semana para todos que passarem por aqui.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

EROS E PSIQUE

Conta a lenda que dormia
uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 13 de abril de 2010

A justiça é lenta, lentíssima, mas, às vezes, ...(texto)

Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi julgado pela 3ª vez. Após 15 horas de julgamento no fórum de Belém (PA), na noite desta segunda-feira (12), acusado de ter encomendado, em 2005, a morte da missionária Dorothy Stang pegou 30 anos de prisão em regime fechado.
Dorothy Stang foi executada com seis tiros em um assentamento em Anapu, no Pará.
Esse foi o terceiro julgamento de Bida. No primeiro, em 2007, ele foi condenado a 30 anos de prisão, mas teve direito a um novo júri. No segundo, foi absolvido, mas o Ministério Público recorreu da decisão e a Justiça anulou a sentença.
Bida teve a pena agravada pelo fato da vítima ser pessoa idosa. A tese defendida pela acusação foi de homicídio duplamente qualificado, praticado com promessa de recompensa, motivo torpe e uso de meios que impossibilitaram a defesa da vítima. Ele recebeu a sentença por volta de 23h40, e perrmanecerá preso no Centro de Recuperação do Coqueiro, em Belém.
Para o juiz, ele negou envolvimento no crime e se recusou a responder a perguntas dos promotores.
O início do julgamento de Bida atrasou em uma hora porque o advogado dele não compareceu e enviou outro representante. O novo advogado teria pedido um prazo ao juiz para se inteirar sobre o caso. O pedido foi negado.
Vários religiosos e camponeses que conviveram com a irmã Dorothy viajaram para Belém para acompanhar o julgamento. O irmão da missionária também saiu dos Estados Unidos e está no Brasil para acompanhar o caso.
Quatro testemunhas de acusação foram ouvidas de manhã. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, o primeiro depoimento foi de Roberta Lee Spires, conhecida como irmã Rebeca, que falou sobre o trabalho desenvolvido por Dorothy.
O juiz, a acusação e a defesa também ouviram a defensora pública Eliana Vasconcelos (que atuou na defesa de outro acusado de envolvimento no crime), o agricultor Gabriel do Nascimento (que trabalhou com a missionária) e o delegado da Polícia Federal Ualame Machado (que investigou o caso).
O quinto e último réu no processo, Regivaldo Galvão, será julgado em sessão marcada para o dia 30 de abril deste ano.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pequenas conquistas, grandes espaços (texto)

Tenho postado aqui, com certa frequência, assuntos sobre as perdas e as conquistas da comunidade  Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros (LGBTT). Acho que se eu fosse produzir estatística sobre esses posts, quero dizer, se houve mais textos que se relacionavam às perdas ou às conquistas, acredito que, pela lentidão como tudo acontece aqui no país e no mundo em torno da sexualidade humana, dos direitos dos homossexuais etc., teríamos, ainda que a passos curtos, mais ganhos do que perdas. Ganhamos todos quando os direitos de minorias são reconhecidos! Não tenho dúvida.
O movimento feminista, por exemplo, contribuiu muito para que outros movimentos de liberdade e direitos pudessem tb requerer seus espaços.
Semana passada o G1 (portal da Globo) publicou matéria sobre o 3° casamento gay, e o 1° entre mulheres na Argentina. Pode, em princípio, parecer pouco (e é), no entanto sabemos o quanto é complicado um passo adiante quando o tema é sexualidade/homossexualidade. Basta pensar o tempo em que o projeto de lei sobre a criminalização da homofobia (PLC 122/2006) está tramitando (por falta de palavra que signifique estagnação) no Senado (o projeto foi aprovado em novembro de 2006  por consenso de líderes na Câmara dos Deputados e continua sendo barrado, sobretudo pela bancada evangélica).
Os senadores MAGNO MALTA (PR/ES) e MARCELO CRIVELLA (PRB/RJ) são os maiores opositores do processo de votação do projeto. Requerem audiências públicas sem data definida para protelar ainda mais a discussão e a decisão dos senadores.
A vitória terá um gosto muito mais doce do que eles podem imaginar. É só esperar!
É importante escrever tb que o projeto beneficiará outros segmentos da sociedade. Ele amplia a Lei n° 7.716/1989, tipificando como crime tb o preconceito e a discriminação de origem, condição de pessoas idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
O PLC é um projeto contra o preconceito. E preconceito é burrice e, no nosso, caso, CRIME, porque, segundo o Grupo Gay da Bahia há, pelo menos, um assassinato por dia motivado por questões sexuais aqui no Brasil.


sábado, 10 de abril de 2010

A Vacina e as criancinhas (texto)

Acabei tomando a vacina contra a gripe H1N1, ainda que algumas pessoas tivessem me desencorajado. Ainda que eu tivesse recebido diversos e-mails relatando problemas com ela. Por enquanto estou vivo, sem nenhuma reação: não virei um porco, não estou chafurdando, não tenho doses cavalares de mercúrio correndo no meu corpo, não adquiri a gripe minutos depois de me vacinar, e acho, apenas, que estou livre dela.
Mas aproveitei a oportunidade para aterrorizar as criancinhas (e adultos tb) que estavam na fila depois de mim. É claro que não senti nenhuma dor e tudo foi tão rápido que antes mesmo que eu me desse conta, já estava com um chumaço de algodão embebido em álcool sobre o furinho que a agulhada fez (mas só eu sabia disso, as pessoas na fila não).
Aí quando saí da sala, fiz aquela cara de dor, entortei o pescoço e comecei a mancar , não me esqueci de uma das mãos sobre o braço perfurado pela agulha de vacinar hipopótamo (a mão sobre a ferida produz um grande impacto porque não se vê o que está sob ela). É claro que não dava para fazer mais malabarismos porque os pais podiam reagir de uma forma violenta e eu não estava ali para apanhar, sobretudo naquele personagem fragilizado pela dor.
Um pequeno burburinho iniciou-se com a minha passagem. Só não ouvi, para minha tristeza, crianças chorando, mas caras em pânico sim. Não tive tempo para me arrepender ainda, mas não descarto a possibilidade.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nota de esclarecimento (texto)

Se alguém ainda tinha alguma dúvida:
Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público.  A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas.  As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.
Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.
Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.
Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.
Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.
Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.

Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói
Associação de Moradores do Morro do Estado
Associação de Moradores do Morro da Chácara
SINDSPREV/RJ
SEPE – Niterói
SINTUFF
DCE-UFF
Mandato do vereador Renatinho (PSOL)
Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)
Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK)
Movimento Direito pra Quem
Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Passagem fria (texto)

Estou em Curitiba para uns exames de saúde. Está um frio insuportável por aqui. É claro que já passei por dias mais frios, mais casacos, menos rua etc., mas não consigo me conformar com temperaturas tão baixas. Meu humor, que já não anda lá essas coisas, desce a ladeira
O bom de estar por aqui e poder reencontrar os amigos. Fazia tempo que eu não dava as caras na cidade. Acho que desde janeiro numa passagem superrápida para uma festa e um encontro com uns amigos que moram bem longe, mas estavam no país.
(...)
As primeiras notícias não são boas, mas vou aguardar mais um pouco para comentá-las. Acabei de saber que um amigo morreu, depois de uma semana internado com H1N1. Um cara especial. Um sorriso contagiante e uma educação de fazer inveja.
Como tenho me impressionado com a morte e esbarrado nela. Acho que ando mais atento. Ou ando mesmo mais velho e, inevitavemente, não se tem mesmo para onde ir.  No caso deste amigo, a situação é outra, ele era mais jovem, 31 anos apenas. Uma fatalidade, sei lá.
Aproveitei tb a passagem para comprar um livro indicado por uma amiga: "Sem nome" de Helder Macedo. Não o li, naturalmente; e dois CD´s: África Natividade de Sandra de Sá (ouvi dia desses no programa do Serginho Groisman) e o outro a trilha sonora do filme Alice no País das Maravilhas (de Tim Burton) que estreia no dia 21 de abril, este sem a indicação de ninguém e tb sem ouvir uma faixa sequer.
É isso, apenas para registrar  esta passagem fria pela capital.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A obviedade das chuvas (texto)

É demasiadamente triste ver as cenas de pessoas desesperadas em busca de possíveis sobreviventes depois da enchete que lavou o Estado do Rio de Janeiro. Pessoas que perderam filhos, mães, sobrinhos, tios, vizinhos, amigos além de bens materiais. Fiquei hoje, assim como ontem, desanimado diante de tanta miséria, do descaso de quem ganha dinheiro e tem por atribuição administrar a cidade. A velha conversa de que anos de abandono deixaram a cidade dessa maneira.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, fez parte de outras administrações da cidade. E tem a cara de pau de afirmar que "mais de uma década de descaso deixou a cidade do Rio no estado em que se encontra", como se não tivessa absolutamente nada a ver com esse descaso.
Tem culpa sim. É responsabilidade dele, porque é ele o prefeito da cidade, porque depende dele a fiscalização, porque é a prefeitura a responsável pela limpeza da cidade, a sua administração tem sim a obrigação de manter a cidade limpa.
Tanto choque de ordem serve pra quê? Promoção de uma prefeitura que pouco se importa com as coisas que realmente importam: a vida das pessoas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A chuva no Rio (texto)

Qualquer pessoa que não seja, naturalmente, governador, prefeito, deputado estadual, vereador, sabe que a geografia da Cidade do Rio de Janeiro, ou seja, uma cidade entre as montanhas e o mar, difilculta o escoamento das águas das chuvas. Não é preciso ser especialista no assunto. Eu, por exemplo, sou professor de português e sei disso muito antes de poder escolher os meus representates na cidade e no estado do Rio de Janeiro. Qualquer carioca, fluminense, sabe disso.
Todos nós sabemos tb que uma chuva de 24 horas não é nenhuma brincadeira, mas sabemos ainda porque moramos no Rio, que qualquer chuvisco de 15 minutos inunda a cidade.
Sabemos tb que essa geografia não é exclusividade dessa cidade. Sabemos, além disso, que quando NADA é feito, nenhuma providência é tomada, além de tudo o que se faz quando as mesmas catástrofes assolam a cidade (sobrevoar, decretar luto oficial, acusar os moradores das favelas de jogarem lixos na rua etc. e tal), as cenas serão sempre as mesmas.
Em janeiro deste ano, dezenas de pessoas morreram em virtude das chuvas que atingiram O Estado do Rio de Janeiro. Novamente as mesmas cenas se repetem. 
"A chuva é uma obviedade, não é uma novidade. A chuva anômala, catastrófica, também, pois temos uma longa história de tragédias como as destes dias (...) O descaso que causa as tragédias quando a chuva é catastrófica é um corolário dessa surpresa sempre repetida. (...) todas as vezes que chove nossas vidas são transtornadas como se fosse a primeira vez.
O problema do Brasil não é que as coisas não tenham precedentes. Há precedentes para tudo que nos aflige. O problema é que os precedentes não nos ensinam nada. Assim continuaremos reclamando que os esgotos pluviais não dão conta das grandes chuvaradas e precisam ser refeitos, até a inundação regredir e não se falar mais nisso. Continuaremos protestando contra construções em áreas perigosas até os deslizamentos pararem e o tempo melhorar, e esquecermos. E cada tragédia, como cada dia de chuva, será sempre como se fosse a primeira vez."

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Cigarra e a formiga (Textol)



Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas. Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno.
Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem o bate-papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha gelada. Seu nome era "Trabalho", e seu sobrenome era "Sempre".
Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou nem um minuto sequer. Cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu prá valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir. Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando.
A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca, repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome, do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu. Sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari amarela com um aconchegante casaco de vison. E a cigarra disse para a formiguinha:
- Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris.
- Será que você poderia cuidar da minha toca?
- E a formiguinha respondeu:
- Claro, sem problemas!
- Mas o que lhe aconteceu?
- Como você conseguiu dinheiro para ir a Paris e comprar esta Ferrari?
E a cigarra respondeu:
Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer show na Cidade Luz...
A propósito, a amiga deseja alguma coisa de lá?
Desejo sim, respondeu a formiguinha.
Se você encontrar por lá um tal de La Fontaine, manda ele ir para a
'Puta Que O Pariu!!!'

domingo, 4 de abril de 2010

As minhas implicâncias (texto)

Sou implicante mesmo. Implico com as celebridades que são produzidas aos montes e sobrevivem, quiçá, a uma temporada. Implico tb com os agroboys que passam a toda velocidade na rua, na cidade onde eu moro ouvindo música sertaneja no último volume (nada contra a música, mas ao volume), com gente que acaba de comer e enfia palito de dente na boca ou fica chupando os dentes. Implico tb com gente que joga lixo no chão, gente que não diz "bom dia", gente que não sabe a diferença entre público e privado, gente que vai ao cinema para conversar. Gente que não respeita fila. Gente que acha normal chegar atrasado etc etc etc etc e tal.
Como se pode perceber estou a cada dia mais implicante. Agora, não tenho suportado aquela mãozinha em forma de coração que se faz quando se é fotografado. Meu deus, o que é isso? Que coisinha mais brega! O que será que passa pela cabeça de alguém que  diante do fotógrafo faz esse gesto?

sábado, 3 de abril de 2010

Um passado (texto)

O passado não existe, quero dizer, não empiricamente. Ele é reiventando à medida que se esbarra nele, é reconstruído pelas histórias que se contam, mas de fato ele não está em lugar algum. Ando, faz alguns meses, querendo reencontrar um passado, às vezes distante demais, às vezes logo ali, mas não consigo, porque é um jogo que se inicia já perdido.
Nenhuma história fica congelada. O tempo é dinâmico e toca os atores de maneira distinta. Não escrevo aqui me baseando em nada, apenas sinto. Não tenho nenhuma pretensão em teorizar a memória, o passado, a história pessoal, mas, como vivo, tenho sensações que me permitem escrever.
Não é um desinteresse pelo presente ou uma resistência ao futuro. Mesmo. Até porque o tempo que será, já foi, se já foi é passado, se é não é mais e assim por diante.
Eu não quero repeti-lo (refiro-me ao passado), não quero acordá-lo, não o quero de volta. Mas me sinto, certas vezes, sem história. Parece que falta referência. Há um grande vazio que queria poder explicar, e não consigo, não posso.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Feriado (texto)

Estamos em recesso desde quinta-feira. Muito bom não precisar ir à universidade. Não tem nada a ver com não trabalhar, hoje mesmo tenho coisas do trabalho para fazer. Ontem, não fiz absolutamente nada. Aproveitei o dia para dar uma volta no centro porque nunca dá tempo já que estamos trabalhando o dia inteiro e aos sábados o movimento é outro.
A semana foi boa: conversa com antigos amigos, papo com o Paolo, ligação rápida para Nanci (que preparava a páscoa para os meninos). Não sei bem o que vou fazer já que os amigos viajaram. Não quis viajar e por isso vou ter que inventar algum programa. A vida no interior não é muito fácil quando o assunto é inventar coisas para fazer. Acostuma-se.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Piada: dia internacional do homem (texto)

Não faz sentindo algum um dia Internacional do Homem, dias comemorativos remetem quase sempre a lutas por espaço, a reconhecimento, a direitos civis, a direitos políticos etc. Numa sociedade machista como a nossa um dia para se comemorar o dia do homem seria tão importante quando um dia Internacional do Tênis número 43. Bobagem pura. Sentido nenhum. O homem não precisa de um dia para lutar contra a repressão, humilhação, diferença no tratamento. 
Só poderíamos mesmo comemorar isso num dia Internacional da Mentira!

O serviço público (texto)

E como tudo tem sempre um outro lado, há tb no Serviço Público (SP), e todos sabemos disso, ilhas de excelências em prestação de serviço em todos os níveis, diga-se de passagem. Mesmo porque  se consegue driblar a estrutura, quase sempre precária, e oferecer um atendimento de primeira. Tenho vários exemplos de SP que funciona: a Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, é um bom exemplo para se pensar nesse SP que produz com qualidade. Lá existe a cultura da equipe, ou seja,  na senhora da limpeza  que compreende como essa cultura deve funcionar até o pesquisador empenhado na novas descobertas.
Quando se trabalha por uma causa: educação, saúde pública, talvez o SP, finalmente, tenha encontrado a sua função e nessas áreas, sobretudo, ele (ainda que precariamente estruturado) produz. Concentra-se nas universidades públicas a maioria das pesquisas  brasileiras, nestas tb há o ensino de qualidade (não se buscar entrar numa instituição pública apenas porque não se paga) porque se investe na formação do professor e isso se reflete em sala de aula: a pesquisa a serviço do ensino.
Além disso, o foco do SP é sempre o coletivo, não devendo funcionar por conta de interesses individuas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O (de)serviço público (texto)

O setor público é cheio de vícios: desde o telefone que toca e ninguém atende, passando pelo paletó pendurado numa cadeira vazia  até aquele que discursa pelo trabalho (mas tudo não passa de encenação). 
O pior de todos os vícios está entranhado numa grande parte dos funcionários que é o protecionismo, ou seja, tenta-se a todo custo varre para baixo do tapete tudo aquilo que está errado (o velho jeitinho que todo mundo diz, em tese, abominar), às vezes porque há um rabo preso, noutras porque não se quer aborrecimento com aquilo que nunca dá em nada.
Não sei o que é pior, se é aquele que enxerga e não vê ou se aquele que vê mas não quer enxergar. Sei apenas que dar murro em ponta de faca ou tentar entender como o serviço público (não) funciona é mais ou menos a mesma sensação: uma tristeza grande descobrir que vc foi vencido pelo casaço, que tanto desgaste apenas desbota as relações pessoais e, que no final, tudo estará igualzinho sem um avanço sequer, porque não existe a vontade de mudar, porque já se apreendeu viver daquele e naquele jeito, porque qualquer mudança requer esforço. E tudo isso cansa muito.

"Nossas vidas começam a morrer no dia em que calamos coisas que são verdadeiramente importantes". (texto)

O título deste post é uma frase de Martin Luther King, ele lutou pelos direitos dos negros nos E.U.A. Essa luta pelos direitos dos negros norte-americanos extrapolou as fronteiras do país. O ativista é reconhecido e citado quase sempre quando as lutas por direitos estão na pauta do dia.
Essa frase foi citada por Ricky Martin, 38 anos, porto-riquenho, esta semana quando em seu blog assumiu a sua homossexualidade: "Tenho orgulho de dizer que sou um felizardo homem homossexual. Sou muito abençoado em ser o que sou", escreveu ele.
Li alguns comentários em blogs sobre o fato do cantor "sair do armário", alguns deles diziam respeito à questão de que a sexualidade do cantor não era um segredo (ou seja, já era de conhecimento público que  o ex-menudo era gay), outros diziam que não era relevante, em 2010, ainda haver preocupação com a sexualidade de alguém, alguns ainda diziam que assumir-se publicamente era perigoso já que existe muito preconceito em torno da homossexualidade.
O que mais achei interessante, nisso tudo, é que, como falamos de um lugar bastante específico, ou seja, falamos aquilo que nos cabe e não aquilo que queremos dizer, existem muitas versões disputando espaço sobre a homossexualidade: resistência, preconceito, perigo, banalização, sexualidade, entre outros, e isso tb significa dizer que, ainda que haja muita resistência (no sentido negativo) sobre o tema, há tb uma forma de encará-la com mais tranquilidade.
Como tudo o que é "novo" briga por espaço, não seria diferente em relação à homossexualidade, sobretudo em relação à sexualidade (todas elas) que é um tema silenciado ainda hoje.

terça-feira, 30 de março de 2010

Velhos amigos (texto)

Não faz muito tempo, postei um pequeno texto sobre as cartas, que encontrei na casa dos meus pais, dos velhos amigos, aqueles lá da adolescência (para ser mais preciso, o post foi do dia 27 de dezembro de 2009).
Enquando eu escrevia aquele texto nem imaginava que eu pudesse reencontrar um daqueles amigos. O encontro foi virtual, mas valeu à pena poder saber como uma grande amiga estava. 
Perguntei, sem muita pretensão, para uma amiga sobre uma amiga que tínhamos em comum. Mas a chance delas ainda estarem em contato era tão improvável quanto o contato que eu poderia ter com ela (a segunda amiga). Mas o improvável às vezes nos surpreende. E não é que elas ainda eram amigas próximas! Daí para nos encontrarmos, um pequeno passo. Já trocamos alguns e-mails (na verdade, recados no orkut) e tem sido muito bacana saber o quanto pensamos um no outro durante todos esses anos (mais ou menos uns 20 anos sem nos ver).
Acabei de pedir permissão para postar uma foto dela aqui. Agora é aguardar e ver o que ela me diz. 
Ando saudosista, é verdade, desde que a minha mãe começou a ficar mais doente. Talvez seja uma vontade inconsciente de voltar no tempo e poder fazer o que não fiz.


segunda-feira, 29 de março de 2010

Armando Nogueira

"Pelé é tão perfeito que se não tivesse nascido gente, teria nascido bola” Armando Nogueira 1927-2010.

D. Neusa (texto)

Ontem trabalhei até às 22h. Isso mesmo! Domingo trabalhei o dia inteiro. E quando escrevo o dia inteiro quero dizer das 6h30 até às 22hs. Foi bastante cansativo. Hoje, viajamos 7hs para chegar em casa. Cheguei e ainda estou aqui, diante do computador lendo uma monografia para conversar com um aluno amanhã (é claro que não leio ao mesmo tempo que escrevo no blog). Mas antes disso, já coloquei a roupa para lavar e fui ao mercado, além é claro, de colocar ordem na casa, porque na desordem não consigo ler, não consigo escrever, não consigo pensar, já que o meu pensamento para na desorganização. TOC total.
Mas como tudo tem sempre o outro lado, mesmo um dia cansativo como o de ontem, tive horas agradáveis: principalmente no início da noite (próximo das 20hs) quando, num intervao entre os recursos que chegavam, paramos para conversar um pouco. D. Neusa é um professora aposentada e coordenadora da comissão do concurso que organizamos. Uma senhora bonita, não me atrevo a adivinha a sua idade, mesmo. Sei apenas que ela deu aulas durante 51 anos e se formou mais ou menos aos 20, não sei quanto tempo está aposentanda.
Ouvi histórias interessantíssimas de Getúlio Vargas à ditadura militar, passamos por Darcy Ribeiro (aí me lembrei muito da minha mãe que era fã do antropólogo), pelas histórias de Sto. Antônio da Platina, sobre os seus filhos, enfim, sobre a sua forma de ver o mundo. Sempre tão lúcida e atual. Fiquei ali ouvindo e pensando no quanto se acumula com o tempo. No quanto as pessoas podem se tornar interessantes com a idade.
Envelhecer com sabedoria: a melhor receita, a mais complicada.

sábado, 27 de março de 2010

Orkut (texto)

Eu gostaria de fazer, pelo menos, duas observações sobre o Orkut, primeiro, que, pelo fato de ser um site bastante usado aqui no Brasil, a possibilidade de encontrar pessoas conhecidas é muito grande, e, além disso, ele é bastante fácil de usar. A gente cria um perfil, coloca uma foto e pronto, os amigos vão aparecendo aos poucos. Por outro lado, apesar dessa aproximação entre pessoas, ele é um site da empolgação do momento do encontro. Ou seja, há um certo furor quando pessoas que há muito não se viam se encontram, trocam-se algumas mensagens e ponto final. Parece que é o "vê o visto", aquela empolgação, aquele furor, aquela alegria do encontro inesperado vira terra-a-terra.
Tenho um perfil no orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=11297210407184207463) faz alguns anos e vezinquando encontro velhos amigos. E tudo acontece mais ou menos da mesma maneira: aquela alegria que perde o brilho quase que imediatamente após o reencontro.
Não sei se isso se dá com todos, ou se é uma impressão pessoal, ou se eu fico querendo sempre mais e acabo me decepcionando. Sei que mantenho um contato constante com menos de dez por cento dos meus amigos. E sempre acho isso uma pena!



sexta-feira, 26 de março de 2010

A Hora do Planeta 2010 (texto)

Amanhã, dia 27 de Março, entre 20h30 e 21h30 minutos é a Hora do Planeta 2010 (hora de Brasília). O Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta.
Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.
A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades participaram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, o movimento superou todas as expectativas. Centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro. Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização.
Em 2010, com a sua participação, vamos fazer uma Hora do Planeta ainda mais fantástica!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ministro de Israel agradece a Deus pelo "privilégio" de expandir assentamentos (texto)

Como um acordo de paz poderá se concretizar se cada uma das partes envolvidas não arreda um dedo em suas convicções? Como é que palestinos e israelenses podem falar em nome de Deus e haver entre o que é dito tanta contrariedade? A quem pertence Jesusalém? No meu ponto de vista, ao mundo: tanto palestinos quanto israelenses têm direitos na ocupação da área. E mais, ainda que seja utópico, o mundo não deveria ser organizado em fronteiras.
O ministro israelense do Interior, Eli Yishai, agradeceu a Deus pela possibilidade de participar da decisão de expandir assentamentos judaicos localizados em territórios palestinos ocupados: "Dou graças a Deus pelo privilégio de ser o ministro que aprovou a construção de mil casas em Jerusalém", disse hoje ao jornal "Iom leiom".
E na segunda-feira, dia 22, em discurso perante a reunião anual do Aipac (Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense), o principal grupo de lobby judeu nos EUA, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "o povo judeu construiu Jerusalém há 3 mil anos, e o povo judeu constrói Jerusalém hoje. Jerusalém não é um assentamento. É nossa capital".
A afirmação de Yishai confirma a posição de Israel de manter os planos de expansão dos assentamentos em Jerusalém Oriental, ponto polêmico que dificulta os esforços de negociações indiretas, mediadas pelos EUA, que deveriam começar ainda este ano.
A cidade é disputada por palestinos e israelenses, e o anúncio das novas construções levou Israel a sofrer pressões da comunidade internacional e à crise com seu principal aliado, os EUA.
Na entrevista ao diário, o ministro ainda acrescentou que a cidade é a "capital do povo judeu", onde os israelenses têm construído há muitos anos e a expansão não deve parar.
Yishai assegura que a conduta da Casa Branca "reforça" o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e lhe dá "desculpas" para recusar a retomada das negociações com Israel, paralizadas há mais de um ano.
O ministro afirma que desde a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Israel, quando aumentou a tensão entre as duas nações, os israelenses têm notado um endurecimento da postura da Palestina e se mostra convencido de que Abbas não quer a paz.
Outros ministros se pronunciaram hoje sobre a reunião ocorrida em Washington na terça-feira, entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.
Segundo a imprensa israelense, a delegação foi "humilhada" pelos anfitriões americanos na Casa Branca.
O vice-primeiro ministro Silvan Shalom disse à rádio estatal de Israel que a construção das colônias judaicas em Jerusalém Oriental -- praticada por todos os governos anteriores há quatro décadas -- é "incondicional" e não pode ser abandonada.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nada

Estou aqui querendo postar um texto, mas não tenho ideia sobre o que escrever. Tenho duas opções, pelo menos, ou não posto nada (e espero um momento em que apareça algo que realmente me chame atenção) ou insisto para ver onde isso aqui vai chegar. Escrever sobre nada não é muito tranquilo, porque a gente precisa preencher um número mínimo de linhas sobre assunto nenhum sem que isso fique muito claro para quem estiver lendo o que se escreveu. O interessante é vc escrever sobre coisa alguma como se aquilo tivesse alguma importância.
Posso tentar escrever sobre a minha preocupação com a situação econômica do país e isso, a preocupação, normalmente recorrente em relação à economia pode me render algumas linhas, mas não consigo escrever, nem que seja, um pequeno texto sobre ela.
Poderia então escrever sobre o meu dia, mas hoje foi um dia tão igual a todos os outros dias, sem nenhuma surpresa que escrever sobre ele seria chover no molhado. Nada mais sem graça do que se repetir. Acho a repetição sacal. Dizer o mesmo sem dizer nada é realmente falta de criatividade.
Pronto! Tenho aqui um pequeno texto com tudo aquilo que um pequeno texto precisa ter, mas sem dizer absolutamente nada.
Que dias melhores venham!

terça-feira, 23 de março de 2010

Isabella, imprensa, efeitos de sentido

Impossível ficar indiferente ao julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar Isabella, de 5 anos, em 2008, diante do bombardeio jornalístico em torno do caso. Lembro-me muito bem do que a imprensa produziu em março de 2008: uma profusão de notícias diárias em todos os meios de comunicação brasileiros durante, aproximadamente, um mês: a imagem (a partir de indícios periciais) que se repetia incansavelmente da menina sendo jogada da janela; os pais de classe média de São Paulo envolvidos no crime; a mãe inconsolada; os amiguinhos da escola; os avós; os vizinhos; os populares. Não podíamos não nos envolver com toda aquela situação. Não podemos não nos envolver com este desdobramento do caso.
Lembro-me tb que nos meses que se seguiram ao caso Isabella, outros casos semelhantes acontecerem: mas a imprensa não deu o mesmo tratamento. Ouvi amigos dizerem que eles, esses outros casos, não se tratavam de crianças da classe média. Outros ainda disseram que a questão girava em torno do esgotamento da mesma notícia. Não sei mesmo o motivo, sei apenas dizer que o tratamento da imprensa foi diferente.
Agora somos outra vez bombardeados com notícias do julgamento do pai e madrasta da menina. Quase uma catequese. Não temos muitas escolhas, a não ser  assistir a CNN, ler um livro, escrever, ficar aqui na internet (sem abrir sites de notícias, é claro). Parece que nada mais importante acontece na imprensa brasileira. As imagens são insistentemente repetidas que deixam de produzir o mesmo efeito: "repetir a fossa, repetir o inquieto repetitório".
Sei que a função da imprensa não é outra senão criar a sensação de que esta é A Notícia, e, pior, a sensação de que necessitamos dela para ficarmos bem informados. Resta-nos pouuco, bem pouco: ou nos curvamos ao Jornal Nacional (e todas as outras versões dele) ou deixamos que o mundo lá fora siga o seu rumo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Da Série: somos todos iguais ou existem pessoas mais iguais que outras? (texto)


Ex-Senador Republicano diz que união gay permite casamento com cavalo.
Republicano que concorreu com o senador John McCain pela candidatura do partido à Presidência, em 2008, o ex-senador republicano J.D. Hayworth disse neste domingo (14) que a decisão da Suprema Corte de Massachusetts de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo é tão "equivocada em sua lógica" que pode permitir a um homem casar com seu cavalo.
“A Suprema Corte de Massachusetts, quando iniciou esse movimento pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo, na verdade definiu casamento como simplesmente ‘o estabelecimento de intimidade’”, disse o ex-senador conservador em entrevista a uma rádio de Orlando, segundo o site "The Huffington Post".
“Qual o perigo disso agora? [...] Eu acho que isso significa que se você tem afeição pelo seu cavalo, você poderia casar com seu cavalo. Esse é o caminho errado a seguir, e a única maneira de proteger a instituição do casamento é com esta emenda que eu apoio”, disse Hayworth.
De acordo com o site norte-americano, estudos recentes mostraram que a lei, além de não ter provocado uniões entre homens e cavalos, tem ajudado a diminuir a taxa de divórcios no estado de Massachusetts.
Hayworth, que defende uma emenda para limitar o casamento à união entre homem e mulher, repetiu uma declaração semelhante famosa de outro ex-senador republicano, há sete anos.
Questionado sobre o casamento gay durante uma entrevista ao “USA Today”, o então senador Rick Santorum disse que “a definição de casamento em qualquer sociedade”, em sua concepção, não incluía a homossexualidade. “Não se trata apenas de homossexualidade. É sobre adulto e criança, adulto e cachorro ou qualquer outro desses casos”, disse.

Da Série: somos todos iguais ou existem pessoas mais iguais que outras? (texto)

Veja bem, se isso acontece no, chamado, Primeiro Mundo, imagine só o que não aconteceria por aqui? Um casal gay britânico teve sua hospedagem em uma pousada da região de Berkshire recusada pela proprietária que alegou ser "contra suas convicções" permitir que dois homens dormissem em uma mesma cama. Michael Black e John Morgan (esses aí da foto), de Cambridgeshire, tinham reservado um quarto duplo em uma pousada, a Swiss, na cidade de Cookham, na noite de sexta-feira, para encontrar amigos e assistir a uma peça de teatro na cidade.
Mas, quando eles chegaram, a proprietária, Susanne Wilkinson, se recusou a deixar o casal ficar. Ela admitiu que recusou a hospedagem do casal, pois é contra sua política acomodar casais do mesmo sexo. "Eles não me avisaram com antecedência, e eu não poderia oferecer outro quarto, já todos estavam ocupados. Não vejo a razão de mudar minha opinião e minhas crenças, que tenho há anos, apenas pelo fato de o governo me obrigar", disse Wilkinson à BBC. "Não tenho um hotel, tenho uma pousada, e esta é uma casa particular," acrescentou Susanne.
Black e Morgan, por sua vez, denunciaram a situação à polícia. De acordo com a Lei Britânica de Igualdade, de 2006, é ilegal discriminar pessoas devido à sua orientação sexual.
"Somos dois homens respeitáveis de meia-idade. John (Morgan) é líder do grupo dos Liberais Democratas no Conselho Municipal de Huntingdon", afirmou Black à BBC.
"Esta foi a primeira vez que nós tivemos uma experiência direta de homofobia, apesar de termos 56 e 62 anos. Ficamos chocados e constrangidos."
Desculpas
Black afirmou que, logo ao ver a chegada dos dois à sua pousada, Wilkinson, já mudou sua atitude.
"A senhora Wilkinson nos viu antes de sairmos do carro e, imediatamente, começou a agir de uma maneira fria, nos recebendo mal. Mas eu e meu namorado fomos educados e simpáticos."
"Ela disse que, se tivéssemos avisado antes, ela teria dito para não aparecermos. Ela pediu desculpas por nos recusar. Eu pedi pela devolução do dinheiro da reserva, e ela devolveu prontamente", afirmou.
"Nós fomos educados e, para ser justo, ela não foi rude ou (teve comportamento) abusivo", acrescentou.
A polícia registrou a ocorrência como incidente de homofobia. Um porta-voz da instituição de caridade britânica Stonewall, que faz campanha pela igualdade e justiça para lésbicas, gays e bissexuais, afirmou que rejeitar uma pessoa com base em sua orientação sexual é ilegal.
"A lei é bem clara: é ilegal que empresas rejeitem clientes gays ou os discriminem ao fornecer produtos e serviços e não se pode passar por cima disto por causa de preconceitos pessoais", afirmou Derek Munn, um dos diretores da Stonewall.

Somos todos iguais ou existem pessoas mais iguais que outras? (texto)


Deu na Globo.com: Aluna lésbica pede para levar namorada como par, e escola cancela baile nos EUA. O caso foi parar na Justiça em Fulton, no estado do Mississippi. Constance McMillen, de 18 anos, quer ir à festa vestindo terno.
Constance checa suas redes sociais na escola agrícola do condado de Itawamba, em Fulton, no estado americano do Mississippi. Constance, assumidamente lésbica, queria ir ao baile da escola com sua parceira do mesmo sexo, vestindo um terno, mas não teve permissão da escola. O distrito escolar chegou a anunciar a proibição de casais do mesmo sexo na festa. Uma organização pró-direitos civis, a American Civil Liberties Union, apelou ao distrito escolar para que ela pudesse levar a parceira ao baile, mas a escola, sem citar diretamente o caso de Constance, preferiu cancelar a festa, marcada para abril. A organização recorreu a um tribunal distrital em nome da aluna, para garantir a liberdade de expressão dela e realização da festa.
O desdobramento: começa nesta segunda-feira , dia 22.03, nos Estados Unidos um processo judicial para tentar revogar a decisão de uma escola secundária do Mississippi de cancelar o baile de formatura depois que uma aluna lésbica manifestou a vontade de comparecer vestida de terno e acompanhada de sua namorada.
A escola Itawamba County havia determinado que Constance McMillen, de 18 anos, poderia levar a parceira à festa, mas impôs que as duas fossem com vestidos e que não chegassem juntas, dançassem ou trocassem carícias. Ou seja, elas até podem se assumir homossexuais, desde que não manifestem, em nenhuma hipótese, a sua homossexualidade.
Após a recusa de McMillen de aceitar as condições e de recorrer à Justiça, a escola decidiu cancelar o evento, que estava marcado para 2 de abril. A escola também está sendo acusada de ter violado o direito à liberdade de expressão da aluna.

Apoio: McMillen diz que passou a ser discriminada no colégio depois do caso. Pais dos demais alunos organizaram um baile de formatura particular e não a convidaram. O caso, no entanto, ganhou repercussão nacional. A União Americana pelas Liberdades Civis anunciou seu apoio a McMillen. No Facebook, uma comunidade favorável a ela conta com mais de 384 mil membros. A jovem também foi entrevistada no popular talk show da apresentadora lésbica Ellen DeGeneres, e recebeu uma bolsa de estudos no valor de US$ 30 mil de uma empresa de mídia digital

domingo, 21 de março de 2010

Cadê as chaves? (texto)

Ontem fui ao cinema, assisti ao filme Uma visão do Paraíso. Gostei bastante. Cenas muito bonitas. Depois da sessão, resolvemos comer alguma coisa e tomar outra para acompanhar. Papo vem, risada daqui, papo vai, risada de lá. Um conta uma história aqui outro conta outra, e como éramos três, tínhamos  muitas histórias para contar. Por volta das 23h, resolvi tomar o caminho de casa (não sou mesmo mais do tipo que entra pela noite). Pagamos a conta, e fomos caminhando em direção à casa de uma amiga, mais ou menos perto de onde estávamos. 
Apalpa daqui, apalpa dali (antes que alguém pense outra coisa, era uma auto-apalpação), encontro o meu celular e a carteira, mas e as chaves de casa? Não estavavam comigo! Voltamos ao boteco. Não estava por lá. Onde elas poderiam estar? No shopping! Cheguei um pouco mais cedo, antes dos amigos, e tomei um café. Eu poderia tê-las esquecido na mesinha da cafeteria.
Observação importantíssima: o shoppinng fecha depois da última sessão de cinema. Ligamos para um táxi, porque em cidades pequenas, como Cascavel, não existe táxi circulando pelas ruas. Ligamos tb para o cinema. O táxi atendeu primeiro. Ah, ninguém atendia no cinema, mas tinha sinal de fax. Se eu tivesse com  meu aparelho de fax, poderia ter enviado um para o cinema, né?
No shopping perguntei ao segurança que perguntou a não sei quem que respondeu para o segurança que me respondeu que as chaves não tinham sido encontradas. Restava apenas o cinema. Ninguém para nos atender, mas uma sessão estava terminando... precisava esperar.
A mocinha dos bilhetes apareceu e perguntei sobre as chaves. Ela me disse que foram encontradas, "MAS (gelei, como é que naquele horário e em Cascavel poderia ter ainda um MAS? - já me explico) a gerente foi embora às 22h30 e como ninguém apareceu para buscá-las, ela as deixou no escritório, trancadas".
Não tinha mais o que fazer, senão ligar para um chaveiro 24h e pedir para abrir a porta de casa. Eis a questão, ligamos para todos os chaveiros de plantão (todos os 4) e eles resolveram desligar o celular, ou seja, não estavam à disposição no sábado à noite. Cidade pequena tem dessas.
Eu não tinha muita escolha. Teria que dormir na casa de um dos amigos. Pensei, pensei, pensei (porque, é claro que preferiria dormir na minha própria casa) e resolvi voltar ao meu prédio. Eu moro no térreo, ao lado do meu apartamento fica o salão de festas. Entre o meu ap. e o salão de festas tem uma pequena área. Se o porteiro tivesse a chave dessa pequena área e eu tivesse deixado alguma janela aberta, daria para entrar porque tenho uma cópia das chaves. O porteiro não tinha a chave da pequena área, mas a chave do salão. O salão tem janelas para a pequena área. As janelas do meu ap. estavam abertas. Não tive dúvidas, pulei, pulei outra vez e, finalmente, entrei em casa.
As chaves de casa dormiram fora. Mas eu, pelo menos, pude escovar os dentes, tomar banho etc. etc. etc.

sábado, 20 de março de 2010

Papa pede perdão por abusos sexuais (texto)


Talvez não seja o Bento XVI, mas o próximo Papa, certamente, ainda vai pedir muitas desculpas pelos erros que a Igreja Católica continua cometendo. Já reconheceram alguns, mas pelo jeito, não aprendem com a própria experiência. E continuam excluindo, tapando os olhos, fingindo não ver o que acontece, e, o que é pior, quase sempre em nome de Deus. Achando que podem se justificar.
É claro que desculpas são válidas e importantes. É um reconhecimento, mas continuo acreditando que a Igreja somente sob pressão, muita pressão popular (e aí inclu-se a imprensa internacional), e sem ter para onde ir, é que acaba se "redimindo" dos pecados que comete regurlamente, século após século.
Se Deus, realmente, vê tudo, está em todos os lugares, é onipresente e onipotente, Ele tb está de olho nas religiões que se colocam acima dos homens.
O papa Bento XVI afirma em carta pastoral enviada aos católicos da Irlanda que os bispos daquele país cometeram “graves erros de julgamento” no que diz respeito a casos de abuso sexual cometidos por religiosos e pediu ação decisiva, honestidade e transparência.
O pontífice pediu perdão às vítimas e anunciou uma investigação formal das dioceses e seminários envolvidos em escândalos sexuais. Nas últimas semanas, o Vaticano tem sido obrigado a lidar com uma série de acusações não só na Irlanda, mas também na Alemanha, Áustria e Holanda.
“Vocês sofreram gravemente e eu verdadeiramente sinto muito... Eu abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos”, afirma o papa na carta pastoral. “Eu só posso compartilhar a consternação e o sentimento de traição que tantos entre vocês vivenciaram ao tomar conhecimento desses atos pecaminosos e criminosos e da forma como as autoridades eclesiásticas na Irlanda lidaram com eles”, declarou Bento XVI.
Ele anunciou uma “visita apostólica” de algumas dioceses, seminários e ordens religiosas no país, mas não respondeu à pressão para que os bispos envolvidos sejam afastados.
Visitas apostólicas são espécies de inquéritos em que inspetores encontram-se com bispos, diretores de seminários e conventos e responsáveis por paróquias para revisar a forma como certos assuntos foram conduzidos no passado. O resultado são sugestões de mudança de conduta ou até mesmo ações disciplinares.

Podres Poderes (Caetano veloso)

Não me contive, lembrei da letra da música e achei que ela cabia tb por aqui.
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos

Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos

Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais

Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Que país é esse? (texto)

Não é esquecimento, mas indignação! Maluf pai e filho entram na lista de procurados pela Interpol. O advogado da família afirma que é "perseguição política". Fiquei pensando o quando o ex-prefeito de São Paulo tem influência politica, por exemplo, em Nova York.
a Justiça americana determinou a prisão de Maluf pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo. Por aqui, ele continua sendo um político influente e respeitado.
Por que será que todo político acusado de alguma coisa, seja ela qual for, se diz perseguido?
Motoristas podem transferir para outros motoristas as multas de trânsito que recebem. Basta apenas que entrem em contato com um despachante (os números estão por aí, colados nos muros, postes etc.) e este com uma lista de (outros) motoristas  repassa os tais pontos para uma outra carteira de habilitação, mediante, é claro, pagamento (e o valor vai depender da pontuação). É claro.
No Paraná, quiça em todo país, pessoas emprestam seu nome, CPF, conta corrente para depósito de dinheiro público em troca de plano de saúde, dentadura, pão francês etc. Os funcionários que estão envolvidos nesse, digamos, crime não conseguem explicar o que aconteceu.
São pequenos e grandes erros que se repetem. Para uns fechamos os olhos. Achamos até que são justificáveis: fura fila, dar aquele jeitinho para resolver um problema pessoal, chegar atrasado nos compromissos deixando quue nos emperem e por aí vai...
Tem gente que dirige falando no celular e acha isso a coisa mais certa de todas as coisas. Dirigir bêbado, então, nem se fale. Já virou rotina. E ainda em relação à direção, quem é que respeita o sinal vermelho? Somos uns boçais (já dizia Caetano).
Para outros, ficamos mesmo indignados, sobretudo com aqueles que não nos dizem respeito diretamente.

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
(Renato Russo - Que país é esse?)

Perdidos na tradução

Passaram-se  trinta e um anos . Dizer isso em voz alta já produz um certo estranhamento, como se o tempo, em vez de seguir, se acumulasse em...