sábado, 21 de fevereiro de 2026

A experiência de reinventar-se em outro país

Mudar de país inaugura um deslocamento que ultrapassa a geografia. Atravessa hábitos, ritmos, modos de dizer e de silenciar. O corpo aprende outros horários, outra luz, outro desenho de cidade. Cada gesto cotidiano — comprar pão, pedir informação, esperar um ônibus — passa a carregar uma intensidade inédita, como se o mundo pedisse nova escuta e nova leitura.



A língua ocupa um lugar central nesse movimento. Mesmo quando se domina o idioma local, há sempre um intervalo entre o que se quer dizer e o que se consegue formular. Esse intervalo produz consciência sobre a própria palavra, sobre a memória que ela carrega e sobre o lugar a partir do qual se fala. Aos poucos, o estrangeiro percebe que habitar outra língua transforma também a forma de pensar e de sentir.

As relações ganham outra espessura. Amizades antigas passam a existir à distância, sustentadas por mensagens e chamadas que tentam vencer o fuso horário. Ao mesmo tempo, surgem encontros inesperados, marcados por curiosidade mútua e por descobertas compartilhadas. Viver fora implica reconstruir referências e aceitar que pertencimento se constrói no tempo, com paciência e abertura.

Mudar de país é, sobretudo,
uma experiência de reinvenção
. A identidade deixa de parecer fixa e passa a ser percebida como movimento. Aquilo que parecia sólido se rearranja diante do novo cenário. Entre saudade e entusiasmo, instala-se um aprendizado contínuo: viver em outro território ensina que a casa também pode ser um caminho, e que cada deslocamento redesenha quem somos.

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