Tenho, nos últimos meses, procurando pessoas que fizeram parte de um momento específico da minha vida: antes de eu vir morar no Paraná, ou seja, há 33 anos. Gente que esteve ali, em dias que hoje parecem guardados num álbum de retratos pouco visitado. Durante os meses de dezembro (2025) e janeiro (2026), essa busca foi ganhando um lugar maior dentro de mim, como se o passado tivesse batido à porta com calma, sem pressa, mas com insistência.
No começo, eu pensei que era saudade. Que eu queria reencontrar nomes, rostos, risadas, histórias interrompidas. Mas, conforme as semanas foram passando, percebi que o que me movia era outra coisa, mais funda e mais íntima: eu estava indo em busca de mim. De um “eu” que existiu naquele tempo e que, de algum modo, ficou ali, esperando.
Eu me dei conta de que aquela época tinha uma marca muito própria. Era um tempo de trabalho duro, de correria, de compromisso, de responsabilidades. Mas, ao mesmo tempo, era um momento em que eu me permitia mais. Eu me divertia mais. Eu experimentava mais. Eu me alegrava mais. Havia uma espécie de leveza que convivía com o esforço, e isso hoje me parece raro, quase como um luxo.
Talvez o que eu esteja tentando reencontrar não seja exatamente as pessoas, embora elas sejam parte essencial desse cenário, mas o que me ficou daquele tempo. O modo como eu vivia os dias. O jeito como eu conseguia estar presente, mesmo cansado, mesmo cheio de coisas para fazer. A alegria não era um prêmio depois do trabalho: ela caminhava junto, misturada, fazendo a vida ter um outro brilho.
E, no fim das contas, essa busca tem me ensinado alguma coisa: reencontrar pessoas pode ser uma ponte, mas o destino mesmo é outro. É a tentativa de recuperar um pedaço de mim que eu sinto falta. Um pedaço que lembra que a alegria pode fazer parte do caminho.


