segunda-feira, 30 de julho de 2012

A arte de perder (Elizabeth Bishop)

Uma arte

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.


Tradução de Horácio Costa.

sábado, 28 de julho de 2012

Londres 2012

Êba, jogos olímpicos!!! Por mim, 24h ligado em todos os jogos. Claro que mais em uns que noutros, mas ligado. Hoje, judô, vôlei de praia, vôlei de quadra, natação, ansiedade, medalhas...
E sem falar que tudo isso na Inglaterra...abertura muito bonita...atletas...bandeiras...entradas.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Transplante de células-tronco pode ter curado dois homens com HIV (texto)


Um estudo divulgado em Washington nesta semana, durante a 19ª Conferência Internacional da Aids, afirma que dois homens com HIV não apresentaram sinais do vírus no período de oito e 17 meses, respectivamente, depois de receber transplantes de células-tronco devido a uma leucemia.
A pesquisa feita por Daniel Kuritzkes, professor de medicina do Hospital Brigham and Women, em Massachusetts, traz a possibilidade de que os dois homens estejam livres do HIV.
Os pacientes receberam transplantes de medula de doadores com receptor CCR5, mas segundo os pesquisadores, a manutenção do tratamento com antirretrovirais durante o processo impediu que as células doadas fossem infectadas e permitiu que proporcionassem aos pacientes novas defesas imunitárias.
Os dois casos são diferentes do famoso "paciente de Berlim", o americano Timothy Brown, que se considera curado do HIV e da leucemia após receber um transplante de médula óssea de um raro doador que possuía resistência natural ao HIV (sem receptor CCR5, que age como porta de entrada do vírus nas células).

Tratamento experimental
Brown, 47 anos, um ex- HIV positivo de Seattle, nos EUA, ficou famoso depois de passar por um novo tratamento de leucemia com células-tronco de um doador resistente ao HIV e desde então não apresenta traços do vírus.
Depois de 2007, Brown passou por dois transplantes de alto risco de medula óssea e seus testes continuam a indicar negativo para o HIV, impressionando os pesquisadores e oferecendo perspectivas promissoras sobre como a terapia genética pode levar à cura da doença.
"Eu sou a prova viva de que pode haver uma cura para a Aids", disse Brown em uma entrevista. "É maravilhoso estar curado do HIV". Brown parecia frágil quando se reuniu com jornalistas durante a XIX Conferência Internacional sobre a Aids, o maior encontro mundial sobre a pandemia, realizada durante esta semana na capital americana.

O transplante de medula óssea é delicado e um a cada cinco pacientes não sobrevive. Mas Brown afirma que apenas sente dores de cabeça ocasionais. Também disse estar consciente de que sua condição gerou polêmica, mas negou as afirmações de alguns cientistas que acreditam que ele pode ter traços de HIV no corpo e que pode contaminar outros. "Sim, estou curado", declarou. "Sou HIV negativo".

Prazo de vida
Brown estudava em Berlim quando descobriu ser HIV positivo, em 1995. Na época, deram-lhe dois anos de vida. Contudo, um ano depois, apareceu no mercado a terapia antirretroviral combinada, que fez com que o HIV deixasse de ser uma sentença de morte e passasse a uma doença controlável por milhões de pessoas em todo o mundo.
Brown tolerou bem as drogas, mas com fadiga persistente visitou um médico em 2006 e foi diagnosticado com leucemia. Passou por quimioterapia, o que lhe causou uma pneumonia e uma infecção que quase o matou.
A leucemia voltou em 2007 e seu médico, Gero Heutter, cogitou um transplante de medula óssea com um doador que tinha uma mutação do receptor CCR5. Pessoas sem este receptor parecem ser resistentes ao HIV, porque não têm a porta através da qual o vírus entra nas células. Mas essas pessoas são raras: cerca de 1% da população do norte da Europa.
A nova técnica pode ser uma tentativa para curar o câncer e o HIV, ao mesmo tempo.
Brown foi submetido a um transplante de medula óssea com células-tronco de um doador com a mutação CCR5. Ao mesmo tempo, parou de tomar antirretrovirais. No fim do tratamento o HIV não foi mais identificado em Brown. Mas sua leucemia retornou, e por isso foi submetido a um segundo transplante de medula em 2008, utilizando as células do mesmo doador.
Brown afirmou que sua recuperação da segunda cirurgia foi mais complicada e o deixou com alguns problemas neurológicos, mas continua curado da leucemia e do VIH. Quando perguntam se acredita em um milagre, Brown hesita. "É difícil dizer. Depende de suas crenças religiosas, se você quer acreditar que foi a ciência médica ou que se trata uma intervenção divina", disse. "Eu diria que é um pouco dos dois".

*Com informações da France Presse

Navegar impreciso

hhttp://www. O que mudou depois de 14 anos de web? Fiquei hoje pensando sobre todas as mudanças proporcionadas com a chegada da internet aqui no Brasil (na minha casa, no meu celular). A onipresença da rede no nosso dia a dia: compras, trabalho, relacionamentos, educação, entretenimento, informação e tantas outras interferências diretas e indiretas.
Esta semana, encontrei um endereço de um professor da Universidade de Lisboa, enviei um email para ele e pronto: aquela distância impossível que nos separava de todo o resto do mundo não existe mais.
Claro que não é tudo sempre assim, fácil, rápido, ao lado e ao alcance da ponta do dedo. Não mesmo. O acesso ainda é restrito, para poucos. A acessibilidade não é democrática (aquela mesma história da tv digital: para todos desde que se tenha uma tv, uma antena, um decodificador etc. etc. etc.). Sabemos todos que ainda existem muitos excluídos desse processo.
No entanto, não dá para pensar mais, não pelo menos no meu dia a dia, em viver sem ela: meu trabalho seria quase impossível sem a rede de alcance mundial (World Wide Web = WWW), sem o HTTP (HyperText Transfer Protocol - Protocolo de Transferência de Hipertexto), sem essa telinha mágica que nos transporta e nos informa com a agilidade de um tempo que não dá às vezes para medir.
"De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma encarnação", pela rede apenas um toque e estamos em qualquer lugar. O mundo não é grande, ele cabe dentro de megabytes. E toda a distância é mínima diante das possibilidades da rede mundial de computadores.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

7 vidas (texto)

Dizem que gatos têm sete vidas, o meu não teve nem umazinha pra contar história. Cinco meses apenas, um outono e meio inverno, e lá se foi o Duscha, pro céu dos gatos, se é que gatos têm céu. 
Viajei e nem bem tinha chegado e já fiquei sabendo que o gato morreu, diferentemente daquele que atiraram tantas vezes o pau e ele continuou vivinho da silva.
Fazer o quê? Gatos, como homens, também morrem e sabe-se lá quando. Hoje bateu uma saudadezinha dele: correndo feito um louco pela casa, se escondendo para quando eu passasse ele pular sobre o meu calcanhar com um mordida ou as suas insistências para ficar no meu colo enquanto eu digitava (às vezes quieto dormindo, noutras tantas querendo pegar os meus dedos, mordendo o mouse etc.). 
Todo o movimento para ele era brincadeira. Nada lhe era indiferente: a própria sombra, a bolinha de papel, qualquer pedaço de qualquer coisa, as bolinhas do pet, o ratinho de borracha, os sininhos, a luz do laser.
Ele me irritava muito. Nem conto o quanto: toda manhã arranhava a porta do meu quarto para entrar ou se eu estava conzinhando  ele pulava sobre a mesa. Queria enforcar o gato.
Ele tb me fazia rir, muito: era eu tentar arrumar a cama e ele pular sobre as cobertas, se eu pegava a vassoura tava lá ele pronto para me atrapalhar. Não havia pano que ele não puxasse pela casa e nem galho que ele não quisesse comer ou brincar com as patinhas.
Sempre que eu chegava do trabalho eu o pegava no colo e fazia uns carinhos, ele ficava todo espichado nos meus braços. Fiz do gato gato e sapato. Quem sabe ele não foi feliz... eu fui.

Entre o movimento e a pausa

Nosso tempo encarnado é um breve instante diante da imensidão do mundo. Habitar um corpo é experimentar, a cada dia, a delicada consciência ...