Viajar, nesse caso, ultrapassa o simples deslocamento geográfico. Trata-se de um encontro com outras formas de dizer, de pensar e de significar o mundo. Pescara, ainda imaginada a partir de imagens e leituras, começa a ganhar contornos mais nítidos à medida que a partida se aproxima. O mar Adriático, as ruas, a universidade — tudo isso já se inscreve como horizonte, mesmo antes da chegada.
Há também um movimento interno que acompanha essa travessia. Preparar aulas, organizar materiais, retomar textos e ideias: cada gesto se vincula ao que está por vir. A experiência de trabalhar em uma universidade italiana traz consigo a possibilidade de diálogo com estudantes e pesquisadores, em um espaço onde línguas e histórias se entrelaçam, produzindo deslocamentos que não são apenas físicos, mas também intelectuais.
Enquanto os dias diminuem até a data da partida, cresce a intensidade dessa espera. A viagem já começou, de certo modo, nesse intervalo que antecede o embarque. Contar os dias torna-se, assim, uma forma de habitar esse entre-lugar: ainda aqui, mas já em trânsito, com Pescara se afirmando pouco a pouco como destino e como experiência que está prestes a se inscrever na própria trajetória.

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