quinta-feira, 30 de junho de 2016

Da Série: Contos Mínimos

As suas grandes tristezas estavam nas pequenas coisas: era o encontro que não dava certo, o telefone que não tocava, o e-mail que não vinha, a resposta negativa. Aí ele se recolhia no escuro silêncio. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

D. Lúcia e seu Zé - gratidão

Fazia tempo que eu estava querendo escrever um pequeno texto, mas me faltava um assunto, uma ideia, um tema, uma palavra que levasse consigo um início qualquer.
Uma palavra que me envolvesse a ponto de eu conseguir transformá-la numa pequena história.
A palavra que surge é gratidão e a ideia desse texto não era nem de longe a imaginada/esperada por mim. Enquanto a gente pensa em outras coisas, a vida acontece...
Num pequeno espaço de quinze dias perdi duas grandes referências na minha vida: D. Lúcia e seu Zé, pais de grandes amigos (Joubert, Magali, Darven, Catia e Monica). Referências porque, em suas singularidades, estiveram presentes na minha vida durante muitos anos e de maneiras diversas.
Eles não eram apenas os pais desses amigos, mas eram, sem quaisquer dúvidas, pessoas que eu tinha/tenho um grande carinho por muitos motivos. Fui recebido muitas vezes com muita afetividade em sua casa e isso significa muito pra mim. Fui tratado como um membro da família e me sentia um pouco irmão desses amigos.
Seu Zé que me parecia, lá da minha adolescência, às vezes sério demais, calado demais, era um homem que, na sua sabedoria, sempre apostava muitas fichas para que a gente colhesse bons frutos da vida e do futuro (me incluí nessa porque ouvi dele muitos conselhos que nem eram pra mim)
Ele estava sempre pensando no adiante. E aquela seriedade era uma forma de encarar a vida com responsabilidade e de nos mostrar que só assim nos tornaríamos boas pessoas. 
Da última vez que o encontrei, ficamos quase uma hora batendo um longo papo nesta mesma varanda aí da fotografia. Eu contando as novidades dos últimos anos e ele atento me ouvindo, ele me falando dos últimos anos dos filhos e da vida e eu ali totalmente emocionado transformado em ouvidos-atentos as suas memórias.
Ele nem de longe me pareceu aquele senhor sério e calado e seco na minha adolescência, mas, ao contrário, tinha uma doçura enorme nos olhos e nas palavras (que eu não conseguia compreender, à época). Eu saí dessa conversa tão feliz porque a sensação era a de eu que havia resgatado anos da minha vida.
D. Lúcia era uma mulher doce e atenciosa. Parecia muitas vezes que era frágil, que se a gente a tocasse ela se quebraria, mas, ao contrário disso, ela era forte e firme. Sabia sempre o que nos dizer.
Durante aquela minha última conversa com o seu Zé, ela estava, sem me avisar, preparando um cafezinho pra gente. Ela era assim: uma presença tímida, mas importante. Nos deixou ali conversando e a sua forma de mostrar atenção, saudade e carinho foi o café da tarde que nos ofereceu. Era uma presença discreta que fazia diferença.
Essa família muitas vezes foi a referência de família que eu não tinha. Estavam, todos os dias, sem uma falta sequer, presentes. Eu recorria sempre que precisava e, sempre que eu precisava, tinha pelo menos algum deles por perto.
É sempre com muita tristeza que falamos da morte de pessoas tão especiais e queridas, mas, por outro lado, é com muita alegria que eu sinto ter tido este privilégio de tê-los conhecido.

sábado, 25 de junho de 2016

Da Série: Contos Mínimos

Por que as palavras sempre fugiam? Parecia que elas estavam aonde não podíamos estar. Ocupavam os lugares mais áridos, as noites mais escuras ou as claridades impossíveis de enxergar. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

sábado, 18 de junho de 2016

Da Série: Contos Mínimos

Se o amor já vai embora, sempre é cedo. Tem muito dia pela frente se ele não está por aqui. Sobra espaço. Sobram horas. Ah ... se não fosse a música pra me preencher.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Entre médico e loiras

Quando eu era bem pequeno e me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, eu prontamente dizia: médico. Não me lembro o porquê dessa resposta. Não havia médico na minha família (acho que nem entre os amigos da família), mas é possível que esta profissão já fosse socialmente reconhecida e eu já tivesse sido interpelado por isso.
Além dessa clássica pergunta, eu tb era questionado sobre gostar mais das loiras ou das morenas. E eu dizia, sem pensar duas vezes, das loiras. As loiras já deviam, mesmo para homens bem pequenos como eu, povoar os sonhos. Eu sequer sabia o que era gostar mais, mas respondia. Talvez eu estivesse pensando que as mais bonitas eram as mais raras e as loiras, no Rio de Janeiro do meu dia a dia, eram praticamente inexistentes ou já tinha ouvido que Os homens preferem as loiras.
Nem médico e nem loiras na minha vida. Quer dizer, médicos periodicamente e loiras, muitas loiras, na minha vida. Não na vida amorosa, mas, principalmente, na profissional: desde as que ocupam os bancos em sala de aula até as que dividem comigo o colegiado do curso de Letras.
Entre médico e loiras ... eu não realizei os meus sonhos de criança. Uma vez eu quis dançar, dancei completamente nessa ideia. Quis cantar e não saí do banheiro. Quis viajar muito e conhecer países exóticos. Exótico foram esses sonhos não realizados.
Fiz coisas que não pensava fazer, mas que me eram possíveis em virtude da minha vida. Filho de professora, neto de professores, sobrinho de professores, a escola, portanto, estava inscrita na minha vida. Professor por gostar muito da Língua Portuguesa.
Não me casei nem com loiros e muito menos com loiras: esta cor de cabelos jamais me chamou atenção.
Entre médico e loiras, a vida deu mil e uma voltas. E ando por aqui, ainda hoje, tentando realizar alguns daqueles sonhos de criança. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Da Série: Contos Mínimos

Encontrei um relógio que desmarca as horas. Fui voltando.  Voltando até que reencontrei a minha mãe sentada na varanda. Fui voltando até que a saudade não existia mais. Mas o relógio não parava. Cheguei a minha infância, de volta a sua barriga, ao seu desejo. Resolvi ficar por lá.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Uma negação gritando por socorro

Nesta semana eu sonhei com um bilhete, que eu encontrava sobre a minha cama, de um tio que se despedia de mim. Era apenas isso: uma despedida. E o bilhete era assinado, simplesmente por Tio. É claro que eu não acho que os sonhos sejam presságios, que os sonhos sejam um aviso, que os sonhos me revelem o futuro. 
Eu acredito que o sonho seja de verdade a manifestação do meu inconsciente: e sendo assim, ele me diz alguma coisa. Em despedida tem ida, tem despe, tem pedi(e), tem pedida, tem despedi (e), tem es(x)pedi(e), tem des-pedir, ou seja, des-desejar. Tem uma negação gritando por socorro.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Da Série Músicas que me tocam

Fazia um bom tempo que eu não ouvia o CD Milagreiro de Djavan. 15º álbum do cantor, lançado em 2001. 
Lembro-me que foi, como acontecia com quase todos os discos dele, amor a primeira vista. Fiquei logo apaixonado pela música Farinha, primeira faixa deste LP. Que som delicioso para dançar e ouvir. Um forró animado. Não dá pra ficar parado. Bem, o CD todo é muito bom!
Hoje, sabe-se lá o motivo...assim como quem nada quer...entre um tempero e outro, de repente, me deu uma saudadezinha deste disco e começo a ouvi-lo.
Ouço tudo, danço, canto. Vou relembrando as letras e pensando nesse momento da minha vida: me preparando para me mudar do interior do Paraná para o Rio de Janeiro para fazer o doutorado na UFF. Tempo bom! Cheio de expectativas.
Entre uma lembrança e outra o disco vai chegando ao fim e...o finalzinho é ainda mais emocionante: Cair em si, última faixa deste LP, é pra mim, uma obra de arte. É uma canção linda demais: um casamento perfeito entre a música a letra e a voz de Djavan.
Não parei mais de ouvi-la. Inclusive estou fazendo novamente enquanto escrevo esse post.
Vale ouvir, conferir e se deliciar com esta canção. Vou postar aqui duas versões, uma do cantor/autor e outra de uma cantora amadora, Bárbara Barcellos, que tb arrasa na interpretação da música. Espero que gostem!

sábado, 4 de junho de 2016

Da Série: Contos Mínimos

Resultado de imagem para o homem invisivelAos poucos fui aprendendo a arte de ser invisível. Passando pelas ruas sem que ninguém me visse. Entrando ou saindo dos lugares públicos sem ser notado. Falando sozinho. Perguntando pra ninguém. Incolor, inodoro, absolutamente vivendo a minha ausência.

Chutando o balde

Sei muito pouco sobre política, sei nada sobre economia, sou completamente ignorante para compreender como são realizadas as articulações entre os poderes, mas se eu fosse a Dilma e o PT (isso mesmo, os dois juntos ao mesmo tempo) eu chutava o balde completamente.
Um bico por dia até o balde não poder ser reconhecido como tal. Primeiro, insistia na tese de um plebiscito popular sobre as eleições diretas este ano para presidente da república. Depois, deixava bem claro que se esse plebiscito fosse validado pela população haveria um compromisso dela, sobretudo (porque é uma mulher de palavra), em levá-lo até as últimas consequências.
Não há outra forma de, no Senado, a presidenta obter os votos necessários para voltar ao Planalto se não se opuser veementemente contra esse lixo de política que está sendo feito também pelo próprio PT.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Não gosto de contar com o ovo no cu da galinha

O preço que pagaremos por nossa ingenuidade (ou burrice) não vai ser pequeno. Acreditar em que os grampos envolvendo os políticos do PMDB e de outros partidos podem fazer com que a presidenta Dilma permaneça no Planalto vai enterrar a possibilidade de eleições diretas. Talvez essa possibilidade de eleição seja a única alternativa dos partidos de esquerda nas atuais condições.
Não dá para levar a sério o fato de que um ou dois senadores estão querendo rever os seus votos. Isso me parece muito mais um golpe midiático do que qualquer outra coisa. Além disso, contar com essa pequena possibilidade já é perceber que as escutas não produziram absolutamente nada em termos do reconhecimento de que o Golpe é um Golpe.
Se as tais escutas pudessem alterar a percepção desse plano a ponto de deslocá-lo de forma que muitos senadores (e não apenas dois) estivessem balançados, teríamos sim a esperança de que esse quadro pudesse se reverter. Mas não é isso que está acontecendo. Vamos mais uma vez ser massacrados pelos senadores com o aval do Supremo Tribunal Federal (que estará no comando do processo) legitimando esses votos de forma a nos impossibilitar de questionar o leite derramado.
Os partidos de Esquerda precisam se organizar em torno de um plebiscito popular sobre as eleições diretas para presidente da república (ainda este ano) se se quiser de verdade adiar a tomada definitiva do governo por esses vampiros que se instalaram.