sábado, 30 de maio de 2009

Jonas Brothers & The Beatles

Sinceramente, eu não sabia quem eram os irmãos Jonas até que eles desembarcaram aqui no Brasil (ou melhor, lá no Brasil). Nem ficaria bem um homem da minha idade sair por aí atrás dos CD's (acredito que tenham mais de um porque ouvi dizer que já venderam mais de 10.000.00 cópias) dos Brothers, vestindo uma camiseta I love Jonas Brothers. Não mesmo! E tb não faz parte do meu style (para entrar no ritmo) sair por aí gritando ao estilo "macaca de auditório" (isso ainda existe?) para divulgar os meus gostos musicais. Um pequeno parêntese: as músicas e artistas dos quais gosto tb não corresponderiam a esse comportamento. Já me incomodo bastante com os carros dos agro-boys (com suas gatinhas) que circulam por aqui (e por todos os lugares imagináveis) com sons turbinados ouvindo Bruno & Marrone ou qualquer coisa desse gênero (sem com isso querer criar categoria de gosto). Não é a minha, mas é a de muita gente e tenho que respeitar.
Mas o que me chamou a atenção foi o fato dos Irmãos Jonas (parece coisa de religião!) terem sido comparados com Os Besouros. E eu ter me incomodado com isso...falo tanto sobre essa não-categorização de gostos (melhor, pior, bom, ruim, música boa, música pobre, música meia boca etc.) e me peguei achando o absurdo a tal comparação.
Depois que assisti na TV as meninas (entre 10 e 20 e poucos anos) enlouquecidas no show que os garotos fizeram na Apoteose no Rio de Janeiro percebi que podem sim ser comparados aos The Beatles (que o meu amigo Maurício me perdoe). Eles produzem, por onde passam, o mesmo frisson (ou um semelhante ao provocado pelos Beatles nas meninas na década de 1960) nas meninas do mundo inteiro. Não quero aqui falar sobre a música, até porque não sei o que os meninos (os Jonas) tocam, mas apenas desse desespero adoslescente que se manifesta a cada apresentação desses moços.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

VERGONHOSO!!! (texto)

Deu no Globo.com: O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), admitiu nesta quinta-feira (28) receber de forma irregular auxílio-moradia de R$ 3,8 mil mensais desde o ano passado (Esse auxílio é quase dez vezes o salário mínimo que a maioria dos brasileiros recebem por mês!!! Ele é pago por nós através dos impostos).
Ele disse ter ordenado o cancelamento do pagamento e prometeu debater (Ele devia renunciar!!!) novas regras para o pagamento do auxílio-moradia em reunião da Mesa Diretora que acontece nesta manhã. A Mesa também decidiu que os senadores que receberam de forma irregular o benefício de auxílio-moradia terão de devolver o dinheiro (Isso quer dizer que além do Sarney tem outros?!) O ressarcimento será feito por meio de desconto na folha de pagamento dos senadores (Isso não é suficiente!).
Sarney tem residência em Brasília. Seu caso agrava-se pelo fato de que desde fevereiro, por ser presidente da Casa, ele tem direito a ocupar a residência oficial do Senado. No início da semana, ele negou o recebimento em conversa com alguns jornalistas, mas nesta quinta-feira retificou a informação. O presidente do Senado atribuiu o pagamento a algum erro (É MUITA CARA-DE-PAU!!!) administrativo. Segundo ele, em mais de 30 anos de mandato nunca pediu para receber o benefício.
“Quero pedir desculpas pela informação errada que eu dei. Eu nunca pedi auxílio-moradia, mas por um equívoco, a partir de 2008, me informaram que realmente estava sendo depositado na minha conta o auxílio-moradia. Eu já mandei retirar isso”, afirmou Sarney.
Tá tudo errado mesmo! E nós o que fazemos? O que podemos fazer?

Este é o e-mail do Senador: sugiro uma mensagem para ele - sarney@senador.gov.br

terça-feira, 26 de maio de 2009

3° mandato?! Pô, péra aí...(texto)

O assunto começa a pipocar na imprensa: falam-se de ementas constitucionais; fala-se tb que não se fala sobre o assunto porque ele, o assunto, é hipótese inexistente; fala-se ainda que é casuísmo. Fala-se até em um referendo popular para ratificar a medida.
Como somos gatos escaldados...e para quem sabe ler...não nos surpreendamos se de repente, não mais que de repente, assim como quem não quer nada, de soslaio tivermos essa possibilidade de uma terceira eleição. Da mesma forma como foi no governo do ex-presidente Fernando Henrique em que a reeleição entrou na pauta do dia, como quem não quer nada, como se nada tivesse acontecendo, entrou tb na Constituição, e ele candidatou-se. E foi reeleito.
Sei que o lugar de decisão é a urna e sei tb que, como já citado aqui em outra oportunidade, não podemos fazer nada se a vontade popular for a de ratificação da proposta, mas não me conformo (e quem está preocupado com o meu inconformismo?) com a alteração das regras da forma como sempre é feita. Essa história de que não se mexe no jogo durante a partida (usando uma metáfora do futebol) é besteira porque o jogo sempre estará em andamento, mas que pelo menos fosse às claras, sem essa de deixar tudo para os 44 minutos do segundo mandato. Aí eu fico...

domingo, 24 de maio de 2009

A felicidade que não existe (texto)

Na Caros Amigos número 146 de maio, a psicanalista Maria Rita Kehl fala sobre a depressão em nossa sociedade: os sintomas, os tratamentos, a indústria farmacêutica, os sintomas sociais da doença etc.. O que me chamou mais atenção nessa entrevista foi o fato dela afirmar que mesmo com o grande avanço no desenvolvimento de antedepressivos, o que apontaria para uma sociedade mais feliz, a Organização Mundial de Saúde (OMS) nos apresenta dados que mostram a depressão como uma doença crescente nos países industrializados e que em 2020 será a segunda maior causa de comorbidade (estado patológico ou doença) do mundo ocidental.
A psicanalista tb descreve de maneira bastante simples como não suportamos a tristeza. Ou como ela deve ser o tempo todo evitada no mundo moderno. Como se fosse possível uma felicidade sem fim. Devemos estar felizes 24h por dia. Segundo ela a "moral social é a moral da alegria, do gozo, da farra". E qualquer tristeza é associada à depressão.
Uma outra questão importante é que o remédio não cura a depressão, é só a condição para a pessoa ir se tratar. E que o psiquismo é um trabalho para se enfrentar a dificuldade, enfrentar conflitos, suportar crises, suportar desprazer em momentos, porque não dá para ter prazer o tempo todo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Quem é vc?

Estou postando para saber quem é que passa por aqui. Deixe, por favor, um nome, uma cidade, um bairro e um pouquinho de vc. Obrigado.

Enquanto isso nos EUA...

Americanos são muito estatísticos
Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos
Olhos de brilho penetrante que vão fundo
No que olham, mas não no próprio fundo
Os americanos representam boa parte
Da alegria existente neste mundo
Para os americanos branco é branco, preto é preto
(E a mulata não é a tal)
Bicha é bicha, macho é macho,
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro
E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se
Concedem-se, conquistam-se direitos
(Americanos - Caetano Veloso)

Nos Estados Unidos da América branco é branco, preto é preto e a mulata não é a tal, já nos disse Caetano nos versos acima, na letra de Americanos, no entanto, pelo visto, a orientação sexual de qualquer um não parece ser critério para as escolhas políticas, ao contrário do que acontece aqui no Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou a parlamentar lésbica (sic) Jenny Durkan para assumir o Departamento de Justiça do Estado de Washington.
Jenny tem 50 anos e vive com sua companheira e dois filhos. Ao ter conhecimento do convite, afirmou em nota que "será uma grande chance de servir ao Estado e ao país".
A indicação de Jenny Durkan precisa ainda ser aprovada pelo Senado.

Dia da Língua Nacional (texto)

"Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?"*

Hoje, 21 de Maio, comemora-se o Dia da Língua Nacional e, por isso, rendemos homenagens ao nosso idioma. Herdamos dos portugueses, mas ressignificamos o idioma dando-lhe outras cores: indígenas, africanos e europeus contribuíram com outros tons, outros sons, outros sentidos.
Em meados dos Setecentos, o Brasil era uma babel tropical em que o português já predominava, mas ainda convivia rotineiramente com outros inúmeros idiomas usados nas conversas de indígenas, africanos e europeus.
Em 1757, Pombal proibiu que se falasse outra língua que não o português, e fez dele matéria de ensino obrigatório nas escolas, onde antes se aprendia basicamente a gramática latina.
Quando a família real portuguesa concluiu sua aventurosa travessia atlântica e desembarcou no Rio de Janeiro, em 8 de março de 1808, trazia consigo costumes e uma tradição que não se exprimia apenas em roupas elaboradas, rapapés cansativos ou cerimônias suntuosas. Era antes na ponta da língua que Portugal, abandonado às pressas, ainda se manifestava, de forma mais corriqueira e insistente, do lado de cá do oceano.
A chegada da família real produziu um feito de representação da unidade. A língua portuguesa, assim, se torna símbolo importante da união nacional, mas nem por isso deixou de exprimir a diversidade da nossa formação.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

No limite (texto)

Dar aulas numa universidade é muito agradável. Trabalha-se com adultos e isso faz com que não se perca tempo com aquelas chateações próprias de adolescentes. Certo? Errado! Estou chegando ao meu limite de paciência. Tenho alguns dois alunos que comportam-se mal, apesar de não serem mais crianças, agem como se fossem. Já tentei brigar, reclamar, fazer um cara bem feia, torcer o nariz, olhar fixamente, parar a aula, pedir educadamente que calem a boca, falar baixo, falar alto, não falar nada, falar tudo, mas nenhuma dessas estratégias surtiram o efeito desejado ... hoje trocaram bilhetinhos durante a aula ... a trinta centímetros da minha cara ... saí para beber água para não me irritar mais do que já estava ... respirei duzentas e cinquenta e sete vezes ... voltei e continuei, dentro do possível com a aula que gostaria de dar ...
Pergunto-me, todos os dias, o que é que essas criaturas estão fazendo que não saem para bater um papo longe de mim e da turma já que estão lá apenas de corpo presente?
Por que é que insistem em assistir as aulas que não os interessam?
O que é que leva uma pessoa a "estudar" se a sua vontade é a de estar em outro lugar?
Pergunto-me ainda, será que se sabe quantos ficaram de fora no processo seletivo do vestibular e que estariam loucos de vontade de estudar mas não podem?
Por que ocupar a vaga de outro se, até onde sei, ninguém está ali obrigado?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet (texto)

Alguns cuidados importantes:
1. O computador deve estar sempre sob a vigilância de algum adulto e em área comum da casa.
2. A criança deve ser monitorada quando utilizar computadores.
3. A educação virtual depende tb da família do usuário.
4. A criança precisa entender o que significa material ofensivo.
5. Estabeleça regras. Explique, de forma clara, os riscos que se corre.
6. Existem softwares que filtram e bloqueiam sites impróprios. Encontre um que se ajuste às regras previamente estabelecidas, como por exemplo o NetFilter Família.
7. "Instrua a criança a nunca divulgar dados pessoais na Internet, por exemplo, nome, endereço, telefone, escola e o e-mail em locais públicos, como salas de bate-papo. É a versão moderna do “nunca fale com estranhos”. Recomende que a criança utilize apelidos, prática comum na Internet e uma maneira de proteger informações pessoais" .
8. Conheça os amigos virtuais do seu filho, porque há pessoas mal intencionadas.
9. Quanto mais você souber sobre a Internet mais estará capacitado(a) para instruir seu filho.

DENUNCIE: ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente

"Art. 241. Apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente:

Pena - reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos e multa".

Embriaguez e excesso de velocidade (texto)

O Deputado Fernando Ribas Carli Filho, Partido Socialista Brasileiro (PSB), 26 anos, matou dois rapazes (26 e 20 anos) em Curitiba na madrugada da quinta-feira dia 07. Com excesso de velocidade, 150km/h, o carro do político destroçou o carro no qual estavam os rapazes.
O resultado do exame de dosagem alcoólica feito na amostra de sangue do deputado estadual comprovou que o parlamentar estava embriagado no momento do acidente.
De acordo com a análise, realizada pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba e divulgado no fim da manhã desta segunda-feira (18) pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), havia no sangue do deputado 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Para o Código Brasileiro de Trânsito (artigo 306), a apresentação de dosagem acima de 6 decigramas já é considerada crime, e o nível tolerado é de 2 decigramas.
Além disso, o deputado tinha 130 pontos em sua carteira de habilitação que estava suspensa. Nos últimos seis anos o parlamentar teria recebido 30 multas, 23 delas por excesso de velocidade.
Mais uma vez preciso reforçar que a responsabilidade tb é nossa, porque somos nós quem escolhemos, através do voto direto, esses representantes.
Não quero nem tocar no fato dos rapazes mortos, na família desses meninos, na mãe do deputado que manifestou indignação pelo ato do filho, mas ressaltar que se não mudarmos a forma como escolhemos os vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes seremos todos os dias bombardeados com histórias semelhantes.
Morro de vergonha, fico indignado, mas a vergonha e a indignação devem servir para mudar alguma coisa, senão não adiantou nada essa tragédia.

O pequeno traidor (filme)

O pequeno traidor é um filme de 2007, dirigido por Lynn Roth e conta a história de um menino israelense e um soldado britânico. Em 1947, meses antes da criação do Estado de Israel, tudo o que Proffi (Ido Port) deseja é que o exército britânico saia de sua terra. Ao soar o toque de recolher, o menino é pego pelo sargento Dunlop (Alfred Molina). Proffi tinha a intenção de espionar o bunker inglês. O militar, ao invés de prendê-lo, decide deixá-lo em casa. Proffi fica surpreso ao perceber que Dunlop tem grande curiosidade pela cultura local e o inimigo, este soldado inglês, não é como ele imaginava. Aos poucos o menino e o soldado tornam-se amigos e esta amizada tem um preço bastante alto a ser pago pela criança.
O filme é emocionante, sensível. Mostra como as amizades nascem, e mais, que às vezes o diabo não é tão feio como parece ou ainda que os aliados podem ser mais crueis do que imaginávamos.
Vou assistir novamente!

sábado, 16 de maio de 2009

17 de MAIO - Dia Internacional contra a Homofobia (texto)

O Dia 17 de Maio é o Dia Internacional contra a Homofobia. A data foi escolhida porque neste dia, em 1990, a Homosexualidade deixou a lista de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nesta data tb se luta pelo direito à indiferença, ou seja, para que a orientação sexual não seja critério para a discriminação de qualquer ordem: que a homossexualidade passe sem ser notada. Os homossexuais querem ser reconhecidos pelo seu caráter e não pelo seu desejo sexual.
Luta-se tb, porque há muito ainda para se fazer, contra a violência motivada pela orientação sexual.
É muito importante que todas as pessoas compreendam que ser homossexual ou heterossexual é apenas um detalhe e que há muito mais semelhanças nessa diferença. Da mesma forma que a cor da pela não diz nada além da cor que se tem, a orientação sexual não diz nada além do desejo que cada um carrega.
Um mundo melhor e mais justo passa pela compreensão, convivência, respeito e a tolerância (sem se considerar mais normal) em relação ao outro.
Ponha em prática para que o mundo se humanize um pouco mais.

Em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

Contranarciso - Leminski

A cultura da futilidade (texto)

É claro que sou a favor da diversidade. Total e irrestrita. Sem exceção. Sou pela possibilidade da existência e convivência de qualquer que seja a vertente. E mais do que isso, tenho procurado, porque isso é um aprendizado e não acontece da noite para o dia, respeitar as verdades, todas elas. Sem hierarquias. Sempre que posso faço o meu papel como educador para que meus alunos, em algum momento, pensem sobre as diferenças, e mais, procuro mostrar que não espero pelo dia em que todos os homens concordem, apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final. Mas a cultura da futilidade de uma parcela da comunidade gay é insuportável. Não consigo ficar indiferente diante da ostentação como se ela fosse produto de primeira necessidade, cesta-básica.
Sei que não devia, mas fico ofendido diante da seriedade com a qual se fala sobre nada e coisa nenhuma como se fossem muito importantes. Pior, como se fossem importantes para todas as pessoas.
Sei tb que essas afetações não são próprias da cultura gay, mas elas me tocam de maneira diferente quando surgem da boca de parcela dessa comunidade.
Há muito mais para ser mostrado do que alimentar os porcos com pérolas. Mesmo porque isso afasta e a proposta não é com-viver? Não é integração? Não é respeito? Não é o outro e eu também? Pois é ... falta ouvir o que se fala. Tarefa difícil, eu sei (e sei bem), mas investir nisso deveria ser básico.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Que me perdoe se eu insisto neste tema (texto)

Curitiba é uma bela capital. Claro que não me refiro a toda cidade, porque seria o mesmo que dizer que o Rio de Janeiro é lindo ou que é uma Cidade Maravilhosa. Não mesmo. A periferia do Rio é feia, abandonada, desarborizada, suja. Bonitas são partes das zonas sul e central, apenas. Hoje faz um dia lindo por aqui. Faz frio, Céu de Brigadeiro, um ventinho agradável que bate no rosto. As pessoas nas ruas estão elegantemente vestidas. Nessa meia estação ainda é agradável andar pelas ruas. No inverno não. Frio demais é incômodo (pelo menos pra mim).
Gosto dos cafés, das ruas movimentadas e da possibilidade de encontrar o que quero nas livrarias e lojas de CD's. Hoje ouvi o penúltimo CD da Mônica Salmaso "Nem 1 ai", não o comprei mas ele está na minha lista dos próximos a serem adquiridos. A faixa "Saudades dos aviões da Panair (conversando no Bar)" é linda. Os músicos que tocam são de primeira, assim como o seu repertório.
Vi tb livros que me engordaram os olhos, mas como o CD, ficaram para uma próxima vez. Estou sem grana e ainda é dia 15, metado do mês pela frente. Preciso ser menos impulsivo. De qualquer forma, andar por Curitiba faz um bem danado. Respirei um pouco de outro ar e já me sinto mais animado.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Nanci (texto)

Nanci não é um nome muito comum, né não? Pelo menos não entre os meus conhecidos. E olha que conheço gente pra burro. Cada vez menos, é verdade, mas ainda assim, muita gente. E por incrível que pareça tenho duas amigas com esse nome. Não estou falando de colegas, dessas que a gente fala um "oi" vezinquando ou encontra esporadicamente para um almoço. Não! Estou falando de duas amigas especiais, dessas que, além de encontrar para um almoço sempre que podemos, agradeço os dias que as tenho por perto. Eles têm um quê semelhante, apesar de nem serem amigas, as duas olham para o "outro" com uma humanidade muito grande e isso faz com elas sejam para mim (e para muitas outras pessoas - eu sei) importantes. Quase nunca digo a elas o quanto são especiais para mim, mas sei que sabem disso. Amo muito vocês. Muito mesmo. E sempre que estamos juntos é tudo muito bom.

Divã (filme)

"Embrulha o teto para presente!" Pode parecer estranha essa frase aí com a qual inicio o texto sobre o filme Divã, mas fará sentido assim que vc puder ver o filme.
Só não escrevo aqui que ri durante toda a projeção porque estaria exagerando, mas posso adiantar que 90% do filme é engraçado. E a graça não é burra, bem ao contrário, é diversão inteligente e em algum momento ele fala sobre cada um de nós (sem ser auto-ajuda): amizade, sexo, amor, casamento (não necessariamente nesta ordem). Enfim, o filme fala daquele intervalo entre o nascimento e a morte no qual namoramos, escolhemos (ou não) uma profissão, casamos, temos filhos, estudamos, rimos, choramos etc.
Lília Cabral é Mercedes, uma mulher de meia idade (mais ou menos 40 anos) que resolve a traição do marido com certa racionalidade. Quer mais? Vá ao cinema! Vale à pena demais ver o filme. Fui e volto assim que puder.

13 de Maio (texto)

O Movimento Negro instituiu o dia 20 de novembro como a data oficial de Afirmação do Negro justamente porque nessa data comemora-se o dia de Zumbi, heroi que representa a luta do negro contra qualquer tipo de dominação. E reafirma, assim, não história que se tem contato sobre os negros (na mídia, nos livros didáticos, nos compêndios de história, nas escolas, nas universidades etc.), mas a história dos negros sobre os negros.
Poderia aqui escrever um tanto sobre o que representa o dia 20 de novembro para o Movimento dos Negros em nossa sociedade (em detrimento do dia 13 de Maio), mas achei mais interessante postar uma poesia de Solano Trindade que conta muito bem essa outra perspectiva da história:

SOU NEGRO
À Dione Silva

Sou Negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs

Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.

Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou

Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mais um contágio - Bélgica (Vídeo)


Para quem acha que apenas a Gripe A é contagiante ... aí vai um recado importante ...você está enganado!!! "Há muito mais entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia" (Shakespeare).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sou funcionário público e posso tudo porque não tenho chefe mesmo!!! (texto)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, minimizou nesta segunda-feira, 11, dados de levantamento publicado ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo que mostram que, das 24 vezes em que a Corte se reuniu em sessão plenária este ano, em apenas seis oportunidades todos os 11 ministros estavam presentes. De acordo com o site do STF, Mendes disse que a falta a sessões não significa que os ministros deixaram de trabalhar. "É um trabalho que se faz diuturnamente, sábado, domingo e feriados, nas turmas e também nos gabinetes e em casa. Então, não podemos medir a atividade do Tribunal apenas pela presença nas sessões", avaliou.
Parece-me que esta prática é recorrente nas repartições públicas no país (Lá no STF e aqui). Ninguém se acha no dever de cumprir as suas obrigações: participar de reuniões (por mais chatas que sejam), chegar no horário (porque assim vc está respeitando o outro), ficar até o fim (porque não apenas o que te interessa é o mais importante naquele encontro); justificar as suas ausências; assumir as suas faltas.
Não é mais do que a obrigação de quaisquer funcionários. Numa empresa particular, no mínimo, o "funcionário" seria punido, mas o funcionário público SABE (por experiência), porque tem por prática enconbrir esses deslizes, que nada vai acontecer com ele. É mais fácil chamar quem levanta essas questões de "chato", mas, acredito, que pior do que ser chato é ser conhecido por incompetente. Vergonhoso!

Qual o passo seguinte? (texto)

Recebi o texto de um amiga e gostei tanto que estou postando aqui. Espero que gostem tb.

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

domingo, 10 de maio de 2009

Longe dos olhos, perto do coração (texto)

Todo amor
Todo amor dorme
Numa caixa, numa gaveta, numa sala escura
Que às vezes visito
Como hoje num sonho
Como Deneuve entre os pombos
A abençoar seus queridos
E o tempo, senhor dos enganos
Apaga os momentos sofridos
E aqui te traz vez por outra
A passar umas horas comigo
Ficamos nós dois entre sonhos
De amores novos e antigos
Te beijo no escuro silêncio da sala
Que às vezes visito
(Herbert Vianna)

Depois de ler o seguinte comentário "Também estive com minha mãe, e não foi pessoalmente e não foi por e-mail e não foi por carta e não foi pelo skipe ou pelo msn. Foi pelo pensamento.... pelo coração" que me tocou profundamente, a ponto de me deixar atônito enquanto eu preparava a minha aula de segunda-feira, fiquei absorto em pensamentos sobre as distâncias físicas e espirituais com as quais convivemos.
A escolha entre o trabalho (em outra cidade, estado ou país) e a conviência mais próxima com amigos e familiares é determinante nesse processo. Somos, por força da necessidade, "obrigados", de certa forma, a deixar para trás (não apenas metaforicamente e com perdão do tracadilho) o passado. E por lá ficam amizades, convivências, amores, encontros que não acontecem mais, mas que estarão (como mencionado naquela poesia de Quintana "Uma Alegria para Sempre" postada aqui neste blog) de algum jeito, em nós, ainda que não se possa conscientemente compreendê-los.
Tenho estado, pelo pensamento e pelo coração, muito próximo de muita gente que anda muito longe: seja pela geografia, seja pela condição de vida e morte. E hoje depois do comentário da minha amiga me encontro perdido nessas lembranças.
Não tive tempo razoável para pensar sobre essas questões, fui escrevendo à medida que as ideias vinham a cabeça e talvez mais tarde eu precise refazer alguns pontos. Sei que a distância entre nós e os amigos de infância e adolescência é natural por diversos fatores. Mudamos muito e essas mudanças nos levam para outros interesses, mas onde ficam guardadas as lembranças esquecidas desses velhos tempos? Em que bolsos, em quais gavetas e armários perdidos elas se encontram? Gracinha, Juarez, Eliane, D. Nenén, Marquinhos e Tia Elba, Tia Élia, Sebastian, Gina, Cátia, Bárbara, Suzana, Zequinha, Rômulo, Chiquinho, Vó Daysa, Vó Carolina, Tia Maria, Gilvan, Teresa, Suely, Iracema, Lucimara e tantos outros.

sábado, 9 de maio de 2009

Quem conta um conto (texto)

O conto abaixo de Caio Fernando Abreu foi um descoberta importante faz alguns anos. Ele me toca profundamente, a ponto de não conseguir ler sem me emocionar. Sei que é uma postagem longa e que foge ao padrão aqui do DO AVESSO, mas certamente que vai valer à pena ler. Aposto! Boa leitura.

Linda, Uma história horrível (Caio Fernando Abreu)


Linda, uma história horrível


Caio Fernando Abreu

Para Sergio Keuchguerian
"Você nunca ouviu falar em maldição
nunca viu um milagre
nunca chorou sozinha num banheiro sujo
nem nunca quis ver a face de Deus."
(Cazuza: "Só as mães são felizes")


Só depois de apertar muitas vezes a campainha foi que escutou o rumor de passos descendo a escada. E reviu o tapete gasto, antigamente púrpura, depois apenas vermelho, mais tarde rosa cada vez mais claro — agora, que cor? — e ouviu o latido desafinado de um cão, uma tosse noturna, ruídos secos, então sentiu a luz acesa do interior da casa filtrada pelo vidro cair sobre sua cara de barba por fazer, três dias. Meteu as mãos nos bolsos, procurou um cigarro ou um chaveiro para rodar entre os dedos, antes que se abrisse a janelinha no alto da porta.

Enquadrado pelo retângulo, o rosto dela apertava os olhos para vê-lo melhor. Mediram-se um pouco assim — de fora, de dentro da casa —, até ela afastar o rosto, sem nenhuma surpresa. Estava mais velha, viu ao entrar. E mais amarga, percebeu depois.

— Tu não avisou que vinha — ela resmungou no seu velho jeito azedo, que antigamente ele não compreendia. Mas agora, tantos anos depois, aprendera a traduzir como que-saudade, seja-benvindo, que-bom-ver-você ou qualquer coisa assim. Mais carinhosa, embora inábil.

Abraçou-a, desajeitado. Não era um hábito, contatos, afagos. Afundou tonto, rápido, naquele cheiro conhecido — cigarro, cebola, cachorro, sabonete, creme de beleza e carne velha, sozinha há anos. Segurando-o pelas duas orelhas, como de costume, ela o beijou na testa. Depois foi puxando-o pela mão, para dentro.

— A senhora não tem telefone — explicou. — Resolvi fazer uma surpresa.

Acendendo luzes, certa ânsia, ela o puxava cada vez mais para dentro. Mal podia rever a escada, a estante, a cristaleira, os porta-retratos empoeirados. A cadela se enrolou nas pernas dele, ganindo baixinho.

— Sai, Linda — ela gritou, ameaçando um pontapé. A cadela pulou de lado, ela riu. — Só ameaço, ela respeita. Coitada, quase cega. Uma inútil, sarnenta. Só sabe dormir, comer e cagar, esperando a morte.

— Que idade ela tem? — ele perguntou. Que esse era o melhor jeito de chegar ao fundo: pelos caminhos transversos, pelas perguntas banais. Por trás do jeito azedo, das flores roxas do robe.

— Sei lá, uns quinze. — A voz tão rouca. — Diz—que idade de cachorro a gente multiplica por sete.

Ele forçou um pouco a cabeça, esse era o jeito:

— Uns noventa e cinco, então.

Ela colocou a mala dele em cima de uma cadeira da sala. Depois apertou novamente os olhos. E espiou em volta, como se acabasse de acordar:

— O quê?

— A Linda. Se fosse gente, estaria com noventa e cinco anos.

Ela riu:
— Mais velha que eu, imagina. Velha que dá medo. — Fechou o robe sobre o peito, apertou a gola com as mãos. Cheias de manchas escuras, ele viu, como sardas (ce-ra-to-se, repetiu mentalmente), pintura alguma nas unhas rentes dos dedos amarelos de cigarros. — Quer um café?

— Se não der trabalho — ele sabia que esse continuava sendo o jeito exato, enquanto ela adentrava soberana pela cozinha, seu reino. Mãos nos bolsos, olhou em volta, encostado na porta.

As costas dela, tão curvas. Parecia mais lenta, embora guardasse o mesmo jeito antigo de abrir e fechar sem parar as portas dos armários, dispor xícaras, colheres, guardanapos, fazendo muito ruído e forçando-o a sentar — enquanto ele via. Manchadas de gordura, as paredes da cozinha. A pequena janela basculante, vidro quebrado. No furo do vidro, ela colocara uma folha de jornal. País mergulha no caos, na doença e na miséria — ele leu. E sentou na cadeira de plástico rasgado.

— Tá fresquinho — ela serviu o café. — Agora só consigo dormir depois de tomar café.

—A senhora não devia. Café tira o sono.

Ela sacudiu os ombros:

— Dane-se. Comigo sempre foi tudo ao contrário.

A xícara amarela tinha uma nódoa escura no fundo, bordas lascadas. Ele mexeu o café, sem vontade. De repente, então, enquanto nem ele nem ela diziam nada, quis fugir. Como se volta a fita num videocassete, de costas, apanhar a mala, atravessar a sala, o corredor de entrada, ultrapassar o caminho de pedras do jardim, sair novamente para a ruazinha de casas quase todas brancas. Até algum táxi, o aeroporto, para outra cidade, longe do Passo da Guanxuma, até a outra vida de onde vinha. Anônima, sem laços nem passado. Para sempre, para nunca mais. Até a morte de qualquer um dos dois, teve medo. E desejou. Alívio, vergonha.

— Vá dormir — pediu. — É muito tarde. Eu não devia ter vindo assim, sem avisar. Mas a senhora não tem telefone.

Ela sentou à frente dele, o robe abriu-se. Por entre as flores roxas, ele viu as inúmeras linhas da pele, papel de seda amassado. Ela apertou os olhos, espiando a cara dele enquanto tomava um gole de café.

— Que que foi? — perguntou, lenta. E esse era o tom que indicava a abertura para um novo jeito. Mas ele tossiu, baixou os olhos para a estamparia de losangos da toalha. Vermelho, verde. Plástico frio, velhos morangos.

— Nada, mãe. Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade. Da senhora, de tudo.

Ela tirou um maço de cigarros do bolso do robe:

— Me dá o fogo.

Estendeu o isqueiro. Ela tocou na mão dele, toque áspero das mãos manchadas de ceratose nas mãos muito brancas dele. Carícia torta:

— Bonito, o isqueiro.

— É francês.

— Que é isso que tem dentro?

— Sei lá, fluido. Essa coisa que os isqueiros têm. Só que este é transparente, nos outros a gente não vê.

Ela ergueu o isqueiro contra a luz. Reflexos de ouro, o líquido verde brilhou. A cadela entrou por baixo da mesa, ganindo baixinho. Ela pareceu não notar, encantada com o por trás do verde, líquido dourado.

— Parece o mar — sorriu. Bateu o cigarro na borda da xícara, estendeu o isqueiro de volta para ele. — Então quer dizer que o senhor veio me visitar? Muito bem.

Ele fechou o isqueiro na palma da mão. Quente da mão manchada dela.

— Vim, mãe. Deu saudade.

Riso rouco:

— Saudade? Sabe que a Elzinha não aparece aqui faz mais de mês? Eu podia morrer aqui dentro. Sozinha. Deus me livre. Ela nem ia ficar sabendo, só se fosse pelo jornal. Se desse no jornal. Quem se importa com um caco velho?

Ele acendeu um cigarro. Tossiu forte na primeira tragada:

— Também moro só, mãe. Se morresse, ninguém ia ficar sabendo. E não ia dar no jornal.

Ela tragou fundo. Soltou a fumaça, círculos. Mas não acompanhou com os olhos. Na ponta da unha, tirava uma lasca da borda da xícara.

— É sina — disse. — Tua avó morreu só. Teu avô morreu só. Teu pai morreu só, lembra? Naquele fim de semana que eu fui pra praia. Ele tinha horror do mar. Uma coisa tão grande que mete medo na gente, ele dizia. Jogou longe a bolinha com a pintura da xícara. — E nem um neto, morreu sem um neto nem nada. O que mais ele queria.

— Já faz tempo, mãe. Esquece — ele endireitou as costas, doíam. Não, decidiu: naquele poço, não. O cheiro, uma semana, vizinhos telefonando. Passou as pontas dos dedos pelos losangos desbotados da toalha. — Não sei como a senhora consegue continuar morando aqui sozinha. Esta casa é grande demais pra uma pessoa só. Por que não vai morar com a Elzinha?

Ela fingiu cuspir de lado, meio cínica. Aquele cinismo de telenovela não combinava com o robe desbotado de flores roxas, cabelos quase inteiramente brancos, mãos de manchas marrons segurando o cigarro quase no fim.

— E agüentar o Pedro, com aquela mania de grandeza? Pelo amor de Deus, só se eu fosse sei lá. Iam ter que me esconder no dia das visitas, Deus me livre. A velha, a louca, a bruxa. A megera socada no quartinho de empregada, feito uma negra. — Bateu o cigarro. — E como se não bastasse, tu acha que iam me deixar levar a Linda junto?

Embaixo da mesa, ao ouvir o próprio nome a cadela ganiu mais forte.

— Também não é assim, não é, mãe? A Elzinha tem a faculdade. E o Pedro no fundo é boa gente. Só que.

Ela remexeu nos bolsos do robe. Tirou uns óculos de hastes remendadas com esparadrapo, lente rachada.

— Deixa eu te ver melhor — pediu.

Ajeitou os óculos. Ele baixou os olhos. No silêncio, ficou ouvindo o tic-tac do relógio da sala. Uma barata miúda riscou o branco dos azulejos atrás dela.

— Tu estás mais magro — ela observou. Parecia preocupada. — Muito mais magro.

— É o cabelo — ele disse. Passou a mão pela cabeça quase raspada. E a barba, três dias.

— Perdeu cabelo, meu filho.

— É a idade. Quase quarenta anos. — Apagou o cigarro. Tossiu. — E essa tosse de cachorro?

— Cigarro, mãe. Poluição.

Levantou os olhos, pela primeira vez olhou direto nos olhos dela. Ela também olhava direto nos olhos dele. Verde desmaiado por trás das lentes dos óculos, subitamente muito atentos. Ele pensou: é agora, nesta contramão(*). Quase falou. Mas ela piscou primeiro. Desviou os olhos para baixo da mesa, segurou com cuidado a cadela sarnenta e a trouxe até o colo.

— Mas vai tudo bem?

— Tudo, mãe.

— Trabalho?

Ele fez que sim. Ela acariciou as orelhas sem pêlo da cadela. Depois olhou outra vez direto para ele:

— Saúde? Dizque tem umas doenças novas aí, vi na tevê. Umas pestes.

— Graças a Deus — ele cortou. Acendeu outro cigarro, as mãos tremiam um pouco. — E a dona Alzira, firme?

A ponta apagada do cigarro entre os dedos amarelos, ela estava recostada na cadeira. Olhos apertados, como se visse por trás dele. No tempo, não no espaço. A cadela apoiara a cabeça na mesa, os olhos branquicentos fechados. Ela suspirou, sacudiu os ombros:

— Coitada. Mais esclerosada do que eu.

— A senhora não está esclerosada.

— Tu que pensa. Tem vezes que me pego falando sozinha pelos cantos. Outro dia, sabe quem eu chamava o dia inteiro? — Esperou um pouco, ele não disse nada. — A Cândida, lembra dela? Ô negrinha boa, aquela. Até parecia branca. Fiquei chamando, chamando o dia inteiro. Cândida, ô Cândida. Onde é que tu te meteu, criatura? Aí me dei conta.

— A Cândida morreu, mãe.

Ela tornou a passar a mão pela cabeça da cadela. Mais devagar, agora. Fechou os olhos, como se as duas dormissem.

— Pois é, esfaqueada. Que nem um porco, lembra? — Abriu os olhos. — Quer comer alguma coisa, meu filho?

— Comi no avião.

Ela fingiu cuspir de lado, outra vez.

— Cruz credo. Comida congelada, Deus me livre. Parece plástico. Lembra daquela vez que eu fui? — Ele sacudiu a cabeça, ela não notou. Olhava para cima, para a fumaça do cigarro perdida contra o teto manchado de umidade, de mofo, de tempo, de solidão. — Fui toda chique, parecia uma granfa. De avião e tudo, uma madame. Frasqueira, raiban. Contando, ninguém acredita. — Molhou um pedaço de pão no café frio, colocou-o na boca quase sem dentes da cadela. Ela engoliu de um golpe. — Sabe que eu gostei mais do avião do que da cidade? Coisa de louco, aquela barulheira. Nem parece coisa de gente, como é que tu agüenta?

— A gente acostuma, mãe. Acaba gostando.

— E o Beto? — ela perguntou de repente. E foi baixando os olhos até encaixarem, outra vez, direto nos olhos dele.

Se eu me debruçasse? — ele pensou. Se, então, assim. Mas olhou para os azulejos na parede atrás dela. A barata tinha desaparecido.

— Tá lá, mãe. Vivendo a vida dele.

Ela voltou a olhar o teto:

— Tão atencioso, o Beto. Me levou pra jantar, abriu a porta do carro pra mim. Parecia coisa de cinema. Puxou a cadeira do restaurante pra eu sentar. Nunca ninguém tinha feito isso. — Apertou os olhos. — Como era mesmo o nome do restaurante? Um nome de gringo.

— Casserole, mãe. La Casserole. — Quase sorriu, ele tinha uns olhos de menino, lembrou. — Foi boa aquela noite, não foi?

— Foi — ela concordou. — Tão boa, parecia filme. — Estendeu a mão por sobre a mesa, quase tocou na mão dele. Ele abriu os dedos, certa ânsia. Saudade, saudade. Então ela recuou, afundou os dedos na cabeça pelada da cadela.

— O Beto gostou da senhora. Gostou tanto — ele fechou os dedos. Assim fechados, passou—os pelos pêlos do próprio braço. Umas memórias, distância. — Ele disse que a senhora era muito chique.

— Chique, eu? Uma velha grossa, esclerosada. — Ela riu, vaidosa, mão manchada no cabelo branco. Suspirou. — Tão bonito. Um moço tão fino, aquilo é que é moço fino. Eu falei pra Elzinha, bem na cara do Pedro. Pra ele tomar como indireta mesmo, eu disse bem alto, bem assim. Quem não tem berço, a gente vê logo na cara. Não adianta ostentar, tá escrito. Que nem o Beto, aquela calça rasgadinha. Quem ia dizer que era um moço assim tão fino, de tênis? — Voltou a olhar dentro dos olhos dele. — Isso é que é amigo, meu filho. Até meio parecido contigo, eu fiquei pensando. Parecem irmãos. Mesma altura, mesmo jeito, mesmo.

— A gente não se vê faz algum tempo, mãe.

Ela debruçou um pouco, apertando a cabeça da cadela contra a mesa. Linda abriu os olhos esbranquiçados. Embora cega, também parecia olhar para ele. Ficaram se olhando assim. Um tempo quase insuportável, entre a fumaça dos cigarros, cinzeiros cheios, xícaras vazias — os três, ele, a mãe e Linda.

— E por quê?

— Mãe — ele começou. A voz tremia. — Mãe, é tão difícil — repetiu. E não disse mais nada.

Foi então que ela levantou. De repente, jogando a cadela ao chão como um pano sujo. Começou a recolher xícaras, colheres, cinzeiros, jogando tudo dentro da pia. Depois de amontoar a louça, derramar o detergente e abrir as torneiras, andando de um lado para outro enquanto ele ficava ali sentado, olhando para ela, tão curva, um pouco mais velha, cabelos quase inteiramente brancos, voz ainda mais rouca, dedos cada vez mais amarelados pelo fumo, guardou os óculos no bolso do robe, fechou a gola, olhou para ele e — como quem quer mudar de assunto, e esse também era um sinal para um outro jeito que, desta vez sim, seria o certo — disse:

— Teu quarto continua igual, lá em cima. Vou dormir que amanhã cedo tem feira. Tem lençol limpo no armário do banheiro.

Então fez uma coisa que não faria, antigamente. Segurou-o pelas duas orelhas para beijá-lo não na testa, mas nas duas faces. Quase demorada. Aquele cheiro — cigarro, cebola, cachorro, sabonete, cansaço, velhice. Mais qualquer coisa úmida que parecia piedade, fadiga de ver. Ou amor. Uma espécie de amor.

— Amanhã a gente fala melhor, mãe. Tem tempo, dorme bem. Debruçado na mesa, acendeu mais um cigarro enquanto ouvia os passos dela subindo pesados pela escada até o andar superior. Quando ouviu a porta do quarto bater, levantou e saiu da cozinha.

Deu alguns passos tontos pela sala. A mesa enorme, madeira escura. Oito lugares, todos vazios. Parou em frente ao retrato do avô — rosto levemente inclinado, olhos verdes aguados que eram os mesmos da mãe e também os dele, heranças. No meio do campo, pensou, morreu só com um revólver e sua sina. Levou a mão até o bolso interno do casaco, tirou a pequena garrafa estrangeira e bebeu. Quando a afastou, gotas de uísque rolaram pelos cantos da boca, pescoço, camisa, até o chão. A cadela lambeu o tapete gasto, olhos quase cegos, língua tateando para encontrar o líquido.

Ele abriu os olhos. Como depois de uma vertigem, percebeu-se a olhar fixamente para o grande espelho da sala. No fundo do espelho na parede da sala de uma casa antiga, numa cidade provinciana, localizou a sombra de um homem magro demais, cabelos quase raspados, olhos assustados feito os de uma criança. Colocou a garrafa sobre a mesa, tirou o casaco. Suava muito. Jogou o casaco na guarda de uma cadeira. E começou a desabotoar a camisa manchada de suor e uísque.

Um por um, foi abrindo os botões. Acendeu a luz do abajur, para que a sala ficasse mais clara quando, sem camisa, começou a acariciar as manchas púrpura, da cor antiga do tapete na escada — agora, que cor? —, espalhadas embaixo dos pêlos do peito. Na ponta dos dedos, tocou o pescoço. Do lado direito, inclinando a cabeça, como se apalpasse uma semente no escuro. Depois foi dobrando os joelhos até o chão. Deus, pensou, antes de estender a outra mão para tocar no pêlo da cadela quase cega, cheio de manchas rosadas. Iguais às do tapete gasto da escada, iguais às da pele do seu peito, embaixo dos pêlos. Crespos, escuros, macios.

— Linda — sussurrou. — Linda, você é tão linda, Linda.

Julho é o mês das mães (texto)

Estou em Cascavel e Heloísa está em Rio das Ostras. Amanhã, assim como tantos outros dias, não iremos nos encontrar. Não lhe darei um abraço, nem beijo e nem um presente. Muito menos iremos almoçar juntos. São mais de 1500 quilômetros entre nós. Acho uma pena não poder estar com ela. Não pelo instituído "dia das mães", porque sabemos que quem realmente ganha alguma coisa é o comércio (não estou dizendo com isso que não sou afetado pela data. Tanto sou que estou aqui escrevendo um pequeno texto sobre isso), mas por achar que ela ficaria bem feliz com minha presença. E eu com a dela.
Nos falaremos pelo telefone e eu direi a ela que sinto muito em não estar por lá e sei exatamente o que ela vai me dizer (já foram tantos "dias iguais"). Escrevendo assim, parece que tudo é bem tranquilo e racional. Não é. Mas quando não se tem outro jeito, o jeito é o que se tem.
Nos encontraremos em julho e, por isso, julho é o mês das mães. Terei a oportunidade de fazer o que faria amanhã se com ela estivesse.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pensamento para todos os dias

NÃO ADIANTA SAIR DO MATO, SE O MATO NÃO SAI DE DENTRO DE VOCÊ. (B. H. Dall Molin)

Explicando o inexplicável (texto)

Técnicos da Prefeitura do Rio de Janeiro são flagrados urinando na rua em "Choque de Ordem". Acho que talvez seja necessário explicar o que significa "Choque de Ordem", vamos lá: é o nome dado pela atual equipe do prefeito eleito da Cidade do Rio, Eduardo Paes, para as medidas adotadas, na cidade, em relação à organização e ao "bom" funcionamento dela.
Dentre as medidas da atual equipe estão: limpar a cidade, destruir construções irregulares, proibir a venda de produtos ilegais, retirar os moradores de rua, aumentar o policiamento da cidade etc.
Feito o parêntese, continuo com aquele papo de urina na rua...
O Secretário de Obras da cidade pede desculpas à população e diz que os técnicos serão advertidos, no entanto, em março, o estudante Thiago da Silva Rocha Paz, 18 anos, foi detido, pelo Secretário Municipal de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, por urinar na rua no desfile do Monobloco, no Centro. Thiago foi levado à 5ª DP (Gomes Freire), autuado e liberado.
A lei penal prevê detenção de três meses a um ano ou multa para ato obsceno, mas a pena pode ser alternativa, como doação de cestas básicas.
"Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço" traduz bem os dois pesos e duas medidas da equipe do atual prefeito.
Não estou justificando o ato do estudante. Acho que urinar na rua não é nada educado, além do cheiro desagradável que isso provoca. Mas todos nós sabemos que não existem banheiros químicos para serem usados em parte alguma da cidade, nem mesmo quando há uma grande concentração de pessoas, como é o caso dos desfiles de blocos na cidade do Rio de Janeiro.
Ou a prefeitura disponibiliza os banheiros ou faz como o Secretário Municipal de Obras, pede desculpas e adverte a população.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Noite de horror - Parte II (texto)

(esquerda abaixo) Victoria Beckham numa mistura de deusa grega com galinha d'angola; Rihanna apareceu com, ah sei lá, acho que disfarçada para que o namorado violento não a reconhecesse; A estilista Stella McCartney foi com aquilo ali, uma espécie de macacão recortado com tesoura de picote; Leighton Meester de vaso chinês!
(a direita acima) Miranda Kerr depois de um confronto com skinhead; Karolina Kurkova não teve tempo de escolher um vestido, foi de camisola mesmo. Anne Hathaway pegou às pressas o vestido de Fabiana Karla (a Dra. Lorka) e deu um jeitinho; Rachel Bilson se enrolou com gazes verdes; Emma Roberts, por sua vez, pegou o abajur que estava sobre o criado-mudo e foi.

Uma noite de horror (texto)

(esquerda) Uma coisa é não entender nada de moda. Outra coisa e não conseguir ver moda naquilo que vejo. Festa de famosos em Nova Iorque: um show de mal gosto.
Jessica Alba vestida de capa de botijão de gás; Gisele Bündchen pronta para a Praça; Raquel Zimmermann vestida de pufe e, finalmente Madonna, homenageando a crise, vestida de papel crepom.
(direita-abaixo) Eva Mendes solvou a noite. Renee Zellweger deve ter cuidado de uma criança antes da festa e olha o resultado: verde-diarreia. Mary-Kate Olsen de cigana de rua. Ashley Olsen de Fantasminha Pluft.
Pensou que foi só isso? Tem mais.

Tudo vira Bosta (texto)

Deu no Globo.com: Mais um escândalo no SENADO FEDERAL!!!! Uma comissão técnica especial do Senado encontrou contratação de serviços de limpeza com valor quase 100% superior ao preço médio do mercado. Os relatórios sobre os contratos de quatro empresas foram entregues na semana passada ao primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), que deu publicidade aos documentos nesta terça-feira (5).

De acordo com o relatório, a Secretaria Especial de Informática (Prodasen) contratou em 2005 uma empresa para realizar serviços de limpeza de forma emergencial (sem licitação) por R$ 269,6 mil mensais. Provavelmente para limpar toda sujeira dos senadores.
A contratação estava autorizada inicialmente para a modalidade de pregão. O órgão promoveu uma pesquisa junto aos interessados na licitação e encontrou como preço médio o valor de R$ 136,2 mil mensais para o mesmo serviço, 97,9% a menos do que o valor do contrato firmado posteriormente.
O valor começou a subir quando o Prodasen, sem autorização da primeira-secretaria, decidiu mudar o modelo de licitação de pregão para contratação emergencial. Foi feita novamente uma pesquisa e encontrado o preço médio de R$ 210 mil, valor abaixo dos R$ 269,6 mil efetivamente pagos.
Neste mesmo contrato foi observado que a fixação dos salários para auxiliares e encarregados de limpeza estão acima dos previstos para a categoria. Por fim, a comissão recomenda que seja evitado o expediente de contratações emergenciais, a elaboração de uma nova licitação por meio de pregão, a redução de 50% dos funcionários para a limpeza e o compromisso de que os serviços deverão ser contratados com base na área física a ser limpa, com estimativas de custo por metro quadrado.

Outros contratos

Em outro contrato auditado pela comissão também foram encontrados valores pagos acima dos de mercado. No caso de uma empresa contratada por R$ 244,6 mil mensais para realizar serviços de arquivo, a comissão afirma que contrato semelhante na Casa paga valores menores por funcionário, embora não especifique o quanto menos.
Neste caso, a comissão sugere a revogação do contrato para buscar “salários mais vantajosos”. Propõe também a redução de 25% do efetivo e a supressão de categorias que tenham atribuições similares a exercidas por funcionários do quadro do Senado.
Nos outros dois contratos analisados, os problemas são menores. Um deles trata de serviço de vigilância de apartamentos funcionais e da residência oficial do Senado e foi reajustado no ano passado. A comissão sugere a unificação dos contratos da área de vigilância.

No outro contrato, de prestação de serviços de manutenção do sistema elétrico e de cancelas eletrônicas, foi encontrado um pagamento a maior de R$ 195 mensais desde outubro de 2007, para o qual é pedido ressarcimento.
Não podemos perder de vista que TODOS eles estão lá nos representando. Todos foram escolhidos democraticamente através dos nossos votos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Uma alegria para sempre (Mário Quintana)

(para Helena Quintana)
As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
casado, mudado, sumido, esquecido, enganado,
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que, a
o contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

(80 anos de poesia/Mário Quintana: organização Tânia Franco Carvalhal. - 7 ed. - São Paulo: Globo, 1996)

A vida sem poesia é uma bosta! (texto)

Gosto muito de poesia só que faz muito tempo (muito mesmo) que não leio nada. Hoje no almoço com uma grande amiga (Jacicarla) fui lembrado de que poesia existe e que a vida sem poesia é uma bosta. Minha vida está uma bosta faz muito tempo.
Quase todo o meu dia é dedicado ao trabalho: ler livros (teóricos), preparar aulas, ler trabalhos de alunos, corrigir provas, preparar exercícios, corrigir exercícios, ler dissertação, projetos, teses, escrever projetos, atender alunos, pensar no jornal do vestibular e na prova do vestibular, pensar no vestibular indígena, falar com professor, escrever texto para possíveis pubicações, preparar palestras, seminários, pensar em congressos, pensar e escrever textos para esses congressos, participar de bancas de avaliação dos colegas, reuniões, participar de bancas de estágio probatório de colegas, ler livros (teóricos) e tudo outra vez.
Tenho pouco tempo dedicado ao que realmente gosto de fazer (não que eu odeio o meu trabalho, mas quando a gente apenas trabalha ele começa a ocupar a vida de forma cansativa).
Gosto muito de conversar e se possível uma conversa que me faça rir. Eu rio bastante, mas já ri muito mais. Hoje em dia eu rio pouco porque quase sempre estou mal humorado por causa do trabalho. Gosto também das aulas de francês, mas me pergunte quando foi a última vez que fui à aula? Acho que a professora não se lembra mais de mim.
Hoje passei o dia na universidade: cheguei bem cedo para duas aulas de linguísticas (7h50min). Sempre chego cedo. Depois das aulas fiquei lendo alguns projetos para à tarde poder falar sobre eles.
Passei a tarde inteira sentado diante de uma plateia com mais dois professores fazendo comentários sobre os projetos de mestrado de 6 alunos. Saí da universidade às 17h. Exausto, sem energia nenhuma, só com vontade de deitar e dormir umas quatro semanas.
Eu preciso urgentemente dar um jeito na minha vida ou ela fica do jeito que está. E do jeito que ela está não está me agradando.

domingo, 3 de maio de 2009

Lugar de homem é na cozinha (texto)

Gosto muito de bacalhau. Minha avó, mãe de minha mãe é casada com um português (cujo nome não é Joaquim) e por isso bacalhau na casa deles era prato semanal, como a feijoada nas quartas ou sábados lá no Rio de Janeiro. Eu podia ter escrito que o meu avô é português, mas como não era ele quem cozinhava achei melhor fazer aquela curva explicativa. Uma coisa é gostar de bacalhau outra é saber fazê-lo.
Depois que minha avó deixou de cozinhar, só comia bacalhau ou na casa dos amigos ou em algum restaurante (minha mãe sempre foi um desastre na cozinha). Mas é claro que achava isso vergonhoso, (não a minha mãe ser um desastre, mas depender do outro para comer alguma coisa) porque julgo não saber fazer quaisquer pratos somente por conta da preguiça. Basta um livro de receito para fazer um prato. É claro que ir à casa dos amigos ou a um restaurante é bem mais prático.
Tenho um grande amigo chamado Marcelo Iran e ele me ensinou faz alguns anos uma receita de bacalhau fácil e deliciosa. Vamos a ela.
Bacalhau ao Iran
Ingredientes:
1 quilo de bacalhau; 1 dúzia de ovos; 2 quilos de batata; 2 brócolis; 2 potes de requijão; 1 litro de azeite extra virgem.
Praparando:
cozinhar os ovos e cortá-los em rodelas; cozinha os brócolis e usar apenas a flor; praparar um purê de batata com o requijão; cozinhar o bacalhau até dessalgá-lo e depois desfiá-lo; bacalhau desfiado e dassalgado misturar numa panela com meio livro de azeite extra-virgem (primeira etapa).
Montando o prato:
uma camada de ovos, sobre essa camada, uma camada de brócolis, sobre essa, uma de bacalhau (ad infinutun); prato preparado, despeje sobre as camadas o meio litro que sobrou de azeite (é isso mesmo, muito azeite); sobre tudo isso o purê de batatas feito com requeijão (cubra tudo como se estivesse colocando sobre um bolo a cobertura).
Forno:
40 minutos de forno e pronto.

Posso garantir que é muito bom! Nâo tem como dar errado ou ficar ruim. mesmo. Experimentem!


sábado, 2 de maio de 2009

Augusto Boal (1931-2009) (texto)

Boal foi fundador do Teatro do Oprimido: teoria e prática que interpela o homem em ator. Segundo o diretor, "O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo, pois todos os seres humanos são atores porque atuam...". Metodologia internacionalmente conhecida que alia teatro a ação social.
Um dos únicos homens de teatro a escrever sobre sua prática, formulando teorias a respeito de seu trabalho, tornou-se uma referência do teatro brasileiro e internacional. Principal liderança do Teatro de Arena de São Paulo nos anos 1960.
Escreveu O Teatro do Oprimido e Outras Políticas Poéticas, 1975; 200 Exercícios para Ator e o Não-Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro, 1977; Técnicas Latino-Americanas de Teatro Popular, 1979; Stop: C'est Magique, 1980; Teatro de Augusto Boal, vol. 1 e 2, 1986 e 1990; Jogos para Atores e Não Atores, 1988; Teatro Legislativo, 1996.
Escreve dois textos autobiográficos, Milagre no Brasil, em 1977, e Hamlet e o Filho do Padeiro, em 2000.
Entre outros significativos títulos e prêmios angariados por Boal no exterior, destacam-se o Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres, outorgado pelo Ministério da Cultura e da Comunicação da França, em 1981, e a Medalha Pablo Picasso, atribuída pela Unesco em 1994. Em 2009, é nomeado embaixador mundial do teatro pela Unesco.
Fiz, na época da graduação, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), uma oficina sobre o Teatro do Oprimido com o diretor e naquela época pouco tinha ouvido falar sobre ele e a sua obra, mas nos encantamos com a possibilidade de estar no palco ouvindo tantas ideias saindo de uma só cabeça: "Ser cidadão, meus companheiros, não é viver em sociedade: é transformar a sociedade em que se vive!"