domingo, 30 de janeiro de 2011

Não faz parte do meu show (comentário)

Não sou um consumidor de livros espíritas, ou seja, não costumo comprar nem mesmo ler livros psicografados por médiuns. O máximo de intimidade que tive com uma obra espírita foi com O Evangelho segundo Allan Kardec que pertenceu a minha avó. Li algumas páginas, depois reli alguns capítulos.
No entanto, ontem à tarde uma amiga comprou o livro Faz parte do meu show, psicografado pelo médium Robson Pinheiro Santos e aí antes de dormir peguei emprestado o tal livro e o li.
Primeiro por curiosidade, depois para saber até onde ia o mal gosto do autor do romance. Fiquei impressionado com a falta de seriedade (desculpem-me os que gostaram ou os que acreditam que seja mesmo a vida-após-a-morte do cantor Cazuza descrita naquelas páginas) com a qual é tratada uma questão tão cara para o Kardecismo: a vida após a morte.
De cara, o que mais me impressionou negativamente foi a forma como os artistas (as pessoas públicas) são apresentados pelo autor depois de mortos. Continuam sendo tratados como celebridades independentemente da vida que levaram por aqui. 
Não estou de forma nenhuma produzindo juízo de valor sobre a vida de quem quer que seja, mas, sejamos honestos, o fato de alguém ser ator, poeta, apresentador, cantor, ex-BBB, modelo ou manequim não seria suficiente para ser tratado de forma diferenciada no plano espiritual, acho que isso iria de encontro com a doutrina espírita. E  mais, seria um desrespeito com os demais desencarnados.
Além disso, no decorrer do livro o cantor encontra-se com várias figuras conhecidas, como se elas continuassem sendo exatamente o que foram aqui entre nós.
O encontro com Chacrinha realmente me fez prosseguir com a leitura. Este continuava, além de usar o bordão Teresinha, apresentando um programa de música com a participação de Elis Regina, Clara Nunes etc. E a explicação dada pelo autor seria a importância dessas "pessoas" no acolhimento de espíritos desencarnados com alguma dificuldade para compreender essa nova etapa de sua vida.
A primeira figura pública com a qual o cantor esbarra é o poeta Drummond e o diálogo entre eles, e na sequência, a forma com o este poeta descreve o seu encontro com um mentor espiritual é de péssimo gosto literário.
Sem falar no vocabulário usado pelo cantor durante toda a obra. Para ressaltar que Cazuza fora um rebelde ou para reforçar essa imagem o autor o tempo todo faz uso de palavras de uma juventude fora do tempo. Seria como se o tipo assim fosse o bordão do Fiuk desencarnado.
Não vou dizer que perdi meu tempo, porque a explicação sobre desejos sexuais de encarnados e desencarnados foi interessante. Ponto.
Não recomendo. Mas gostaria muito de ler aqui outros comentários a respeito do livro, sobretudo positivos para que eu não ficasse com tamanha má impressão.

Da Série Contos Mínimos

Ela devia ter aproximadamente 3 anos. Eu conhecia apenas a sua voz que invadia o meu quarto nos finais de semana. Brincava quase todo o tempo. Cantava, contava histórias. Teimava com a mãe que lhe ameaça bater. Pedia doces, quebrava seus brinquedos. Corria. Sua vida era (para mim) uma diversão.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Todo trabalhado no embromation (texto)

Estar em Cascavel tem tb as suas desvantagens (quais são as vantagens mesmo? devem estar no post anterior). A maior delas é não ter o que fazer sem o trabalho. Digo, sem aquele trabalho que cumpre horas na universidade e que durante o expediente sempre aparecem muitas coisas por fazer (sobretudo se vc tem como chefes o João, a Cida e a Sanimar. Gente, não é muito cacique pra pouco índio?).
Acabei de ler a dissertação de uma aluna. Fiz meu plano de ensino. Preparei as primeiras aulas e ainda me resta muito tempo pela frente. Não dá pra fazer mais sem conhecer os alunos que estão chegando.
Fui ao cinema ver O turista por falta de opção, mesmo.  Não fiquei afim de pagar pra ver. O filme não é bom, ainda que Angelina Jolie esteja (mesmo magérrima) linda e apareça quase sempre numa superprodução, ainda que o filme se passe numa Veneza impecável...
Almocei com uma amiga durante esses dias. Rimos bastante, mas acabo ficando sozinho a maior parte do tempo inventando o inventável. Pena que não exista ainda um teletransporte, daqueles que vc entra (sem uma mosca, é claro) e ressurja num lugar qualquer por alguns dias ou horas. Isso seria uma mão na roda, ainda que mão na roda não combine muito com teletransportes.
Eu iria encontrar a Aline, na Escócia, para um almoço. Depois o João em Londres para o jantar ou um pub. Na sequência dormiria em NY e encontraria o Pedro. E tomaria o caminha da roça.
Tá vendo a vida bem mais fácil. Fico indignado com essa tecnologia de ipad, iphone. Besteiras que não servem pra quase nada.
Esse texto tb não serve para quase nada, mas é o que tenho pra hoje. Fico me perguntando, como é que se consegue escrever tanto sobre coisa alguma? Tô todo trabalhado na enrolação no Embromation.
Obs.: mas tenho certeza de que não sou o único.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Estou de volta (texto)

Ainda tenho alguns dias de férias, elas acabam dia 03, mas já voltei pra casa (TRIP - viagem nota 10!). Hoje acordei às 11h, sem culpa, sem compromisso, sem ter o que fazer além de colocar em ordem a vida que ficou parada aqui em Cascavel (ah, e ler a dissertação da Ju).
É claro que estar no Rio sempre é bom: cinema, samba, praia, amigos, paqueras, Lapa, Circo Voador, Preta Gil , TV Bar (não nessa ordem, é claro). Por outro lado, aquele calor insuportável da Cidade Maravilhosa e eu num ventilador assassino. Sem falar no Juscelino que é silencioso como um filhote de labrador (rs).
Aqui, Seu Jorge não para de cantar. Vai ver meus vizinhos querem  minha cabeça, mas não consigo parar de ouvir Burguesinha.
Ah, Nanci, te amo muito! Como é bom estar por aí. Na próxima quero vir como vc, só que homem, é claro; Vanise, se comporte! Vera, é na esquina da Santa Lusia que vc trabalha (eu apontando para a papelaria)?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

Vagou durante dias de biquini pelas ruas do centro da cidade: Avenida Mén de Sá, Largo da Carioca, Praça da República, Central do Brasil. 
Percebia-se, a primeira vista, que era uma jovem senhora de fina o trato, nos seus 50 anos, pelas intervenções no corpo: silicone, plásticas, botox, peeling. Um corpo balzaquiano. No entanto, notava-se também que havia muita confusão mental. Supúnhamos, diante de todo esse quadro, que se tratava de uma velha senhora num corpo que há muito não mais lhe pertencia.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

A motivação tinha sido uma frase lida no dia anteior. Nem mesmo a urgência de sanidade foi suficiente para mantê-lo centrado. Porcos voando em rasante sobre sua cabeça. Moscas irônicas puxavam conversa. A avó morta preparava o café. Ele acreditava em um possível equilíbrio.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

Seus mortos chegaram para uma visita: avós, mãe e tios. Nada lhe disseram. Apenas observavam diante de uma grande mesa. Ele sabia (porque sabia) do pouco tempo  que restava.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

Apenas uma das duas cadeiras era ocupada na antiga varanda da casa. Tudo ou quase tudo era recordação: o relógio marcava sempre a mesma hora, o calendário a mesma data (poderia ser diferente?), no entanto, o mais evidente era a impressão do tempo vazando.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

Se por um lado o dia do seu aniversário era comemorável, por outro, pouco se importava com a data. Às vezes não se dava conta de mais um ano de vida ou não entendia muito bem como se contava esse pequeno espaço de tempo. Sabia apenas que estava mais velho e que no final de todas as contas trabalharia até às 19h.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

É aí que mora o perigo (texto)

Ontem, enquanto eu estava de carona com uma grande amiga/irmã (de uma feijoada na casa dos pais de um outro amigo/irmão), ela me perguntou sobre o meu trabalho na universidade. Falei um pouco sobre a Análise de Discuso (AD), sobre os trabalhos sobre mídia, sexualidade, gênero e etnia que ando pensando e desenvolvendo nesses últimos 9 anos.
Não era uma conversa acadêmica, mas uma apresentação rápida sobre o que me interessa na academia. No entanto, é aí que mora o perigo, não me senti confortável enquanto falava disso, foi me dando uma aflição enorme só de pensar que dia 03 de fevereiro estarei outra vez me apresentando no trabalho.
Fiquei pensando nas reuniões, nas pesquisas, no vestibular, nos concursos que organizamos durante o ano, nos eventos que terei que participar apresentando resultados de pesquisa, num livro que insiste não sair, nas orientações, nos novos alunos do mestrado e graduação, enfim.
Acho que ainda não estou com saudades do trabalho. Normalmente final de janeiro, tudo bem que ainda temos uns quinze dias pela frente (e espero de verdade que a minha impressão mude), já estou com vontade de dar aula.
Estranho mesmo me sentir daquele jeito. Quase sempre me sinto bem ao falar do meu trabalho, sobretudo de pesquisa e da AD francesa...vai ver que ando mais esgotado do que eu imaginava.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

Ano após ano as chuvas castigavam parte do Estado. A elas eram atribuídas todas as mazelas: pobreza, moradia precária, baixo índice de escolaridade, falta de mão de obra especializada, aumento do corte de cabelo. As chuvas ocuparam os ministérios.

Da Série Contos Mínimos

Não existia nada: casa, rua, bairro, uma cidade inteira. Sua vida revirada na vida dos outros. Bastavam dois metros para se encontrar espalhado por todos os cantos.

Da Série Contos Mínimos

Eram perdas para todos os lados: casa, amigos, todas as suas coisas. No meio dos escombros uma Esperança agonizava.

Da Série Contos Mínimos

Pensava na inutilidade de sua vida: trabalho, vizinhos, amigos. Só se salvava disso tudo porque lia poesia.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Foto Oficial (texto)

A foto oficial da presidenta Dilma Rousseff, de autoria do fotógrafo da Presidência da República, Roberto Stuckert Filho, foi apresentada nesta sexta-feira (14) no Palácio Planalto.
Vestida com um blaser de cor "off white" e usando batom cereja, sombra clara e brincos de pérolas, Dilma foi fotografada no último domingo (9), no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

Dilma ainda se mudará para o Alvorada, de onde nesta semana saíram os últimos caminhões com pertences do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao fundo, a foto oficial mostra os arcos do palácio.

A imagem foi feita pelo fotógrafo oficial da Presidência que passou cerca de uma semana estudando a luz e o cenário ideais.

Segundo o Planalto, o cabelereiro Celso Kamura, que mora em São Paulo, foi a Brasília especialmente para preparar o cabelo da presidente para a foto oficial.

A sessão de fotos durou uma hora e meia, e a própria presidente escolheu a imagem final, que será afixada em prédios e salas da administração federal.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Guinada na Educação - Marco Lucchesi

Em seu discurso de posse no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff afirmou categoricamente que "só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens".
Independentemente do que venha a realizar o governo Dilma, não é mau saber que a representante máxima da nação considere o professor em seu devido lugar, na qualidade de protagonista das mudanças que se esperam na educação, quinze dias depois do resultado inquietante do Pisa (programa internacional da avaliação de alunos), no qual o Brasil aparece em 53º lugar no ranking de 65 países.
Espera-se um pacto nacional em torno da educação. E que se traduza com a presença afirmativa das diversas esferas de governo voltadas ao aporte de recursos, ao redesenho de um piso salarial digno, dentro de um plano de carreira consistente. Aqui termina a tarefa do estado e começa a esfera não tutelável de programas e conteúdos, processos de capacitação e aperfeiçoamento dos educadores.
O essencial é que o magistério não seja terceirizado pela miopia tecnocrática. Se antes o professor foi quase refém da política local, hoje tende a ser visto pelos gestores como um apêndice da administração, braço vagaroso das secretarias, reserva técnica, lotado na área de recursos humanos, para bem distingui-lo dos recursos de data-show, navegação on-line e do fascínio de outras mídias, reverenciadas em si mesmas como se fossem o Messias da nova formação.
Trata-se de velha postura, ingênua e arrogante, dos que apostam exclusivamente nos meios técnicos, como se nas infovias tudo corresse melhor, produzindo estímulos contra a monotonia das aulas, diante de um mundo novo, hipertextual, cheio de atrações, de que a escola conseguiria, quando muito, traduzir sua imagem vivaz apenas em preto e branco. E sem legendas. O professor seria o relojoeiro do processo, última parte de uma engrenagem emperrada.
De acordo com esse modelo, o gestor iluminado é a causa eficaz da otimização do ensino, cabendo aos professores o papel de estação repetidora - o conteúdo poroso, em segundo plano. A aula seria regida por um maestro de dinâmica de grupo, um simples condutor de pautas irrealizáveis. Nesse quadro deplorável, a ética deverá abrir espaço para uma práxis, de rasa superfície, do politicamente correto, cada qual assumindo o vocabulário medíocre, o jargão da boa etiqueta ideológica e burocrática.
E, contudo, os livros de Anísio Teixeira e Paulo Freire - que não perderam a centelha da urgência com que foram escritos - insistem na delicadeza do diálogo e na cumplicidade intelectual e afetiva das partes integrantes da escola. Se quisermos avançar no debate, será preciso voltar àquelas páginas inaugurais, onde tudo repousa na abertura para o outro.
Quando secretarias e ministérios passarem da escola "objeto da tecnocracia" para a escola "agente de mudança", os políticos terão de ouvir forçosamente os professores, retomando um diálogo interrompido há décadas, vilipendiado, no mau uso dos recursos públicos, na propaganda lastimável, na constituição de metas que arrasaram a formação e a estima dos professores. Há de se buscar uma educação responsável, como prática da invenção e da liberdade.
Esperamos do Brasil uma guinada nesse processo e que os professores apareçam como protagonistas, segundo o discurso pronunciado no Congresso Nacional. Mas é importante lembrar que o professor não aparece como ungido, profeta da transformação, depositário exclusivo de esperança. O professor responderá como trâmite do diálogo, meio sensível da alteridade. Fundamento da democracia, veículo de promoção dos sonhos e projetos das crianças e dos jovens.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Como se fosse a primeira vez (texto)

Faz exatamente um ano que postei aqui no blogue este texto do Veríssimo: Como se fosse a primeira vez. Ontem fiquei mais uma vez horrorizado com as imagens das chuvas em São Paulo e mais incrédulo ainda com as declarações dos responsáveis pelo Estado e Cidade.
A impressão que tenho é que estão, governo e prefeitura, esperando apenas uma desgraça maior acontecer (13 vítimas deve ser pouco) para que medidas sejam tomadas. Não para que não chova, mas para que que essas águas que caem não matem mais. Vamos ao texto:
Chove desde que o mundo é mundo, mas a chuva sempre nos pega desprevenidos. Não falo na chuva catastrófica como a que tem nos flagelado, mas na chuva comum. Na chuva que deveria fazer parte das expectativas normais de qualquer um que não vive num deserto. Que não deveria exigir qualquer alteração no seu cotidiano fora a necessidade de usar guarda-chuvas e o cuidado de evitar goteiras e poças. E, no entanto, todas as vezes que chove nossas vidas são transtornadas como se fosse a primeira vez. Meu Deus, o que é isso? Água caindo do céu?! Com chuva todo o mundo se confunde, como se não houvesse precedentes. Com chuva o caos do trânsito vira um pavor, embora só seja o caos de sempre com água em cima.
O descaso que causa as tragédias quando a chuva é catastrófica é um corolário dessa surpresa sempre repetida. A imprevidência dos que constroem em áreas de risco ou a negligência dos que permitem a construção em áreas de risco vem da mesma recusa de ver o óbvio. A chuva é uma obviedade, não é uma novidade. A chuva anômala, catastrófica, também, pois temos uma longa história de tragédias como as destes dias. Mas a reação é sempre de incredulidade, nunca se reconhece o óbvio.
O problema do Brasil não é que as coisas não tenham precedentes. Há precedentes para tudo que nos aflige. O problema é que os precedentes não nos ensinam nada. Assim continuaremos reclamando que os esgotos pluviais não dão conta das grandes chuvaradas e precisam ser refeitos, até a inundação regredir e não se falar mais nisso. Continuaremos protestando contra construções em áreas perigosas até os deslizamentos pararem e o tempo melhorar, e esquecermos. E cada tragédia, como cada dia de chuva, será sempre como se fosse a primeira vez.

REPARAÇÃO
Alguém com tempo e curiosidade suficientes poderia calcular de quanto seria o montante se cada família de vítimas da imprevidência e da negligência dos governos – do esgoto não refeito, da encosta não adequadamente escorada, da estrada não duplicada ou não construída – responsabilizasse judicialmente Estados e União e exigisse reparação. Não precisaria nem ser as vítimas de todos os tempos, só de um ano bastaria. O custo seria maior do que o necessário para fazer as obras.
(Luis Fernando Veríssimo)

(Foto: Cristina Helga Potter/VC no G1).

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Da Série Contos Mínimos

O encontro aconteceu na sala de embarque, mas seus destinos eram diferentes. Trocaram olhares. Acenaram com a cabeça. Não se falaram. Voos atrasados. Quase natal. Cada qual em seu portão, cada um uma história. Chamada para o embarque voo 1556, portão 8. Última chamada embarque voo 1556. Embarque encerrado.
Quem sabe nos céus os destinos se cruzariam.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Martinália (texto)

Ontem fui ao show da Martinália no Circo Voador (aqui na Lapa - RJ). Não preciso dizer que ela é um show e tanto: primeiro pela descontração, pela maneira como canta, pelo repertório e tb pelos músicos que a acompanham. Esses, um espetácula à parte.
Foram quase duas horas de música: samba, sobretudo. De repente um casal da plateia, convidado por ela (naturalmente), deu uma pequena/grande demonstração do que é sambar. Enquanto a dona da casa cantava (sentanda) oferecendo o espaço para a dupla.
Fiquei ali pensando que podia até parecer fácil tantos passos, tantas acrobacias, tanto swingue.
Fácil não é, definitivamente, a vida do artista. Martinália estava com algum problema na perna direita (perceptível quando ela caminhava de um lado para o outro no palco do Circo), mas não deixou em momento algum o samba fora do compasso, a festa terminar antes do tempo, a noite perde o tom.
Cada um dos integrantes da sua banda, a medida em que eram apresentados, mostrava um pouco mais do que sabia. Uma das backing vocals sambou com uma elegância impressionante. Outra, além do piano, cantou magistralmente. Os meninos da percursão e das cordas deram aula do que é nascer na Vila.
Um noite e meia.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Da série Contos Mínimos

Ná era econômica e direta. Ou um beijo ou um abraço. Sim ou não. Dizia poucas e boas, curtas e grossas. Não titubiava. Nada de exageros ou prolixidades.
Ela era monossilábica. Não fazia rodeios e nem andava ziguezagueando por aí. Com ela sempre a certeza do que acreditava. Não era mulher de dúvidas, se ou talvez.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Da série Contos Mínimos

Sentia-se vazio. Oco. Sem nenhuma novidade. Como uma caixa sem conteúdo. Era como abrir-se num presente e não encontrar absolutamente nada. Dias que passam em branco.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

É Fantástico! (texto)

Ontem enquanto eu jantava, imagens do Fantástico na TV do restaurante me chamaram a atenção, eu meio distante da tela não compreendia exatamente sobre o que tratavam. Sabia mais ou menos, pelo que via, bandeira de São Paulo tatuada nas costas, frases retiradas da internet sobre nordestinos que o assunto era o recorrente preconceito de parcela da população paulista, mas ao mesmo tempo passavam imagens da árvode de natal da Lagoa (Rodrigo de Freitas, aqui do Rio) que não faziam muito sentido (naquele momento).
Agora ao ler no site da Globo.com descobri que realmente o assunto era o velho preconceito de alguns paulistas contra os nordestinos e, para minha surpresa (não que eu não soubesse, mas ainda não havia lido  manifestação por escrito), de moradores da zona sul do Rio em relação aos moradores de outras regiões.
Primeiro, gostaria de dizer que tanto uma quanto outra manifestações não são novidades. Há muito tempo ouço, aqui no Rio, a desqualificação de quem mora depois (sic) do Túnel (Túnel do Pasmado ou Túnel Novo). Observação: e como a referência é a zona sul, depois define O Lugar.
Em seguida, (nem vou me deter ao preconceito sobre os nordestinos porque já postei aqui, logo depois da vitória de Dilma, sobre esse assunto) preciso escrever que toda manifestação nesse sentido é de uma ignorância tão grande, mais tão grande, ENORME que fico sem palavras para qualificar quem as (re)produz.
Os argumentos são tão pequenos e provavelmente refletem o tamanho da capacidade de raciocínio do morador da Lagoa que o escreveu. Achar que pessoas são melhores ou piores porque nascem (ou vivem) em regiões diferentes é tão sem força que me faltam mesmos contragurmentos e, sobretudo, vontade de combatê-los. O que dizer de alguém que escreve isso? Família, escola, amigos, em algum momento (infelizmente), tb produzem (será?) esse pensamento.
Mas vamos ao que interessa: o que acontece de fato com as pessoas que fazem esse tipo de declaração? Até onde sei, na-da. O que aconteceu de fato com a estudante de direito que definiu os nordestinos como raça inferior (etc.) depois da derrota de José Serra nas eleições para presidente da república? É ou não crime passível de penalização?
E com esses dois jovens, o que vai acontecer? O carioca João Marcos Aguiar Gondim Crespo é estudante de direito formado por qual universidade (realmente isso me interessa)? Como é que um cara desses pode advogar? O que a OAB faz quando casos como esses acontecem? Tantas perguntas...
Não seria o caso de penalização para (não acabar com o preconceito, porque ele não acaba com as leis) inibir esse tipo de comportamento? Se ficarmos apenas na divulgação...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Trabalho sujo (filme)

É claro que não vou indicar nenhum filme. Não faço mais isso. Tem sites, blogues especializados, profissionais espalhados em todos os meios de comunicação disponíveis que fazem disso um trabalho. Não é o meu caso. Tb não vou resenhá-lo aqui (refiro-me ao filme Trabalho sujo), há resenhas em quaisquer jornais, revistas, etc & tal.
No entanto, a partir do que vi e do que conversei com a minha companhia preferida, preciso dizer que às vezes estamos numa merda e tanto, atolados até o pescoço e ainda cavando o nosso próprio buraco (seja por conta de alguém que não nos quer, por conta de alguém que morreu, por conta de um trabalho que não nos dá prazer algum, por falta de grana, por uma doença ou seja lá o que nos faça sentir péssimos. Motivos não nos faltam!), a auto-estima no pé, sem perspectiva etc. etc. etc.
Tudo isso seria suficiente para atirar na própria cabeça e por fim a tudo o que nos incomoda. Mas, podemos tb, por outro lado com o que nos é possível naquele momento fazer dessa meda toda (que é a vida real, aquela lá fora que sente fome, dor, solidão, tristeza etc.) dizer: ok, tá tudo ruim e o que faço com isso tudo? Me entrego a essa bosta totalmente ou desse limão faço uma caipiroska?
Dessa vez opto pela bebida.