terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Pra 2016

Essas aí foram as promessas para 2015. Vamos ver o que eu fiz com elas?
1. Voltar aos exercícios físicos;
2. Ficar mais atento aos sinais (seja lá o que isso possa significar);
3. Sair mais de casa.

Bem, eu voltei aos exercícios, sim senhor. Demorou um pouco, é verdade, mas final do ano completei sete meses de academia. Fiquei mais atento aos sinais (seja lá o que isso tenha significado). Até saí bastante de casa sim, mas isso  durou pouco, rua sempre me cansa. Ir aos mesmos lugares... mas, por outro lado, convidei os amigos para irem a minha casa.

Para 2016 eu tenho que voltar para a análise. Bem, é isso.

Da Série Músicas que me tocam

Vira e mexe eu reencontro músicas que são/foram importantes em algum momento da minha vida ou que continuam sendo ainda que eu não as ouça com frequência. 
Dia desses, reencontrei O Grande Circo Místico: composições de Chico e Edu Lobo e interpretação de grandes cantores/cantoras da MPB. Dentre eles/elas, o próprio Chico e Edu, Gal Costa, Zizi Possi, Milton Nascimento, Simone, Jane Duboc (amo a interpretação e a música), Tim Maia, Gilberto Gil.
Todo o disco/cd é maravilhoso. Mesmo e sem exageros! Tudo é tão bem feito. Bem arranjado e cantado que fico me perguntando como foi possível fazer isso assim?
É música boa numa sequência que não dá pra respirar e internalizar tanta informação. Eu indico audição na forma que quando acaba recomeça.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Da Série Contos Mínimos

Era Natal, e daí? Ele estava sozinho e a vida continuava exatamente como esteve ontem ou estará amanhã. Não era um feriado, um hiato no tempo. Era o que ele tinha, era o que ele era.

O melhor amigo do homem

O Spike está doentinho e velho. Ele mal conseguiu ficar de pé ao me encontrar. Se estivesse bem, teria feito muita festa. Fez com a cauda e com os olhos. Fiquei muito triste. Muito mesmo! Difícil ver um bichinho assim, inda mais quando a gente o acompanhou durante toda a vida. Fui buscá-lo em 2003, em Ipanema. Foi amor a primeira vista. De todos os filhotes disponíveis, ele foi o mais brincalhão, o mais oferecido. Não tive dúvidas: era aquele! Negro brilhante, com um rabo que não parava quieto e uma cara linda! Fez um sucesso enorme no Centro do Rio, mas cresceu muito e não dava mais pra ficar com ele no apartamento. Aí meus pais o adotaram. Lá ele tinha companhia durante todo o dia, além de espaço pra brincar, correr e crescer. Não tive dúvida, muito melhor pra ele ficar por ali.
Era o xodó da minha mãe: O preto, o pretinho. A minha vontade era a de levá-lo pra Cascavel pra ver se conseguia cuidar dele melhor, mas não tenho coragem de propor isso ao meu padrasto.
Bem, hoje não dá pra esquecer o jeito dele: muito cansado, ofegante. Putz.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Saindo do armário embutido

Aí vc está passando pelo Leblon e, de repente, encontra o Chico Buarque (o Edu Lobo, o Cacá Diegues, o Miguel Farias, o Ruy Solberg e o Eric Nepomuceno), e ao contrário do que seria normal, ou seja, apenas olhar, pedir um autógrafo, dizer que é seu fã, gritar "gostoso", falar sobre o seu filme (que é muito bom!), sei lá, falar sobre uma música dele que tenha sido um marco na sua vida, ou simplesmente deixá-los passar, o que seria o mais indicado em virtude do horário e da sua nenhuma intimidade com o grupo, você o chama de "ladrão", de "merda", diz que ele deve "ir pra Cuba", "ir pra Paris".
Bem, o que dizer desse comportamento cada vez mais comum de, vou chamar assim, pessoas simpatizantes da direita que acabaram de sair do armário embutido?
Estranho não poder haver uma discussão política sem hostilização. Muito estranho vc não poder, apesar de tudo, se dizer de esquerda sem que um e outro o acusem de ser "ladrão", "vagabundo" e por aí. Mais estranho é a falta de argumentos, tudo se resume ao senso comum, ou, pior, a uma fúria agressiva, a um ódio desmedido.
Diante disso, me pergunto se esse ódio e essa indignação seletiva não teriam alguma relação com aquilo que mais te incomoda dentro de vc mesmo?

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015

Será que já é tempo de retrospectivas? Acho que sim, já vi o anúncio do show do Roberto Carlos, já cansei de ver o anúncio de Fim de Ano da Globo (Hoje é o novo dia de um novo tempo...), já estou praticamente no recesso acadêmico. Bem, acho que já é tempo da retrospectiva-2015.
O ano não foi fácil, em  se tratando de trabalho. Trabalhei bastante e acho que a cada ano a gente, lá na universidade, trabalha mais e mais pra dar conta de tudo o que nos convidam e também dos convites que fazemos aos colegas. Sei que nós criamos as oportunidades de trabalho, mas estar na periferia não facilita em nada. De qualquer forma, trabalha-se muito.
Bancas, orientações, aulas, alunos novos, Estudos Linguístico I, Leituras sobre o sujeito (versão 10000), Teorias da Linguagem, só para pensar no ensino, além de extensão sobre sexualidade e muita pesquisa. 
Algumas publicações. Eventos, comunicações, palestras, aulas, aula, aula... ui... Leitura que não acaba mais. E ler projetos de alunos, de possíveis alunos, de alunos de amigos. Um ano, como disse, muito intenso. Sem falar e já falando de todos os concursos externos.
A gente chega em dezembro no pó. Mas não estou querendo dizer que não me divirto. Bem ao contrário, e se não fosse assim, não teria a menor chance de ser a minha profissão.
Um ano também cheio de novas amizades, de gente nova circulando, de muita coisa divertida acontecendo, de velhos amigos por perto, de renovação: sem meios termos. A Larissa e o Marcelo foram o presente deste ano.
Saúde vai bem, obrigado! A perna que não vai ficar boa nunca mais. Pelo menos não sem cirurgia, mas, por enquanto, não quero pensar nisso! Voltei pra academia! 7 meses e começo agora a sentir alguns pequenos resultados. Se não insistir, muito fácil cair fora. Sempre é muito melhor ficar em casa dormindo e descansando depois do trabalho. E aí, aparece o Allan. Sem ele, eu não teria qualquer chance de permanecer online. Valeu pela parceria!
Os últimos anos têm sido uma mudança significativa na minha vida. E eu tô gostando muito disso: descobri que amizade não se mede apenas com as palavras ditas, mas, sobretudo, com o que se faz no dia a dia. E amizade assim como qualquer relação é uma escolha. Sendo assim, não dá para perdoar quem não acredita nisso.
Desde 2013, na ida para Portugal, comecei a repensar quase tudo na minha vida. Estar sozinho por um período maior tem que ser uma oportunidade de se repensar. Eu fiz isso. Bem, aí a retrospectiva já começa a ganhar outros contornos e a proposta não é essa, por enquanto, pelo menos.
A AZUL perdeu a minha mala e ontem, depois de 45 dias me manda uma mensagem propondo um acordo de R$645,00 reais. Piada? Uns podem pensar. Nada disso! Foi sério! 
Esse valor não paga a minha mala, imagine se pagaria as melhores roupas perdidas. Essas empresas aéreas precisariam pagar uma multa pelo descaso, pela irresponsabilidade. Bem, o que tiver que ser será. As peças estão no tabuleiro.
Um ex-colega de colegiado (ex porque deixou de ser uma pessoa por quem eu tenho respeito) organizou um evento sobre sexualidade com, imaginem, a Renovação Carismática com o pretenso status de evento acadêmico, mas antes, é claro, enviou uma mensagem pros seus convidados com conteúdo agressivo, mentiroso, enganoso, homofóbico, misógino. Vergonha total de dividir o espaço acadêmico com esse cara. Vejam como a gente precisa estar atento (e forte) o tempo todo!
Este ano conheci alunos novos na pós-graduação e foi uma grande sorte tê-los por perto. Além de pessoas interessantes, descobri que posso contar com eles pro que precisar. Estávamos precisando de alunos assim. Formamos uma equipe de trabalho, temos que formar uma equipe de leitura e discussão de textos. Valeu também moçada!
Bem, o ano não acabou e eu estou aqui no Rio. Espero que até o final do ano eu tenha ainda boas notícias. Sempre é bom iniciar o Ano Novo com o pé direito (risos).
Ah, 2016 começa numa sexta-feira e um ano que começa assim, só pode ser um ano bom! Um grande Natal e um Ano Novo cheio de alegrias, saúde, amor pra todo mundo.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Da Série Contos Mínimos

Mas ele não era uma ilha a centenas de milhas de um litoral. Nem seu coração batia isolado do mundo. Ou o seu umbigo era o centro do universo. Era uma solidão segura, próxima e distante suficientemente.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Da Série Contos Mínimos

Era quase Natal. Luzes piscando em quase todas as casas. Em quase todas as janelas, uma quase alegria tomava conta da cidade. Quase me esqueci de que eu estava sozinho.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Se eu estou sem ela, eu estou com ela

Assim como muita gente, que conheço pessoalmente, que conheço de ouvir falar, que não conheço e nunca vou conhecer, no Natal não fico muito animado. Já fiquei, é verdade, mas depois que a minha mãe morreu, não faz muito sentido comemorar a data.
A nossa comemoração era, normalmente, um almoço no dia 25. Nada além disso. Mas era uma comemoração importante porque estávamos juntos.
Trocávamos presentes. Ríamos muitos. E nos lembrávamos sempre das festas antigas nas quais minha avó, minha bisavó e muitos acontecimentos divertidos surgiam. Era sempre assim. E mesmo nesse óbvio era muito bom. Minha mãe era divertida, engraçada, gente boa, uma pessoa do bem. E fazia de tudo para que tudo saísse da melhor forma possível.
Nesses dias de final de ano, me lembro sempre muito dela. A sua presença sempre é muito forte. E aí me dou conta de que estou sozinho, de que estou sem ela. E por isso, o natal não tem o mesmo sentido.
Bem, vou pro Rio como sempre faço. Vou passar, como sempre tenho feito nos últimos anos, o natal com o meu pa(i)drastro, mas mais do que ficar feliz, eu fico melancólico por conta dessas lembranças.
De toda forma, é isso que eu tenho e tendo isso é importante que eu faça disso o melhor que eu possa fazer. E assim que vai ser. 

sábado, 5 de dezembro de 2015

Marília Pêra (1943-2015)

Poucas vezes me senti tão tocado pela morte de um artista como me sinto hoje com a notícia da morte de Marília Pêra. Deixe-me explicar melhor. Alguns artistas parecem ocupar um lugar muito familiar no nosso cotidiano: ele participa da nossa vida diária, através do seu trabalho, seja na TV, no teatro ou seja no cinema, de uma forma muito intensa e presente.
Marília Pêra é um desses casos, na minha vida. Lembro-me que eu deixava de sair de casa aos domingo, quando eu era adolescente, para vê-la atuar num programa humorístico (cujo nome não me recordo agora). Neste programa, ela interpretava personagens engraçadíssimos (ora uma jornalista que não entendia nada de futebol, mas que precisava narra um gol como se estivesse tocada pela jogada, ora uma mulher que não enxergava quase nada, mas não admitia ser míope, e confundia um poste de luz como um homem.). Começa daí a minha admiração por ela. É a minha lembrança mais antiga de sua atuação na TV.
Depois disso, a vi muitas vezes no cinema, algumas no teatro e infinitas vezes na TV. Ultimamente no seriado Pé na Cova, exibido às terças, na Rede Globo ela e eu éramos íntimos. Darlene é uma espécie de personagem que numa mistura de comédia dramática diz aquilo que é preciso ser dito e que diante do que ela diz ficamos atordoados.
Bem, ela se vai cedo demais, se é que há tempo definido para morrer: se é que se morre cedo ou tarde. E deixa um vazio enorme na dramaturgia brasileira. RIP Marília!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O mal é o que sai da boca do homem

Já escrevi tanto sobre esse episódio que nem acho assim tão relevante postar mais alguma coisa, no entanto, vou fazê-lo apenas para registrar o fato aqui no blog.
Participei, na verdade não participei, assisti as duas últimas falas de um evento organizado por um professor do meu colegiado sobre educação e sexualidade (pelo menos era isso a proposta no formulário preenchido por ele para tramitar no Centro de Educação, Comunicação e Artes ao qual somos afetos).
O seminário foi divulgado pelo professor como um evento científico e apesar de eu saber como ele se porta diante do tema (já tivemos mais de uma conflito por conta disso), em virtude de ele ser membro da Renovação Carismática, ter um projeto de extensão sobre Missa em Italiano, e eu, por outro lado, não ter religião e ter projetos sobre sexualidade numa perspectiva libertadora, achei interessante a sua atitude: acho mesmo que a universidade deve estar aberta a todas as formas de pensamento. Se é ciência, por que não? Tem tanta teoria circulando pela universidade das quais não compactuo. Além disso, eu não sou censor e nem tenho vontade de sê-lo.
Bem, os alunos se organizaram para protestar  contra o evento porque dias antes dele acontecer, o mesmo professor enviou um whatsapp (para alguns ex-alunos, alunos e conhecidos) com um conteúdo bastante preconceituoso, conclamando a sociedade para participar do evento que, segundo, a mensagem, corria riscos de não acontecer (o medo sempre é a arma de um bom religioso: o inferno, o diabo, um inimigo comum!). 
Quem me conhece sabe que eu não ando por aí disseminando mentiras, exagerando fatos, aumentando um pontos.
Pela manhã, fui lendo relatos de alunos sobre o evento e decidi eu mesmo ver se aquilo estava acontecendo: revistas, polícia, capangas impedindo a entrada, proselitismo religioso, preconceito, deboches etc. etc. etc.
Cheguei no finalzinho de uma apresentação e o palestrante sabia mais da Judith Butler do que a própria Butler. Ele citava o livro Problemas de gênero para desconstruir, segundo ele, a própria autora.
As duas últimas palestras não foram diferentes. Os convidados estavam ali para justificar uma crença: não erma trabalhos científicos, com métodos, objetos, análises. Eram catequeses, proselitismo religioso (como disse acima).
Não é que a universidade não possa ceder o seu espaço pra isso. Pode e deve, a universidade é de todos nós! Mas um evento religioso não pode/deve ser certificado como um evento acadêmico, porque aí estamos colocando a credibilidade da universidade em xeque. Por que dessa forma colocamos tudo e qualquer coisa no mesmo patamar da ciência, daquela que tem uma teoria que te permite analisar um corpus.
Encontrar na internet aquilo que reforça um pensamento não é fazer ciência! Trazer dados que confirmem a sua posição política tb não é fazer ciência. Bem, não me inscrevi e por isso não pude fazer perguntas nem considerações. Eu o faria com muita educação e gentileza, mas não sairia do auditório assim calado diante de tudo aquilo que ouvi.
Bem, o evento está registrado e pronto.