domingo, 29 de novembro de 2009

Terceiro maior índice de analfabetismo da América Latina (texto)

ONG diz que Brasil tem terceiro maior índice de analfabetismo da América LatinaNíveis no país chegam a 11,4%, número que só não é pior que o do Haiti, 41,7%, e da Guatemala, 30,9% .

O Brasil é o terceiro país em índice de analfabetismo da América Latina, atrás apenas do Haiti e da Guatemala, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira por uma ONG.

De acordo com a ONG Alfalit, os níveis de analfabetismo no Brasil chegam a 11,4%, número que só não é pior que o do Haiti, 41,7%, e da Guatemala, 30,9%.

Entre os países com menor porcentagem de pessoas que não sabem ler estão Chile, Argentina e Uruguai.

— No Chile há dois milhões de pessoas que não sabem ler, número que significa 4,3% da população, antecedido por Uruguai (4%) e Argentina (2,8%) — disse David Forsberg, diretor internacional da Alfalit.

Segundo Forsberg, no mundo existem 800 milhões de analfabetos, dos quais 34 milhões pertencem à América Latina

Fundada em 1962, a Alfalit é uma organização cristã com sedes no Caribe, América Latina, América Central e em alguns países da África.

A instituição prepara voluntários para alfabetizar pessoas, com um programa que dura aproximadamente seis meses. Para a ONG, o ensino pode combater a delinquência.

— É possível observar que o analfabetismo gera criminalidade, pois nas prisões há um grande número de analfabetos — disse Forsberg.

sábado, 28 de novembro de 2009

Cada um mostra o que pode (texto)

Não basta ser o centro das atenções naturalmente, tem que aparecer. Pelo menos esse deve ser o lema de uma noiva que tem sua foto como um novo sucesso na web.
A imagem mostra a mulher com um vestido ousado e foi publicada em um blog dedicado a desastres em casamentos, o Wedinator. Na foto é possível ver a parte de cima do vestido da noiva, não identificada, que tapava pouco mais do que seus mamilos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Da Série Contos Mínimos (texto)

O seu sonho era ser BBB. Não, era ser ex-BBB. Pensou melhor e concluiu que ser uma mulher-fruta seria mais vantajoso. Decidiu-se, então, pela cenoura. Ficou sabendo, anos mais tarde, que o seu fracasso se deu porque não fora uma aluna aplicada em botânica.

Depois da chuva (texto)

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir

Sou explosivo. Pavio curto. Sei que tenho qualidades. Sei tb que elas, às vezes, ficam num segundo plano por conta dessa forma como me comporto. Por outro lado, como NUNCA me meto onde não sou chamado (e mesmo se sou chamado, penso muito antes de me intrometer - além disso, tenho pouco tempo para a vida dos outros), fico esperando que façam o mesmo em relação a mim.
Se eu me expuser aqui e isso ofender a alguém, façamos o mesmo como faríamos com os programas de TV indesejáveis, apertemos o controle remoto em outro canal e pronto. Num clique estaremos numa outra página, num outro programa.

Público e privado (texto)

Escrevo aqui o que sinto e tenho vontade, com alguma censura (é verdade), mas sempre o que sinto. Nada postado aqui tem outra intenção que não seja a de me expressar através desses sentimentos. Ainda que para algumas pessoas seja uma exposição (e eu tb acho vezinquando isso) desnecessária, escolho sempre postar como ando me sentindo.
Da mesma forma que não censuro nenhum comentário, venha ele de onde vier, seja ele do jeito que for, gostaria que esses meus sentimentos tb fossem respeitados. Afinal, um blog, ainda que o acesso seja público, é tb particular.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Da Série Contos Mínimos (texto)

Nem bem amanhaceu, ela já estava de pé. Coração na boca. Pernas inseguras. Mãos trêmulas. Que mãe não ficaria assim com a chegada do filho, depois de tantos anos?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Caras & Bocas (texto)

Postei aqui, não me lembro exatamente quando, um pequeno texto metendo o pau na novela Caras & Bocas, exibida pela Rede Globo, às 19 horas (mais ou menos). Naquele texto, eu escrevi , entre outras coisas, que o nome da novela não tinha nada de inovador e que fazia referência a outros títulos de novelas (tais como Transas & Caretas, Plumas & Paetês etc.). Lembro-me apenas que fiz uma única ressalva ao texto de Walcir Carrasco (novelista) em relação à trama das 19h: um núcleo cômico, a família da Laís (Fernanda Machado), no entanto, preciso agora refazer algumas considerações (é claro que continuo achando insuportável a historinha sem graça entre os protagonistas, sempre o mesmo leo-lero de sempre, para, nos últimos capítulos, acabar tudo bem. A mesma novela de sempre, a mesma traminha óbvia e sem sal):
1) É uma novela bastante divertida, com vários núcleos cômicos. Cada núcleo explora, ao seu modo, assuntos diversos: ainda que o tom seja de comédia, discutem-se diversos tipos de preconceitos: sexual, racial, religioso, estético e ético;
2) Tem um macaco como um dos personagens centrais. Ele além de pintor, fotografa e desvenda, com as essas fotografias, várias situações (inovador);
3) Ivonete (Suzana Pires) é uma grande revelação (desculpem-se se ela era conhecida). Além de linda é divertidíssima, os seus jargões ("Não me absorva!", "Tô virada no cão" e "Sou toda trabalhada...") já caíram na graça de muita gente;
4) Ainda que o personagem seja pequeno, não dá para esquecê-lo: Mercedes (Neusa Maria Faro) com o tempo da comédia, transforma pequenos diálogos com as suas caras e bocas.
Eu poderia ainda destacar alguns outros personagens (Cássio, Judith, Adenor, Fabiano, Bianca, Felipe, Lili = Marco Pigossi, Deborah Evelyn, Otaviano Costa, Fábio Lago, Isabelle Drummond, Miguel Rômulo, Maria Clara Gueiros), mas seriam tantos os destaques que o texto não acabaria.
O importante é que a novela (apesar dessa espichada desnecessária) é divertida.

Cicatrizes (música)

Aonde foi que eu perdi o teu sorriso
E trouxe pros meus dias a saudade
Um mal secreto lentamente invade
O que se transformou em armadilha

O que será que eu posso mais não faço?
E deixo me morrer em agonia
Repouso no teu colo meu cansaço
E crio nas tuas mãos a fantasia
E essa dor antiga não estanca
Por que é que nunca sara essa ferida
Se a porta desse quarto não se tranca
Por que é que sempre foge a saída ?
(Solange Böeke)

Saudades (texto)

Saudades da minha mãe: saudades de poder ligar apenas para um oi. Já estaríamos planejando o natal desse ano. Êta vida!

Da série Contos Mínimos (texto)

Olhava através da janela, concentrava-se nos passos dados no corredor, esperava anciosamente que o telefone tocasse. Nenhum sinal. Ela não voltaria.

Da série Contos Mínimos (texto)

Um adoslescente excessivamente orgulhoso de si. Um umbigo no centro do mundo. A vontade de ser (re)conhecido pelos atributos físicos. A indignação pela indiferença. Uma flor chamada narciso.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da série Contos Mínimos (texto)

Um passinho pra lá, dois passinhos pra cá. Uma volta e meia e uma paradinha. D. Donguinha, a professora de piado e dança, delicadamente ensinava a menina os movimentos da vida.

Da série Contos Mínimos (texto)

Lembrava-se dela todos os dias. Uma pontinha de tristeza ainda sufocava no seu coração. Sabia que seria difícil. Não, sabia que seria impossível viver aquela ausência. A vida não teria a mesma graça. Queria novas lembranças, mas nada poderia fazer. A morte lhe tinha roubado a companheira.

Da série Contos Mínimos (texto)

Vendia-se como um grande homem. Mandava flores. Telefonava no dia seguinte. Conhecia vinhos, poesias e música. Só não sabia que roubar a solidão sem oferecer verdadeira companhia, não valia nada.

Da série Contos Mínimos (texto)

Ele era modelo internacional: flashs, fotografias, capas de revistas, moda, glamour, brilhos, castelos, caras, bocas, corpos suados, excessos, invejas, noites insones. Tudo sempre tem, pelo menos, dois lados.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Da série Contos Mínimos (texto)

Vivia no mundo da lua, ainda que nunca tivesse saído de sua cidade natal. Duas quadras, 5 ruas, uma igreja e a praça principal (não existiam outras). A melhor roupa era a de domingo, missa na matriz. Festa mesmo, só a do padroeiro! E a saudade dava o tom de sua existência. Nunca mais os olhos sobre ele.

Da série Contos Mínimos (texto)

Completamente atrapalhado com a vida: acordava atrasada, saía correndo, esquecia a carteira. Perdia a condução, descia no ponto errado, demorava encontrar o endereço. Assinava com o nome de solteiro, refazia as tarefas. Não sobrava tempo.

domingo, 22 de novembro de 2009

Da série, Contos Mínimos (texto)

Oi. Cumprimentaram-se outra vez ao esbarrarem-se pelo corredor do escritório. Mas não era apenas uma saudação econômica. Era amor.

sábado, 21 de novembro de 2009

Virado no cão! (texto)

Três computadores em casa e nenhum presta. Um se esquentar, desliga, o outro o windows não conecta e o terceiro é tão velho, tão velho que o teclado é todo em grego e a memória é uma vaga lembrança (velha essa, né?). Tô virado no cão. Garrei um ódio de tecnologia. É desesperador ficar sem internet. Daqui a pouco começo com a crise de abstinência. Fico numa angústica só de pensar que tem um e-mail me esperando para responder, um vídeo bombando no youtube, o twitter a quinhentos por hora, meu orkut sendo invadido. Comecei com as visões. Daqui pra frente é só o fundo do posso.
A internet é a salvadora dos meus embalos de sábado à noite. Sem ela, tenho que ver tv. Nem venham com essa de livro porque li a semana toda. Escrevi todos os dias. Dei aula.
Eu quero é mocotó.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

20 de Novembro: Dia Nacional da Consciência Negra (texto)

Kizomba, Festa da Raça

Valeu Zumbi

O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição
Alinhar ao centro
Zumbi valeu

Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sacerdote!
Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Que magia
Reza Ageum e Orixás
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sacerdote!
Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Que magia
Reza Ageum e Orixás
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Valeu
Valeu Zumbi
Valeu Zumbi, Valeu Zumbi, Valeu Zumbi
Valeu Zumbi!

Durante muito tempo à questão do Negro no Brasil era lembrada no dia 13 de maio, dia da assinatura da Lei Áurea, em 1888, abolindo a escravatura.
Nessa data nas escolas, normalmente, as crianças negras faziam o papel de escravos e a caucasiana se vestia de princesa Isabel, no entanto, nada era dito sobre a resistência e as lutas dos negros contra a escravidão. O destaque era a ação da princesa Isabel.
Nos anos 70, com o surgimento e o fortalecimento dos Movimentos Negros, deu-se um novo enfoque àquela história. E iniciou-se a luta para que o povo brasileiro lembrasse e (re)conhecesse as lideranças negras e as muitas ações de resistências dos negros africanos através da história.
Um os pontos principais desse Movimento foi enunciar que o dia 13 de maio não deve ser comemorado enfatizando a passividade do negro diante da ação misericordiosa do caucasiano, afinal, durante a escravidão houve muitos movimentos de luta e resistência em diversas regiões do país.

No 13 de maio, o Movimento Negro propõe como o dia Nacional de Luta Contra o Racismo.


O Movimento Negro destaca o dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi – do Quilombo dos Palmares – como uma data a ser lembrada e comemorada, já que ele é considerado um dos principais símbolos de luta e resistência contra a opressão e exclusão vivenciada hoje pelos afros-descendentes.


A intenção de comemorar essa data – 20 de novembro – se deu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O primeiro passo foi dado, conta o historiador Alfredo Boulos Júnior, pelo poeta Oliveira Silveira, membro do Grupo Palmares, uma associação cultural negra. Ao conhecerem o livro “O Quilombo dos Palmares”, de Edison Carneiro (baiano), os participantes dessa associação entenderam que Palmares foi a maior manifestação de resistência negra na história brasileira.


No dia 20 de novembro de 1971, no Clube Náutico Marcílio Dias, fez-se a primeira homenagem a Zumbi dos Palmares. Esse foi o primeiro passo para que ocorresse em Salvador no dia 7 de julho de 1978, uma proposta pelo MNU – Movimento Negro Unificado – para que em 20 de novembro fosse o dia Nacional da Consciência Negra. Associações e Movimentos Negros de todo o país aceitaram a proposta e essa data representa o resgate no sentido político de luta, da resistência contra a opressão social.


Assim, a partir da década de 70, Zumbi passou a ser valorizado no contexto de luta contra o mito da “democracia racial”, auxiliando na desmistificação que a história apregoa sobre o tipo de relações raciais desenvolvidas no Brasil, como sendo uma escravidão pouco violenta e de resistências sem tanta importância.


A visão da “democracia racial” ainda tenta apresentar para a sociedade a ideia de que os diferentes grupos étnico-raciais no Brasil existentes viveram e ainda vivem harmoniosamente diferentes da resistência dos outros paises. Daí a importância de Zumbi dos Palmares, sua representação ativa e rebelde se contrapõe a toda essa ideia instituída pelo caucasiano. A imagem de Zumbi não só representa a resistência negra, mas, contribui também, para que negros e caucasianos compreendam, aceitem e reconheçam as diferenças humanas.


Em 2003, foi sancionada a lei 10.639/03 sendo instituída obrigatoriedade da inclusão da História da África e da Cultura Afro-brasileira no currículo das escolas pública e particular de ensino fundamental e médio. A lei também determina que o dia 20 de novembro deverá ser incluído no calendário escolar como dia Nacional da Consciência Negra.
Toda essa nova leitura sobre o negro se deve principalmente à luta da Comunidade Negra e dos Movimentos Negros de todo Brasil.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Assim são os meus amigos (texto)


Ter amigo é bom demais. É ele quem nos ampara naquelas horas. E se ele for do tipo que não te vigia, não te inveja, não te analisa nem descute a relação, aí é muita sorte, é sorte demais! Um amigo que te aceita do jeito que vc é, e não faz perguntas difíceis, te entende pelo olhar, e não é, jamais, invasivo, não te coloca contra a parede, não te cobra presença, é o ideal.
Se ele for leve, bem humorado, inteligente e te der um abraço daqueles. Meu deus, que sonho! E se vc se sentir diante dele à vontade a ponto de não ter quaisquer preocupações, cuidados, não precisar pisar em ovos, não deixe nunca que ele te escape.
E se ele entender que alguns comportamentos teus (as esquisitices) não têm nada a ver com ele. Aí, sem adjetivos para chamá-lo.
Tenho amigos assim.

Educação sexual (texto)

Educação tem relação íntima com aprendizado (parece até que estou brincando). Ninguém é ou pensa como pensa/é, simplesmente porque nasceu pensando/sendo assim ou assado. Somos, sem dúvida, frutos do nosso tempo e nossos pensamentos, quase que de forma geral, acompanham as tendências nessas condições.
Disse de forma geral, porque, sabemos, todos nós, que sempre existe a possibilidade de ser de outra maneira, sempre há alguma resistência ao que chamamos de pensamento hegemônico. Graças a deus, de outro modo a gente não se transformava, o mundo não se transformava.
Sexo é natural. Basta olhar para ver todos os dias o universo nos presentenado com cenas sexuais por todos os lados (desculpem o trocadilho). No entanto, sabe-se lá quando, o sexo passou de natural a uma forma ameaçadora: talvez o cristianismo, talvez as Igrejas de maneira geral, talvez a Medicina, talvez a própria Educação, talvez a Cultura ocidental. Ou melhor, talvez todas essas Instituições ao mesmo tempo na mesma direção.
E aí em nome disso e daquilo produzem-se preconceitos, tabus, discriminações, silêncio em torno de algo que precisa ser discutido. Sexo é saúde, alegria, prazer, possibilidade de perpetuação da espécie, manifestação de amor, carinho etc & tal, e portanto, não deve ficar relegado aos comentários aos pés-dos-ouvidos. Ou estaremos perpetuando, produzindo, uma geração doente, crianças que (como nossos pais e como nós mesmos) não podem sequer ouvir/falar sobre o assunto, como se ele fosse o maior dos crimes.
A escola não é a salvação para tudo, eu sei, mas cabe também a ela, discutir, propor discussões sobre o tema, justamente para desconstruir essa aura de "coisa feia", de "pecado", de "doença", de "crime" que ronda o imaginário em torno desse assunto.
Creio que não podemos mais ignorar a necessidade de abrirmos as portas para um grande debate sobre educação sexual e esgotarmos tudo que está nas “entrelinhas” e dificulta a discussão sobre esse assunto inesgotável de interrogações.
Encarar os debates, propor uma sociedade mais justa e que, nesse sentido, passa por uma sexualidade igualitária. Mas não para por aí. Precisamos informar cada vez mais e, além disso, desenvolver uma atitude positiva diante da sexualidade. A falta de informação e as mensagens distorcidas geram ansiedade e culpa.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Só mesmo a mãe (texto)

Hoje eu tive uma notícia muito boa: uma ex-orientanda, Vera Beatriz Hoff Pagnussatti – Mal. Cândido Rondon/Paraná, do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE/PR) foi premiada pela Fundação Bunge (clique para ver) com o prêmio Professores do Brasil com um trabalho que realizamos em 2007. Fiquei tão feliz com a sua premiação, porque ela reforça o que sempre soube em relação à Vera: professora nota 10, pelo amor ao trabalho, pela dedicação ao estudo, inteligência e pelo prazer de fazer bem feito o que se propõe.
Aí se a minha mãe estivesse viva eu teria ligado para dar essa boa notícia! Ela sempre era a primeira a saber dessas novidades e vibrava comigo como se ela estivesse diretamente envolvida no processo. Não tive pra quem ligar, porque só as mães vibram conosco dessa forma. Amigos ouvem, mas quem escuta com o coração, so mesmo a mãe.
Fiquei lembrando, não com tristeza, mas com saudade, como ela ficou feliz quando passei no vestibular, como ela se realizou com a minha formatura na graduação, como rezou para que a defesa do mestrado fosse tranquila, como vibrou comigo quando terminei o doutorado e como ouvia essas bobagens todas como se fosse ela mesma a passar pela situação.
Só as mães são felizes!

Depois me diz (Marina Lima/Antônio Cícero)

Ainda Desta vida, desta arte. Sei lá o que me deu para ouvir tanto e tantas vezes esse CD que estava lá, quietinho, no seu canto, ou melhor, no seu silêncio.

Teu visual

Não sai de mim

Te amo, que mal

Eu sou assim...

Não tem nenhum jogo

Desejo

Te vejo E acende o fogo

Um tremor me abala Suor me umedece Eu fico sem fala A língua entorpece

Assim, meio estranha

Me perco

Querendo, você me ganha
As gente às vezes foge Mas depois, volta atrás Primeiro ruge Não dá cartaz

E aí, sem entender

Capota

Você vai ver como eu vi

Depois me diz

Que nota

Depois me diz...

A noite cai

Brilho infinito

O amor é mais

Tudo foi dito

Mas eu te respeito

Te quero

Te espero

E só acredito...

domingo, 15 de novembro de 2009

Meu tempo (estou aprendendo) Marina Lima/Antonio Cícero

Gosto muito das músicas da Marina Lima/Antonio Cícero. Já ouvi com mais frequência, é verdade. Mas continuo, vezinquando, ouvindo os discos (CD's) antigos. Desta vida, desta arte, por exemplo, é um CD que sempre ouço. Tem ali pérolas dessa dupla: "Meu tempo", é uma delas. Tou ouvindo agora e, como tenho boas lembranças dessa época, posto aqui a letra.


Eu sei

Estou aprendendo

A vida é meu tempo sem me guardar ou machucar demais

E nem quero mais a chave do mundo

Eu sempre mudo, nada é igual, mas o fundamental
Pra mim é saber achar

O que esse tempo tem pra dar

Nada acabou-se quero acreditar que

No fundo do amargo tem uma gota doce
Eu tento não endurecer

É duro sofrer, mas sei que faz parte

Desta vida e desta arte

E só quero

No peito e na garra

Comprar mesmo a barra humana e mortal

Barra total

Pra mim é saber achar

O que esse tempo tem pra dar

Nada acabou-se quero acreditar que

No fundo do amargo tem uma gota doce...

2012 (filme)

Cinema é ou não a maior diversão? É. Sem cinema minha vida seria sem graça. Ir ao cinema (uma pena que agora quase todos sejam em shoppings) é quase um ritual: escolher o filme, a sessão, o lugar, aguardar para que as luzes se apaguem.
Aqui em Cascavel, não em qualquer lugar, acho que por força do hábito, ou melhor, por força do não-hábito, algumas pessoas ainda acham que a sala de projeção é extensão da sua casa e, dessa forma, conversam, atendem telefone, comentam todas as cenas dos filmes etc. Uma pena!
Ontem assisti ao filme_catátrofe_fim_do_mundo 2012. Vou porque gosto de efeitos especiais. Gosto de ver a onda gigante se aproximanda da cidade, destruindo tudo. Prédios inteiros engolidos pelo terremoto etc. etc. etc.
Fora isso, o filme é o mesmo de sempre. A Guerra Fria já acabou faz tempo ..., quer dizer, não em Hollywood: um Russo milionário faz as vezes do vilão (não é bem um vilão, mas tb não é um mocinho). Não é apenas ele, tem tb um norte-americado do mal.
Nesta nova versão, com pitadas politicamente corretas: o presidente negro, o discurso em defesa da nova humanidade, o cientista (tb negro) que descobre/revela o fim_dos_dias etc. etc. etc.
Está tudo lá: previsível até o último instante. O pai_desajustado_que_salva_a_família e recupera o amor e a admiração dos filhos. O maluco que prevê, sem que ninguém dê a devida atenção, os dias finais...
E a cena, divulgada pela imprensa local, do Cristo Redentor aos pedaços, desaponta.
O cartaz brasileiro traz a imagem do Cristo destruído, na França, a Torre Eiffel, na Itália, O Vaticano, mas todas essas cenas são coadjuvantes.
Pra quem gosta de efeitos especiais e não se irrita muito com aqueles roteiros preenchidos com o heroi e a mocinha que se beijam no fim do filme ... dá para encarar.

sábado, 14 de novembro de 2009

Hoje (texto)

Um dia uma amiga me disse aqui que somos (eu-e-ela) ansiosos e, portanto, queremos antecipar tudo: sentimentos, problemas, soluções, idas, vindas, tristezas e alegrias. Estou numa fase de ansiedade exacerbada e isso me tem feito (claro) muito mal. Não tenho conseguido dormir (que novela!) ... e como há um efeito cascata ... fico mais ansioso, menos durmo, menos durmo e mais ansioso. O ano não acaba. Preciso de férias. Mas pela frente: tantas atividades ainda.
Nesta semana, nunca pensei tanto na sexta-feira. Fiquei contando os dias para poder dormir até mais tarde sem ter que pensar em ler trabalhos de conclusão de curso; preocupar-me com as provas, concursos, PDE e a casa que sozinha não funciona.
Ontem cheguei aqui, depois de um dia longo de trabalho, e fiquei deitado sem fazer nada até às 20h. Pensando apenas neste final de semana.
A noite não foi boa, mas não estou com aquele peso nas pernas, apenas uma leve dor de cabeça e um desânimo. Ainda bem que aqui, nesta caverna, existe silêncio.
Estou com o pensamento fixo no mês de janeiro. Querendo dormir uma semana sem intervalo: sem taquicardia, sem pesadelos, sem precisar uma posição boa na cama. Dormir, apenas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lista (texto)

Gosto de listas. Faço quase sobre tudo: os dez livros mais interessantes, os menos; os discos mais ouvidos, as melhores mísicas; os melhores contos; os melhores blogs, enfim, listas, listas e mais listas.
Hoje, no Globo.com, saiu a lista do jornal britânico "The times" dos cem melhores filmes da década, exibidos nos cinemas do ano 2000 para cá.
E em se tratando de filmes, não dá para deixar de reproduzi-la aqui: o longa-metragem "Caché", dirigido por Michael Haneke e estrelado por Juliette Binoche e Daniel Auteil, ficou em primeiro lugar na seleção, seguido de "Ultimato Bourne", com Matt Damon, do oscarizado "Onde os fracos não tem vez", dos irmãos Coen, e do documentário "O homem urso", de Werner Herzog.

O brasileiro Fernando Meirelles apareceu duas vezes na lista, com "Cidade de Deus", que conquistou o 62ª lugar, e "O jardineiro fiel", que ficou em 52º. A lista também inclui "O cavaleiro das trevas", "O eterno brilho de uma mente sem lembranças", "Borat", "Gladiador", "Pequena Miss Sunshine" e outros.

Confira abaixo os primeiro 30 colocados no site do jornal.

1. "Caché" (2005) (vi)

2. "Ultimato bourne" (2007) (vi)

3. "Onde os fracos não têm vez" (2007) (vi)

4. "O homem urso" (2005) ( vi)

5. "Team America: detonando o mundo" (2004) (não vi)

6. "Quem quer ser um milionário?" (2008) (vi)

7. "O último rei da Escócia" (2006) (não vi)

8. "007 - Cassino Royale" (2006) (vi)

9. "A rainha" (2006) (não vi)

10. "Hunger" (2008) (não vi)

11. "Borat" (2006) (vi)

12. "A vida dos outros" (2006) (vi)

13. "This is England" (2007) (não vi)

14. "4 meses, 3 semanas, 2 dias" (2007) (vi)

15. "A queda - As últimas horas de Hitler" (2004) (vi)

16. "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (2004) (vi, mais de dez vezes)

17. "O segredo de Brokeback Mountain" (2005) (vi)

18. "Deixe ela entrar" (2008) (não vi)

19. "Voo United 93" (2006) (vi)

20. "Donnie Darko" (2001) (não vi)

21. "Boa noite e boa sorte" (2005) (vi)

22. "Longe do paraíso" (2002) (vi)

23. "O equilibrista" (2008) (não vi)

24. "Extermínio" (2002) (vi)

25. "Dançando no escuro" (2000) (vi)

26. "Minority report - A nova lei" (2002) (vi)

27. "Sideways - Umas e outras" (2004) (vi)

28. "O escafandro e a borboleta" (2007) (vi)

29. "Quero ser John Malkovich" (2000) (vi, vi, vi)

30. "Irreversível" (2002) (vi)



terça-feira, 10 de novembro de 2009

Canto de Contar Contos: muitos anos de vida (texto)

No dia 13 de novembro o blog Canto de Contar Contos (http://cantodecontarcontos.blogspot.com) completa o seu primeiro aniversário. A blogueira Cris já está nas comemorações. Hoje ela postou um texto lindo, uma retrospectiva desse seu primeiro ano: contando o surgimento e os caminhos trilhados a partir dos seus escritos. Acho apenas que ela não faz ideia do quanto seus textos navegaram: navegar impreciso (alguém parafraseando o poeta).
Sei que tb faço parte desse aniversário como leitor dos seus textos e, sobretudo, como um privilegiado por ter "conhecido" alguém tão especial. Cris, parabéns pelo aniversário! Anos de vida ao seu blog. Amigos por perto, sempre. Coragem!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Distrito 9 (filme)

Nós esperávamos por um ataque hostil ou por tecnologia, mas no lugar dessa perspectiva, desembarcaram, na Terra, alienígenas-refugiados. Instalaram-se em uma área em Joanesburgo, África do Sul, o Distrito 9, uma espécie de favela. E, como tudo que está à margem, pelo menos aqui no Brasil, eles são encarados e tratados como párias. Uma empresa é contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e, com isso, deseja receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como "matéria-prima" as defesas naturais dos extraterrestres. Mas na tentativa de fabricação dessas armas, descobre que para que elas sejam ativadas, o DNA dos aliens é necessário. O tensão entre humanos e aliens aumenta.
É um filme interessante: alienígenas conhecidos como camarões, humano que sofre mutação e, o mais importante, uma metáfora sobre como os indesejados são tratados, seja aqui, seja na África do Sul.

domingo, 8 de novembro de 2009

O início da queda do Muro - 9 de novembro 1989

No final da Segunda Guerra Mundial, Berlim, a capital da Alemanhã, foi dividida em quatro áreas. Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética passaram a administrar cada uma destas áreas.

No ano de 1949, os países capitalistas (Estados Unidos, França e Grã-Bretanha) fizeram um acordo para integrar suas áreas à República Federal da Alemanha (Alemanha Oriental). O setor soviético, Berlim Oriental, passou a ser integrado a República Democrática da Alemanha (Alemanha Ocidental), seguindo o sistema socialista, pró-soviético.

Até o ano de 1961, os cidadãos berlinenses podiam passar livremente de um lado para o outro da cidade. Porém, em agosto de 1961, com o acirramento da Guerra Fria e com a grande migração de berlinenses do lado oriental para o ocidental, o governo da Alemanha Oriental resolveu construir um muro dividindo os dois setores. Decretou também leis proibindo a passagem das pessoas para o setor ocidental da cidade.

O muro, que começou a ser construído em 13 de agosto de 1961, não respeitou casas, prédios ou ruas. Policiais e soldados da Alemanha Oriental impediam e até mesmo matavam quem tentasse ultrapassar o muro. Muitas famílias foram separadas da noite para o dia. O muro chegou a ser reforçado por quatro vezes. Possuía cercas elétricas e valas para dificultar a passagem. Havia cerca de 300 torres de vigilância com soldados preparados para atirar.

Em 9 de novembro de 1989, com a crise do sistema socialista no leste da Europa e o fim deste sistema na Alemanha Oriental, ocorreu a queda do muro. Cidadãos da Alemanha foram para as ruas comemorar o momento histórico e ajudaram a derrubar o muro. O ato simbólico representou também o fim da Guerra Fria e o primeiro passo na reintegração da Alemanha.

sábado, 7 de novembro de 2009

A ETERNA LUTA CONTRA O TEMPO ( Quintana)

A vida são deveres que nós trouxemos
para fazer em casa
.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
A ergueria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas...
Dessa forma eu digo,
não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo que, infelizmente, não voltará mais.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sobre a infelicidade (frase)

"Suportamos com mais resignação uma infelicidade que nos chega inteiramente do exterior do que uma cuja culpa caiba a nós mesmos." (Arthur Schopenhauer)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

VIver não doi (Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

Saudade (Quintana)

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Histórias de Heloísa II (textos)

Minha mãe me recontou tantas vezes esse caso que é como se ele fizesse parte da minha memória tb. Nós morávamos com a minha Bisavó, Carolina, que era uma senhora engraçadíssima, além disso, me defendia até o último fio dos meus cabelos (naquela época eu tinha bastante). Contava minha mãe que o irmão da minha bisavó havia morrido em Campos, cidade do interior do Rio de Janeiro. E que ao saber da notícia, todos nós, Carolina, Heloísa e eu (com 4 anos, aproximadamente) nos dirigimos para ver se conseguíamos chegar antes do sepultamento do irmão dela.
Acontece que ela, Carolina, não sabia nada além do nome do irmão e do número da casa em que ele supostamente morava. Nada além disso numa cidade enorme como Campos.
Depois de uma viagem de 4 horas, chegamos na rodoviária da cidade. Minha bisavó aflita porque o enterro do seu irmão seria no outro dia e ela queria a todo custo ver o corpo antes que ele fosse enterrado. Como fazer para encontrar alguém que (ela supunha ser conhecidíssimo) sequer se sabia o endereço? Ela então a cada pessoa que cruzava o nosso caminho perguntava se se conhecia o fulano de tal (esse detalhe do nome, não lembro). Ninguém conhecia o irmão dela. Ninguém. Então as pessoas querendo ajudar perguntavam pelo endereço: bairro? Rua? Cemitério? Ela apenas com o número da casa. E mais nada!
Ela ficava indignada quando a resposta era negativa. Ela achava que as pessoas tinham a obrigação de conhecer o seu irmão porque 'ele era uma pessoa muito importante', afinal era o seu irmão. A cada negativa, um confusão.
Caiu a noite e nada. Nem sombra do irmão morto. Até que uma senhora, cabeleireira, com pena da nossa situação, nos ofereceu a sua casa para que passássemos a noite. Provavelmente não tínhamos dinheiro algum para hotel, comida, essas coisas. Pelo menos é o que me pareceu.
Dormimos, os três, num sofá, daqueles que abriam e virava uma espécie de cama de casal. Durante a madrugada, segunda a minha mãe, nos levantamos para eu ir ao banheiro, porque eu, é claro, mijava na cama ou em qualquer lugar se me desse vontade.
Quando retornamos, a minha bisavó tinha sumido. O sofá não suportava que alguém ficasse deitado em um lado sem nenhum peso do outro. Minha avó caiu e ficou por lá mesmo. Depois de uma pequena procura, Carolina foi encontrada deitada no chão. Ela disse que passaria à noite por ali mesmo, além, é claro, de reclamar da hospitalidade: "É isso que dá a gente aceitar o convite desse tipo de pessoa. Nos colocam em qualquer lugar sem o mínimo conforto." (Nem aí para o fato da tal senhora ter feito um grande favor).
No outro dia, depois de muita andança, finalmente o cemitério foi encontrado, mas o enterro já tinha sido feito. Segunda minha mãe, mais um escândalo. Minha bisavó queria a todo custo que o corpo fosse desenterrado para que ela se despedisse do irmão.
Não houve jeito.

Histórias de Heloísa (textos)

Minha mãe tinha um amigo que tb era professor. Ah, morávamos no mesmo bairro, no Rio. Quase todos os dias antes de ele ir trabalhar, dava uma passadinha lá em casa para uma conversa bem rápida, um cafezinho, um oi apenas. Acontece que ele era um pouco tímido e, quando não tinha mais o que dizer, ele batia levemente com um dos dedos no braço do sofá. Umas batidas bem delicadas. Isso era o suficiente pra minha mãe encenar, em qualquer ocasião em que nós (eu e ela) tivéssemos conversando, essa maneira de sinalizar que o assunto tinha acabado.
É claro que, como sempre, tudo era exagerado, ao invés de pequenas pancadas no braço no sofá, ela batucava como se estivesse tocando um pandeiro (com batidas fortes e compassadas) e finalizava como se estivesse numa apresentação tirando o último som do instrumento.
Ríamos muito porque sabíamos que aquilo era uma espécie de código entre nós: se faltava assunto, tínhamos o braço do sofá.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss (1908-2009)

Foi anunciada nesta terça-feira (3) a morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss. A informação é da editora do intelectual, pela qual o falecimento teria ocorrido entre sábado e domingo. Criado em Paris, ele nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908. Fundador da Antropologia Estruturalista, é considerado um dos intelectuais mais relevantes do século 20.
Membro de uma família judia francesa intelectual, Lévi-Strauss estudou Direito e Filosofia na Sorbonne, em Paris. Lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo (USP), de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central.
Passou breves períodos entre os índios bororós, nambikwaras e tupis-kawahib, experiências que o orientaram definitivamente como profissional de antropologia.
Após retornar à França, em 1942, mudou-se para os Estados Unidos como professor visitante na New School for Social Research, de Nova York, antes de uma breve passagem pela embaixada francesa em Washington como adido cultural.
Fez parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982. Lévi-Strauss passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos.
Jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como única. Enfatizava que a mente selvagem é igual à civilizada.
As contribuições mais decisivas do trabalho de Lévi-Strauss podem ser resumidas em três grandes temas: a teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17º Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Bibliografia publicada no Brasil

  • As Estruturas Elementares do Parentesco (Vozes, 2003)

  • Antropologia Estrutural (Vol. 1) (Cosac Naify, 2008)

  • Antropologia Estrutural (Vol. 2) (Tempo Brasileiro, 1993)

  • O Pensamento Selvagem (Papirus, 2005)

  • Sociologia e Antropologia, de Marcel Mauss (introdução de Claude Lévi-Strauss, Cosac Naify, 2003)

  • O Cru e o Cozido - Mitológicas (Cosac Naify, 2004)

  • Do Mel às Cinzas - Mitológicas (Cosac Naify, 2005)

  • A Origem dos Modos à Mesa - Mitológicas (Cosac Naify, 2006)

  • O Homem Nu - Mitológicas (Cosac Naify, 2009)

Bastardos Inglórios (filme)

Assisti pela segunda vez Bastardos Inglórios de Tarantino. Ele mistura linguagens, épocas e escolas - que praticamente desaparecem no resultado, tornando-se algo bem pessoal
Tarantino apanha todas as coisas que lhe são queridas, com as quais cresceu, e as transforma. Ele já fez isso muitas vezes, mas em Bastardos busca uma certa organização sutil separando os gêneros através de uma organização em capítulos.
A história começa na França ocupada pelos nazistas, onde Shosanna Dreyfus (Laurent) testemunha a execução de sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz merecia uma crítica à parte). Enquanto isso, também na Europa, o tenente Aldo Raine (Pitt) inferniza ao lado de seu grupo de soldados-judeus os nazistas. Conhecido por seus inimigos como Os Bastardos, o esquadrão de Raine se junta à atriz alemã e agente infiltrada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger. Excelente, por falar nisso.) em uma missão para derrubar os líderes do Terceiro Reich.
Inteligente, ainda que mantida rigorosamente simples, a trama investe nos atores - e a direção de elenco é a melhor da carreira já celebrada por essa característica de Tarantino.
Christoph Waltz, ator austríaco, não dá chance a quem quer que divida a cena com ele. Seu vilão é tão sensacional que Bastardos Inglórios torna-se, sem querer, quase como um filme do Batman, em que são os antagonistas que valem o ingresso. Brad Pitt? Bom e caricato, como o filme exige. Mas Waltz está simplesmente em outra esfera de talento. Caricaturas, aliás, são o pão-com-manteiga do filme.
É divertida a maneira como Tarantino conscientemente reduz personagens aos seus estereótipos conhecidos (o americano caipira e bruto, a francesa blasé, o inglês supereducado, os nazistas engomadinhos...) para economizar tempo em explicações e construção de personagens.
O cinema de Tarantino tem uma violência anestésica. Ele consegue transformar o "gore" em "cool" dentro de determinados públicos. Mas fica o aviso - há quem tenha criticado duramente a produção por conta disso, gente que considera Tarantino um eterno adolescente fascinado com seus brinquedos. Sem pena, mata a mocinha, o mocinho, mata quem quiser.
Tarantino é mesmo inconsequente - mas enquanto tiver seu público cativo, formado por gente como ele, seguirá em seu mundinho. Eu, pelo menos, agradeço.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma Alegria para Sempre (Quintana)

As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se
depois de tudo – tenha "ela" partido, casado, mudado, sumido, esquecido, enganado, ou que quer que te haja feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

(Mario Quintana)

No morro do Macaco (texto)

Fabiano Atanásio da Silva, o FB, que comandou a invasão do morro do Macaco, estava preso e foi beneficiado pelo regime de prisão-albergue, isto é, teve o direito de sair do presídio para trabalhar e voltar à noite. Saiu e não voltou, mesma novela.
No que mesmo que o FB trabalhava? Pois é, no tráfico, e, é claro, teve licença para voltar ao trabalho. Se Fabiano foi condenado por ser chefe do tráfico naquela favela, a que trabalho o juiz, acha que ele iria se dedicar?

Brincando de Playmobil (texto)

Depois de tudo o que se viu, se ouviu sobre a violência na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito, Eduardo Paes (PMDB), teve uma brilhante ideia: promover corridas de Fórmula Indy no Aterro do Flamengo, área de lazer que ostenta exemplares da mata brasileira, plantados por Burle Marx. Parque no meio de um grande bairro residencial.
Aí fiquei pensando, por que é que as "grandes ideias", do Eduardo Paes (e de quase todos os outros (im)prefeitos, (des)governadores da cidade) são sempre nesse sentido? O espetáculo, o show? Por que é que eles não se juntam para resolver os grande problemas da cidade? Continuamos com os mesmos hospitais (apesar das promessas), com a mesma educação (apesar das promessas), com a mesma polícia (apesar das promessas), com os mesmos problemas de décadas e o prefeito brincando de playmobil.
Minha culpa! Minha culpa! (não exatamente minha, porque não votei nesse cara).
Até quando vamos engolir todos esses sapos, lagartos?

Os dias voam (texto)

Nem me dei conta de que depois de outubro já era novembro. Os dias passaram numa ligeireza daquelas. E sobre a minha mesa os trabalhos multiplicam-se. Só a vontade de lê-los é que não anda no mesmo ritmo. Pena, né?! Se eu pudesse já estaria de férias numa praia bem deserta, bem silenciosa. Apenas na companhia de literatura: preciso reler alguma coisa e tb terminar alguns livros que foram iniciados, mas que as aulas não me deixaram vencê-los. Nada de AD, nada de linguística, nada de sujeito (tudo mentira, porque isso tb me faz bem). Mas SE não é o caso, ainda temos muitas coisas pela frente aqui na universidade: disciplinas por fechar (o que significa, aulas e avaliações), vestibular, vestibular-indígena, concursos públicos, textos do PDE, relatórios de todos os lugares, TCC dos alunos. E o João (meu chefe) não sossega, sempre inventa mais alguma coisa. Paciência, é até bom. Que ele não leia isso, porque tb não é tão bom assim.
Final de semana prolongado e mesmo assim não dei conta de tudo. A casa nao está mais fora do lugar (Fátima me deu ordem para sair da net e por ordem na bagunça). São Longuinho me deu uma força e encontrei os trabalhos dos alunos. É isso, depois do café, trabalho.