sexta-feira, 27 de março de 2020

Somente na Itália

Itália registra 793 mortes por coronavírus em apenas um dia | A GazetaA carreata italiana já tem quase 10 mil mortos.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Resultado de imagem para despedida“E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval, uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito, depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso. E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras, com flores e cantos. O inverno, te lembras, nos maltratou; não havia flores, não havia mar...Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.”

Do livro "A Traição das Elegantes", Rubem Braga.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Cada um no seu quadrado

Resultado de imagem para cada um no seu quadradoNão é fácil compreender que a gente não está no controle de nada. De nada que tenha a ver conosco e muito menos que tenha a ver com o outro. 
Sou professor, acho que já escrevi isso aqui mais de mil vezes, num curso de letras (na graduação e na pós graduação). Tenho orientandos tanto aqui quanto lá. Os de lá estão, naturalmente, iniciando uma jornada científica. Tudo muito básico. Os de cá já têm uma experiência profissional que os coloca numa etapa mais adiantada: são formados, em geral trabalham, sabem ler e escrever com autonomia. Tudo isso funciona na teoria, apenas na teoria.
Tenho alunos da iniciação científica que dão shows em suas apresentações, que escrevem com muita maturidade e que leem muito bem.
Por outro lado, tenho alunos do mestrado e do doutorado que dão o maior trabalho. Vc diz uma coisa e eles fazem outra. Você sugere uma leitura e eles nem aí para a sua sugestão. Você indica uma correção e eles te ignoram completamente.
Aprendi (mais ou menos) a conviver com esses alunos de forma que não confundo mais o trabalho deles com os meus. Eu leio com muita atenção o que me mandam, faço todos os comentários que julgar necessário, estabeleço um prazo para a reentrega e o resto é por conta deles. 
Se fizerem o trabalho direitinho, vão apresentá-los para uma banca e vou defendê-los. Se não fizeram.... 
Havia um tempo em que eu ficava me culpando pelo trabalho mal feito. Não faço mais isso. Cada um tem uma função nessa relação e pronto.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Para nunca esquecer, de outubro de 2009.

"Alexandre: as mães não morrem. Elas ficam por  aí, piscando o olho pra gente - "cuidado, menino"; "ponha o casaco"; "vai mais um café, meu filho?", iluminando de memória o que a vida nos reservaDe memória e de ternurapode crer.

Um abraço, com carinho, Bea."


domingo, 29 de dezembro de 2019

2019 (em desconstrução)

Resultado de imagem para 20192019 foi o ano da estupidez. Ano que ouvimos de pessoas próximas e de outras, nem tão próximas assim, absurdos que sequer pensávamos poder ouvir no séc. XXI. Melhor não repeti-los para preservarmos a nossa sanidade.
Retrocedemos. Não tenho dúvida! Retrocedemos na forma de olhar para o outro, voltamos para tempos obscuros em termos de humanidade, de solidariedade, de afetos.
Valorizaram a violência em todos os sentidos: o discurso da exclusão, do racismo, da homofobia, da intolerância religiosa estiveram presentes nesses tristes 360 e poucos dias deste ano. 
Foi o ano da mentira institucionalizada. De mentiras tão sem propósitos que me senti num filme de ficção: mamadeira de piroca! socialismo! comunismo! meninos vestem azul e meninas rosa! o peixe é inteligente! balbúrdia nas universidades! E por aí vai...
2019 foi um ano marcado pela presença e destaque de imbecis na vida pública e na privada (de onde eles nunca deveriam ter saído). Pautaram o nosso pensamento e aquilo que circulou nas redes sociais e nos jornais diários. 
Era tanta pequenez, tanta estultice, tanta falta de noção que uma montanha de estrume não seria suficiente para comparar com tudo aquilo que foi dito e escrito.
O fundamentalismo religioso se meteu na educação e na saúde e, é claro, impediu que professores falassem sobre sexualidade, sobre violência, sobre equidade, sobre diversidade, sobre diferenças. Impediu também que crianças fossem vacinadas e que as doenças há muito controladas se fizessem outra vez presentes. A laicidade do Estado foi esquecida por parte da sociedade. 
Não foi um ano fácil para quem pensa na inclusão com necessidade, na diferença como patrimônio, na raça como orgulho e como inscrição e marca da nossa história. 
Como tudo, o ano de 2019 está acabando e vai passar.
Senti-me enfraquecido em muitos momentos, mas fui confortado  (e confortei) pelos amigos, pelos companheiros de trabalho e não soltamos as mãos uns dos outros. Nos abraçamos e resistimos e sobrevivemos aos 2019.
A luta continuará. Não tenho dúvida! Vamos resistir a todo atraso que nos impuseram este ano. E quando o dia raiar, porque o dia vai raiar, nós vamos sair pelas ruas mais fortes.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Retro-Perspectiva 2019

Resultado de imagem para olhando o passado
Olhar para 2019 no final do ano sempre é ficção. Bem, vamos lá. Comecei o ano apaixonado e mais velho (5.4) e termino o ano com o coração vazio. 
Foi uma paixão descabida, sem eira nem beira. Daquelas que a gente não sabe bem o porquê de ter acontecido. Acontece e pronto.
Entre janeiro e dezembro me apaixonei mais uma vez. Não foi uma paixão como tantas outras. Achei, de verdade, que seria dessa vez.  Não foi. Descobri que o que nos liga ao outro é a vontade de estar juntos. Nada além disso. Se não há reciprocidade, não há nada que possa fazer dar certo. 
Conheci de cara umas cinquenta pessoas. 1º ano de Letras de 2019 foi uma turma boa: divertida, bons alunos. Fiz amigos e estabeleci laços. Acho isso importantíssimo. Sem amizades e laços, ser professor não faz sentido. 
O trabalho foi intenso. Muitos orientandos concluindo seus trabalhos. Outros tantos chegando. Outros ainda no meio do caminho. Participei de muitas bancas de defesa (e qualificação) de mestrado ou doutorado. Orientei Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), outros de Iniciação científica (IC). Comecei novas orientações de IC e já fechei as orientações de TCC para o próximo ano. Publicamos artigos, capítulos de livros e livros. Apresentei trabalhos em eventos. Dei um curso em Pelotas no fim do ano. Tenho ótimas parcerias na Unioeste. Parece que sou mais nessa área.
A política foi um lixo. Aquela divisão de 2014 se intensificou durante este ano. Desfiz laços, mas fiz outros tantos em virtude desse lixo-político. Foi um ano de perplexidade, mas também de resistência. Na resistência encontrei muita gente bacana. No dia a dia muita gente que não valia a pena. 
A saúde me assustou um pouco. Mas termino o ano com a perna  e o pé esquerdos doloridos e a outra com um galo enorme abaixo do joelho porque acabei de canelar a mesa de centro.
Termino o ano com um pouquinho de medo do que vem pela frente. É estranho porque normalmente não tenho esse sentimento em relação ao ano que inicia.
Daqui a pouco faço 55. É bom já começar com a nova idade. Não tem aquela de acontecer no meio do caminho. Bem, isso sempre foi assim.
Passei o natal sozinho. Na passagem do ano estarei com amigos. Hoje, dia 27, última sexta-feira do ano, estou em casa escrevendo este texto e ouvindo Deixe Estar de Marina Lima. A letra de Marina Lima e Antonio Cícero diz:
Porque nós dois nos cruzamos com pressa demais 
E foi tudo intenso e veloz
Nos amamos, meu bem, só que em pistas opostas e 
Tão sós...

Não desanimo, uma hora acontece. Se não acontecer, pelo menos acreditei. Foi um ano bom, apesar do palhaço que nos governa, do ministro da educação, do meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça. Mas é o que temos para o momento.

domingo, 3 de novembro de 2019

Como encontrar os óculos perdidos sem enxergar?

Resultado de imagem para perdi os óculosColoquei, assim que acordei, meus óculos sobre a bancada da cozinha. A bancada é preta e a armação dos óculos escura. Fiz o que tinha para fazer e nunca mais achei meus óculos. 
Fiz uma varredura em todos os cômodos da casa: cada canto, cada gaveta, cada prateleira e nada. 
Não enxergo de longe e descobri hoje que tb não enxergo de perto. Saí para almoçar sem saber para onde ia, sem reconhercer quem eu encontrava pelo caminho, sem saber o que estava comendo. Exageros a parte, fiquei mesmo bastante preocupado.
Pensei até que eu tivesse colocado os óculos junto com a roupa de cama na máquina de lavar.
Voltei do almoço com um amigo para um cafezinho. Assim que ele entrou na cozinha avistopu sobre a bancada os óculos. Não acreditei! Procurei com tanta atenção e eles ali na minha cara!

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Num buraco sem fundo...

Hoje, me deparei com um foto de 2014. Na verdade, não foi assim um sobressalto, mas uma memória "presenteada" pelo Face para eu pudesse recordar um momento da minha vida. Nessa foto, estou no Rio de Janeiro, mas especificamente na enseada de Botafogo, ali no  caminho do Aterro do Flamengo. 
Eu havia chegado neste mesmo dia de Portugal depois de um ano por lá. Fui muito feliz estudar  em Coimbra, mas não segurei a barra por muito tempo.
Lembro-me dessa foto como se fosse hoje e sinto uma angústia enorme porque eu não estava nada bem emocionalmente: os últimos meses em Portugal não foram fáceis. Eu entrei num buraco sem fundo e não iria sair dele sozinho. Não mesmo!
Voltar para o Brasil me fez bem de cara e já me colocou na atenção de que eu precisava de ajuda profissional: não tive dúvidas e procurei um psicanalista.
Nem sempre temos lucidez ao passarmos por momentos difíceis: a gente quer se livrar da dor, mas não sabe como. E não tem mesmo que saber e é por isso/para isso que um psicanalista existe.

Somente na Itália

A carreata italiana já tem quase 10 mil mortos.