quarta-feira, 19 de abril de 2017

Da Série: Contos Mínimos

Resultado de imagem para cajá
"Em caso de pouso de emergência, deixe para trás todos os seus pertences", disse, tranquilamente, a aeromoça. E eu preocupado com os 3 cajás que estavam na minha mochila.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Um vazio me perseguindo

Resultado de imagem para um vazio me perseguindoDesde que a minha mãe morreu, tenho a sensação de que estou sozinho neste mundo. Não é falta de gente. É falta de referência. Falta de um lugar para ir, de alguém para ligar. Às vezes mais, noutras um pouco menos, mas sempre um vazio me perseguindo.

quinta-feira, 9 de março de 2017

E lá se vão 11 anos

Resultado de imagem para um tempo que não volta maisEm uma sexta-feira, do dia 10 de março, de 2006, às 9h30 da manhã, na Universidade Federal Fluminense, eu iniciava a minha apresentação de defesa da tese de doutorado: A Homossexualidade e a AIDS no imaginário de revistas semanais (1985-1990).
Não é sobre a defesa e nem sobre a tese que pretendo agora escrever, mas sobre aqueles dias que se seguiram a este ritual.
Foi uma mistura de alegria, pela defesa, pela conquista, pelo fechamento de uma etapa da minha vida profissional. Foi tb um momento importante da minha vida pessoal (na verdade, nem dá para separar uma da outra, uma vez que elas se misturam), tendo em vista que depois de 4 anos no Rio eu teria que voltar para Marechal Cândido Rondon (cidade do extremo-oeste do Paraná, onde em morava à época).
Voltar significava/significou deixar uma rotina para trás e reaprender a viver em Rondon. Cidade muito pequena e sem, praticamente, nada para fazer além do trabalho. 
Claro que lá eu tinha (tenho) os grandes amigos e voltar me daria a oportunidade de reencontrá-los. Sem falar nas aulas na graduação: acho que nada me dá mais prazer do que isso.
Mas eu deixaria uma história pelo Rio: e o que mais me entristeceu foi saber que aqueles encontros semanais com Maria Claudia e Vanise ficariam no passado, os contatos mais próximos com a Cláudia Leopoldino e a distância da orientadora (da orientação). 
Aprendi tanto nesses 4 anos. Me conheci muito tb nesse período. E fiz grandes amigos nessa época: Juscelino, Erik, Ana Paula, Lulu, Edson e outros que neste momento não me lembro. Além disso, os amigos de sempre que eu deixaria de certa forma de encontrar com a mesma frequência: Nanci, Vera, Robson, Serginho, Renatinho, Dórian, Sebastian. Alguns desses, mal sabia eu que não iria encontrar mais.
A gente perde e ganha, mas leva algum tempo para compreender como isso funciona. Bem, estou aqui, depois desse tempo relembrando, reconstruindo um momento que, agora, não me parece tão triste como foi.
Tive sorte de viver isso. E serei muito grato por esse tempo.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Da Série: Contos Mínimos

Resultado de imagem para espaços vazios]Falaram muito. Falaram tanto. Falaram para tentar preencher todos os espaços vazios que existiam entre eles.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O tempo da amizade

Resultado de imagem para o tempo da amizadeO tempo da escrita de uma dissertação nem sempre coincide com o tempo da construção de uma amizade. Dificilmente coincide. Definitivamente não coincide. 
A escrita de uma dissertação tem (salvo raras exceções) um tempo já-estabelecido, um já-la que obriga o mestrando a compreender uma teoria, a pensar em um projeto, a selecionar o seu corpus de análise (é claro que as etapas não são necessariamente essas e nem estão distribuídas exatamente nesta ordem).
Portanto, há um tempo fechado para que a letra maiúscula do primeiro parágrafo e o ponto final do último estejam postos numa encadernação.
O tempo da amizade é outro. É o tempo da afinidade. E não há, em hipótese alguma, um prazo para que isso aconteça: pode ser imediatamente. Pode ser logo que se conhece alguém. Pode depender de um outro acontecimento. Pode acontecer depois de algum tempo. Depois de muito tempo. 
Portanto, há um tempo aberto, talvez, escancarado, para que o olhar de um encontre o coração do outro e haja reciprocidade entre olhos e corações. 
Só não existe um tempo da amizade fora desse encontro entre corações e olhos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

E esse silêncio todo me atordoa. Atordoado, permaneço atento.

Resultado de imagem para temer é um lixoÉ claro que bate uma grande frustração com tudo o que anda acontecendo na política nacional. Na maior parte das vezes, indignação. Noutras, raiva diante da minha impotência. O que se pode fazer diante de tudo isso? A impressão é de que há uma passividade enorme dos inconformados: minha, sua, de todos nós.
Temer é um lixo. Não tenho dúvidas. Mas um lixo com apoio da maioria dos deputados e senadores e assim faz e acontece. Faz o que quer e quanto quer. Se não faz exatamente no momento do desejo, bastam alguns acordos para que as coisas aconteçam.
A cada dia, um direito a menos. Um escândalo a mais. É só o que leio e ouço. Não nos grandes meios de comunicação. Estes não merecem mais respeito.
Os golpistas felizes. Indicação de Alexandre de Moraes para defender os indefensáveis. Blindagem dos corruptos na cara de pau. Moro parabeniza a indicação do plagiador ao STF. Delações que não dão em nada. Tudo se pode dizer de alguns políticos.
A Vaza Jato não trata com a mesma arrogância uns e outros. Uns são mais, bem mais, do que outros.
Os jornais fingindo que dão notícias: silenciam para não precisar dizer o que não querem dizer. E mesmo desmascarados, como foi o caso da Folha, nesta semana, pelo The Intercept Brasil, não repercute porque TVs, jornais, revistas estão nas mãos de poucos e todos apoiadores do Golpe.
Me arrepio quando ouço falar em "Modernização das leis trabalhistas", "Flexibilização do trabalho", sei que se trata de prejuízo para o trabalhador. Faltam empregos. Segurança nem se fala....
O STF fingindo que tem um peso e uma medida. Carmem Lúcia e suas declarações sem efeitos: mais do mesmo. Tudo da (meia) boca-pra-fora. Moreira pode, Lula não! Tudo na mais perfeita ordem e tranquilidade, como se nada houvesse acontecido.
E esse silêncio todo me atordoa. Atordoado, permaneço atento.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

8 anos de Do Avesso

Resultado de imagem para 8 anosSábado, dia 24 de janeiro de 2009, às 16h36, nascia este blog. Ele foi pensando durante alguns meses e depois de uma viagem ele, finalmente, tomou forma. São 8 anos de muitas escritas: mais precisamente, 1614 postagens. Nem tudo é texto: há fotografias, músicas, charges etc.
Nesses últimos 8 anos escrevi sobre as dores e as delícias de estar nesse mundo. Sobre as coisas que me espantam. Sobre as que me assustam. Sobre as que me emocionam.
Não sei se existe um tema recorrente: acho que os meus amigos estão, de alguma forma, sempre presentes aqui. Acho tb que "a melancolia, a solidão, a saudade" são alguns dos temas recorrentes, sobretudo, nos Contos mínimos.
Mas tem de tudo: receita, impressões de viagens, amores que se foram, raiva, indignação.
Um dia, quem sabe, consigo fazer um levantamento. Acho que não. 1614 postagens é um pouco demais pra isso.
Bem, o blog é quase uma autobiografia (metoforizada) ou uma forma de olhar para esses anos.
Amigo, leitor, continue por aqui. Certamente, haverão novidades.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Visto GG, você P. Você P, eu GG (Proporcional, Tulipa Ruiz)

Eu sempre fui um cara magro. Isso, inclusive, me incomodava muito nos anos de adolescência. Eu sonhava em engordar nem que fosse um pouquinho. Me conformei com o meu peso, não tinha outro jeito. Quase nunca acima de 70 quilos.
Aos 41 anos eu estava na minha melhor forma física. Estava forte. Com 1,80m de altura, eu pesava, mais ou menos, 90 quilos (foto ao lado). Eu malhava 5 dias por semana com um personal-trainer, tinha uma alimentação bastante equilibrada, dormia bem, me estressava pouco. Eu estava fazendo o doutorado no Rio de Janeiro. Foi uma época muito boa. Eu reconheço.
Hoje, levei um susto. Bem, vou contar porque, dessa forma, eu organizo melhor os planos. Faço aniversário no próximo dia 19 (52 anos). E depois de muito tempo, resolvi comemorar com uma reunião para alguns amigos (mais próximos), aqui em casa. 
Bem, resolvi comprar uma camisa, na verdade era uma camiseta. Verão, muito calor. Nada melhor do que se vestir de maneira bem informal. É meu estilo.
Fui às lojas aqui bem perto de casa, num centro comercial. Não encontrei nenhuma camiseta como a que eu estava pensando: branca, com pouca estampa, sem nada escrito e que não ficasse colada no meu corpo. Odeio roupa me apertando (seja, cueca, calça, camisas etc.), vou ficando angustiado com isso.
Há uma loja, nesse centro comercial, que sempre compro camisas ou ternos, sapatos (é uma loja mais sofisticada, esporte fino) desde que estou morando em Cascavel. Faz 9 anos que estou por aqui. Faz nove anos que compro nessa loja. Faz nove anos que visto tamanho M (médio).
Para o réveillon, estive nesse mesma loja e comprei uma polo cor-de-rosa, tamanho M. Ela ficou meio apertada, mas eu usei assim mesmo, afinal M é o meu tamanho. Ficou bem "meio" apertada, do jeito que me incomoda. Mas eu não podia acreditar nisso. Não devia, pelo menos.
Hoje, não teve jeito, tive que comprar uma polo tamanho G. Gentem! Pelamordedeus! Ou era esse tamanho ou eu não conseguiria sair do provador. A camisa M ficou horrorosa, marcando a minha pança e o meu peito (agora eu tenho peito: na verdade, 2 peitos enormes). 
Saí da loja com a camisa e com a promessa de que amanhã entro numa dieta séria. Não dá para chegar aos 52 e estar incomodado com alguma coisa sem resolver o incômodo (ou pelo menos tentar resolvê-lo). 
Aí cheguei em casa e decidi não deixar para amanhã o que posso iniciar hoje mesmo. Já comecei a tal dieta. Nada de carboidrato. Nada de açúcar até eu entrar outra vez no meu tamanho.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

"Há certos momentos que, ao contrário do que pensas, fazem parte da tua vida presente e não do teu passado."

Despedidas são sempre, para mim, momentos difíceis. Fico sempre com aquela sensação de que aquilo que era para ser temporário (Vamos nos encontrar logo!) acaba sendo para muito tempo. Às vezes, para toda vida. E sei exatamente como a distância vai emperrando as engrenagens. Sei exatamente como ela vai enferrujando as dobradiças. Parti muita vezes, depois de curtas ou longas temporadas. E fui deixando e recolhendo pistas, me esquecendo e esquecido.
Hoje, me despedi de um grande amigo. Ele vai embora e sei que não vamos nos encontrar como nos últimos dois anos: quase que diariamente. O dia a dia foi dando uma ordem nas nossas relações: fiz um amigo. Um grande amigo. Daqueles que se pode contar para pequenas e grandes coisas. E dizer adeus para um amigo é doloroso. 
As palavras vão grudando na garganta, se misturando com a saliva, embolando na boca. Não saem como deveriam e da forma como a gente queria que saíssem. O abraço e o aperto de mão é pouco para tanto o que se viveu. Os olhos nos traem e nublam as nossas visões. Fico com um aperto no peito. 
Estou torcendo para que você seja muito feliz! E acredito que mesmo deslembrado de alguns momentos, estes estarão presentes em todos os meus risos, porque ao contrário do que a gente pensa, certos momentos fazem parte da gente e não do nosso passado.
Vá com deus. Ele te proteja.

O tempo só anda de ida...