Há, portanto, uma ampla palheta de critérios para pensar a autoria. O posicionamento crítico diante do tema é um deles, desde que vá além de uma declaração de concordância ou indignação. Também contam a escolha dos argumentos, a maneira de relacioná-los, o uso das referências, a organização dos parágrafos e até aquilo que o texto decide não desenvolver. Uma citação conhecida pode apenas enfeitar a redação; em outro texto, pode ajudar a construir uma reflexão. A diferença está no trabalho que o candidato realiza com o que leu e conhece.
A escolha das palavras também participa desse processo. Chamar um problema de desafio, crise, conflito ou injustiça produz sentidos distintos. Um adjetivo pode reforçar um julgamento apressado; um verbo pode atribuir responsabilidade a alguém ou deixá-la sem sujeito. Essas decisões nem sempre são conscientes, e autoria não significa controlar todos os sentidos do texto. Significa assumir, na escrita, uma posição que se torna perceptível nas escolhas feitas ao longo da redação.
É claro que o vestibular impõe limites: há um tema, um tempo determinado, exigências de gênero e critérios de avaliação. Justamente por isso, reconhecer a autoria exige olhar para o que o candidato faz dentro dessas condições. A redação de fórmulas prontas pode cumprir uma estrutura e obter uma nota, mas costuma deixar pouco espaço para uma voz própria. Quando o texto transforma uma questão proposta em um percurso de reflexão, podemos perceber ali alguém que escreve e se responsabiliza pelo que escreveu.
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