sábado, 31 de dezembro de 2011

E vc, o que faria?

Como sonhar não custa quase nada, fiquei pensando o que eu faria caso ganhasse os 170 milhões na Mega-Sena da Virada, Primeiro, eu iria me inteirar sobre o que realmente significa ganhar 170 milhões. Depois, saber quantos campos de futebol eu poderia comprar com essa quantia: aqui é o país do futebol e todas as medidas são a partir da metragem de onde se joga bola (foram mais de 30 campos de futebol desmatados, área corresponde a 60 campos de futebol etc., só para se ter uma ideia do quanto somos bombardeados com essas proporções.). Em seguida, eu ia enlouquecer por uns 3 dias só de pensar que não teria mais nenhuma preocupação (pelo menos pelos próximos 5 anos) com grana, na verdade com falta de grana.
Aí, casava e me mudava. Comprava uma peruca (cabelo natural). Nunca mais seria careca, pelo menos não em público. Ah, comprava tb uns dois carros (não aguento mais tanta chuva e frio quando de moto). Não me perguntem o porquê de dois carros, nem eu sei o sentido disso, mas com tanto dinheiro, tudo que fosse 3 ainda seria pouco.
Comprava, comprava, comprava até cansar e quando estivesse bem cansado de comprar, comprava mais um pouco. Acho que com dinheiro para tantos campos de futebol, dava para comprar ainda mais. Muito dinheiro deve servir para isso, né não: viajar, comprar, comprar enquanto se viaja, comprar viagens, viajar comprando.
Pronto, já decidi o que faria no primeiro mês depois de ficar rico. E vc, o que faria?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Retrospectiva Do Avesso/2011


Definitivamente, 2011 não foi um ano fácil, mas não estou aqui para falar da minha vida particular, ainda que eu não tenha como separá-la completamente do que escrevo aqui no blog. Mas a proposta é falar, exclusivamente, dele. Vou tentar.
Escrevi muito e não me dei conta do tanto de linhas que imprimi aqui nesta tela, foram mais de 3750 linhas, dava, quase para uma tese de doutorado, meio chinfrim, não posso negar, mas uma tese, de qualquer maneira.
Algumas vezes faltaram ideias para escrever, bem verdade, mas no geral, elas apareceram inspiradas, sobretudo, pelo site da Globo (G1), pelas revistas Época, Junior, Trip, Superinteressante, pelos jornais Folha de São Paulo, O Globo, Estadão, pela TVs aberta ou fechada, pelas viagens que fiz, pelos assuntos que ouvi na rua, pelas conversas com amigos ou pelas experiências no trabalho (em relação a este, dava um blog inteirinho apenas sobre esses dias e eu ainda por cima me desentupiria), por textos a mim enviados sem, necessariamente, ter alguma relação com o blog, mas que acabaram ilustrando alguma reflexão.
Procurei escrever sobre tudo, gosto desse exercício de pensar nos assuntos que me encontram, sejam eles quais forem: futebol, cidades, violência, livros, comida, amizade, sexualidade, enfim. Se música, então, aí é um prato cheio.
Foram mais ou menos 250 pequenos textos e imagens. Foram mais de 10 viagens que me ajudaram com inspirações diversas. Fiquei fora do ar, por conta de Pequim, mas fui salvo pelo Alexandre que recebia meus textos e os publicava (dá para perceber pela disposição das fotos publicadas por ele que não eram as mesmas usadas por mim, mas elas ficam assim até para evidenciar aquele momento censura).
Foi muito bom, em muitos momentos, ter, este ano, o blog para poder escrever. Escrever é uma maneira que encontrei de, além de me expressar e estar em contato com o mundo (muitas vezes inalcançável geograficamente), extravasar as minhas angústias, frustrações, irritações, alegrias, felicidades, surpresas, encontros, despedidas. Pude, através dos textos, compartilhar lugares que vi, pessoas que conheci, sons que ouvi, amizades que reafirmei. Através do blog viajei por muitos lugares, ri, chorei. Quase uma análise.
Nunca parei por aqui sem a vontade de escrever. Bem ao contrário, sempre parti do prazer do texto. Quando não havia vontade, simplesmente não escrevia. Obrigação não combina com a escrita, digo, com essa escrita que aqui produzo.
Obrigado a todos que por aqui passaram e deixaram (ou não) algum comentário. Eu também escrevo para ser lido, mas não para que concordem comigo, ao contrário, gosto (também) quando há discordância porque assim posso pensar o por outro lado. Obrigado a todos. Um 2012 cheinho de vida, seja lá o que isso possa significar pra cada um de nós.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Nunca é o que parece ser (imagem)


Mais cedo ou mais tarde (texto)


 O caso do jogador Adriano tem sido o tema de muitos programas das tardes aqui no Rio (de Janeiro). E sobre ele, tenho ouvido diversas declarações. A que mais tem repercutido é o fato do jogador ter sido pobre, ganhar (muito) dinheiro jogando bola e consequentemente não saber administrar o que ganha (e a sua popularidade), como se isso fosse uma equação, uma causalidade.
Ouvi do ex-jogador Gerson que ganhar muito dinheiro assim tão rápido faz com que esses “meninos” percam a noção de quem devem ser (o do que são). Lembram desse mesmo comentário em relação ao Neymar quando num acesso “único” de raiva disse alguns palavrões para o seu técnico? Pois é, pobre Neymar. Quem mandou nascer assim? Pobre não serve nem para ganhar dinheiro. Acho que a solução seria não pagar nada a esses meninos até que completassem 30 anos, aí, já quase aposentados poderiam, quem sabe, ter juízo.
Não tenho ouvido a mesma equação quando se tratam de “meninos” da classe média. Aí a história passa ser outra: são os pais que não souberam dar limites. Tinham tudo com facilidade e, por isso, não conseguiam dar conta de suas responsabilidades (de quem poderiam ser/de quem eram).
Assim fica complicado entender o que acontece: se não sabem o que fazem porque foram pobres e deixaram de ser ou se nunca foram pobres e mesmo assim não sabem o que fazem.
Por que será que temos que explicar todos os casos de maneira padronizada? Por que é que cada caso não é um caso? Tem tanto jogador, inclusive é a maioria, que foi pobre e de repente ganha rios de dinheiro e não se envolve em escândalos de quaisquer naturezas.
Acho que a relação feita entre a pobreza e a falta de discernimento ou a incapacidade e a irresponsabilidade etc. é tão preconceituosa que esbarra no senso comum, no mais comum dos sensos.
Ou seja, a relação sempre é a de classe. Não se tem pra onde ir. Mobilidade alguma. Se é pobre e ganha dinheiro não vai saber lidar com isso e vai, necessariamente, meter, mais cedo ou mais tarde, as mãos pelos pés.

É como invadir uma caverna (texto)


Eu escrevo para me sentir vivo. É impressionante a sensação de prazer que me toma ao escrever, seja o que for. Gosto de ver as palavras se juntando num sentido, numa direção própria e traduzindo, dentro do seu possível, uma emoção qualquer. Às vezes fico atônito diante de suas combinações, diante dos lapsos que produzo, do silêncio que existe ali, do tanto que não disse, do dito, do que nem foi pensado mas que se faz presente. Escrever é invadir uma caverna sem luz, há riscos e impressões táteis que nos vão tomando, tocando. Esbarramos nas rochas, afundamos os pés: duro, mole, macio, frio, quente. Escrever é se descobrir.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Meio Europa meio América Latina (texto)

Um momento para se comemorar (quem, cara-pálida? perguntariam uns.), o país elevado à sexta economia mundial. Segundo o Mantega, é possível que em 20 anos o "nosso" padrão de vida seja europeu. 
Estou, como disse, de férias no Rio de Janeiro. E tenho percebido que ora estou bem próximo desse tal padrão europeu, ora estou mesmo no velho padrão brasileiro.
De certo, percebo que o "meu" salário e os serviços prestados, de uma forma geral, por aqui, ainda não podem ser comparados aos europeus. Hoje, por exemplo, almocei por R$30,00 reais, preço europeu (ah, em um restaurante que serve por quilo). No entanto, no mercado onde faço compras, aqui perto de casa, o atendimento é ainda padrão américa latina.As filas tb confirmam o mesmo padrão. E a educação, melhor nem tocar nelas.
Já as entradas de cinema já estão no padrão europeu. Mas vejam só, o orçamento que fiz para um painel japonês branco para cobrir cada uma das 4 partes que compõem a janela do quarto (metragem aproximadamente de 2,80m) era europeu, ou seja, R$1580,00 por parte. Como tenho 4 partes, o painel sai pelo pequeno valor europeu de mais ou menos R$6000,00. Apenas um pouco mais. É claro que esse orçamento aumentaria muito se eu estivesse no Leblon ou em Ipanema.
E se não quiser, tem quem queira. Né não? Podem acreditar.
Não é muito fácil estar e não estar ao mesmo tempo na Europa. Ou estar e não estar ao mesmo tempo na América Latina. A gente fica meio esquizofrênico, sem saber direito quem se é e onde se encontra. 
Eu preferiria mesmo, além dos serviços europeus, do salário europeu, uma distribuição de renda mais justa ainda que estivéssemos nesse padrão latino do Ministro. Agora, uns vivendo em um padrão Brasil (crescendo a olhos vistos com possibilidades de estar num europeu em 20 anos) e outra grande parcela vivendo como nas piores economias africanas é para-lamentar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Enfim, férias (texto)

Tive a impressão de que o meu primeiro dia de férias, férias mesmo, foi no dia 24 de dezembro, quando fui a casa do meu pai(drasto) para passar o natal. Aí aproveitei para caminhar na praia, curtir aquele sol que estava me incomodando de tão sufocante. Tomar água de coco, mergulhar no mar geladíssimo, andar na areia, ficar horas olhando o movimento na praia.
Só pensava nisso, ou seja, nenhum compromisso que não fosse o prazer de estar ali. Na verdade, pensava sim em outras coisas, mas nada que o dia 17 não resolva.
Como é bom estar de férias!!!!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Sobrevivi (texto)


E eu que havia pensado em um prazo de uma semana mais ou menos de amor declarado ao Rio antes de não suportar o calor que faz por aqui, me enganei, muito. Hoje às 6h da manhã já não conseguia ficar no quarto de tão quente. Não, não estava tão quente, quente estava em Cascavel, estava uma sauna seca. Saí do quarto e pensei em terminar o sono na sala (Estou de férias, gente, posso me levantar às 9h ou às 10h ou nem me levantar!), mas nem na sala era possível.
Não há condições de ficar em canto algum desse pequeno apartamento sem um condicionador de ar, vivi-se sem geladeira (tô na dúvida), sem fogão, sem mesa, cadeiras, copos, mas sem ar condicionado não se vive, no Rio de Janeiro. Definitivamente, não se sobrevive por aqui sem um desses aparelhos, digamos, de primeiríssima necessidade.
Para se ter uma ideia do calor que jaz aqui: depois de me levantar, tomar banho, precisei retornar (e o verbo é retornar porque dá uma ideia de aventura) ao quarto para pegar uma cueca. Não dava. Comecei a arremessar cubos de gelo numa tentativa desesperada de me defender do calor, eles viravam, antes mesmo de sair das minhas mãos, como num passe de mágica, vapor. Dei duas cambalhotas, dois mortais e duas estrelas, e quando saí, finalmente, com a cueca na mão, precisava de outro banho (e um banco para descansar, além de compressa de gelo na nuca. Praticamente uma luta de UFC, só que contra o calor).
Se essas eram as férias que eu merecia, devo ser uma pessoa muito ruim mesmo (como dizem Sandra Balbo e os dois outros bocós: Maria Lúcia e Alexandre).
To me sentindo num daqueles programas do Netgeo: Sobrevivi.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Botequim da Esquina + Protetor auricular (Restaurante, Cascavel)

Fomos, Maria Lúcia, Alexandre, Clodis, Reginaldo e eu, ao novo Botequim da Esquina, em Cascavel, por volta das 20h de quarta-feira. Fomos bem recebidos. Garçons atenciosos. Cerveja gelada. Comida boa. Até que o som ao vivo reiniciou em uma altura insuportável. Não conseguíamos mais nos ouvir. Gritávamos para nos fazer entender. Estávamos a menos de 20cm do outro, mas apenas por gestos para nos fazer entender.
Pedimos para um garçon para abaixar o som. Não fomos atendidos. Pedimos ao gerente que abaixasse o som porque estava ensurdecedor. Ele nos disse que iria resolver, mas não nos deu a mínima bola. Nos levantamos, pagamos a conta e nunca mais voltaremos a esta Esquina.
Pronto, estou de férias. Amanhã pela manhã vou à universidade e viajo no fim da tarde rumo ao descanso. Merecidíssmo, eu acho. Não vou fazer balanço, restrospectivas, melhores momentos, fechar o caixa, porque não acredito em fim e recomeço e não é sobre isso que estou falando. Refiro-me às férias.
Sei que ao chegar ainda terei coisas para fazer: a casa deve tá uma poeira só, preciso urgentemente de um fogão e de um presente para o meu padrasto. Fora isso, que provavelmente vai me ocupar o dia 23 (todo), apenas descansar e curtir a cidade. Ver os amigos, ir à praia, à feira no sábado, andar sem compromisso algum, sem horários, sem pressa. 
Não quero pensar agora no calor, no tumulto, no trânsito, nas lojas atoladas de gente, isso fica para a segunda semana. Quando aquela sensação de estar_e_não_estar_mais me tomar por inteiro.
Acabei de fazer a mala. Pouca roupa porque odeio peso, mas, como fico por um mês, ela não deve tá tão leve assim.
Por hora, penso apenas nos fins de tarde no Aterro durante os fins de semana, na praia bem cedinho ou quando o sol está caindo fora, no silêncio da minha casa, ainda que no burburinho do centro da cidade.
Final de ano sempre uma correria, nunca dá tempo de fazer tudo aquilo que se pensou, a programação vai por ralo abaixo. Quero nem saber, tô nem aí pra ela. Ai, como é bom pensar em não pensar em nada, quero dizer, não ter que pensar em nada com compromisso.
Fui.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Tempo (Carlos Drummond de Andrade)

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um individuo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante vai ser diferente...

A Prefeitura do Rio não quer que vc veja este vídeo...mas vc não precisa acatar


Eu voltei - Ângela Maria (CD)

Já nasci ouvindo músicas que não eram sequer da geração da minha mãe. Cresci ouvindo essas canções e gostando muito delas. E a partir disso, busquei compositores, cantores e cantoras além do que a mídia me permitia conhecer. Por isso, acredito que música não tenha época, ou nos parecem agradáveis, inteligentes, harmoniosas e nos falam direto ao coração, cabeça, tronco e membros ou não nos dizem nada.
Essa pequena introdução para dizer que Ângela Maria acaba de lançar mais um CD em comemoração aos seus 60 anos de carreira: Eu voltei, pela Lua Music.
A voz uma pouco diferente do que foi, mas a voz que ela tem e diante disso, não preciso dizer nada mais. Todo o repertório é de regravações, e não poderia ser diferente já que em comemoração aos longos anos de profissão.
O CD está disponível para ser ouvido na Rádio Uol, basta clicar no link acima para ouvi-lo. Eu destacaria, Muito estranho (de Dalton), Olhos nos olhos (de Chico), Esse cara (de Caetano), Os amantes (de Luiz Ayrao) e Pra você (Silvio César). Ah, tem uma participação mais do que especial de Cauby Peixoto (com uma voz inacreditável). Vale à pena comprar e recordar.

Sobre o tempo (texto)

Segunda-feira, quase véspera de viajar. Tenho sonhado nesses últimos dias com sombra e água fresca, mas o trabalho tem me assombrado diariamente, me atormentando em forma de sustos, irrompendo como um balde de água fria nas costas. Sombra versus assombro e água fresca versus água fria.
Em contagem regressiva, mas os emails cobrando revisão, notas, conceitos, bibliografias, não cessam. 
Não há quem cale o vizinho que insiste na música alta. 
E todas as lojas me lembrando que é natal, todas as vitrines reforçando que Papai Noel está chegando. 
No entanto, o calendário emperrado na mesma data, na mesma hora. Sempre véspera da véspera da véspera de natal. Olho, ameaço riscar mais um dia, a caneta falha, a ponta quebra. Calendário insensível.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Barcelona ou Santos? (texto)

A imprensa constroi rivalidades mesmo quando elas sequer podem existir: cria expectivas, embates, rixas, competições, disputas sem  qualquer fundamento e nos coloca, quase sempre, como coadjuvantes nessas improváveis querelas.
Foi o que aconteceu, na minha opinião, entre o futebol do Barcelona e do Santos. Fiquei com algumas pulgas atrás da orelha quando li uma declaração do Guardiola, técnico daquele time, sobre nunca ter ouvido falar no Santos (para além dos anos de Pelé), até pouco tempo antes de saber que poderiam jogar contra ele.
E a imprensa aqui cheia de expectativas sobre quem teria o melhor futebol: Messi ou Neymar.
Depois da vitória do time espanhol, Josep disse, em entrevista coletiva, que viu cinco ou seis partidos do Santos, e "sabíamos que era preciso estar preparado quando Neymar tivesse a bola". Disse ainda que "o que tentamos fazer é tocar a bola o mais rápido possível. Na verdade, é o que o Brasil sempre fez, segundo me contavam meus pais e meus avôs".
Pareceu-me mais gentileza do que qualquer outra coisa.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Final de ano sempre é um bom tempo para reformas. Todos sabemos disso. Há, no ar, uma esperança de fim e recomeço que, mesmo o mais descrente, não consegue se esquivar dessa sensação. Pois bem.
Hoje, uma amiga me perguntou quais eram os planos para o próximo ano. Não me lembrei de imediato de nenhuma promessa daquelas que fazemos para o início do ano novo. Não quero emagrecer, nem engordar, não quero cabelos lisos, não quero cabelos. Não quero um novo amor. Nem ganhar na mega-sena (olha, acho que isso eu quero sim!)
Parei por uns segundos pensando no que poderia mudar. Acho que o fim de ano tá tão cheio de coisas ainda para fazer que não tive tempo para pensar nisso.
Há dois anos, me prometi retornar aos exercícios. Voltei. Final deste ano, um desânimo tomou conta de mim e faz dois meses que não passo sequer para uma caminhada no esteira.
Ano novo, vida velha, eu sei, mas nem por isso poderia deixar de pensar no que seria bacana mudar.
Vou começar por um maior distanciamento com os problemas do trabalho. Esta promessa me fiz este ano (bem no finzinho dele), mas não tive muita opotunidade de colocar em prática. Espero, sinceramente, colocá-la no início do próximo ano letivo. Nada de confrontos. Chega. Cada um que cuide da sua vida. E se o circo pegar fogo, problema de quem incendiou.
Minha vida é muito importante para eu me preocupar com os problemas que não me dizem respeito. Aprendi, este ano, que se fulano não quer trabalhar e quem deve cuidar disso, não vê, eu não tenho nada com isso. A canoa já estava furada quando eu embarquei.
Este é o meu desejo para o próximo ano: salve-se quem puder.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O grande circo: uma fábula às avessas (texto)

O circo sempre funcionou da mesma maneira: os trapezistas solidários (cada um ajudando o outro): mãos dadas para ninguém se ferir, cair, se machucar; os palhaços sempre prontos para produzir algumas gargalhadas (geralmente rir da própria desgraça); os malabaristas sobre a corda bamba; as feras? adestradas; o apresentador apenas com um chicote nas mãos, mais para produzir efeito de sentido do que para produzir sentido (tudo de brincadeirinha. Fingimos que acreditamos no jogo de cena).
E circo velho é um fiasco: a lona furada, a arquibancada sem conforto, até a pipoca sem sal ou dormida. E quando as feras são homens travestidos? Uma fábula às avessas
O carro de som atrevessa a cidade, chama o público: promete grande espetáculo: mágicos, elefantes, tigres, globo da morte, jogos de luzes, mas oferece apenas o feijão com arroz. E a plateia aplaude.
Ficamos (ficamos quem, cara-pálida?) na expectativa de grandes mudanças, mas não se pode mudar ... mudanças significam tirar pessoas do lugar, inverter a ordem, correr o risco do novo. Mas pra quê o novo se o velho tá tão bom?
Nos comportamos (eu me recusava) como crianças diante do tombo do palhaço. Sabemos dele para qualquer momento e mesmo assim nos divertimos. Torcemos, lá do fundo da nossa alma, para o trapezista cair (sabemos que tem uma rede de  proteção). Ficamos na expectativa de uma fera avançar no seu domador (que horror!). E se as motos dentro do globo perdem a direção? Não!! Não!!
Como é engraçado ver o circo pegar fogo!
Cansei se ser artista. Quero me aposentar. Minhas piadas não têm mais graça, são todas, como o circo, velhas. Só os amigos acham graça para não enfraquecer a amizade.
Mas o velho palhaço sabe de si. Sabe que chegou a hora de se recolher. E, sábio, reconhece quando o espetáculo termina.
Admiro o palhaço mais do que qualquer outro personagem. Mesmo na adversidade, diante da dureza da vida, é preciso armar o circo. Fazer rir. Cada um merece o circo que tem...
Senhoras e senhores, obrigado pela presença. Amanhã tem mais. Se gostaram do espetáculo, avisem para os amigos, se não gostaram, mandem vir os inimigos. O show deve continuar: e o palhaço o que é?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

No limite (texto)

Dezembro não termina nunca mais, pelo o que eu tenho acompanhado. Tenho trabalhado exaustivamente todos esses dias e ainda estamos no dia 14. Na verdade, não quero assim que o ano acabe, quero, diga-se, que o dia 23 chegue logo. Aí estarei em recesso e, em seguida, em férias.
Tenho sonhado faz um mês, pelo menos, com o dia 23 de dezembro. Tô no meu limite de saúde mental e física.
As noites têm sido curtas. Os dias longos. Acordo cansado e se tropeço no tapete, por exemplo, solto uns palavrões, chuto cadeira, empurro objetos. Não aguento mais ver uma cara conhecida. Nem ouvir a voz de um companheiro de colegiado. Preciso, antes que um infarto fulminante me cale para sempre, de sombra e água fresca (não necessariamente nesta ordem).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A pele que habito (e a dos outros) - Contardo Caligaris

Se vc ainda não viu o filme, melhor não ler o texto.
Nesta altura, considero conhecida a trama do último Almodóvar, "A Pele que Habito": um cirurgião, o doutor Ledgard, sequestra um jovem (Vicente) durante anos e o transforma numa mulher (Vera).
Na saída do cinema, alguém comenta: "Se acontecesse comigo, eu ficaria namorando o médico. Fazer o quê? Pênis, eu já não teria mais. E não estaria a fim de fugir. Voltar para minha vida de antes e contar que me tornei mulher para minha mãe e para meus amigos, já pensou?".
Infelizmente, na situação da vítima de Ledgard, ninguém conseguiria fazer prova de tamanho pragmatismo, por uma razão simples: a sensação íntima e profunda de ser homem ou mulher (a identidade de gênero) não é coisa que possa ser mudada.
É possível, isso sim (e acontece no caso dos transexuais), "retificar" o corpo, caso ele não coincida com a identidade de gênero de alguém.
Se você sempre se sentiu homem num corpo de mulher ou mulher num corpo de homem, se você tem a trágica impressão de estar no corpo errado, pois bem, nesse caso, à força de hormônios, operações cirúrgicas e orientações terapêuticas, você talvez possa modificar seu corpo de maneira que ele concorde com seu sentimento de identidade. Mas não há tratamentos que, ao transformar seu corpo, possam levar você a mudar seu sentimento profundo de ser homem ou mulher.
Conclusão, se um homem fosse transformado em mulher à força, ele não se resignaria (pragmaticamente), mas passaria a vida querendo que seu corpo fosse retificado para ele voltar a ser o homem que ele nunca deixou de ser.
Em 24 de fevereiro de 2000, nesta coluna ("A terapia da faca e do superbonder"), contei a história de David Reimer, cujo pênis foi decepado acidentalmente na circuncisão, em 1966. Por sugestão do psicólogo John Money, Reimer foi castrado e criado como menina, com a ideia de que é melhor ser uma menina fabricada (na faca, com hormônios, roupas e brincadeiras adequadas) do que um menino com uma prótese peniana.
John Money escondeu o desespero de Reimer durante infância e adolescência. Reimer, ao descobrir o engodo do qual tinha sido vítima, parou a palhaçada e voltou a ser homem. Atualizando: em 2004, Reimer se suicidou.
Por qual loucura Money imaginou que, ao transformar o corpo de um menino, ele poderia mudar sua identidade e fazer dele uma mulher? A resposta está na onipotência das ciências humanas nos anos 60, mas também numa fantasia erótica masculina, que talvez Money compartilhasse e que paira tanto sobre "A Pele que Habito" quanto sobre o livro (imperdível) que inspira o filme: "Tarântula", de Thierry Jonquet (Record).
Há sites (www.sixpacksite.com; www.tgcomics.com; wwww.fictionmania.tv) inteiramente dedicados a ficções e quadrinhos que elaboram fantasias de feminização forçada. A clientela desses sites é de homens heterossexuais, que sonham em ser transformados ("contra sua vontade") em mulheres promíscuas e submissas. Dica: os machos que se gabam por levar as mulheres à loucura podem estar com vontade de sentir neles mesmos o efeito de seus próprios (supostos) talentos.
Mais perto do cotidiano, "A Pele que Habito" é também apenas mais uma parábola do amor, pois é banal que o amor nos leve a querer transformar parceiros e parceiras de forma que eles correspondam a nossas expectativas.
O projeto de moldar o outro transforma qualquer convívio numa violência. Mas essa violência não impede nada: no clássico "Post-traumatic Therapy and Victims of Violence" (terapia pós-traumática e vítimas da violência, Routledge, 1988), Frank Ochberg enumerava, entre os sintomas habituais das vítimas, tanto um ódio ressentido e doentio quanto sentimentos positivos -incluindo amor romântico, sujeição e, paradoxalmente, gratidão.
"A Pele que Habito" poderia ser, em suma, a versão trágica e realista de "My Fair Lady". No musical, Eliza Doolittle acaba amando mais que odiando o prof. Higgins, que a transformou numa "lady". No filme de Almodóvar, talvez Vera odeie Ledgard mais do que o ama. Mas o que importa é que os sentimentos da vítima são sempre ambivalentes. É essa a chave para entender as mil histórias de vítimas que poderiam ou deveriam ter fugido, como a de Natascha Kampusch, abusada por "3096 Dias" (Verus ed.), ou como a da menina que foi escrava sexual de Gaddafi durante cinco anos .
Folha de São Paulo, quinta-feira, 01 de dezembro de 2011- Ilustrada.
 

Pensamento do dia.

"Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam." Confúcio

domingo, 11 de dezembro de 2011

Rodolfo Bottino.

O ator Rodolfo Bottino em foto de 2009 Foto: Camilla Maia / Ag O Globo

Morreu na manhã deste domingo, aos 52 anos, o ator e chef de cozinha Rodolfo Bottino. Ele faleceu em um hospital em Salvador, onde tinha parentes, em decorrência de uma embolia durante um exame para a realização de uma cirurgia no quadril. Ainda não há informações sobre o sepultamento.

Galã da televisão nos anos 1980, Bottino ficou conhecido do grande público como o Lauro da minissérie “Anos dourados”, exibida na TV Globo em 1986, mas atuou em novelas, filmes e espetáculos teatrais.
Em 2006, o ator venceu um câncer no pulmão. Dois anos depois, ao completar 50 anos, revelou, em uma entrevista ao GLOBO, ser portador do vírus da Aids desde a década de 90, mas sempre encarou a vida com otimismo. Sobre a doença, ele disse: "Ninguém falou que viver é fácil. Todo dia pode ter uma porrada. Mas também pode ter uma realização. Nenhum HIV, câncer, hepatite ou diabete impede essa realização diária. O que impede é a cuca."
Os palcos surgiram na vida de Rodolfo em 1979, quando ele ainda estava na faculdade. Por influência do pai, tinha ido estudar engenharia na UFF e, nas horas vagas, vivia enfiado no DCE. Ali, descobriu o teatro universitário e, em pouco tempo, encenava seu primeiro espetáculo, "Cordão umbilical", de Mário Prata. Depois, vieram "Menino maluquinho" e vários outros. Em 1984, descoberto num curso de interpretação, Rodolfo fez sua primeira novela na Globo, "Livre para voar".
Além das artes cênicas, sua paixão também era a culinária. Aos cinco anos, aprendeu a cozinhar e tornou-se chef de cozinha, tendo feito um curso no Le Cordon Bleu, na França. Em 1986, enquanto brilhava em novelas e minisséries como "Anos dourados", abriu o restaurante Madrugada, endereço que fez sucesso por oito anos, em Botafogo. Em 2000, levou sua cozinha para os palcos na peça “Risotto”, que circulou pelo Brasil.
Seu último trabalho foi o espetáculo “Homens, santos e desertores”, que estreou em julho deste ano no Rio, com texto do dramaturgo Mario Bortolotto e direção de Ernesto Piccolo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Quem somos e o que fazemos?


Duas situações recentes me motivaram escrever este pequeno post (texto): a primeira, foi uma pergunta que me fez uma amiga, psicanalista e pesquisadora do Rio de Janeiro depois da apresentação do meu trabalho sobre a Construção de identidades homossexuais na mídia, Maria Cláudia Maia, na II Jornada do E-l@dis – Conceitos e(m) Rede, organizado pela professora e amiga, da USP de Ribeirão Preto, Lucília Maria Sousa Romão. Este evento aconteceu nos dias 1º e 2 de dezembro deste ano. A pergunta foi a seguinte: Quem são os homossexuais?
A segunda situação, um texto do diplomata e escritor Alexandre Vidal Porto para a Folha de São Paulo sobre A Parada Gay (texto reproduzido aqui neste blog).
Sobre a pergunta da professora Maria Cláudia e também sobre a resposta que lhe dei, ou sobre a tentativa de resposta, para ser mais sincero: disse-lhe que não sabia quem eram os homossexuais. Ou melhor, eu disse que os homossexuais com os quais nos relacionamos no nosso dia a dia são (somos) ou podem (podemos) ser quaisquer um. Não se pode saber exatamente quem são, já que a sexualidade não define a existência de ninguém.
Quanto ao texto publicado pelo diplomata, posso adiantar que fiquei impressionado com a sua exposição (e clareza) sobre a função, em seu ponto de vista, da Parada Gay. Segundo Alexandre, as Paradas deveriam ter um caráter mais político e menos carnavalizante, carnavalesco, festivo ou coisa parecida.
Ainda, segundo ele, ir à Avenida Paulista para se divertir, beijar, se fantasiar etc. é fácil ou mais fácil do que reivindicar direitos e tratamento respeitoso por parte da população, por parte dos políticos (já que estes são os representantes legais também dos homossexuais ou dos LGBTs).
Ele escreve que não há do que se orgulhar em se tratando da forma como os homossexuais (vou me referir assim a sigla LGBT) vivem aqui no país ou como são tratados.
A ideia seria se mostrar, não usando plataforma de salto 18, perucas azuis, sungas, peitos e braços de fora, fantasias diversas, mas a forma como somos nos 364 dias que restam do ano. Ou seja, quem são os homossexuais, o que fazem?
Sou o bombeiro que apagou o fogo da sua residência ontem, o médico que amparou o seu filho que nasceu, o guarda de trânsito, o cirurgião que fez o seu transplante de coração, o caixa do supermercado, o atendente do telemarketing, o professor do seu filho, a enfermeira que lhe deu os primeiros socorros, o homem no ônibus que lhe cedeu o lugar para se sentar, o dentista que cuidou do seu dente e acabou com a sua dor. Eu sou qualquer coisa e o fato de eu ser homossexual não define a minha existência assim como o fato de você não ser, não define a sua.
Eu tenho as mesmas necessidades que você tem, exijo o mesmo tratamento que você tem, tenho os mesmos direitos e deveres que quaisquer pessoas têm. Nós somos todos iguais. A minha sexualidade não define o meu caráter, a minha capacidade. A minha sexualidade define apenas o meu desejo sexual e isso, se comparado ao tanto que sou, não representa muito mais do que isso representa ou importa.
Não estou, no entanto, pedindo a sua compreensão, a sua tolerância, estou exigindo respeito. Não estou pedindo nada que lhe pertença, não quero nada que seja seu, mas não posso deixar de querer o que é meu: o direito de eu ser o que sou.

Não é preciso ser diferente para ser gay (Alexandre Vidal Porto)


Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só saberem dissimular ou mentir. Quando a primeira Parada Gay de São Paulo surgiu, um de seus objetivos era, justamente, dar visibilidade à parcela da comunidade LGBT que queria afirmar sua existência e entabular um diálogo com a sociedade.
O viés era político. O slogan da parada, "Somos muitos e estamos em todas as profissões", equivalia a uma apresentação. Os manifestantes queriam mostrar quem eram e o que faziam. Reclamavam participação no processo jurídico-social e pediam proteção contra o preconceito e a discriminação. Eram 2.000 pessoas, e o ano era 1997.
Desde sua primeira edição, no entanto, o aspecto político do evento foi cedendo espaço ao carnavalesco. A Parada Gay de São Paulo transformou-se em uma grande festa. A maior de seu gênero no mundo. Atrai número de pessoas equivalente à população do Uruguai.
Movimenta centenas de milhões de reais. A expectativa é de que traga mais de 400 mil turistas à cidade.
Explica-se o fenômeno da carnavalização da Parada com o argumento de que os gays são "divertidos". A utilização desse estereótipo, contudo, contribui para mascarar a irresponsabilidade cívica e a alienação política de parte da comunidade LGBT.
Carnavalizar é fácil e agradável, mas é contraproducente.
O estilo exagerado que alguns participantes preferem adotar é legítimo e respeitável. Mas presta um desserviço para o avanço dos direitos à igualdade. O caráter festivo e a irreverência tiveram valor simbólico em um tempo em que a rejeição social contra a homossexualidade era incontornável. Acontece que as coisas mudaram.
Os milhões de pessoas que comparecerão ao evento na avenida Paulista deveriam ter presente a responsabilidade cívica de conquistar corações e mentes para a sua causa. O aspecto político da Parada exige certa sobriedade, ao menos em respeito às vítimas cotidianas da homofobia, no Brasil e no mundo. Hoje, o peso do discurso político tem de ser maior que a vontade de dançar.
A aceitação da homossexualidade pela opinião pública está vinculada à convivência com pessoas abertamente gays. Mostrar-se é importante. Nessa batalha, é mais estratégico exibir a semelhança. É mais difícil para o mundo identificar-se com o ultrajante.
Não se trata de exibir a orientação sexual, mas de garantir o direito pleno à liberdade de exercê-la. Associar o conceito da homossexualidade à transgressão e ao excesso pode ter valor estético, mas tem efeito negativo sobre o ritmo do processo político.
Para gente que cresceu com uma escala de valores antagônica aos direitos humanos dos LGBT, o comportamento escandaloso exibido tradicionalmente nas paradas equivale à retórica raivosa de um Jair Bolsonaro. O papel da Parada é mostrar que os homossexuais são serem humanos comuns, que têm direito a proteção e respeito, como qualquer outro cidadão.
Ninguém precisa ser diferente para ser gay. Não é necessário transformar-se na caricatura de si mesmo.

ALEXANDRE VIDAL PORTO, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA), é diplomata de carreira e escritor.

Da Série Contos Mínimos

Ele pensava que era só por hoje. Que ia passar. Que estaria melhor na próxima semana. Os planos foram se estendendo para o próximo mês, para o próximo ano, para a próxima encarnação.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Transexuais poderão usar uniforme feminino, na Argentina

As forças policiais da Argentina deverão respeitar a identidade de gênero adotada por travestis e transexuais, que poderão usar o uniforme de acordo com sua percepção de gênero, informou nesta quarta-feira (30) o Ministério da Segurança, através da resolução 1.181/11.
Com o objetivo de se respeitar o "direito a ser o que se é", a ministra da Segurança, Nilda Garré, instruiu os comandantes da Polícia Federal, Guarda Nacional, Prefeitura Naval e Polícia Aeroportuária "a dar o devido tratamento à identidade de gênero percebida pelos integrantes" dos efetivos.
"Quando um integrante das forças policiais desejar a readequação de seu gênero, deverá solicitá-lo ao Centro Integral de Gênero da instituição que integra, e serão estipuladas as condições de trabalho adequadas", destaca a resolução. "Será levado em conta seu uniforme, a utilização de instalações diferenciadas por sexo e a designação de tarefas que correspondam a sua identidade. Em nenhum caso se exigirá cirurgia, reorientação sexual ou tratamento hormonal para a concessão das prerrogativas".
Presos
A mesma resolução se aplica aos presos, que deverão ser alojados em celas de acordo com sua identidade sexual.

Lei de Identidade de Gênero
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quarta, por ampla maioria, a lei de Identidade de Gênero, que autoriza travestis e transexuais a registrar seus dados com o sexo escolhido. O projeto agora será analisado no Senado.
O projeto estabelece que não é necessário mais do que uma solicitação para registrar a mudança de sexo, e não serão exigidos diagnósticos médicos, psiquiátricos ou cirurgias, como ocorre agora.