domingo, 31 de janeiro de 2010

Parada estratégica (texto)


Últimos dias de férias. Uma pequena parada em Curitiba, uma volta estratégia ao Rio e finalmente em Cascavel na quarta-feira. Se estou com saudades do trabalho? Não! Mas, sinto saudades de estar na minha casa. Não consigo mais sentir que moro no Rio (e não moro mesmo). Por outro lado, sei que sinto falta das salas de cinema, da quantidade de gente familiar pelas ruas, dos encontros inesperados com os amigos, da sensação de pertencimento, quero dizer, de, apesar de não me sentir mais de cidade, não me sentir tb de fora.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ENEM 2009 (Pérolas)

O Aissa (amigo da universidade recebeu, repassou e eu não sou de quebrar correntes). Ainda que as pérolas não sejam do "É NEM", vale à pena ler e refletir.

O tema da redação do Enem 2009 foi Aquecimento Global, e como acontece todo ano, não faltaram preciosidades. Lá vão:

 
1) "O problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta." (percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)

2) "A amazônia é explorada de forma piedosa." (boa)

3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta." (tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)

4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu." (e na velocidade 5!)

5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta." (pra deixar bem claro o tamanho da destruição)

 
6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação." (pleonasmo é a lei)

 
7) "Espero que o desmatamento seja instinto." (selvagem)

 
8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo." (o verdadeiro milagre da vida)

9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta." (também fiquei emocionado com essa)

 
10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis." (todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável)

 
11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas." (esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd's da coleção do Chaves)

12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna." (amém)

13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza." (e as renováveis?)

 
14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica." (deve ser culpa da morte ecológica)

 
15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável." (ignorem, por favor)

16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias." (peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)

 
17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia." (o quê?)

18) "Paremos e reflitemos." (beleza)

19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas." (onde está o Guarda Belo nessas horas?)

20) "Retirada claudestina de árvores." (caráulio)

21) "Temos que criar leis legais contra isso." (bacana)

 
22) "A camada de ozonel." (Chris O'Zonnell?)

23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor." (a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)

24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas sem coração." (para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)

25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável." (campeão da categoria "maior enchedor de linguiça")

26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação." (NÃO!)

27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises." (gênio da matemática)

28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes." (red bull neles - dizem as árvores)

29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório" (ótima)

 
30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando." (subindo!)

31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc." (deve ser a globalização)

 
32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem." (gzus)

 
33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis." (imaginem as que foram votadas no banheiro deles)

34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia." (oh god)

35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?" (dicionários)

Coisas que irritam alguém com Tronstorno Compulsivo Obsessivo (TOC)

1. Tapete molhado (no banheiro).
2. Gotas de água sobre a bancada do banheiro.
3. Espelho do banheiro (ou qualquer espelho) embaçado ou molhado.
4. Tapete do banheiro fora do lugar.
5. Qualquer coisa fora do lugar.
6. Pia com louça.
7. Pia sem louça.
8. Pia.
9. Eletrodoméstico que não funciona.
10. Qualquer coisa embaixo da cama.
11. Qualquer coisa embaixo de qualquer coisa.
12. Qualquer coisa sobre o armário do quarto.
13. Roupas penduradas em diversas direções dentro do guarda-roupa.
14. Cabides coloridos.
15. Qualquer coisa assimétrica.
16. CD´s misturados.
17. Qualquer coisa misturada.
18. Comida misturada.
19. Poeira.
20. Geladeira organizada fora da ordem alfabética (acreditem!!!).
21. Roupas espalhadas pela casa.
22.  Fios.
23- Tapete fora do lugar. (Sugestão da Fátima)
24- Quadro torto na parede.
25-  Bolinhas na roupa de quem quer que seja.

"Ninguém, além de nós mesmos, pode nos salvar" (Nine)

Lembrei-me hoje, enquanto assistia ao filme Nine, num dos números musicais com a atriz Sophia Loren (que interpreta a mãe do cineasta), as primeiras vezes que fui ao cinema com a minha mãe. Primeiro, lembro-me de que aquela escuridão dava medo, mas de mãos dadas com a mãe, nada de mal pode nos acontecer (não é verdade? Sentia-me protegido), e depois (não sei se na primeira vez que fomos ao cinema, mas é bem provável) da minha curiosidade, saber se os atores entravam pela portinha ao lado da tela (saída de emergência) para encenar o filme.
(na foto: Teófilo (tio), meu avô Alberto, Minha mãe, Heloísa, Carlinhos (tio), Maria (tia) e eu - formatura da minha mãe no curso Normal - formação de professores)

Nine (filme)

Um calor infernal nesta cidade. Ou banco ou cinema?! Cinema, é claro. Assisti ao Nine. Ma-ra-vi-lho-so!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dando asas a imaginação (gif)


O que te seduz? (texto)

A beleza seduz. A inteligência tb é uma forma de sedução. Tb seduz a personalidade. O carisma é sedutor. O poder seduz. Seduz tb a fortuna. A fama é sedutora. Enfim, são tantas as possibilidades que é possível ser a sedução uma soma de muitas das características do Outro.
O que te seduz?
Pergutaram-me se tenho algum problema com os erros de português das pessoas (um dos tantos problemas de se fazer Letras). Respondi que não. Aí refizeram a pergunta, mas vc não ficaria envergonhado de ter uma companhia que não fizesse as devidas concordâncias? Respondi que não.
O que me seduz não passa por aí. Mesmo. Meu olhar vai noutra direção. É verdade que não me sindo seduzido faz tempo. A não ser pelo George Clooney (rs), tb diante dele, segundo o Veríssimo, todas as nossas qualidades e todos os nossos atributos, físicos e intelectuais, desaparecem. Ele fica cada vez mais adorável, cada vez mais George Clooney. É bonito, é charmoso. É rico. É bom ator. E que dentes!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Chove Chuva (texto)


Aprendi na escola, assim que entrei nas aulas de Língua Portuguesa (na época era Comunicação e Expressão) que "chove" era fenômeno da natureza e por isso uma oração sem sujeito, da mesma forma que "amanheceu", "anoiteceu" etc. Até aí tudo bem, não se pode mesmo atribuir a alguém a responsabilidade desses fenômenos. Nem mesmo aos prefeitos, governadores etc.
Além disso, a chuva que insiste por 35 dias intermitentemente, é caso para se pensar. No entanto (sempre tem um porém), Se (tb recorrente esta condicional) rios fossem drenados, bueiros limpos, lixo recolhido, ruas varridas, escoamento de água existisse, encontas fossem fiscalizadas e, se necessário,  barreiras fossem construídas, os danos não seriam tantos, mas sobrevoar apenas quando a m. está feita para ficar a par da situação, não resolve.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Porque NÃO acompanhar o BBB (texto)

Ontem almocei com dois grandes amigos (Robson e Henrique). Nos encontramos (os três) praticamente uma vez por ano. São casados, têm filhos, eu moro em outro estado, ou seja, nossas vidas foram organizadas de forma diferentes. Nesse nosso apenas um encontro, nos divertimos muitos (eu pelo menos me divirto bastante). Os dois têm um humor ácido. E não tem tempo ruim para brincadeiras.
Falamos sobre muitas coisas (tínhamos apenas a hora do almoço do Henrique). Não sei por que falamos do BBB (Big Brother Brasil). O Henrique foi categórico afirmando que não assiste de jeito nenhum, que acha o programa uma grande besteira. O Robson, por sua vez, disse que . Disse ainda ser viciado em TV e pouca coisa ele não assiste na televisão.
Eu não vejo, mas não sabia dizer, além da falta de interesse, um motivo para não acompanhar o reality. Fiquei pensando.
1. Primeiro acho que é um tempo perdido. Não aprendo nada e não me divirto com o programa. Não é que eu tenha que aprender ou me divertir o tempo todo, mas pelo menos eu tenho que esperar (sou assim) que aquilo possa me trazer algum benefício. Não é o caso do BBB (pelo menos em termos de expectativa);
2. Normalmente são pessoas iguais (em termos de comportamento), são apenas de sexo, profissão (quando há) e lugares diferentes, mas não são pessoas que, em princípio, a gente possa identificar tribos distintas. As conversas, então, só podem ser a partir de um mesmo prisma;
3. Os brothes têm comportamentos que não tem nada a ver comigo. Sou de outra faixa etária. Outra geração e não consigo achar graça nenhuma em biceps e triceps, quero dizer, nos assuntos em torno disso.
4. Ah, ia me esquecendo, show de realidade é um pouco demais pra mim: o que vejo ali é o que posso ver em qualquer lugar: ciumes, inveja, intrigas, grupos contra grupos (é só esperar), bundas, pernas, braços (um açougue humano).
5. Assim que eu me lembrar ... ah, aceito sugestões.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

456 Anos (texto)

São Paulo completa hoje 456 anos de idade. A maior cidade do país e principal centro financeiro e mercantil da América Latina. É inegável a significativa influência nacional e internacional, seja do ponto de vista cultural, econômico ou político. Quem te conhece, não te esquece.
Tenho dois grande amigos por lá. Não, tenho 3. Não, são 4. Melhor escrever que tenho grandes amigos por lá.
Bom demais estar por lá e poder escolher o que fazer diante de tantas opções. São Paulo é quase o mundo todo.

Como homenagem aos 456 anos, posto aqui a minha música preferida: Paulista (Eduardo Gudin/J.C. Costa Neto)


Na Paulista
Os faróis já vão abrir
E um milhão de estrelas
Prontas pra invadir
Os jardins
Onde a gente aqueceu

Numa paixão
Manhãs frias de abril
Se a avenida
Exilou seus casarões
Quem reconstruiria

Nossas ilusões?
Me lembrei
De contar pra você
Nessa canção
Que o amor conseguiu
Você sabe quantas noites
Eu te procurei
Nessas ruas onde andei?

Conta onde passeia hoje
Esse seu olhar
Quantas fronteiras
Ele já cruzou
No mundo inteiro
De uma só cida de
Se os seus sonhos
Emigraram sem deixar
Nem pedra sobre pedra
Pra poder lembrar
Dou razão
É difícil hospedar
No coração
Sentimentos assim

Amor sem escalas (filme)


Hoje, assisti ao filme Amor Sem Escalas (Up in the Air). Bacana!

Onde vivem os monstros (Filme)


No sábado, assisti ao filme Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are, Estados Unidos, 2009). Gostei demais.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Era uma vez (texto)

Era uma vez uma Tristeza bem grande. Ela morava pertinho, bem ao lado da Solidão. Sempre que podiam (e sempre podiam!) tomavam o café da manhã juntas. Parece até que combinavam. O dia, então, ficava repleto de melancolia. Elas se compreendiam e eram tão íntimas que mesmo em silêncio, mesmo sem uma única palavra que fosse, se sabiam.
Certo dia a Tristeza resolveu convidar a Saudade também para esse encontro, ela não morava tão longe, na verdade, morava na mesma quadra. Bem ali na outra esquina. E a Tristeza apostava que a Saudade e a Solidão se dariam bem.
Foi uma grande descoberta porque perceberam que eram partes umas das outras. Daquelas amizades que não se pode explicar: era como se se conhecessem há muito tempo. Nunca mais se deixaram. Elas mal podiam, diante de tamanha afinidade, descobrir quem era uma e quem era a outra.
Não sei dizer se viveram felizes para sempre, mas posso afirmar que viveram juntas por muitos anos.

Os outros (texto)

Ontem estive na casa de grandes amigas, fazia tempo que eu não aparecia por lá. Fiquei muito feliz em reencontrá-las. Primeiro porque o papo sempre é muito agradável e divertido, tudo, ou melhor, tu-do passa pelo engraçado, pelas piadas. Até o mais complicado relato, em termos de desgastes pessoais, tem um fundo de humor, é leve (a vida é bem melhor assim, quando a gente consegue rir, claro que é necessário um certo distanciamento, de nós mesmos). Depois pelo jeito que me recebem sempre: um carinho enorme.
O almoço um delícia. Os risos frouxos e presentes o tempo todo. A conversa sem intervalos. Os abraços apertados e saudosos. Estava em casa, mas não na minha casa e isso faz toda a diferença. Já explico.
A família cresceu: agora tem a Júlia (uma peste) e o Murilinho (no mesmo caminho). Ela eu já conhecia meio de passagem, ele apenas por ouvir falar. Lindos! Dá até vontade de ter um filho.
As relações extrafamiliares são, normalmente, desprovidas de julgamento e isso faz delas uma relação quase que ideal. Estamos ali por puro prazer e não nos achamos senhores da lei, donos da verdade.
As relações familiares são, quase sempre, produzidas por meio de julgamento. E aí a coisa fica realmente complicada porque outro "bebe por isso e por aquilo," o outro "é assim e assada tb por aquilo", "toma certas decisões porque tem algo por detrás" etc. Não relaxamos, quase sempre tb, para perceber que pouco temos ou nada temos com o que o outro faz de sua vida. E isso não tem nada a ver com ser indiferente, superficial ou raso, bem ao contrário, tem a ver com respeito pela vida do Outro.
E não é fácil se livrar desse tipo de intimidade, talvez porque ela faça parte da relação familiar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Reivindicação é legal (texto)

Soube ainda agora do tumulto em São Paulo depois da chuva e 9 mortos. Acompanhei no JN (Jornal Nacional) a forma como os moradores do Grajaú (zona sul de São Paulo) manifestaram a sua indignação: ônibus queimado, violência, revolta, cólera com as observações do prefeiro Gilberto Kassab (DEM) sobre a área atingida e as responsabilidades.
Não sou favorável a nenhum tipo de violência, mas não posso ficar indiferente quando essas situações acontecem e os políticos sobrevoam ou vão até o local para nada (não sei como é a prefeitura de São Paulo, mas não deve ser muito diferente da do resto do país.).
É violenta a indiferença dos políticos com a população. É violenta tb a nossa indiferença diante do descaso dos governantes (devíamos nos organizar mais e protestar mais. Se é que há alguma organização e protesto se comparado à quantidade de desgraça, e indiferença das autoridades, que assola o país.).

Moradores cercam o carro do prefeito Gilberto Kassab em área que sofreu deslizamento de terra (Foto: Paulo Toledo Piza/G1).

Renovando a pele (texto)

Gosto muito de tatuagem (não me refiro apenas à música do Chico). Acho, além de bonito, interessante o ritual de escolher um desenho e reproduzi-lo na pela para se enfeitar. Tenho algumas bem antigas e que estavam, não só por isso, feias. Aí resolvi de duas fazer uma.
Será finalizada em três sessões: duas já se foram. Estou no processo de pintura.
Primeiro o tatuador traçou o desenho (acima), hoje ele fez as sombras e o que deve ficar em preto (abaixo) e na próxima terminamos.
Essas duas sessões foram bastante doloridas, mas como o resultado vai estar de acordo com o desejo, vale à pena sofrer um pouquinho. Não dizem por aí que sem dor não tem aprendizado? Apelei, né?
Eu tinha umas flores bem pequenas no braço e um mago nas costas. Agora terei, no fim desse trabalho, apenas flores.
Já estou gostando do que ando vendo.

A Lapa às traças (texto)

Nem um posto móvel da Polícia Militar nem 2 carros e um micro-ônibus da Guarda Municipal de plantão na Lapa, ontem à noite, foram capazes de inibir a ação de um bando de crianças e adolescentes (mais ou menos 15) que assaltavam ou ameaçavam algumas mulheres que passavam pelos Arcos.
Fui ao posto móvel e pedi que algum policial fizesse o favor de dar uma volta no local. Sequer se levantaram para me atender. Estavam de papo com uma mulher e lá ficaram. As crianças continuaram a atacar.
Os guardas municipais conversavam entre si.
Meia hora e algumas bolsas roubadas liguei para o 190 e pedi uma patrulha. 20 minutos depois eles apareceram, ainda que os Arcos fiquem a 200 metros de um batalhão da PM. Não fiquei para ver o desfecho porque já estava indignado com a indiferença de quem devia manter a ordem pública.
O que fazem esses policias se não podem impedir que um bando de crianças roubem? Qual a função desse posto móvel se não inibe a ação de bandidos na Lapa? Tentei ligar agora para a ouvidoria tanto da Guarda Municipal quanto da PM e não consegui prestar queixa porque a sistema está, naquele, lento, e neste em reparo. Pode? Pode!!!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Tamanho e documento (texto)

Faz algum tempo queria postar aqui um pequeno texto sobre o grande problema que é para muitos homens o tamanho do pênis. Não é nenhum texto científico ou baseado em algum estudo do gênero, bem ao contrário, são impressões, bastante pessoais, sobre o tema.
Tamanho não é documento (será clichê?), mas não posso, por isso, negligenciar a dimensão da pulga atrás da orelha quando o assunto gira em torno dele (com vida própria e independente). Nornalmente o homem não se preocupa quando ele é grande (acho), mas se ele desconfia que o próprio pênis não tem o tamanho "ideal" (e isso muitas vezes acontece porque o parâmetro é o pênis do outro ou suas representações), isso pode significar o fracasso de uma vida. Sem exageros.
Mulheres podem (no sentido de ser possível), com a ajuda de um cirurgião plástico, adequar o tamanho dos seios e bumbuns ao gosto pessoal, mas o tamanho do pênis nem milagre, nem com muita oração e reza forte, trabalho em encruzilhada, não resolve. Os tratamentos oferecidos não fazem, segundo médicos, efeitos (existem cirurgias para o aumento do pênis, mas elas têm um efeito muito limitado e podem, no máximo, aumentar uns 2 ou 3 cm.).
O motivo é que o pênis por ser visível e palpável, desencadeia na infância o complicado processo de construção da identidade masculina. E a confusão está, normalmente, porque é o único órgão do corpo que varia de tamanho (de acordo com a fantasia, imaginação, imagens, palavras ou lembranças). O que o torna responsável pelo prestígio viril, oscilando entre a magalomania e a baixa auto-estima.
Diversos livros nos traz a informação de que o tamanho médio do pênis varia entre 13,8 a 17,5 (veja a importância dos milímetros), mas nenhum estudo afirma que a performance tenha alguma relação com o tamanho. O prazer está muito mais relacionadas à cabeça e às emoções que rolam durante a transa. As mulheres (somente impressões) quase nunca referem ao tamanho do pênis como sendo um fator importante na transa, o tamanho é mais significativo para os gays. Achar que não vai satisfazer a parceira ou parceiro porque o pênis não é grande é muito mais uma encanação do que a realidade.

4.5

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Poema (Cazuza/Frejat)

Se minha mãe estivesse por aqui, além de me ligar, por voltas das 10h, me contaria como nasci rápido, como se estivesse com pressa de chegar, como se o mundo não fosse me esperar. Nasci chorando, reclamando já de alguma coisa que não sabia bem o quê.

Quando ouço Poema de Cazuza/Frejat, sobretudo os versos "E o medo era motivo de choro, Desculpa pra um abraço ou consolo", lembro-me sempre dessa história de criança que me foi contada até pouco tempo. É uma boa lembrança.

Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo

Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim E que não tem fim

De repente, a gente vê que perdeu Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás

Quando os opostos não se opõem (texto)

Hoje eu fiquei parte do meu tempo, enquanto caminhava pela cidade, pensando sobre o fim das férias. Segunda quinzena de janeiro, mais alguns dias, estou de volta à universidade. Pensando sobre voltar e recomeçar o ano letivo: turma nova, disciplina antiga (terceira edição), concurso vestibular, aula no mestrado, orientação, publicação, reuniões, concursos públicos, bancas, provas, diários de classe, preparação de aula (é bem possível que eu tenha me esquecido de tantas atribuições ainda). Tudo isso é muito cansativo, sobretudo no segundo semestre, quando a gente não aguenta mais nada.
Prometi a mim que este ano alguma coisa vai mudar: não participo mais de tantas comissões (o que já reduz bastante o número de reuniões) e quero me dedicar mais a produção de textos. Preciso publicar mais e com mais qualidade.
Apesar de tudo isso, trabalho e prazer (em princípio opostos) não se opõem tanto quando a gente faz o que gosta. Gosto de dar aulas. Gosto de preparar as aulas, gosto de chegar em sala de aula e falar sobre o que li e discutir (quando isso acontece) o texto, e responder as perguntas. Gosto tb de orientação, de poder, com o aluno, construir pontos de vista sobre um objeto; gosto um pouco menos de corrigir provas e de preencher diários (mas não dá para gostar de tudo, eu acho).
Não dá mesmo para separar prazer e trabalho, o corpo da mente, recreação e educação, porque se completam.
É claro que sempre torço para uma turma com alunos interessantes e interessados (se não der para ser toda ela que pelo menos seja uma grande parte); torço tb para encontrar textos mais agradáveis (nem sempre isso é possível) sobre a linguística e a análise do discurso.
Além de tudo isso, voltar sempre é bom: tem sempre os bons amigos nos aguardando com um abraço bem apertado e um sorriso largo estampado no rosto. E isso vale por um ano inteiro!!!!

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Ponto C (texto)

Segundo alguns especialistas, o Ponto G não existe. E isso não significa o fim do prazer. Bem ao contrário. A desencanação com o tal ponto é um estímulo para que se descubram outras tantas zonas que provacam excitação sexual, essas sim, segundo uma grande parte de sexólogos, bem ao alcance das mãos.
O Globo desse domingo traz meia página sobre o assunto. Achei interessante postar aqui algumas interpretações dessa matéria porque, sejamos honestos, quem é que não quer dar e/ou receber prazer?
Um estudo divulgado no início do ano por cientistas britânicos (fissurados em orgasmos acadêmicos) sustenta que a zona erôgena responsável por orgasmos intensos não passa de um mito. Mas eles são unânimes em afirmar que o principal ponto de prazer sexual do corpo fica bem distante (na grande maioria dos casos) dos órgãos genitais: o cérebro.
A sensação de prazer que a gente tem parte do cérebro. Conseguimos, inclusive, ter orgasmos sem nenhuma estimulação direta, como ocorre nos sonhos, por exemplo (é claro que o estímulo é uma arma poderosa, mas ele funciona apenas porque desencadeia algo no cérebro).
O prazer é uma combinação de de várias coisas, da ativação e desativação de regiões diferentes do cérebro, mas no centro disso tudo está o sistema de recompensa (ou seja, "se é bom, eu quero mais"), se essas estruturas não forem ativadas, não há sensação de prazer.
Vamos à pergunta: qual a melhor maneira de ativá-las? Segundo esses especialistas, não tem nada a ver com pontos. Inclusive é até bom que a gente esqueça-os. Se fosse assim, os melhores parceiros seriam as (os) bonecas (os) infláveis.
O estímulo das áreas genitais é apenas uma das maneiras de ativar o sistema de recompensa do cérebro, sobretudo nas mulheres.
O homem é mais visual, basta se sentir atraído pelo que vê que começa a se excitar. A mulher tem essa competência, mas a intensifica com o estímulo tátil e auditivo. Ela precisa de proximidade física, do contato com o parceiro(a), e todo o tipo de toque: na pele, no pescoço, no ventre, nas mamas, nas costas, na língua e na região genital (são essas as áreas que as mulheres mais relacionam com prazer). São áreas com muitas terminações nervosas e, por isso, sensíveis.
O corpo é uma zona erôgena: atrás das orelhas, na axila, no joelho, costas, não é um ponto aqui e outro ali, mas o corpo como um todo. Então, vamos experimentar!!!! Descobrir pontos encobertos, à vezes, por preconceitos, concepções errôneas sobre o sexo etc.

Beijo Bandido - Show (texto)

Já nas comemorações do meu aniversário (19 próximo), fui ao show do Ney Matogrosso no Canecão - Beijo Bandido. Postei um pequeno comentário mês passado, assim que comprei o CD. Já havia me apaixonado pelo repertório, pelo visual, pelo encarte, pelo quarteto que acompanhou o cantor na gravação desse trabalho. Quanto ao show, preciso apenas reafirmar aquela impressão já-dita.
Tudo no lugar: iluminação, voz, postura, interpretação, corpo. Um espetáculo sem exageros. Ney não precisa de nada mais além de bons músicos para mostrar o que sabe fazer: cantar. A cada música a certeza de que não há outro intérprete na música braisileira.
Um show, simplesmente, perfeito.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O povo haitiano será o último atendido (texto )

A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento.
O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia. O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo?
A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país.
Hoje, dia 13 de Janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela?
Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros. Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.
A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia - o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados.
A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel - resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.
Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.
Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada.
Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.

Otávio Calegari Jorge (pesquisador da Unicamp, em seu blog)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Segundo o cônsul do Haiti (texto)

O cônsul geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, pediu desculpas nesta sexta-feira (15) por comentários feitos durante entrevista exibida no "SBT Brasil" na última quinta (14).
Sem saber que estava sendo gravado, o cônsul aparece no vídeo comentando que a tragédia no Haiti “está tendo bons resultados” para ele e atribuindo a culpa do terremoto à religião praticada no país
.
Não me pareceu que o comentário, porque vi as imagens do SBT, feito pelo cônsul, pudesse ser mal interpretado ou que as palavras por ele proferidas mostrassem qualquer desconhecimento da língua portuguesa, bem ao contrário, me pareceu que ele dominava bem o idioma e que sabia e acreditava no que dizia: o fato do terremoto ter colocado o Haiti no centro das atenções e ainda que a religião praticada no país (macumba, em suas palavras) era a responsável pelos problemas que o país atravessava.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Who are you?

Quem é você? Who are you?
¿Quién eres? Wer bist du?

A Ajuda que faz diferença (texto)

As doações anunciadas por países e instituições financeiras globais para o Haiti em três dias, desde o terremoto que devastou o país na última terça (12), já correspondem a mais de um terço do orçamento anual do país caribenho, segundo dados dos governos e informações das agências internacionais.

Excetuada a ajuda material enviada por outros países (alimentos, remédios, médicos, equipes de resgate), a soma anunciada por governos e instituições como FMI e Banco Mundial para ajuda aos haitianos é de pelo menos US$ 350,3 milhões (confira na tabela abaixo). De acordo com o site da CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos), o orçamento estimado do governo do Haiti para 2008 era de US$ 967,5 milhões.
Nesta quinta (14), o presidente Barack Obama informou que os Estados Unidos aplicarão US$ 100 milhões no Haiti. O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou outros US$ 100 milhões. O Brasil contribuirá com US$ 15 milhões. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, é a maior ajuda financeira dada a um país pelo Brasil.
Além do dinheiro para a reconstrução do país, a operação dos EUA no Haiti reúne um aparato com especialistas, barcos, helicópteros, aviões, um porta-aviões e cerca de 2 mil militares, entre outros recursos. O Brasil começou a mandar aviões com médicos, enfermeiros, equipamentos cirúrgicos, de raio-X, de laboratório e para unidade de terapia intensiva (UTI) e módulos para atendimento ambulatorial.

Outras contribuições em dinheiro virão da Europa. O governo da Grã-Bretanha informou que doará US$ 10 milhões; o da União Europeia, US$ 4,3 milhões, mesma quantia da Espanha; a Holanda remeterá US$ 2,9 milhões; a Alemanha, US$ 2,18 milhões; e a Itália, US$ 1,46 milhão. Países de outros continentes vão fornecer auxílio material, por meio da remessa de alimentos, medicamentos, além de equipes de resgate e médicos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou a liberação de US$ 10 milhões dos fundos de emergência da instituição como forma de auxílio ao Haiti.

Além do FMI, outras instituições financeiras internacionais anunciaram recursos para o Haiti. Nesta quarta (13), o Banco Mundial ofereceu US$ 100 milhões para a reconstrução do país - o escritório da instituição na capital haitiana foi destruído pelo terremoto. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberou US$ 200 mil aquisição de alimentos, água potável, medicamentos e abrigos temporários.

(Fonte Globo.com)

O umbigo é grande (texto)

Tem uma passagem na bíblia, não me perguntem onde, que conta a história da destruição, por Deus, de uma certa cidade (não me pergunte qual). Deus disse a alguém (não me perguntem quem) que se ele encontrasse uma alma boa, a tal cidade não seria destruída.
Pois bem. Não sei o final da passagem, mas quero crer que a tal cidade não tenha sido destruída, porque temos almas boas aos montes, ainda que se diga o contrário. Ainda que se diga que estamos mais preocupados com o nosso próprio umbigo, podemos provar que o "nosso umbigo" está ligado ao umbigo do outro por um longo e forte cordão.
O Haiti, como todos sabemos, foi praticamente destruído por um sismo de intensidade 7 na escala Richter. Muitos países estão se mobilizando para ajudar as vítimas (segundo primeiros levantamentos, cerca de 45 mil pessoas mortas): 3 milhões de feridos e desabrigados.
Além de países, pessoas com alguma influência tb estão moblizadas em torno dessas ajudas.
O Banco do Brasil (BB) e a Embaixada do Haiti no Brasil abriram uma conta corrente para receber doações para as vítimas do terremoto. O dinheiro recebido na conta será administrado diretamente pela diplomacia do país da América Central. Depósitos de qualquer valor podem ser feitos em nome de SOS Haiti, agência 1606-3, conta corrente 91.000-7. Os depósitos podem ser feitos de qualquer parte do Brasil nas agências e caixas eletrônicos do BB.
A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) também tomou iniciativas emergenciais em relação ao Haiti. Enviou ao país uma Equipe de Ajuda Imediata a Desastres (Dart, na sigla em inglês) e acionou três de seus parceiros nos EUA, conforme informou a embaixada americana em Brasília. Dentre esses parceiros, a Fairfax County Urban Search and Recue (Usar) é uma equipe de busca e resgate composta por até 72 especialistas em tragédias e seis cães farejadores e conta com cerca de 48 toneladas de equipamentos. A Usaid presta auxílio ao Haiti há 50 anos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Haiti não é aqui, o Haiti é aqui (texto)

O Haiti é o país mais pobre das Américas, figura em 146º lugar entre os 177 medidos pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Mais da metade da população vive com menos de US$ 1 por dia, e 78% com menos de US$ 2. Apenas 2% das florestas do país estão de pé. Uma série de acontecimentos desastrosos de grandes proporções relacionados a fenômenos naturais e crises políticas deixaram o país a beira de um colapso nos últimos anos.
Um furacão em 2004 destruiu a cidade de Gonaïves. Em 2008, 4 furacões passarm pelo Caribe e deixaram centenas de mortos no Haiti e cerca de 800 mil desabrigados.
Após 29 anos de ditadura, o ex-padre católico Jean-Bertrand Aristide se tornou o primeiro presidente do país eleito democraticamente. Foi derrubado por um golpe militar em 1991 e reinstalado no posto com o apoio dos E.U.A.
E agora esse terremoto, de magnitude 7 graus na escala Richter (o maior grau é 9). Até o momento não se sabe o número de vítimas. Sabe-se apenas que a situação e bastante grave. Entre as vítimas, muitos brasileiros, integrantes da força de paz da ONU. Zilda Arns Neumann, 75 anos, fundadora da Pastoral da Criança, tb morreu enquanto dava uma palestra numa igreja, que desabou, na capital Porto Príncipe.
Grande tristeza! O Mundo precisa se solidarizar com essas pessoas. Somos todos parte do mesmo espaço. Lá e cá é apenas questão de tempo.

Avatar (filme)

Acabei de chegar da sessão em 3D. Fantástico.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Como se fosse a primeira vez (texto)

Chove desde que o mundo é mundo, mas a chuva sempre nos pega desprevenidos. Não falo na chuva catastrófica como a que tem nos flagelado, mas na chuva comum. Na chuva que deveria fazer parte das expectativas normais de qualquer um que não vive num deserto. Que não deveria exigir qualquer alteração no seu cotidiano fora a necessidade de usar guarda-chuvas e o cuidado de evitar goteiras e poças. E, no entanto, todas as vezes que chove nossas vidas são transtornadas como se fosse a primeira vez. Meu Deus, o que é isso? Água caindo do céu?! Com chuva todo o mundo se confunde, como se não houvesse precedentes. Com chuva o caos do trânsito vira um pavor, embora só seja o caos de sempre com água em cima.
O descaso que causa as tragédias quando a chuva é catastrófica é um corolário dessa surpresa sempre repetida. A imprevidência dos que constroem em áreas de risco ou a negligência dos que permitem a construção em áreas de risco vem da mesma recusa de ver o óbvio. A chuva é uma obviedade, não é uma novidade. A chuva anômala, catastrófica, também, pois temos uma longa história de tragédias como as destes dias. Mas a reação é sempre de incredulidade, nunca se reconhece o óbvio.
O problema do Brasil não é que as coisas não tenham precedentes. Há precedentes para tudo que nos aflige. O problema é que os precedentes não nos ensinam nada. Assim continuaremos reclamando que os esgotos pluviais não dão conta das grandes chuvaradas e precisam ser refeitos, até a inundação regredir e não se falar mais nisso. Continuaremos protestando contra construções em áreas perigosas até os deslizamentos pararem e o tempo melhorar, e esquecermos. E cada tragédia, como cada dia de chuva, será sempre como se fosse a primeira vez.
REPARAÇÃO
Alguém com tempo e curiosidade suficientes poderia calcular de quanto seria o montante se cada família de vítimas da imprevidência e da negligência dos governos – do esgoto não refeito, da encosta não adequadamente escorada, da estrada não duplicada ou não construída – responsabilizasse judicialmente Estados e União e exigisse reparação. Não precisaria nem ser as vítimas de todos os tempos, só de um ano bastaria. O custo seria maior do que o necessário para fazer as obras.
(Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

1º Ano do Blog (texto)

O Blog fez um ano e não me dei conta. Na minha infalível memória para datas (homens não têm essa região cerebral desenvolvida), o primeiro ano seria comemorado em 24 de janeiro. Não era bem assim. Fiz um ano de Blog no dia 24 de dezembro! E como não sou tão cara de pau assim, resolvi não ligar me desculpando pelo esquecimento.
De qualquer forma, não queria que essa data passasse assim, em branco, e aí resolvi registrar aqui o primeiro aniversário: preciso dizer que é bacana a experiência de escrever (sabe-se lá para quem) diariamente sobre diversos assuntos (a minha experiência de escrita era, nos últimos anos, estritamente acadêmica); depois, e aos poucos, a gente fica sabendo que algumas pessoas passam por aqui e leem o que está escrito; mais adiante deixam recados, comentários. É uma grande comunidade virtual, Sem fronteiras (Bem que a Tim podia me patrocinar!!!).
Preciso ainda escrever que conheci pessoas especiais através dessa brincadeira. Não vou citar nomes porque posso parecer injusto. Fiz amigos.
Passei por momentos complicados no ano passado, principalmente com a perda de minha mãe obtive aqui apoio dessas pessoas. Escrever nesse momento, quase eterno, me tirou da beira do vulcão em atividade.
Já escrevi sobre quase tudo que me interessa: sexualidade, música, livros, comidas (não necessariamente nesta ordem). Em 2009 foram 421 pequenos posts (tem de tudo): declaração de amor, brigas com alunos, desabafo, homenagens, impressões de viagens, poesias, textos estranhos, contos, recados, coisas bizarras, fofocas, letras de música, notícias nacionais e internacionais, política, impressões pessoais diversas.
O mais importante foram os encontros que se fizeram (mesmo se desencontros). Queria agradecer mesmo a três grandes amigos sempre presentes (e em nome deles agradecer, por deslizamento, aos demais que passa(ra)m por aqui em algum momento): Fátima, Cris e Luiz. São pessoas doces, atenciosas, preocupadas, divertidas e cheias de paciência. Obrigado pelos e-mails, pelos textos, pelas preces, pelos telefonemas, pelos seus blogs.
Preciso ainda escrever sobre o primeiro comentário deixado (o que a gente nunca esquece). Foi no dia 25 de janeiro no post Dias sim, ele foi deixado pela Joana. Acho que ela nunca mais apareceu. Que pena! E o primeiro a seguir o Blog (me deixando preocupado) Juan Antonio do Blog Fotos de Barcelona.
A ideia de fazer um blog surgiu após a leitura do blog de um grande amigo (Alexandre Reis). Aí fiquei pensando, pensando se daria conta, primeiro de colocar um blog no mar, depois, se teria fôlego para escrever, e ainda, se teria sobre o que postar.
Remar
, remar, remar, navegar impreciso por mares nunca d'antes navegados.
Sem a primeira remada não se atravessa o rio. Não tenho medo de águas. Bem ao contrário, apesar de capricórnio, gosto muito de aquário.
É isso! Um grande beijo, muitos abraços apertados, obrigado pelos comentários, pelas visitas, enfim, pelo incentivo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Hanami - Cerejeiras em flor (filme)

Decidi hoje que não faço mais resenhas de filmes. Registro apenas aqui que assisti e pronto. Talvez eu escreva um pequeno texto sobre a impressão que ele me causou e nada mais.
Li um dia desses 30 resenhas (em diversos blogs) sobre o filme Avatar e achei bem chato ler a mesma coisa trinta vezes. Não quero causar a mesma impressão (ou melhor, não quero causar mais a mesma impressão)!
Depois desse filme fiquei pensado sobre a imperfeição humana. Somos imperfeitos. É claro! E quando atribuímos a nós essas imperfeições é apenas para nos desculpar dessas características. Somos arrogantes, impacientes, invejosos, mentirosos, prepotentes. E além disso tudo, como se fosse pouco, nos achamos eternos.
A proximidade consciente da morte
(nossa ou de alguém que amamos) talvez nos dê um pouco de sabedoria. Tb passageira.
A flor da cerejeira surge como mágica e se desfaz da mesma maneira.

Tua (CD)

Maria Bethânia gravou dois CD´s em 2009 (Encanteria e Tua). Eu podia comprar apenas um. Não tinha qualquer critério. Os dois estavam ali, à disposição. Escolhi Tua, assim como se escolhe uma camiseta, pela estampa. Apenas pela cara. Ouvi dizer que quem vê cara, não vê coração. Não funcionou dessa vez. A não ser que Encanteria seja o top do top, o creme do creme.
Já no primeiro acorde do CD (É o amor outra vez), me apaixonei: voz, música, letra, enfim, impecável. A cada música (são 11 faixas - todas inéditas) me surpreendia com a qualidade das composições.
O cuidado com o CD é marca registrada da maior intérprete (na minha opinião, é claro) da música brasileira. Não sei se a indústria da música está mesmo em baixa (acabei de ler no Globo que nos E.U.A. as músicas, em 2009, venderam menos que no ano anterior), sei apenas que música é um grande investimento: alegra o dia, nos leva para lugares outros, ameniza as dores, afaga a saudade.
Tua é composição de Adriana Calcanhotto, mas tem Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, Roque ferreira, Jorge Vercilo e J. velosso, César Mendes e Arnaldo Antunes, Moacyr Luz e Aldir Blanc, Saul Barbosa e Jorge Portugal, Bill Farr, Márcio Valverde e Nélio Rosa, Chico César e Paulinho Moska, Mauro Duarte, Roberto Mendes e Capinam. Não precisa mais nada.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Caras & Bocas - Cássio e André (texto)

Ontem, último capítulo da novela Caras & Bocas (já postei alguns comentários sobre ela), bastantante satisfatório! Como sempre, casamentos. Muitos casamentos. E praqueles que não se casam, um par, em potencial, para que não se sintam sozinhos e infelizes. É claro que isso não tem nada a ver com a novela, mas com o nosso imaginário em torno do que seja felicidade ("É impossível ser feliz sozinho", cantamos muitas vezes esse verso): até os macacos casaram-se.
Mas um casal (?) me interessa, particularmente, na trama: Cássio e André. Aquele era gay assumido, encontrou uma mulher e se apaixonou. Tranquilo. Este, hétero assumido e aos poucos foi nos dando pistas de que estava interessado no Cássio.
O tema, a homossexualidade, é tão caro para a sociedade que sequer se pode falar sobre ele em alguns horários na TV aberta. A cena em que, supostamente, André conta para a sua família sobre a sua orientação sexual é cortada depois que ele diz que precisa dizer algo sério para todos (quando alguém precisa contar algo sério, pode acreditar, aí tem.). Quando a cena volta, ele já contou e recebe da irmã e cunhado abraços acompanhados da frase: "Parabéns pela sua coragem!". Sua mãe (a mais arredia em torno da sexualidade de André) tb o abraça, mas foge um pouco do assunto convidando-o para um sorvete (estratégia bem bolada e divertida para reforçar e suavizar a questão. Gostei! Estamos num horário das 19h.)
Pode parecer fixação eu abordar tanto esse tema aqui, e é mesmo! É uma maneira de tentar entender o porquê de ainda (e eu sei bem os motivos) em 2010 estarmos tão presos a (pré)conceitos tão século XIX. É claro que as mudanças tb fazem parte dessa observação: imagine uma relação (?) homossexual com final feliz numa novela desse horário?
Mas um silêncio bastante presente insiste em ecoar sentidos por aí.
Num comentário de um post, a Fátima, amiga do Blog Viver é afinar os instrumentos, escreveu sobre uma nova geração que anda surgindo aí, a de sua filha. Menos preocupada, pelo menos em tese, com a vida privada, com os desejos dos outros, com a orientação sexual de cada um. Bom sinal, tb em tese, para as possíveis mudanças em torno do tema. Que venha a próxima geração!!!!


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Portugal fazendo História (texto)

Deu no Globo.com: O Parlamento de Portugal aprovou nesta sexta-feira (8) uma proposição de lei do governo socialista para permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas descartou a possibilidade de que estes casais possam adotar crianças.
Após a votação, que contou com o apoio de toda a esquerda parlamentar, o primeiro-ministro português, José Sócrates, qualificou este dia como "um momento histórico" para Portugal no "combate contra a discriminação e a injustiça que existia na sociedade portuguesa".
"Fizemos o que qualquer humanista deve fazer, combater as injustiças dos outros como se fossem injustiças contra nós, combater as normas legais que impedem a igualdade como se afetasse a nós mesmos", disse Sócrates.
A proposta do governo foi aprovada com os votos favoráveis do Partido Socialista (PS), que governa em minoria com 97 das 230 cadeiras da Assembleia; o Partido Comunista de Portugal (PCP), com 13 assentos; o Bloco de Esquerda, com 16, e os Verdes, com dois.
As duas deputadas do Movimento Humanismo e Democracia, independentes, mas escolhidas nas listas do PS, foram as únicas representantes da esquerda parlamentar que votaram contra.
Os deputados da principal força da oposição, o Partido Social Democrata (PSD), foram contra a proposição, exceto sete que se abstiveram, e também houve a rejeição dos parlamentares do conservador Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP).
O Parlamento não aprovou as proposições realizadas pelo Bloco de Esquerda e os Verdes, nas quais pediam a legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e nas quais estava incluída a adoção.
A Assembleia da República também votou contra o projeto do PSD para a criação de uma união civil registrada que conferia, com alguns limites patrimoniais e parentais, os mesmos direitos que o casamento homossexual.
As propostas do Bloco de Esquerda e dos Verdes tiveram os votos contrários o CDS-PP, do PSD e da maioria dos socialistas.
Para que a lei entre em vigor, é necessário que esta seja promulgada nos próximos 40 dias pelo presidente português, o conservador Aníbal Cavaco Silva, com direito a veto. O veto pode ser derrubado pelo Parlamento. Se não houver veto, os primeiros casamentos podem ser celebrados já em abril.
Cavaco Silva, líder histórico do opositor Partido Social Democrata, não quis se pronunciar sobre a lei de casamento homossexual, mas destacou diversas vezes que sua atenção está em "outros problemas do país", e que não fará nada "que provoque fraturas" na sociedade.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Los Hermanos outra vez!!!! (texto)

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, assinou um decreto no qual ordena a abertura dos arquivos relacionados à atuação das Forças Armadas durante a ditadura militar que governou o país de 1973 a 1983.
Por meio do decreto, o governo retirou a classificação "de segurança" das informações que dizem respeito ao período. Assim, o decreto determina a abertura de "toda aquela informação e documentação vinculada à atuação das Forças Armadas" de 1976 e 1983, salvo aquela relacionada ao "conflito bélico do Atlântico Sul [Guerra das Malvinas] e a qualquer outro conflito de caráter interestatal".
A iniciativa também se vincula à retomada de processos por violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura, o que se tornou possível após a anulação das chamadas leis de impunidade - Obediência Devida e Ponto Final -, durante a Presidência de Néstor Kirchner (2003-2007).
O secretário de Direitos Humanos da Argentina, Eduardo Luis Duhalde, disse que "a medida agiliza a remissão das informações ao Poder Judiciário". A ditadura argentina foi uma das mais violentas da região. Em apenas sete anos de regime, estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham desaparecido nas mãos de agentes da repressão, segundo entidades defensoras dos direitos humanos. Nos últimos anos, comandantes das Forças Armadas, autoridades e agentes da repressão foram ao banco dos réus.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Transexual indicada por Obama para cargo no Departamento de Comércio (texto)

Há alguns posts eu escrevi sobre o primeiro casamento gay na América Latina (Argentina). Vale à pena ler sobre esse fato (histórico) , o reconhecimento civil entre pessoas do mesmo sexo. Agora, tenho um grande prazer em escrever sobre a nomeação de um transexual, Amanda Simpson, 46 anos, para cargo no Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Nomeação feita pelo presidente dos E.U.A.
Quando ainda era candidato, Barack Obama prometia “mudança” para o país. Após um ano no cargo, conseguiu alguns sucessos, como a reforma do sistema de saúde, mas ainda enfrenta os mesmos problemas de seus antecessores em outras áreas.
No recrutamento de funcionários públicos
, entretanto, Obama é mesmo um inovador, e se tornou o primeiro presidente da história do país a indicar um transexual assumido para um cargo de confiança.
A nova empregada do Estado americano é Amanda Simpson, de 46 anos, que até os 39 vivia como Mitch Simpson, filho mais velho de um casal de judeus de Chicago. Segundo o site da televisão americana Fox News, citando o jornal Arizona Daily Star, Mitch se tornou Amanda em 2002, quando gastou US$ 70 mil em seis cirurgias para se tornar mulher.
Esse ato simboliza muito para a comunidade LGBT, porque reforça a teoria de que capacidade, competência, seriedade etc. não tem nenhuma relação com a sexualidade e talvez possa significar muito mais se as pessoas compreenderem que a sexualidade efetiva apenas desejos.