quarta-feira, 31 de março de 2010

O (de)serviço público (texto)

O setor público é cheio de vícios: desde o telefone que toca e ninguém atende, passando pelo paletó pendurado numa cadeira vazia  até aquele que discursa pelo trabalho (mas tudo não passa de encenação). 
O pior de todos os vícios está entranhado numa grande parte dos funcionários que é o protecionismo, ou seja, tenta-se a todo custo varre para baixo do tapete tudo aquilo que está errado (o velho jeitinho que todo mundo diz, em tese, abominar), às vezes porque há um rabo preso, noutras porque não se quer aborrecimento com aquilo que nunca dá em nada.
Não sei o que é pior, se é aquele que enxerga e não vê ou se aquele que vê mas não quer enxergar. Sei apenas que dar murro em ponta de faca ou tentar entender como o serviço público (não) funciona é mais ou menos a mesma sensação: uma tristeza grande descobrir que vc foi vencido pelo casaço, que tanto desgaste apenas desbota as relações pessoais e, que no final, tudo estará igualzinho sem um avanço sequer, porque não existe a vontade de mudar, porque já se apreendeu viver daquele e naquele jeito, porque qualquer mudança requer esforço. E tudo isso cansa muito.

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