sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Chegamos ao último dia do ano. E como tradição, não aqui neste blogue, mas em uma memória afetiva, escrevo algumas linhas sobre o ano que passou, que está de passagem.
2010 foi um ano de recomeço, não apenas pra mim, mas, principalmente e sobretudo para uma grande amiga, a Tânia, do Impressões de Leitura. E para ela dedico esta retrospectiva.
A Tânia me ensinou muito durante este ano. E pelo jeito ainda vai me ensinar mais. Estou sempre atento aos seus textos e comentários.
Foi um ano de ausências tb. Uma grande amiga, Fátima, do Viver É Afinar os Instrumentos, que sempre estava por aqui, pouco apareceu (nesse último semestre), sei que tem lá seus motivos, mas não posso/devo deixar de dizer a ela que escrevi muito (sobretudo quando o tema era sobre relacionamento) pensando nela. Saudades e o desejo de um ano novo cheio de realizações.
Foram muitas passagens. Eu estava quase terminando (já estava em fevereiro) o link de todos que passaram por aqui com os nomes e os respectivos blogues quando sei-lá-o-que-aconteceu perdi tudo. Aí seria impossível recomeçar. De qualquer forma, fiquei surpreso com a quantidade de comentário.
Atualmente são 181 seguidores, um número enorme para quem escreve sem nenhuma pretensão. Até o momento foram 22403 entradas vindas de 87 países.
Os assuntos foram variados, mas como me prometi, coloquei poesia no blogue.
Desejo a todos (que pena ter perdido o link) um ano novo cheio de saúde, realizações, amor, paz, amizade, tranquilidade. O que mais interessa?
Que estejamos mais próximos nos próximos anos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aonde vivem os mortos? (texto)

Sonhei com a minha mãe. Sonho estranho. Eu estava em algum lugar (onde os mortos estão) a sua procura. Eu sabia que ela havia morrido (em todos os outros sonhos ela sempre estava viva) e queria saber se ela estava bem. Encontrei pessoas que me conheciam mas que eu não fazia ideia de quem eram. Uma filha francesa. E outros que chagaram para conversar comigo.
Era uma casa esquisita (meio destruída), num grande terreno irregular. Um lugar antigo, uma espécie de sítio com árvores, mato...
Um homem perguntou a uma mulher se eu poderia (estaria preparado para) encontrar a minha mãe. E além disso, me disse que eu deveria passar por uma espécie de treinamento. A tal mulher lhe respondeu que eu já havia passado pelo treinamento diversas vezes. Não o fiz. Algumas pessoas estavam nesse treinamento, um tipo de oração em grupo.
Encontrei muitas pessoas que podiam ser a minha mãe, homens e mulheres parecidos fisicamente com ela, mas ninguém se apresentou como se fosse ela. Essas pessoas estavam ao redor de uma grande mesa quadrada em silêncio.
Eu tb não disse nada. Fiquei ali parado olhando, tentando sozinho descobrir quem dentre aquelas pessoas poderia ser ela. Apertei a mão de alguns, senti a pele de outros. Eram peles envelhecidas, enrugadas. Não soube se ela estava bem porque não consegui descobrir quem ela era. E ninguém se pronunciou. Mas não acordei assustado.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Da Série Contos Mínimos

Encontraram-se para um almoço depois de muitos anos sem se ver. Mantiveram o frescor da amizade. Colocaram-se em dia como se nunca tivessem estado longe.
Até a despedida sentiram-se como um pra sempre.
A vida, que separa, tb une.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo (poesia - Drummond)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 26 de dezembro de 2010

2 anos no ar (texto)

No dia 24, véspera de Natal, o Do Avesso completou dois anos no ar. Fico bastante feliz por ter esse espaço para poder escrever, trocar informações com outros blogues, conhecer possoas, aprender sobre o mundo, me expressar.
Através dele conheci pessoas incríveis. Posso dizer que fiz amigos.
Aproveito para agradecer a presença, porque sem leitor não vale muito estar por aqui. Obrigado pelos comentários, pelas discordâncias, pelos acréscimos, por tanta contribuição.
Ah, como estou de férias (merecidas), não vou bater ponto, não pelo menos com a mesma frequência.
O bolo é simples, mas o pedaço é de coração.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Superar-se (texto)

Histórias de superação sempre são emocionantes (pelo menos, pra mim), ontem, por exemplo, na academia, encontrei uma jovem senhora que após uma cirurgia na coluna  (essas quase nunca são simples) e depois em sua recuperação constatar que continuava com os movimentos nas pernas, resolveu investir numa vida mais saudável do que a que levava antes (quando nem pensava na cirurgia).
Aprendeu a correr. Mas não essas corridinhas que a gente dá até o supermercado, à farmácia, ao shopping para um presente de última hora. Aprendeu a correr grandes distâncias (meias e maratonas inteiras).
Numa conversa rápida com ela, já que cada um de nós não estava ali para conversar (ainda que eu fale sempre mais do que devia), percebi na sua fala o quanto essa valorização do natural  foi importante (ter as duas pernas, poder ouvir, enxergar etc. etc. etc.) nessa sua nova fase da vida.
Ela me contou que começou a viver intensamente depois de achar que poderia passar o resto da vida numa cama ou sabe-se lá aonde.
Sempre ouvi dizer que aprendemos pelo amor  e sobretudo pela dor e que não há outra forma de aprendizado. Não sei se é verdade para todos nós, em geral as generalizações são burras. Sei apenas que para muitos essas experiências extremas podem nos mudar bastante.
Tb não sei se a mudança sempre é positiva. Acredito que sim.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MEC prepara kit anti-homofobia e provoca reação (Ana Cláudia Barros)

Ele nasceu a partir da constatação de que as escolas brasileiras são, em geral, ambientes hostis para adolescentes homossexuais. Foi desenvolvido com a proposta de ajudar a contornar o problema, e recebeu o sugestivo nome de Kit contra a homofobia. A previsão é que sua distribuição ocorra inicialmente em 6 mil escolas públicas a partir do ano que vem. Mesmo sem ter sido lançado pelo Ministério da Educação (MEC), o material didático, contendo cartilha, cartazes, folders e cinco vídeos educativos, já provoca discussões inflamadas.
Terreno democrático por excelência, a internet se transformou em púlpito para os que apoiam e para os que repudiam o kit, que ganhou a pecha de "Kit Gay". O debate está mobilizando redes sociais, blogosfera e até virou tema de abaixo-assinados virtuais - contrários e favoráveis ao material. Catalisou a polêmica a declaração do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) - o mesmo que sugeriu "couro" para corrigir filho "meio gayzinho" -, que, em sessão realizada no Plenário da Câmara, atacou a iniciativa. O parlamentar também fez um apelo aos colegas de Casa para que impedissem a circulação do kit.
O pronunciamento dele se espalhou pela rede e tem embasado o discurso dos que consideram o material "perigoso" por incentivar a homossexualidade entre os estudantes. O que fez Bolsonaro vociferar foram justamente os vídeos educativos, exibidos preliminarmente em seminário na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Um deles conta a história do personagem José Ricardo, um adolescente que gostaria de ser reconhecido como Bianca. "O vídeo fala de um travesti, um homem com identidade feminina, mostrando, inclusive, o sofrimento dele em viver em um lugar onde meninos jogam futebol e, quem não joga, é chamado de mulherzinha", explica Rosilea Wille, coordenadora Geral de Direitos Humanos do MEC, vinculada à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), responsável pelo projeto.
Na opinião dela, a forma negativa como o Kit contra a homofobia está sendo recebido é resultado do desconhecimento em relação ao conteúdo do material e dos rumores, amplamente propagados na web.
- Foi colocado que vamos passar informação sobre diversidade sexual e identidade de gênero para crianças de sete anos. Isso nunca foi a decisão do Ministério. O projeto está sendo pensado para o Ensino Médio. Não é um projeto que vai cair de paraquedas nas escolas. Vai ser vinculado à formação dos professores. Há todo um anteparo, uma sustentação pedagógica.
Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT) e um dos idealizadores do kit, Toni Reis, também rechaça as acusações de que os vídeos seriam um estímulo à homossexualidade.
- O que está sendo dito é totalmente distorcido. Não queremos incentivar a homossexualidade. Ela não precisa de incentivo algum. Queremos incentivar o respeito à cidadania, à não violência, à dignidade humana. Quem está falando isso são pessoas homofóbicas, fundamentalistas religiosos. Estes são os grandes incentivadores da violência e do desrespeito - afirma.
Ela ainda explica o caráter do projeto:
- Os vídeos são extremamente didáticos. Explicam a questão do travesti, do bissexual, da lésbica. São muito bacanas porque vão ajudar o adolescente a entender a situação. Muitas vezes, o preconceito vem da desinformação. Estamos super tranquilos com esse trabalho. Ele não vai ser censurado por pessoas homofóbicas.
A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Clara Goldman, que teve acesso ao material, também desconstrói a alegação de que o kit exerceria influência na orientação sexual dos adolescentes.
- O argumento esconde um princípio de que essa sexualidade é ruim e tem que ser combatida, evitada. Essa é a base do pensamento homofóbico. O kit não orienta, não estimula, mas problematiza. Coloca no seu devido lugar a discussão que deve ser feita. O objetivo é que as pessoas LGBT possam ser respeitadas e que caibam na nossa sociedade, nos nossos espaços coletivos, o respeito a essa diversidade.
De acordo com ela, o CFP apoia a iniciativa encampada pelo MEC.
- Acho que a ideia de se produzir um material específico, que possa orientar essa discussão, é muito bem-vinda. Nós apoiamos o kit, mas nosso apoio não se restringe a ele. É em relação à luta pela promoção dos direitos dessa população em todas as políticas públicas, não só na educação. Apoiamos como uma possibilidade a mais de que, na formação, essa questão possa ser discutida com mais qualidade, assentada em princípios que sejam realmente de direitos humanos.
Terra Magazine procurou a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mas foi informada pela assessoria de comunicação que a entidade ainda não se posicionou sobre a questão.
Bullying
A Coordenadora Geral de Direitos Humanos do MEC conta que o ponto de partida para se pensar na elaboração de um material de combate à homofobia nas escolas foi uma pesquisa realizada em 2008 e publicada no ano seguinte, sobre preconceito, discriminação e bullying.
- Ela foi feita em 501 escolas de diferentes regiões, com quase 20 mil atores. Foi comprovado que o grau de homofobia é altíssimo. Pesquisamos vários aspectos: pessoas com deficiência, a questão de gênero, orientação sexual. Os homossexuais estão entre os mais discriminados. Em cima disso, a Secad entendeu que era preciso desenvolver ações para assegurar o direito à educação de todas as pessoas.
E acrescenta:
- Todo o material trabalha com a ideia de respeito à diversidade sexual, ajuda a entender que a a escola precisa respeitar os direitos humanos dos LGBT. O Ministério da Educação está preocupado exatamente com essa sociedade que vem cada vez mais batendo em homossexuais na rua, dando tiro, como aconteceu no Rio de Janeiro e em São Paulo. Uma sociedade que precisa ser educada para respeitar os direitos humanos.
Toni Reis recorre a um levantamento feito pela Unesco para enfatizar a necessidade de se aplicar o material didático contra homofobia nas instituições de ensino. "A pesquisa mostra que 40% dos adolescentes masculinos não gostariam de ter um gay ou uma lésbica na sala de aula. A evasão escolar entre homossexuais é grande", justifica.
Rosilea frisa que a capacitação dos docentes, para que possam trabalhar com o material, será prioridade. Segundo ela, o kit ainda não foi finalizado e terá que ser submetido ao Comitê de Publicações do MEC, para ser depois impresso e enviado às escolas.

10, 9, 8, 7, 6...

Estou em contagem regressiva para entrar de férias. É claro que nem tudo são flores: meu telefone não para de tocar. Nada mais irritante do que aos 45 min. do segundo tempo pessoas procurando para reunião. Meu deus do céu!
Tento não dar muita bola. Ainda tenho trabalhos para corrigir e notas para entregar. E o telefone NÃO PARA!
Fora isso (o que não é pouco), nada mais.
Hoje já é dia 20 e eu tenho ainda que passar por duas cidades antes de chegar ao Rio (de Janeiro). A ansiedade é tanta que o sono demora a chegar e fico com aquela impressão de que estou me esquecendo de algumas coisas importantíssimas e que serão lembradas assim que eu embarcar para as férias. Acabei de me lembrar que ainda preciso encontrar um aluna amanhã...tudo bem, esse encontro é prazeroso.
Minha cabeça está no bacalhau, no tender, na salada de frutas, nos presentes, no almoço com os amigos, no reencontro depois de alguns meses com a cidade. Minha vontade está nas areias da praia, na cerveja gelada, no cinema à noite, no almoço e nas compras com a Lulu, na risada com a Vanise, no chope com o Robson e Vera, enfim, no encontro com os amigos.
No  réveillon em Copa com os amigos aqui do Paraná, na queima de fogos, nos abraços e desejos de um ano novo cheinho de amores, beijos, corações a mil, dinheiro no bolso, de dias melhores, de noites agradáveis, de descanso, de sombra e muita água de coco. Pra todos nós.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Apenas uma casa no campo e nada mais (texto)

 Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número
e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente para
Repassar o que realmente desejo a você.

Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua FELICIDADE!!!
(Drummond - Cortar o tempo)

Tava por aqui pensando, pensando em como, mesmo que não sejamos religiosos, mesmo que não  tenhamos sido educados nas confraternizações natalinas, mesmo que não se tenha acreditado em papai noel, mesmo que, mesmo que, é praticamente impossível (pelo menos pra mim que me incluo naqueles detalhes) não pensar no natal como um momento, no mínimo, de reflexão.
Ainda que eu saiba que um ano não termina  quando ele acaba, ou que encerra no dia 31 de dezembro tudo o que foi feito ou não foi feito no decorrer do ano que se (es)vai.
Ainda que as promessas para o próximo ano sejam feitas e que comecem a valer apenas no e para o 1• de janeiro, aquele regime, aquela ida à academia, aquela vida nova, aquela alegria de viver, aquele cigarro que me faz mal, aquela depressão que me atrapalha ou promessas mais pontuais, tais como, preencher o diário para não acumular tarefas no fim de ano, consumir menos, me estressar menos no trabalho, ouvir mais do que falar, ter mais atenção no que faço etc. Nada disso é suficiente para pensar num ano independente do outro, mas, talvez, o bastante para querer pensar numa mudança (im)possível.
Estou aqui pensando no que quero para o próximo ano. Não quero muito. Quero uma casa no campo (como eu já moro no campo, fica mais fácil) onde eu possa compor muitos rocks rurais e tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais .... (e por aí vou). É bom pelo menos em pensamento acreditar numas boas mudanças.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Site divulga possível avanço na pesquisa contra o HIV (texto)

'Paciente de Berlim' recebeu tratamento com células-tronco em 2007. Médicos consideram que ele pode ter se livrado do vírus que causa a Aids.

O site "The Huffington Post" divulgou nesta terça-feira (14) que Timothy Ray Brown, conhecido como o "Paciente de Berlim", pode ser a primeira pessoa a ter se livrado do vírus HIV, causador da Aids, após tratamento com células-tronco. O caso de Brown, no entanto, é algo isolado, segundo os cientistas.
Médicos que monitoram o paciente afirmam que ele não possui mais o vírus, como resultado da aplicação de células-tronco em 2007, em meio a um tratamento contra leucemia.
O caso foi apresentado pela primeira vez em 2008, em uma conferência médica. Depois, foi publicado em 2009 em uma das principais revistas médicas do mundo, a "New England Journal of Medicine" (leia reportagem do G1 na época). Até então, no entanto, os médicos falavam apenas em um "desaparecimento" do HIV.

Agora, na revista científica Blood, da Sociedade Americana de Hematologia, eles afirmam que Brown foi "curado". "Nossos resultados sugerem fortemente que a cura do HIV foi alcançada neste paciente", diz o estudo, publicado em dezembro deste ano. 
Entenda o caso
Timothy Ray Brown era HIV positivo, mas nunca chegou a desenvolver a Aids. Para evitar o surgimento da doença, ele tomava diariamente medicamentos antirretrovirais. Quando descobriu que tinha leucemia e precisaria passar por um transplante de médula óssea, Brown teve que parar com a medicação contra o HIV. Em todos os outros pacientes, a interrupção faz a doença aparecer em questão de semanas. Em Brown, isso não aconteceu.
Os cientistas acreditam que a doença não se desenvolveu porque, para o tratamento contra a leucemia, Brown recebeu um transplante de células-tronco com uma mutação -- elas não possuíam um receptor chamado CCR5, que é vital à multiplicação do vírus da Aids. Como consequência, o organismo dele conseguiu recompor as células de defesa que tinham sido atingidas pelo vírus.
O caso de Brown é um avanço na busca pela cura do HIV, com base na aplicação de células-tronco geneticamente alteradas. O vírus da Aids infecta 33 milhões de pessoas em todo o mundo.

Leitores denunciam homofobia em festa da Vivo na Liqüe em Curitiba (texto)


Na última sexta-feira, leitores e um fotógrafo freelancer da Lado A, Gregori, foram expulsos da festa Vivo Conectado na casa noturna Liqüe, em Curitiba, depois que dois rapazes trocaram beijo no local. Por volta das 3h da manhã, quando se encontravam no fumódromo, dois rapazes se beijaram e foram advertidos pelos seguranças da casa de que não era permitido dois homens se beijarem, segundo relato das vítimas. Um amigo dos rapazes sacou o celular para filmar a confusão e teve deu aparelho derrubado ao chão e foi expulso pelos seguranças.
 Já do lado de fora, a confusão recomeçou quando os outros rapazes foram conduzidos para fora da festa. Este momento rendeu um vídeo em que aparece um funcionário da casa ou da festa tentando tomar o celular da mão da pessoa que fazia as imagens. Os rapazes acabaram a noite com hematomas das chaves de braço e sossega leão que receberam. Convidados em redes sociais para o evento da operadora telefônica Vivo, os leitores agredidos querem processar a empresa que promoveu o evento e a casa noturna. 
Segundo relato, uma pessoa que se identificou como Rafael Mueller e “dono da festa” teria dito que a instrução seria sua e que gays teriam outros lugares para fazerem essas coisas, se referindo a beijos. O grupo ficou indignado pois afirmam que não estavam protagonizando cenas picantes e apenas trocaram um beijo. Outros leitores afirmaram que mesmo após a expulsão do grupo, outros casais gays foram impedidos de se beijar na festa. Algumas pessoas saíram junto com o grupo em solidariedade.
 Nesta segunda-feira, no Twitter, a Lique (@liqueclub) se defendeu acusando os rapazes de estar praticando indecências (chegaram a afirmar que um deles colocou a mão dentro das calças do outro) e afirmou que as imagens são da confusão que se deu por um dos rapazes fumar em local proibido. 
Na página no Twitter do evento (@ vivo_conectado), a organização atesta a declaração da casa e afirma que eles tiveram “um comportamento inadequado e contra a lei para um ambiente público”, que não houve violência, que foram convidados a se retirarem e que o uso de força aconteceu quando tentavam voltar para a festa.
Para a Lado A, Diogo, publicitário de 23 anos, que aparece no vídeo, afirma que os seguranças da casa usaram força exagerada e que não o arrastaram na pista da casa, sendo que saiu por sua vontade para não passar pelo vexame de ser arrastado pela pista. Ele afirma que quando aguardava a viatura da polícia do lado de fora acendeu um cigarro em local errado e ao ser informado seguiu para a rua, sem qualquer estresse. Quando seus amigos saíram que o vídeo foi feito, momento em que a confusão reacendeu. Na ocasião, os seguranças da casa agrediram Léo, que filmava a cena e correram atrás dele. Ele relata ainda que o policial que foi até o local inicialmente se negou a registrar a ocorrência, afirmou que gays tem local próprio para irem e que ele poderia depois procurar uma ong que defende os gays, em tom de ironia.
Nesta terça-feira, os rapazes estarão em companhia de uma das maiores advogadas do Brasil de direitos dos homossexuais para registrar queixa e farão a denúncia ao Ministério Público do Paraná. Até o momento, a Lado A ouviu 18 pessoas que presenciaram em diversos momentos os seguranças da Liqüe pedindo para gays não beijarem dentro da festa. 
Em 2008, um casal gay foi expulso da casa por acompanharem dois homens que se beijaram dentro da Liqüe. Na ocasião, a casa afirmou que não tem preconceito, discurso reproduzido novamente. Um grupo promete para esta quinta-feira um beijaço na frente do clube em protesto aos eventos acontecidos no evento da Vivo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Na reta final (texto)

Um pouco mais de uma semana para eu entrar de férias. Esperei muuuuuito pelo dia 12 de dezembro. Hoje aconteceu o nosso vestibular, tudo bem tranquilo, ou melhor, nenhuma ocorrência fora da normalidade.
Na quarta, acontece a prova final para alguns alunos do primeiro ano. Aí é corrigi-las, multiplicar, somar e dividir as notas, preencher o diário (odeio preencher diário!), publicar as notas, entregá-las na secretaria acadêmica e pronto.
Viajo para Curitiba no dia 22 à noite e para o Rio no outro dia e aí é encontrar os amigos, ver meu padrasto, ir à praia, dormir muito, sair sem pensar que tenho compromissos pela manhã, ir ao cinema, boate. Não vejo a hora.
O balanço de 2010 faço mais para frente. Posso adiantar apenas que o ano foi de muito trabalho, outras tantas viagens, congressos, seminários, muita saudade da minha mãe, amigos novos, noites em claro, muito riso, abraços.
Em dezembro, dia 24, são dois anos de blog, em janeiro mais um ano de vida e a esperança de que o próximo ano seja sempre melhor do que o ano que acaba.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Violência contra homossexuais (Drauzio Varella)


Negar direitos a casais do mesmo sexo é imposição que vai contra princípios elementares de justiça



A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.
Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.
Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.
Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.
Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.
A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no "Journal of Animal Behaviour" um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.
Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.
Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.
Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.
Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.
A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.
Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.
Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.
Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.
Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.
Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

SIM E NÃO (texto)

Aprendi a dizer Não não faz muito tempo. E sou bastante honesto ao afirmar que ao dizê-lo, mais do que uns podem crer, é libertador. Digo Não para respeitar os meus limites e, sobretudo, a minha vontade. E, sinceramente, pouco tenho me importando com as expectativas dos outros.
"Dizer não é dizer sim", cantou o Kid Abelha e os Abóboras Selvagens nos anos 80 e percebi com o passar dos anos o quanto podemos nos tornar reféns do sim. Dizer Sim sem vontade é uma das grandes agressões a que nos submetemos, porque queremos agradar ao outro, principalmente. Esquecendo-nos.
Tenho percebido que, em geral, as pessoas convivem muito bem com a falsidade, com a dissimulação,  com tudo aquilo que não é mais do que aparentar ser, mas nada bem com as pequenas verdades.
Sei tb que às vezes ela, a verdade, doi (muito), mas ainda assim, prefiro ouvi-la ou dizê-la a ter que conviver com a dissimulação ou com comentários feitos às costas ou à ausência.
No entanto sei tb que tudo isso tem um preço e pagá-lo não é nada fácil, mas diante de liquidar essa dívida ou de fazer alguma concessão, ainda acho mais tranquilo sacar o talão de cheques.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PAPAI NOEL DOS CORREIOS 2010

Realizada há mais de 20 anos, o Papai Noel dos Correios é uma das maiores campanhas sociais natalinas do Brasil. Distribuir presentes não é meta institucional da campanha, a principal preocupação é responder aos remetentes das cartinhas endereçadas ao Papai Noel e promover a mobilização dos Correios e da sociedade em torno dos sonhos das crianças brasileiras. 
A disseminação, em todo país, de valores natalinos como amor ao próximo, solidariedade e felicidade é o principal benefício conquistado graças à vontade dos mais de 108 mil empregados e à solidariedade da sociedade brasileira.
Em 2010, foram estabelecidas parcerias com escolas públicas, creches e/ou abrigos que atendem crianças em situação de vulnerabilidade social. Desta forma, a campanha alinha-se a um dos Objetivos do Milênio estabelecidos pela Organização.

Da série Poemas de Dezembro

Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do Jornal do Brasil, Dezembro/1997.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Poemas de Dezembro (Drummond)

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é voo de um pássaro
é uma canção.
(Dezembro de 1968)