domingo, 31 de janeiro de 2016

Templo é dinheiro

Tenho pensando ultimamente, por conta de um texto que estou escrevendo e de uma tese de doutorado que estou lendo, no crescimento das igrejas Pentecostais, no Brasil, a partir da década de 1990. 
O que primeiro chama a atenção, é a forma como essas igrejas conseguem, num curto espaço de tempo, se erguer nas, sobretudo, comunidades mais carentes: qualquer espaço, por menor que seja, pode ser um lugar de culto. 
Além disso, não precisa ser um espaço muito bem acabado, pode ser uma sala de chão batido, um cômodo com telhado de zinco, uma calçada com algumas cadeiras, uma varanda de uma casa, uma sala em construção etc. 
Não há qualquer empecilho para que uma igreja Pentecostal se instale, em se tratando de espaço. Não há qualquer exigência de luxo. Este pode vir depois.
A questão do acesso aos lugares de maior prestígio, na congregação, também é um fator importante. Diferentemente da Igreja Católica, que tem uma figura maior nessa hierarquia, nessas igrejas, ao contrário, qualquer um pode fazer parte do grupo de dirigentes. E se qualquer um pode fazer parte, "eu também posso!".
Isso, sem dúvida, aproxima o pastor da sua comunidade. 
O pastor, normalmente, faz parte da comunidade. E isso produz outra vez aquele efeito de que se ele pode, eu tb posso. O acesso é muito diferente de outras religiões: não há santidade nessa hierarquia. Ao contrário, quanto mais humano/mundano o pastor tenha sido, mas ele pode galgar um lugar nessa hierarquia, mais verossímil é a sua presença, a sua história de suce$$o.
Não há, portanto, aquele distanciamento próprio de uma Igreja cujo líder se encontra encastelado, seja no Vaticano, seja no além. O Papa, por exemplo, além de estar quase sempre distante, é um pop star, é escolhido através do Espírito Santo, o que lhe confere um lugar de divindade inacessível. Poucos têm acesso a ele. Salvo raríssimas exceções!
Outra coisa, é a comunicação fácil, nessas igrejas. Os pastores sabem como falar com a sua comunidade. Sabem, porque fazem parte dela. Eles sabem quais os seus anseios. O que falta. Ou o que precisa ser feito.
E por falar em comunicação, a forma como essas igrejas se vendem, é uma estratégia eficaz: a promessa de uma vida mais próspera: colocar em prática o "é dando que se recebe", faz diferença.
Além disso, os testemunhos daqueles que dando conseguiram ser mais prósperos. A vida próspera dos pastores e de alguns dos membros da comunidade. Tudo isso reforça a ideia do suce$$o financeiro.
A falta de pudor para se falar nas contribuições, mais do que necessárias dos membros, justamente porque elas serão convertidas em ganhos pessoais, é uma outra forma de comunicação que dá certo. Quanto mais se doa, mas se ganha. Quanto se mais paga, mais recebe.
Essa relação próxima com o capital faz dessa igreja, ao contrário da promessa de uma vida melhor depois, um lugar do aqui e agora, mesmo que o agora seja um pouquinho mais tarde. 
E se o agora não acontece, quase sempre o problema está na "falta de fé", na "pouca contribuição", ou seja, está no indivíduo e não em qualquer outro lugar.
É uma espécie de acordo, mediado pelo pastor, que se estabelece entre a comunidade e o Deus.

A casa está à meia luz e isso não significa um encontro romântico.


Sabemos todos, ou pelo menos, todos nós aqui da AD que as palavras adquirem seu sentido a partir do lugar que o sujeito que a produz ocupa. Portanto, não há sentido antes dela ser proferida. Até aí, Inês é morta.
Acordei cedo, claro que sem me programar, claro que sem vontade, claro que com algum sono ainda para colocar em dia. Sempre tenho muito sono pela manhã. 
Desde sempre foi assim. Ainda que eu frequentasse a escola pela manhã quase toda a minha vida e trabalhado também durante o dia, com raríssimas exceções. Parêntese importante apenas para situar o texto e a situação de acordar assim sem precisar (hoje é domingo).
Pego o meu celular para saber das horas. Assim que eu o ligo, aparece uma página para eu reconfigurar o TP_LINK que distribui o sinal da internet em casa. Tento fazer isso algumas vezes sem sucesso, o sono vai embora, e nada acontece. A internet não funciona.
Bem, como o sono se foi, melhor me levantar, fazer um café, e me sentar para continuar a leitura de uma tese cuja defesa será na quinta-feira, próxima.
Descubro imediatamente, porque parece um dia de inverno e a casa está escura, que a luz está meio estranha. Meio estranha significa que tem luz numa parte de casa e noutra não. Num outro ambiente, tem luz numa lâmpada e noutra não. Começo a ficar preocupado com os sons que ouço (aqueles sinais eletrônicos dos aparelhos de casa) e aí percebo que a geladeira ora funciona ora não funciona e isso acontece com todos os outros eletrodomésticos. Sem exceção.
Bem, o que fazer quando a sua casa está parte com luz e parte sem? Não sei! Isso nunca aconteceu comigo em qualquer lugar e em momento algum dessa vida ou de outra, que eu me lembre.
Ligo pra companhia responsável pela distribuição de energia no meu Estado, COPEL. Sou logo atendido, o que já me deixa desconfiado. Normalmente, ficamos ouvindo Für Elise até não aguentar mais ou a paciência implodir. Esta da paciência implodir, não demora muito com aquele aparelho colado ao meu ouvido escutando essa música chatéssima (porque conseguiram estragá-la em virtude de estar associada à espera de  alguma coisa: atendimento via telefone, principalmente. Havia também o caminhão do gás.) ou com aquelas falas sobre ser atendido em não sei quanto tempo, ou ainda com aqueles anúncios de algum produto da companhia.
A senhora que me atende, muito educado e solícita, me diz que a COPEL vem até o meu endereço “Com urgência”. Ela disse “Com urgência”?!.
3 horas depois, estou aqui escrevendo este texto e nada de alguém aparecer. Nem ninguém, nem COPEL, nem o espírito santo. A casa continua na mesma. Qual é mesmo o sentido da palavra Urgência?
Torno a ligar uma hora depois, ainda pacientemente, e explico que o "Com urgência" deve estar com algum problema. Aproveito para perguntar o que devo fazer já que a geladeira, principalmente, liga e desliga sem parar. Sou instruído a tirar “tudo” das tomadas. E ouço, outra vez, que a COPEL “com urgência” vem até o meu apartamento porque, muito provavelmente, se trata de um problema interno já que nenhum vizinho ligou para reclamar.
Aquilo que era preocupação com a falta de luz em cômodos diferentes da casa apenas aumenta porque se é um problema interno, isso pode demorar a ser solucionado e pode significar um curto em algum lugar da casa.
Espero mais meia hora e torno a ligar. Outra vez a mesma agilidade no atendimento. Isso é muito estranho! No entanto, aquela paciência já foi embora faz uns 20 minutos. Estou sozinho agora comigo mesmo. E ao ser atendido já parto para os questionamento sobre a Urgência da situação! Tudo continua o mesmo. Não aparece ninguém para nenhum reparo.  A casa está a meia luz e isso não significa um encontro romântico. O que a COPEL vai fazer diante disso e depois de 3 horas de espera? 
Bem, aí o que era um bom atendimento passa a ser uma repetição sem precedentes. Todas as respostas não me dizem nada. Tudo o que me é explicado não faz qualquer sentido e diante disso, não há o que fazer porque sou refém desse atendimento e dessa companhia.

sábado, 30 de janeiro de 2016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Da Série: Contos Mínimos

O carro novo, as chaves de casa, aquela ideia para o novo artigo, o livro com as bordas escritas, a camisa azul, o CD novo e pouco ouvido. Tudo ficou a sua espera. Para sempre.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A mentira espreita

Uma boa parte das pessoas, pelo menos aquelas com as quais convivo/convivi com certa aproximação, vão metendo os pés pelas mãos sem pensar nas consequências de suas atitudes tanto para com os outros quanto para si próprias: fazem e pronto e só depois vão medir as consequências do que fizeram. Ou não. Às vezes nem estão aí para os seus comportamentos. Bem, é uma opção de vida. E cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, já dizia Caetano.
Bem, por que estou falando sobre isso? Vou me explicar. Tenho um aplicativo no meu celular que possibilita conhecer pessoas. Ali tem, naturalmente, todo o tipo de gente: solteiros, em sua grande maioria, mas também casais que andam a procura de outros parceiros, e, além disso, uma infinidade de status sociais que não dariam para descrever aqui sem me ocupar exclusivamente disso. E, por hora, não é este o caso.
Normalmente, não envio mensagens para ninguém, salvo raríssimas exceções. Hoje, pela manhã, recebo uma mensagem de um rapaz de aproximadamente 23 anos. Um parêntese: gostaria de entender essa fixação de pessoas mais novas por pessoas muito mais velhas. Eu não era assim. Nunca fui. E talvez por nunca ter sido assim, eu não compreenda esse comportamento. Bem, esta postagem também não é sobre isso. Parece até que estou dando voltas. Não é este o caso.
Conversa vai, conversa vem. O rapaz me diz que está se mudando da sua cidade para Cascavel, nos próximos dias, porque vem estudar por aqui. Que está animado com a mudança. Feliz com a graduação que vai fazer etc etc etc.
Continuamos a nossa conversa... perguntas vão, perguntas vêm e ele me diz, numa certa altura, depois de eu dizer que estou solteiro há algum tempo, que está "enrolado". Estar enrolado, para quem não sabe, significa ter alguém, ter um namorado ou alguém com quem se tem alguma relação, seja lá o que isso possa significar. Não é o mesmo de estar sozinho e muito menos de não ter nada com alguém. Estar enrolado é ter alguma coisa, do contrário não se estaria enrolado. Ponto.
Bem, o cara tem alguém e está num aplicativo? As pistas estão sempre nas nossas caras: naturalmente, o perfil dele não tem nenhuma foto, identificação, localização. Ou seja, próprio de quem tem alguma coisa a esconder.
Outra coisa, não estou aqui reclamando ou julgando o comportamento dele. Não tenho e não terei qualquer envolvimento afetivo com esse rapaz. 
Além disso, a gente faz o que quer, o que pode, o que o nosso caráter permite etc e tal. O que me incomoda é o fato de você fazer essas coisas sem sequer pensar que pode estar envolvendo alguém e, o mais grave, magoando uma outra pessoa. Por que não resolver antes? Por que deixar tudo mal explicado? Por que não jogar limpo? Resolver uma relação e depois partir para uma outra história pode não ser o mais fácil, mas é o mais honesto: consigo e com o outro, né não? 
Pode não ser o menos dolorido, mas quem disse que a verdade e a vida não doem? A verdade dói e, normalmente, é terrível, mas, diferente da mentira, a gente supera. A mentira, nunca! A mentira deixa marca. A mentira deixa pista do seu caráter e não sei se é possível um dia apagar a sua presença: a mentira ronda pra sempre. A mentira é sempre o que eu me lembro primeiro. Ela deixa seus rastros.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Rio é a minha cidade

Indo embora. Estas férias foram muito melhores do que imaginei e planejei. Me diverti, conheci gente bacana, fui à praia, ao cinema, a shows. Consegui deixar o ap. arrumado, limpo, pintado e volto com saudades da minha casa, no Paraná.
Fazia tempo que eu não tinha dias tão gostosos quanto estes: em geral, eu ficava ansioso para fazer muita coisa e acabava não me divertindo com a quantidade. Desta vez, coloquei ordem na casa e fiz exatamente o que dava pra fazer, sem pressa, sem ficar chateado com o tempo que passava. Fiz o que eu queria fazer sem aceitar os convites neuróticos de alguns amigos pra fazer tudo: gosto de tranquilidade, muita agitação me deixa tenso, muita informação me estressa, muita falação me cansa.
Também descansei, assisti a filmes em casa, vi TV, ouvi muita música e passeei pela cidade. Gosto de andar pelo Rio, olhar e fotografar.
Vou embora feliz. Vou embora com a sensação de que a cidade me pertence outra vez. Com a impressão de que o Rio é diversão, mas é também memória, é onde alguns grandes amigos moram e estão disponíveis pra mim.
Vou embora com saudade: do seu Alencar, de Kátia, de Vera, de Robson, de Nanci, do Erik, do Alessandro e do Jean-Phillippe. Vou mas volto porque o Rio é a minha cidade.

Carol - O filme

Nova York, década de 1950, mesmo em se tratando de uma história de amor entre duas mulheres, Carol (filme de 2015) consegue inspirar esperança. E quando eu escrevo "mesmo em se tratando de" quero deixar claro que me refiro ao tempo retratado e as dificuldades ainda bem atuais quando o tema é o amor entre duas pessoas do mesmo sexo, sobretudo, entre duas mulheres.
O filme retrata a atração entre duas mulheres e nos mostra como, nos EUA, hoje conhecido pela diversidade de pensamento, a opressão da sexualidade era vivida.  É claro que há muito mais acontecendo entre a história delas e as suas vidas: um casamento acabado, a guarda da filha etc. A imagem escolhida por mim para ilustrar o post representa a  turbulência vivida por Carol. A gente   fica num lugar meio estranho porque não sabe ao certo se está feliz ou triste pelas duas mulheres. 
O roteiro é adaptado do romance The price of salt, publicado em 1952, da norte-americana Patricia Highsmith. Ao lançar a história, a autora usou um pseudônimo Claire Morgan, e não é muito difícil saber o por quê. Apesar disso, o que marca o livro e o filme é a abordagem relativamente otimista do romance lésbico: o amor está acima do preconceito.
Vale assistir com atenção: a cena final captura com muita sutileza um momento da vida com o qual todo mundo que já se apaixonou vai se identificar. Eu recomendaria não tirar o olho de Carol até o fim do filme.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Branco como a neve...

A obra acabou. E, finalmente, tudo voltou ao estado normal. Sou suspeito, mas o ap. ficou bem bonitinho pintado. Tudo branquinho: paredes, portas e rodapés. 
Fazia um bom tempo que eu queria fazer isso, mas faltava tempo e dinheiro. Não que agora a grana esteja sobrando, bem ao contrário (vou deixar de fazer outras coisas), mas não tinha muita opção porque a coisa estava feia. 
Mais de 6 anos sem pintar. Muita gente que entrou/saiu daqui sem fazer nenhum movimento de pintura. Ao contrário, todos nós, de alguma forma, contribuímos para deixar o ap. um pouco mais sujo: é uma mão na parede, um pneu de bicicleta que esbarra aqui e ali, um copo de café que cai e respinga em algum lugar. E não tinha muito jeito de ser diferente. 
Além disso, o tempo que, necessariamente, contribui muito para o branco não ficar assim tão branco, tão limpo. Bem, agora é curtir a casa por uns poucos dias já que, em breve, estarei de volta ao trabalho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Uma rua alagada, um sapato apertado e uma obra na sua casa

Obra, seja grande ou pequena, sempre é ruim. A impressão de quem está passando por esta experiência é similar a de quem está atravessando uma rua alagada, usando sapato apertado com meia, calça jeans,  camisa e leva consigo duas sacolas pesadas com as compras da semana, na volta do supermercado. Volta esta que vc decidiu fazer a pé para aproveitar aquele dia que estava lindo. Isso mesmo, o dia estava lindo e de repente o tempo virou e vc se f*.
Estou apenas pintando o apartamento, no Rio. Eu escrevi "apenas" porque me pareceu tão simples pintar as paredes, as portas e os rodapés que me surpreende tanta sujeira, tanta confusão, tanta noite mal dormida, tanta coisa fora do lugar.
A sorte, inda bem que tenho sorte nesta vida, é o pintor ser tão bacana e pontual e trabalhador que nem dá pra me estressar. O cara marca às 10h e está chegando aqui em casa exatamente no horário marcado. Fica até às 17h30 sem sossegar. Como sei valorizar a pontualidade das pessoas! 
Além disso, o que não é pouco, me dá sempre uma atenção naqueles pequenos reparos que eu devia ter feito há tempos e não tinha vontade ou alguém que o fizesse.
Já consertou tomada, já trocou o varal, já cobriu com gesso uns espaços que deixaram faz anos no banheiro e na cozinha.
Tudo indica que amanhã, no final do dia, tudo estará pronto. Parto para a limpeza final. 
(Esta última fotografia era do ap. antes da pintura. E estava tudo tão arrumadinho...)
*ferrou.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Da Série: Contos Mínimos

Um era francês, o outro brasileiro. E se encontraram assim, por acaso. Tinham muita coisa para oferecer: gostos parecidos, gestos similares, intenções comuns. Uma noite agradável.

E depois?

Depois é o que contam da gente: pode ser alguma coisa ou coisa alguma. Depois é memória.  Depois é apenas memória.  Depois não há futuro fora das amarras das lembranças dos outros. Depois de nossa estadia, passagem, não há história. E depois é o que a gente deixou por aqui, seja através dos filhos, dos discos, dos livros, dos textos que escrevemos. Até que a frequência dessa lembrança se esvaia com-ple-ta-men-te.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

7 anos de blog.

O número 7 é, com certeza, o mais presente em toda filosofia e literatura sagrada desde os tempos imemoriais até os nossos dias. Ele é sagrado, perfeito e poderoso, afirmou Pitágoras, matemático e pai da numerologia. É também considerado um número mágico. É um número místico por excelência. Indica o processo de passagem do conhecido para o desconhecido. Ele é uma combinação do 3 com o 4. 
O 3, representado por um triângulo, é o espírito; o 4, representado por um quadrado, é a matéria. O 7 podemos dizer que é espírito na Terra, apoiado nos quatro elementos, ou a matéria “iluminada pelo espírito”. 
É a alma servida pela natureza. O número 4 que simboliza a Terra, associado ao 3, que simboliza o céu, permite inferir que o 7 representa uma totalidade em movimento ou um dinamismo total, isto é, a totalidade do universo em movimento.
O sete é o número da transformação, é a primeira manifestação do homem para conhecer as coisas do espírito. Ao lado do 3, é o mais importante dos números sagrados na tradição das antigas culturas orientais.
Entre os judeus a concepção oriental do 7 se manifesta no Candelabro de sete braços (MENORAH), que representa tanto a divisão em quatro partes da órbita da Lua, que dura 4 vezes 7, quanto os sete planetas.

A vida acontece...

Ninguém disse que a vida é fácil. Enquanto pensamos em outras coisas, ela acontece. Fazemos planos como se tivéssemos a eternidade para colocá-los em prática, mas ela, como num passe  de mágica, nos chama à realidade. 
A vida bate a nossa porta, tropeçamos nela, ali na próxima curva ela nos espreita. Mas não percebemos a sua presença até que: a porta se abra, a unha se quebre, ou nos deparamos com os seus grandes olhos a nos vigiar. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Da vida moderna nos banheiros higienizados do mundo afora



Como todo mundo já deve saber, nos banheiros modernos, seja no Brasil, seja em qualquer parte do mundo moderno e higiênico, não existe mais papel para secar as mãos. Basta você aproximá-las de um dispositivo com um jato de ar para que em alguns segundos a sua mão fique completamente seca. Isso mesmo! Tão seca que ressecada. E em relação ao ressecamento, você resolve com um creminho qualquer que você carregue, que você empreste, que você, numa loja, no mesmo shopping, use uma pequena amostra grátis.
Bem, o problema da mão seca será resolvido, em breve. Mas a falta de papel não seria um problema se, sempre há este se no nosso dia a dia, mesmo num mundo moderno e tecnológico, você também não precisasse lavar o rosto, lavar a boca ou escovar os dentes ou se você, assim como eu, cultivasse uma boa barba.
Aí você entra pra escovar os dentes e inevitavelmente você molha a sua barba, não toda, mas aquela parte que se encontra no queixo até o pescoço. Esta mesma parte que, se molhada, respinga a sua camisa, paletó, casaco, peito, burca ou seja lá o que você estiver usando ao ir a um banheiro moderno.
Ou se, num calor como o que faz aqui no Rio de Janeiro em todas as estações do ano, você precisasse também de lavar  rosto para se aliviar um pouco.
E aí, como enfiar a sua barba, o seu rosto, num desses dispositivos para que o jato de ar dê conta de lhe secar? Isso é humanamente impossível. Não há alternativa a não ser procurar no reservado papel higiênico para estes fins. Acontece que ao molhar aquela parte da barba e sair em busca de um pedaço de papel, mesmo que o reservado esteja livre, você já respingou a sua camisa, paletó, casaco, peito, burca ou seja lá o que você estiver usando. Se o reservado estiver reservado, aí sem chances, melhor mesmo usar logo uma das mãos e secá-las nas calças antes que você saia como se tivesse tentado tomar um banho no lavabo.
Falar em bom sendo nunca é uma boa alternativa porque o bom senso para umas pessoas não é para outras e a lógica do mercado: menos é mais, ou seja, extinguir o uso do papel (o que também nos remete ao ecologicamente correto) e investir no jato de ar, significa necessariamente, trocar um pelo outro e não sobrepor alternativas.

O jeito então é o velho e bom companheiro lenço de papel que se carrega na ausência de outra alternativa ou simplesmente colocar a barba de molho e seguir a vida.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Da Série: Contos Mínimos

Olharam-se uma, duas, três, tantas vezes e em momentos distintos, até que, finalmente, resolveram quebrar o gelo e trocar algumas palavras. Foram tomados por uma paixão instantânea, daquela que não se sabe ao certo como e nem por que?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Da Série: Músicas que me tocam

Hoje fiquei em casa me lembrando e ouvindo músicas que falam sobre "levantar a poeira e dar a volta por cima" ou "sobre as voltas que o mundo dá" ou "nada como um dia atrás do outro". Meu deus, como temos músicas sobre isso no cancioneiro popular! 
A primeira que me veio à cabeça foi Olhos nos Olhos de Chico Buarque e os versos "Olhos nos olhos, quero ver o que você faz ao sentir que sem você eu passo bem demais". Isso é lindo! Produz a sensação de que o tempo é definitivamente o melhor remédio pra tudo. Toda a letra desta música é incrível. É uma bofetada atrás da outra: "Me pego cantando sem mais nem porquê" ou "Quero ver como suporta me ver tão feliz."
E aí vou de uma lembrança a outra. Alcione canta "Nada como um dia atrás do outro, tenho essa virtude de esperar". Beth Carvalho, em Vou festejar, canta os versos "Chora, não vou ligar, não vou ligar, chegou a hora, vais me pagar" num refrão que produz uma satisfação de quem se sente vingado por uma traição.
Vingança de Lupicínio Rodrigues, interpretada por Bethania, tem os seguintes versos: "Eu gostei tanto/ Tanto quando me contaram/ Que lhe encontraram/ Bebendo e chorando/ Na mesa de um bar/ E que quando os amigos do peito/ Por mim perguntaram/ Um soluço cortou sua voz".
Na sequência, Tola foi você de Angela Ro Ro, e os seguintes versos: "E se eu mudei devo a você/ Todo desamor que a vida me ensinou/ Coração aberto, felicidade perto, sou toda amor."
E não tem fim esta lista e vejam que estou apenas apostando na memória.
Ouça, interpretada por Maysa diz o seguinte: "Quando a lembrança/ Com você for morar/ E bem baixinho/ De saudades vc Chorar." Ainda tem Orgulho de um sambista, por Adriana Calcanhoto, com os versos: "Meu povo inteiro chorou e vc sorriaPois trocou nossa escola de temposPor um simples amor de três diasSufoquei minha dor em sorrisos para não chorarTudo isso ajudou minha escola a ganhar."
Eu, pelo jeito, poderia ficar mês e meio escrevendo partes de músicas da MPB sobre o amor que vai e a superação da dor. Acho que dá pra ter uma ideia do tanto que se fala sobre perdas amorosas, vinganças, etc etc etc.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Organização

Pode parecer estranho para algumas pessoas, mas eu gosto de arrumar a minha casa (poderia ser também as dos outros), colocar as coisas em ordem, jogar coisas que não são úteis fora, organizar, tirar do lugar e achar um outro mais adequado, arejar o ambiente. 
Isso me deixa tranquilo. Gosto da sensação de casa arrumada. De olhar depois de tanto trabalho e testes e perceber que ficou melhor. Sempre que posso faço isso. Não é a impressão de casa nova, mas a de circulação do ar por onde ele não poderia passar antes.
Ontem, isso mesmo sábado, tirei a tarde/noite para colocar a casa, aqui do Rio, em ordem. Não posso negar que num certo momento eu me desesperei ao ver que tudo estava fora do lugar ao mesmo tempo. Quarto, sala e cozinha de pernas pro ar. Aproveitei que a internet não estava funcionando, ela sempre me tira a concentração, e coloquei o pé na estrada. Música, short e mãos à obra.
Era tanta poeira que daria para aterrar outra vez o Aterro do Flamengo. Exageros que aos poucos foram dando cara a uma sala, principalmente, mais ampla, mais circulável, menos atravancada. (Não que estivesse entulhada. Nunca! Mas, por exemplo, a mesa para as refeições ficou usável.).
Bem, não sou muito bom de reconhecer de primeira espaços para os móveis como certos amigos (principalmente, a Sil e o Rodrigo). Tem gente que tem olho clínico para saber o que fica melhor em determinado lugar. Eu não! Preciso experimentar. O que dá muito mais trabalho, é verdade. Mas no final, tudo fica, digamos melhor, porque, como eu disse, o ar circula por outras direções.
Ainda não finalizei. Olho e vejo que ainda preciso de mais um pouco de elaboração, experimentação, mas ainda hoje tudo fica pronto.

sábado, 2 de janeiro de 2016

2016 é o ano do Macaco

Se você achou que 2015 foi cheio de surpresas, desafios, mudanças e agitação, então se prepare para viver em 2016 o dobro de tudo. É o que indica o Horóscopo Chinês com a regência do Macaco de Fogo. O Sol e o número 9 serão os regentes deste ano.
O ano-novo chinês começa em 08 de fevereiro e vai até 27 de janeiro de 2017. E promete muitas mudanças em nossas vidas.
    O período regido pelo Macaco de Fogo é de muita sorte, bons fluídos e boas oportunidades a quem planta o bem. O Macaco de Fogo é justo e cumpri o que está traçado na vida das pessoas. Logo, cuidado com o que andou plantando na vida.
Ao Macaco está associado um forte impulso de ambição, busca maior de fama, poder, vitórias e ganhos financeiros de forma ilícita. Avareza, egoísmo e ambição cega podem levar as pessoas a guerras ou a destruição de caráter, amizades e famílias.
Mas, se bem controlado e usado com harmonia e inteligência, a busca por melhores padrões financeiros pode levar a pessoa a progredir na carreira ou negócios de uma forma satisfatório e positiva. Para quem já tem uma carreira ou negócio, tudo está favorável para crescer, progredir e até ganhar mais dinheiro.
Para quem vai começar agora um trabalho, negócio ou carreira, o ano do Macaco de Fogo é muito favorável. Cuidado com a ambição cega e a impulsividade descontrolada. O Macaco de Fogo cobra com juros quem foi injusto, falso e destruidor de vidas e sonhos.
No campo do amor há grandes chances de traição na vida de casais que estão em crise ou vivem uma relação fria. Isso parece bem óbvio, né não?
O ano do Macaco de Fogo no amor é cheio de energia, namoros e paixões. Para quem gosta de namorar muito ou gosta de aventuras amorosas, 2016 será um ano repleto de possibilidades de ficar com vários parceiros. 
Para fechar, o ano do Macaco de Fogo, é um ano de festas, viagens, aventuras e amizades.

A primeira do ano

Hoje é dia 02 de janeiro, quase hora do almoço, e estou aqui em "casa" colocando ordem na bagunça. Janeiro é o mês que mais gosto, porque sempre estou de férias e assim: não tenho hora para acordar, hora para dormir, hora para comer, hora pra nada que não seja apenas a vontade de fazer o que der vontade de fazer naquela hora. Tem que desenhar?
Pena mesmo que estas férias serão curtas, as aulas voltam no dia 18 de janeiro e assim sendo tenho que estar em sala de aula tão logo chegue a primeira quarta-feira. Nem vou ficar chateado, porque em março tem mais 15 dias. 
É justo! Foram muitos dias de greve e a gente tem que repor os dias parados. 
Bem, este é apenas pra dar um alô a quem por aqui passar. Um feliz ano pra todos nós, que a gente tenha vontade de fazer deste ano um ano melhor em todos os sentidos!