quarta-feira, 31 de março de 2010

O (de)serviço público (texto)

O setor público é cheio de vícios: desde o telefone que toca e ninguém atende, passando pelo paletó pendurado numa cadeira vazia  até aquele que discursa pelo trabalho (mas tudo não passa de encenação). 
O pior de todos os vícios está entranhado numa grande parte dos funcionários que é o protecionismo, ou seja, tenta-se a todo custo varre para baixo do tapete tudo aquilo que está errado (o velho jeitinho que todo mundo diz, em tese, abominar), às vezes porque há um rabo preso, noutras porque não se quer aborrecimento com aquilo que nunca dá em nada.
Não sei o que é pior, se é aquele que enxerga e não vê ou se aquele que vê mas não quer enxergar. Sei apenas que dar murro em ponta de faca ou tentar entender como o serviço público (não) funciona é mais ou menos a mesma sensação: uma tristeza grande descobrir que vc foi vencido pelo casaço, que tanto desgaste apenas desbota as relações pessoais e, que no final, tudo estará igualzinho sem um avanço sequer, porque não existe a vontade de mudar, porque já se apreendeu viver daquele e naquele jeito, porque qualquer mudança requer esforço. E tudo isso cansa muito.

"Nossas vidas começam a morrer no dia em que calamos coisas que são verdadeiramente importantes". (texto)

O título deste post é uma frase de Martin Luther King, ele lutou pelos direitos dos negros nos E.U.A. Essa luta pelos direitos dos negros norte-americanos extrapolou as fronteiras do país. O ativista é reconhecido e citado quase sempre quando as lutas por direitos estão na pauta do dia.
Essa frase foi citada por Ricky Martin, 38 anos, porto-riquenho, esta semana quando em seu blog assumiu a sua homossexualidade: "Tenho orgulho de dizer que sou um felizardo homem homossexual. Sou muito abençoado em ser o que sou", escreveu ele.
Li alguns comentários em blogs sobre o fato do cantor "sair do armário", alguns deles diziam respeito à questão de que a sexualidade do cantor não era um segredo (ou seja, já era de conhecimento público que  o ex-menudo era gay), outros diziam que não era relevante, em 2010, ainda haver preocupação com a sexualidade de alguém, alguns ainda diziam que assumir-se publicamente era perigoso já que existe muito preconceito em torno da homossexualidade.
O que mais achei interessante, nisso tudo, é que, como falamos de um lugar bastante específico, ou seja, falamos aquilo que nos cabe e não aquilo que queremos dizer, existem muitas versões disputando espaço sobre a homossexualidade: resistência, preconceito, perigo, banalização, sexualidade, entre outros, e isso tb significa dizer que, ainda que haja muita resistência (no sentido negativo) sobre o tema, há tb uma forma de encará-la com mais tranquilidade.
Como tudo o que é "novo" briga por espaço, não seria diferente em relação à homossexualidade, sobretudo em relação à sexualidade (todas elas) que é um tema silenciado ainda hoje.

terça-feira, 30 de março de 2010

Velhos amigos (texto)

Não faz muito tempo, postei um pequeno texto sobre as cartas, que encontrei na casa dos meus pais, dos velhos amigos, aqueles lá da adolescência (para ser mais preciso, o post foi do dia 27 de dezembro de 2009).
Enquando eu escrevia aquele texto nem imaginava que eu pudesse reencontrar um daqueles amigos. O encontro foi virtual, mas valeu à pena poder saber como uma grande amiga estava. 
Perguntei, sem muita pretensão, para uma amiga sobre uma amiga que tínhamos em comum. Mas a chance delas ainda estarem em contato era tão improvável quanto o contato que eu poderia ter com ela (a segunda amiga). Mas o improvável às vezes nos surpreende. E não é que elas ainda eram amigas próximas! Daí para nos encontrarmos, um pequeno passo. Já trocamos alguns e-mails (na verdade, recados no orkut) e tem sido muito bacana saber o quanto pensamos um no outro durante todos esses anos (mais ou menos uns 20 anos sem nos ver).
Acabei de pedir permissão para postar uma foto dela aqui. Agora é aguardar e ver o que ela me diz. 
Ando saudosista, é verdade, desde que a minha mãe começou a ficar mais doente. Talvez seja uma vontade inconsciente de voltar no tempo e poder fazer o que não fiz.


segunda-feira, 29 de março de 2010

Armando Nogueira

"Pelé é tão perfeito que se não tivesse nascido gente, teria nascido bola” Armando Nogueira 1927-2010.

D. Neusa (texto)

Ontem trabalhei até às 22h. Isso mesmo! Domingo trabalhei o dia inteiro. E quando escrevo o dia inteiro quero dizer das 6h30 até às 22hs. Foi bastante cansativo. Hoje, viajamos 7hs para chegar em casa. Cheguei e ainda estou aqui, diante do computador lendo uma monografia para conversar com um aluno amanhã (é claro que não leio ao mesmo tempo que escrevo no blog). Mas antes disso, já coloquei a roupa para lavar e fui ao mercado, além é claro, de colocar ordem na casa, porque na desordem não consigo ler, não consigo escrever, não consigo pensar, já que o meu pensamento para na desorganização. TOC total.
Mas como tudo tem sempre o outro lado, mesmo um dia cansativo como o de ontem, tive horas agradáveis: principalmente no início da noite (próximo das 20hs) quando, num intervao entre os recursos que chegavam, paramos para conversar um pouco. D. Neusa é um professora aposentada e coordenadora da comissão do concurso que organizamos. Uma senhora bonita, não me atrevo a adivinha a sua idade, mesmo. Sei apenas que ela deu aulas durante 51 anos e se formou mais ou menos aos 20, não sei quanto tempo está aposentanda.
Ouvi histórias interessantíssimas de Getúlio Vargas à ditadura militar, passamos por Darcy Ribeiro (aí me lembrei muito da minha mãe que era fã do antropólogo), pelas histórias de Sto. Antônio da Platina, sobre os seus filhos, enfim, sobre a sua forma de ver o mundo. Sempre tão lúcida e atual. Fiquei ali ouvindo e pensando no quanto se acumula com o tempo. No quanto as pessoas podem se tornar interessantes com a idade.
Envelhecer com sabedoria: a melhor receita, a mais complicada.

sábado, 27 de março de 2010

Orkut (texto)

Eu gostaria de fazer, pelo menos, duas observações sobre o Orkut, primeiro, que, pelo fato de ser um site bastante usado aqui no Brasil, a possibilidade de encontrar pessoas conhecidas é muito grande, e, além disso, ele é bastante fácil de usar. A gente cria um perfil, coloca uma foto e pronto, os amigos vão aparecendo aos poucos. Por outro lado, apesar dessa aproximação entre pessoas, ele é um site da empolgação do momento do encontro. Ou seja, há um certo furor quando pessoas que há muito não se viam se encontram, trocam-se algumas mensagens e ponto final. Parece que é o "vê o visto", aquela empolgação, aquele furor, aquela alegria do encontro inesperado vira terra-a-terra.
Tenho um perfil no orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=11297210407184207463) faz alguns anos e vezinquando encontro velhos amigos. E tudo acontece mais ou menos da mesma maneira: aquela alegria que perde o brilho quase que imediatamente após o reencontro.
Não sei se isso se dá com todos, ou se é uma impressão pessoal, ou se eu fico querendo sempre mais e acabo me decepcionando. Sei que mantenho um contato constante com menos de dez por cento dos meus amigos. E sempre acho isso uma pena!



sexta-feira, 26 de março de 2010

A Hora do Planeta 2010 (texto)

Amanhã, dia 27 de Março, entre 20h30 e 21h30 minutos é a Hora do Planeta 2010 (hora de Brasília). O Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta.
Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.
A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades participaram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, o movimento superou todas as expectativas. Centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro. Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização.
Em 2010, com a sua participação, vamos fazer uma Hora do Planeta ainda mais fantástica!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ministro de Israel agradece a Deus pelo "privilégio" de expandir assentamentos (texto)

Como um acordo de paz poderá se concretizar se cada uma das partes envolvidas não arreda um dedo em suas convicções? Como é que palestinos e israelenses podem falar em nome de Deus e haver entre o que é dito tanta contrariedade? A quem pertence Jesusalém? No meu ponto de vista, ao mundo: tanto palestinos quanto israelenses têm direitos na ocupação da área. E mais, ainda que seja utópico, o mundo não deveria ser organizado em fronteiras.
O ministro israelense do Interior, Eli Yishai, agradeceu a Deus pela possibilidade de participar da decisão de expandir assentamentos judaicos localizados em territórios palestinos ocupados: "Dou graças a Deus pelo privilégio de ser o ministro que aprovou a construção de mil casas em Jerusalém", disse hoje ao jornal "Iom leiom".
E na segunda-feira, dia 22, em discurso perante a reunião anual do Aipac (Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense), o principal grupo de lobby judeu nos EUA, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "o povo judeu construiu Jerusalém há 3 mil anos, e o povo judeu constrói Jerusalém hoje. Jerusalém não é um assentamento. É nossa capital".
A afirmação de Yishai confirma a posição de Israel de manter os planos de expansão dos assentamentos em Jerusalém Oriental, ponto polêmico que dificulta os esforços de negociações indiretas, mediadas pelos EUA, que deveriam começar ainda este ano.
A cidade é disputada por palestinos e israelenses, e o anúncio das novas construções levou Israel a sofrer pressões da comunidade internacional e à crise com seu principal aliado, os EUA.
Na entrevista ao diário, o ministro ainda acrescentou que a cidade é a "capital do povo judeu", onde os israelenses têm construído há muitos anos e a expansão não deve parar.
Yishai assegura que a conduta da Casa Branca "reforça" o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e lhe dá "desculpas" para recusar a retomada das negociações com Israel, paralizadas há mais de um ano.
O ministro afirma que desde a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Israel, quando aumentou a tensão entre as duas nações, os israelenses têm notado um endurecimento da postura da Palestina e se mostra convencido de que Abbas não quer a paz.
Outros ministros se pronunciaram hoje sobre a reunião ocorrida em Washington na terça-feira, entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.
Segundo a imprensa israelense, a delegação foi "humilhada" pelos anfitriões americanos na Casa Branca.
O vice-primeiro ministro Silvan Shalom disse à rádio estatal de Israel que a construção das colônias judaicas em Jerusalém Oriental -- praticada por todos os governos anteriores há quatro décadas -- é "incondicional" e não pode ser abandonada.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nada

Estou aqui querendo postar um texto, mas não tenho ideia sobre o que escrever. Tenho duas opções, pelo menos, ou não posto nada (e espero um momento em que apareça algo que realmente me chame atenção) ou insisto para ver onde isso aqui vai chegar. Escrever sobre nada não é muito tranquilo, porque a gente precisa preencher um número mínimo de linhas sobre assunto nenhum sem que isso fique muito claro para quem estiver lendo o que se escreveu. O interessante é vc escrever sobre coisa alguma como se aquilo tivesse alguma importância.
Posso tentar escrever sobre a minha preocupação com a situação econômica do país e isso, a preocupação, normalmente recorrente em relação à economia pode me render algumas linhas, mas não consigo escrever, nem que seja, um pequeno texto sobre ela.
Poderia então escrever sobre o meu dia, mas hoje foi um dia tão igual a todos os outros dias, sem nenhuma surpresa que escrever sobre ele seria chover no molhado. Nada mais sem graça do que se repetir. Acho a repetição sacal. Dizer o mesmo sem dizer nada é realmente falta de criatividade.
Pronto! Tenho aqui um pequeno texto com tudo aquilo que um pequeno texto precisa ter, mas sem dizer absolutamente nada.
Que dias melhores venham!

terça-feira, 23 de março de 2010

Isabella, imprensa, efeitos de sentido

Impossível ficar indiferente ao julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar Isabella, de 5 anos, em 2008, diante do bombardeio jornalístico em torno do caso. Lembro-me muito bem do que a imprensa produziu em março de 2008: uma profusão de notícias diárias em todos os meios de comunicação brasileiros durante, aproximadamente, um mês: a imagem (a partir de indícios periciais) que se repetia incansavelmente da menina sendo jogada da janela; os pais de classe média de São Paulo envolvidos no crime; a mãe inconsolada; os amiguinhos da escola; os avós; os vizinhos; os populares. Não podíamos não nos envolver com toda aquela situação. Não podemos não nos envolver com este desdobramento do caso.
Lembro-me tb que nos meses que se seguiram ao caso Isabella, outros casos semelhantes acontecerem: mas a imprensa não deu o mesmo tratamento. Ouvi amigos dizerem que eles, esses outros casos, não se tratavam de crianças da classe média. Outros ainda disseram que a questão girava em torno do esgotamento da mesma notícia. Não sei mesmo o motivo, sei apenas dizer que o tratamento da imprensa foi diferente.
Agora somos outra vez bombardeados com notícias do julgamento do pai e madrasta da menina. Quase uma catequese. Não temos muitas escolhas, a não ser  assistir a CNN, ler um livro, escrever, ficar aqui na internet (sem abrir sites de notícias, é claro). Parece que nada mais importante acontece na imprensa brasileira. As imagens são insistentemente repetidas que deixam de produzir o mesmo efeito: "repetir a fossa, repetir o inquieto repetitório".
Sei que a função da imprensa não é outra senão criar a sensação de que esta é A Notícia, e, pior, a sensação de que necessitamos dela para ficarmos bem informados. Resta-nos pouuco, bem pouco: ou nos curvamos ao Jornal Nacional (e todas as outras versões dele) ou deixamos que o mundo lá fora siga o seu rumo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Da Série: somos todos iguais ou existem pessoas mais iguais que outras? (texto)


Ex-Senador Republicano diz que união gay permite casamento com cavalo.
Republicano que concorreu com o senador John McCain pela candidatura do partido à Presidência, em 2008, o ex-senador republicano J.D. Hayworth disse neste domingo (14) que a decisão da Suprema Corte de Massachusetts de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo é tão "equivocada em sua lógica" que pode permitir a um homem casar com seu cavalo.
“A Suprema Corte de Massachusetts, quando iniciou esse movimento pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo, na verdade definiu casamento como simplesmente ‘o estabelecimento de intimidade’”, disse o ex-senador conservador em entrevista a uma rádio de Orlando, segundo o site "The Huffington Post".
“Qual o perigo disso agora? [...] Eu acho que isso significa que se você tem afeição pelo seu cavalo, você poderia casar com seu cavalo. Esse é o caminho errado a seguir, e a única maneira de proteger a instituição do casamento é com esta emenda que eu apoio”, disse Hayworth.
De acordo com o site norte-americano, estudos recentes mostraram que a lei, além de não ter provocado uniões entre homens e cavalos, tem ajudado a diminuir a taxa de divórcios no estado de Massachusetts.
Hayworth, que defende uma emenda para limitar o casamento à união entre homem e mulher, repetiu uma declaração semelhante famosa de outro ex-senador republicano, há sete anos.
Questionado sobre o casamento gay durante uma entrevista ao “USA Today”, o então senador Rick Santorum disse que “a definição de casamento em qualquer sociedade”, em sua concepção, não incluía a homossexualidade. “Não se trata apenas de homossexualidade. É sobre adulto e criança, adulto e cachorro ou qualquer outro desses casos”, disse.

Da Série: somos todos iguais ou existem pessoas mais iguais que outras? (texto)

Veja bem, se isso acontece no, chamado, Primeiro Mundo, imagine só o que não aconteceria por aqui? Um casal gay britânico teve sua hospedagem em uma pousada da região de Berkshire recusada pela proprietária que alegou ser "contra suas convicções" permitir que dois homens dormissem em uma mesma cama. Michael Black e John Morgan (esses aí da foto), de Cambridgeshire, tinham reservado um quarto duplo em uma pousada, a Swiss, na cidade de Cookham, na noite de sexta-feira, para encontrar amigos e assistir a uma peça de teatro na cidade.
Mas, quando eles chegaram, a proprietária, Susanne Wilkinson, se recusou a deixar o casal ficar. Ela admitiu que recusou a hospedagem do casal, pois é contra sua política acomodar casais do mesmo sexo. "Eles não me avisaram com antecedência, e eu não poderia oferecer outro quarto, já todos estavam ocupados. Não vejo a razão de mudar minha opinião e minhas crenças, que tenho há anos, apenas pelo fato de o governo me obrigar", disse Wilkinson à BBC. "Não tenho um hotel, tenho uma pousada, e esta é uma casa particular," acrescentou Susanne.
Black e Morgan, por sua vez, denunciaram a situação à polícia. De acordo com a Lei Britânica de Igualdade, de 2006, é ilegal discriminar pessoas devido à sua orientação sexual.
"Somos dois homens respeitáveis de meia-idade. John (Morgan) é líder do grupo dos Liberais Democratas no Conselho Municipal de Huntingdon", afirmou Black à BBC.
"Esta foi a primeira vez que nós tivemos uma experiência direta de homofobia, apesar de termos 56 e 62 anos. Ficamos chocados e constrangidos."
Desculpas
Black afirmou que, logo ao ver a chegada dos dois à sua pousada, Wilkinson, já mudou sua atitude.
"A senhora Wilkinson nos viu antes de sairmos do carro e, imediatamente, começou a agir de uma maneira fria, nos recebendo mal. Mas eu e meu namorado fomos educados e simpáticos."
"Ela disse que, se tivéssemos avisado antes, ela teria dito para não aparecermos. Ela pediu desculpas por nos recusar. Eu pedi pela devolução do dinheiro da reserva, e ela devolveu prontamente", afirmou.
"Nós fomos educados e, para ser justo, ela não foi rude ou (teve comportamento) abusivo", acrescentou.
A polícia registrou a ocorrência como incidente de homofobia. Um porta-voz da instituição de caridade britânica Stonewall, que faz campanha pela igualdade e justiça para lésbicas, gays e bissexuais, afirmou que rejeitar uma pessoa com base em sua orientação sexual é ilegal.
"A lei é bem clara: é ilegal que empresas rejeitem clientes gays ou os discriminem ao fornecer produtos e serviços e não se pode passar por cima disto por causa de preconceitos pessoais", afirmou Derek Munn, um dos diretores da Stonewall.

Somos todos iguais ou existem pessoas mais iguais que outras? (texto)


Deu na Globo.com: Aluna lésbica pede para levar namorada como par, e escola cancela baile nos EUA. O caso foi parar na Justiça em Fulton, no estado do Mississippi. Constance McMillen, de 18 anos, quer ir à festa vestindo terno.
Constance checa suas redes sociais na escola agrícola do condado de Itawamba, em Fulton, no estado americano do Mississippi. Constance, assumidamente lésbica, queria ir ao baile da escola com sua parceira do mesmo sexo, vestindo um terno, mas não teve permissão da escola. O distrito escolar chegou a anunciar a proibição de casais do mesmo sexo na festa. Uma organização pró-direitos civis, a American Civil Liberties Union, apelou ao distrito escolar para que ela pudesse levar a parceira ao baile, mas a escola, sem citar diretamente o caso de Constance, preferiu cancelar a festa, marcada para abril. A organização recorreu a um tribunal distrital em nome da aluna, para garantir a liberdade de expressão dela e realização da festa.
O desdobramento: começa nesta segunda-feira , dia 22.03, nos Estados Unidos um processo judicial para tentar revogar a decisão de uma escola secundária do Mississippi de cancelar o baile de formatura depois que uma aluna lésbica manifestou a vontade de comparecer vestida de terno e acompanhada de sua namorada.
A escola Itawamba County havia determinado que Constance McMillen, de 18 anos, poderia levar a parceira à festa, mas impôs que as duas fossem com vestidos e que não chegassem juntas, dançassem ou trocassem carícias. Ou seja, elas até podem se assumir homossexuais, desde que não manifestem, em nenhuma hipótese, a sua homossexualidade.
Após a recusa de McMillen de aceitar as condições e de recorrer à Justiça, a escola decidiu cancelar o evento, que estava marcado para 2 de abril. A escola também está sendo acusada de ter violado o direito à liberdade de expressão da aluna.

Apoio: McMillen diz que passou a ser discriminada no colégio depois do caso. Pais dos demais alunos organizaram um baile de formatura particular e não a convidaram. O caso, no entanto, ganhou repercussão nacional. A União Americana pelas Liberdades Civis anunciou seu apoio a McMillen. No Facebook, uma comunidade favorável a ela conta com mais de 384 mil membros. A jovem também foi entrevistada no popular talk show da apresentadora lésbica Ellen DeGeneres, e recebeu uma bolsa de estudos no valor de US$ 30 mil de uma empresa de mídia digital

domingo, 21 de março de 2010

Cadê as chaves? (texto)

Ontem fui ao cinema, assisti ao filme Uma visão do Paraíso. Gostei bastante. Cenas muito bonitas. Depois da sessão, resolvemos comer alguma coisa e tomar outra para acompanhar. Papo vem, risada daqui, papo vai, risada de lá. Um conta uma história aqui outro conta outra, e como éramos três, tínhamos  muitas histórias para contar. Por volta das 23h, resolvi tomar o caminho de casa (não sou mesmo mais do tipo que entra pela noite). Pagamos a conta, e fomos caminhando em direção à casa de uma amiga, mais ou menos perto de onde estávamos. 
Apalpa daqui, apalpa dali (antes que alguém pense outra coisa, era uma auto-apalpação), encontro o meu celular e a carteira, mas e as chaves de casa? Não estavavam comigo! Voltamos ao boteco. Não estava por lá. Onde elas poderiam estar? No shopping! Cheguei um pouco mais cedo, antes dos amigos, e tomei um café. Eu poderia tê-las esquecido na mesinha da cafeteria.
Observação importantíssima: o shoppinng fecha depois da última sessão de cinema. Ligamos para um táxi, porque em cidades pequenas, como Cascavel, não existe táxi circulando pelas ruas. Ligamos tb para o cinema. O táxi atendeu primeiro. Ah, ninguém atendia no cinema, mas tinha sinal de fax. Se eu tivesse com  meu aparelho de fax, poderia ter enviado um para o cinema, né?
No shopping perguntei ao segurança que perguntou a não sei quem que respondeu para o segurança que me respondeu que as chaves não tinham sido encontradas. Restava apenas o cinema. Ninguém para nos atender, mas uma sessão estava terminando... precisava esperar.
A mocinha dos bilhetes apareceu e perguntei sobre as chaves. Ela me disse que foram encontradas, "MAS (gelei, como é que naquele horário e em Cascavel poderia ter ainda um MAS? - já me explico) a gerente foi embora às 22h30 e como ninguém apareceu para buscá-las, ela as deixou no escritório, trancadas".
Não tinha mais o que fazer, senão ligar para um chaveiro 24h e pedir para abrir a porta de casa. Eis a questão, ligamos para todos os chaveiros de plantão (todos os 4) e eles resolveram desligar o celular, ou seja, não estavam à disposição no sábado à noite. Cidade pequena tem dessas.
Eu não tinha muita escolha. Teria que dormir na casa de um dos amigos. Pensei, pensei, pensei (porque, é claro que preferiria dormir na minha própria casa) e resolvi voltar ao meu prédio. Eu moro no térreo, ao lado do meu apartamento fica o salão de festas. Entre o meu ap. e o salão de festas tem uma pequena área. Se o porteiro tivesse a chave dessa pequena área e eu tivesse deixado alguma janela aberta, daria para entrar porque tenho uma cópia das chaves. O porteiro não tinha a chave da pequena área, mas a chave do salão. O salão tem janelas para a pequena área. As janelas do meu ap. estavam abertas. Não tive dúvidas, pulei, pulei outra vez e, finalmente, entrei em casa.
As chaves de casa dormiram fora. Mas eu, pelo menos, pude escovar os dentes, tomar banho etc. etc. etc.

sábado, 20 de março de 2010

Papa pede perdão por abusos sexuais (texto)


Talvez não seja o Bento XVI, mas o próximo Papa, certamente, ainda vai pedir muitas desculpas pelos erros que a Igreja Católica continua cometendo. Já reconheceram alguns, mas pelo jeito, não aprendem com a própria experiência. E continuam excluindo, tapando os olhos, fingindo não ver o que acontece, e, o que é pior, quase sempre em nome de Deus. Achando que podem se justificar.
É claro que desculpas são válidas e importantes. É um reconhecimento, mas continuo acreditando que a Igreja somente sob pressão, muita pressão popular (e aí inclu-se a imprensa internacional), e sem ter para onde ir, é que acaba se "redimindo" dos pecados que comete regurlamente, século após século.
Se Deus, realmente, vê tudo, está em todos os lugares, é onipresente e onipotente, Ele tb está de olho nas religiões que se colocam acima dos homens.
O papa Bento XVI afirma em carta pastoral enviada aos católicos da Irlanda que os bispos daquele país cometeram “graves erros de julgamento” no que diz respeito a casos de abuso sexual cometidos por religiosos e pediu ação decisiva, honestidade e transparência.
O pontífice pediu perdão às vítimas e anunciou uma investigação formal das dioceses e seminários envolvidos em escândalos sexuais. Nas últimas semanas, o Vaticano tem sido obrigado a lidar com uma série de acusações não só na Irlanda, mas também na Alemanha, Áustria e Holanda.
“Vocês sofreram gravemente e eu verdadeiramente sinto muito... Eu abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos”, afirma o papa na carta pastoral. “Eu só posso compartilhar a consternação e o sentimento de traição que tantos entre vocês vivenciaram ao tomar conhecimento desses atos pecaminosos e criminosos e da forma como as autoridades eclesiásticas na Irlanda lidaram com eles”, declarou Bento XVI.
Ele anunciou uma “visita apostólica” de algumas dioceses, seminários e ordens religiosas no país, mas não respondeu à pressão para que os bispos envolvidos sejam afastados.
Visitas apostólicas são espécies de inquéritos em que inspetores encontram-se com bispos, diretores de seminários e conventos e responsáveis por paróquias para revisar a forma como certos assuntos foram conduzidos no passado. O resultado são sugestões de mudança de conduta ou até mesmo ações disciplinares.

Podres Poderes (Caetano veloso)

Não me contive, lembrei da letra da música e achei que ela cabia tb por aqui.
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos

Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos

Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais

Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Que país é esse? (texto)

Não é esquecimento, mas indignação! Maluf pai e filho entram na lista de procurados pela Interpol. O advogado da família afirma que é "perseguição política". Fiquei pensando o quando o ex-prefeito de São Paulo tem influência politica, por exemplo, em Nova York.
a Justiça americana determinou a prisão de Maluf pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo. Por aqui, ele continua sendo um político influente e respeitado.
Por que será que todo político acusado de alguma coisa, seja ela qual for, se diz perseguido?
Motoristas podem transferir para outros motoristas as multas de trânsito que recebem. Basta apenas que entrem em contato com um despachante (os números estão por aí, colados nos muros, postes etc.) e este com uma lista de (outros) motoristas  repassa os tais pontos para uma outra carteira de habilitação, mediante, é claro, pagamento (e o valor vai depender da pontuação). É claro.
No Paraná, quiça em todo país, pessoas emprestam seu nome, CPF, conta corrente para depósito de dinheiro público em troca de plano de saúde, dentadura, pão francês etc. Os funcionários que estão envolvidos nesse, digamos, crime não conseguem explicar o que aconteceu.
São pequenos e grandes erros que se repetem. Para uns fechamos os olhos. Achamos até que são justificáveis: fura fila, dar aquele jeitinho para resolver um problema pessoal, chegar atrasado nos compromissos deixando quue nos emperem e por aí vai...
Tem gente que dirige falando no celular e acha isso a coisa mais certa de todas as coisas. Dirigir bêbado, então, nem se fale. Já virou rotina. E ainda em relação à direção, quem é que respeita o sinal vermelho? Somos uns boçais (já dizia Caetano).
Para outros, ficamos mesmo indignados, sobretudo com aqueles que não nos dizem respeito diretamente.

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
(Renato Russo - Que país é esse?)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Gramática do Português Brasileiro (texto)

Mário Perini era professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e eu o conheci, como autor, em 1985, no meu último ano de graduação, quando ele lançou um pequeno livro (pequeno em termos de tamanho, não de importância), dá séria série Princípios (da editora Ática), Para uma nova gramática do Português. De cara, simpatizei muito com as suas propostas. Nessa época eu não tinha mais Linguística como disciplina na graduação, mas tive, a grande sorte de ser aluno da professora Marta Scherre em Estudos Lingüísticos I (vou colocar assim com trema para ressaltar, além do tempo passado, o prazer que tive ao descobrir que a língua que eu falava, ainda que estivesse bem distante daquela descrita nas Gramáticas Tradicionais, não era nem feia e nem estava errada) e com ela, a professora, fui iniciado nesse mundo paralelo de se pensar a língua a partir de outros procedimentos, a saber, os científicos. E a proposta de Perini trazia muito daquilo que me foi apresentado pela Marta quando tratava dos problemas da Gramática Normativa e o ensino da norma padrão.
Atualmente, o autor, é professor na PUC de Minas e acaba de lançar pela Editora Parábola a Gramática do Português Brasileiro. Cheguei em casa, depois da academia ,e encontrei sob a minha porta a encomenda feita via internet.
Sou apaixonado por livros. Todos eles. Gosto de tocá-los, folheá-los, do seu cheiro e, sobretudo, do que trazem para a minha formação, de uma maneira geral.
É claro que não li o livro, até porque gramáticas não são livros para se ler assim, como se faz com um romance, mas  a apresentação do autor sim. E, mais uma vez,  simpatizei com o que ele nos traz: segundo Perini a gramática não é um instrumento de aquisição da língua padrão escrita, porque estudá-la "não leva, nunca levou, ninguém a desenvolver suas habilidades de leitura, escrita ou fala, nem sequer seu conhecimento prático do português padrão escrito.(...) Por hora, continua o autor, basta dizer que a gramática é uma disciplina científica, tal como a astronomia, a química, a história ou a geografia; ela deve ser estudade porque é parte da formação científica dos alunos - formação essa que se torna cada dia mais indispensável ao cidadão do século XXI."


quarta-feira, 17 de março de 2010

Sem Barra - José Paulo Paes (poesia)

Enquanto a formiga
Carrega comida
Para o formigueiro,
A cigarra canta,
Canta o dia inteiro. 

A formiga é só trabalho.
A cigarra é só cantiga. 

Mas sem a cantiga
da cigarra
que distrai da fadiga,
seria uma barra
o trabalho da formiga.

Trabalho (texto)

Ando numa fase bem ruim no trabalho. Além de não me sentir motivado, tenho um mundaréu de atribuições. Não vou listá-las aqui. Sei apenas que o acúmulo de coisas para fazer  em pouco tempo tem contribuído de certa forma para alguns erros. Não apenas isso, mas percebo que fazer mais de três coisas ao mesmo tempo não é produtivo. Acho que sou do tipo que ou atendo o celular ou ando. Preciso de tempo e tranquilidade para realizar algumas tarefas.
Talvez já esteja passando da hora de dizer NÃO para algumas atividades. Sobretudo àquelas que não dizem respeito à sala de aula. Até porque quando se está em sala de aula, o mundo para um pouco. 
Não sei trabalhar sob pressão, não gosto de errar e esse erro não ser responsabilidade minha, apenas. Por outro lado, não quero tb ter que responder por erros que não são meus.
Estamos no meio de uma semana turbulenta e pelo visto ela ainda vai durar bastante.

segunda-feira, 15 de março de 2010

www. chatroulette.com (texto)

Gosto muito de internet. Muito mesmo. Tanto que ficar uns dias sem acesso é quase uma tortura. Além de gostar da internet porque posso, através dela, entrar em contato com os amigos, atualizar minhas páginas, ler jornais, revistas, pesquisar datas, pessoas, comprar livros, administrar a minha conta bancária,  copiar músicas e filmes etc., gosto de novidades, saber o que tem interessado as pessoas, aonde elas estão indo, o que descobriram.
Ontem descobri um site novo. Em geral conversar escrevendo não é muito a minha praia. Não tenho muita paciência (e agilidade) para escrever o que falo, prefiro mesmo uma conversa pessoal. Não uso  (com frequência) Messenger, skype ou outro programa para bater-papo.
Mas ouvi falar do site e resolvi fazer um teste. O endereço é www.chatroulette.com e ele é basicamente um lugar para encontrar pessoas desconhecidas (inclusive a justificativa quando da sua criação foi exatemente esta: poder conversar com estranhos ao redor do mundo).
Quando a gente entra na página do chat_roleta, abrem-se dois vídeos: o do desconhecido e o nosso. A proposta é, não gostou da cara, passa-se a diante.
A frequência é basicamente masculina. No horário em que eu entrei tinham 20.000 onlines. Tem de tudo: homens e mulheres, novos e velhos, vestidos e despidos. Muitos homens mostrando a genitália. Ontem à noite, fiquei uns 30 minutos experimentando o programa: conversei com uma brasileira de 12 anos (paulista) por alguns poucos minutos. Perguntei o que ela fazia (e procurava) ali e como ela encarava os tarados de plantão. Ela queria saber apenas se eu era casado. Next. (a gente e o outro tem a opção de passar adiante. Não gostou: Next!).
Fui passado adiante diversas vezes. Principalmente quando eram homens do outro lado. Algumas vezes eu nem conseguia ver quem seria meu próximo... NEXT. Era deixado de lado.
Vi adolescente dançando, outros cantando, alguns fazendo careta, homens se masturbando etc..
Depois conversei com um coreano (devia ter uns 17 anos); um canadense; um americano; uma francesa., dois turcos. Ah, é claro que a língua oficial é o inglês e é claro tb que a minha conversa era bastante pobre. Meu inglês é vergonhoso, mas eu tentava na medida do possível.
Foi divertido. Ri muito. Pena mesmo que não curto essa de papo via escrita, do contrário eu estaria no paraíso.

domingo, 14 de março de 2010

Questão de bom gosto (texto)

Recebi o texto abaixo de uma amiga e, além de considerá-lo importante, achei tb que deveria compartilhá-lo. Como as categorias de gosto que se criam, sobretudo, na Academia me incomodam: "Isso é bom, aquilo é ruim", "Isso não presta, mas aquilo sim", pensei que seria pertinente reproduzir aqui o texto e deixar, depois da leitura, que cada um pense o que quiser (ou puder pensar).

A carapuça serve em todos: quando se fala em música, a fronteira entre o bom e mau gosto é nebulosa e muitas vezes esconde uma palavra que ninguém quer pronunciar: preconceito (Pedro Alexandre Sanches)


Baião, xote, xaxado. Lamê, cafona, brega. Axé, lambada, c ar imbó. Jovem Guarda, iê-iê-iê, canção romântica. Samba de morro, samba joia, partido alto, pagode. Música caipira e sertaneja, guarânia e vanerão. Canção de protesto. Pop. Heavy metal, rock progressivo, emo. House, tecno, electro. Tecnobrega, forró, funk carioca, rap. Cada um desses gêneros musicais tem seguidores aos milhões, mas também tem de enfrentar exércitos às vezes reduzidos, mas sempre barulhentos, de detratores.

Em sua maioria, desperta ódio especial junto a consumidores tidos como cultos, intelectuais, críticos, formadores de opinião. Esses trazem sempre na cartola o argumento de preferir música dita fina, refinada, sofisticada, mas tampouco seus gêneros prediletos se safam de outros tipos de muxoxos, narizes torcidos e intolerâncias. Música erudita. Jazz. Blues. Bossa nova. Clube da esquina. MPB. Supostamente, estamos falando de estética, das distinções entre o que se entende como música “de qualidade” e “sem qualidade”, “boa” e “ruim”, de “bom gosto” e “mau gosto”. A zona fronteiriça entre os dois extremos é frequentemente nebulosa, pantanosa e fugidia, daquelas de atolar em areia movediça quem exiba muita certeza sobre onde está pisando. Ainda assim, há sempre alguém disposto a decretar, pronta e despoticamente: “Brega é lixo”, “música caipira não presta”, “iê-iê-iê é uma porcaria”.

Atrás das cortinas do “bom gosto” e do “mau gosto”, esconde-se um bichinho do qual em geral preferimos fugir a 120, 150, 200 quilômetros por hora e que atende pelo nome de preconceito. Será que eu desprezo o axé porque é péssimo ou porque desejo me manter bem distante dos baianos periféricos, pobres e pretos que o inventaram? Você detesta os emos porque fazem rock muito pauleira ou porque não se dá bem com seus figurinos esquisitões, soturnos, sexualmente indefinidos? É ficar entre uma coisa ou outra, indubitavelmente? Ou a repulsa (extra) musical nasce de uma gororoba mista disso tudo?

Militante musical multiplicado em musicólogo, historiador, pesquisador, crítico musical, escritor, engenheiro de som etc., Zuza Homem de Mello enfrenta esse bicho de sete cabeças: “É uma questão subjetiva, mas, se fosse só isso, não haveria tanto problema e antagonismo. Existe quase uma intolerância do bom gosto em relação ao mau gosto e certa inveja do mau gosto pelo bom gosto. O cara de bom gosto não tolera o que acha de mau gosto e o de mau gosto, não é que não tolera, é que ele não alcança o bom gosto”. Na opinião de Zuza, o aspecto não subjetivo dessa guerra se concentra nos termos “educação” e “cultura”: “O culto ao bom gosto é diretamente proporcional à educação e ao nível cultural da pessoa”.

Ele se vale de uma comparação entre música e gastronomia, na qual há os que ficam no feijão com arroz e os que cultuam paladares “sofisticados”. Mas justamente aí se insinua a dúvida: ora, por acaso é ruim comer arroz, feijão, bife e ovo frito? “No caso da gastronomia, um bom arroz com feijão e bife é considerado vulgar por quem tem paladar refinado. Mas é bom, e na música é igual. Dentro das diferentes áreas rotuladas como de mau gosto, há quem dê uma percepção de sinceridade, de verdade, que supera esse desprezo e faz com que os de bom gosto se sintam atraídos. É bom quando você sente verdade atrás daquilo.”

Zuza exemplifica: “Tenho amigos jazzistas fanáticos que não admitem nada da música caipira. Mas Rolando Boldrin, Inezita Barroso... Aquilo é verdadeiro. Há pessoas fechadas e abertas, aí você não pode fazer nada. Não posso mudar meu amigo que acha a dupla Tonico & Tinoco desprezível. Tem gente que só vai na Sala São Paulo, não tem jeito”.


QUESTÃO DE IDENTIDADE
Pois então, estamos meramente falando de “bom” e “mau” gosto, ou há mais que miúdos de pato embutidos no foie gras? “O preconceito poderia ser um elemento, sim, determinando que se deixe de gozar das belezas e verdades que poderiam ser apresentadas por quem não tem a mesma cultura e educação”, responde Zuza. “Aí, quem não tem preconceito leva enorme vantagem. Eu mesmo cometi muitos enganos na minha postura, depois, vi que não era assim”, admite, e que quebre o primeiro disco quem nunca o fez.

Nos anos 1960 e 1970, o sírio-francêsbrasileiro André Midani comandou, na gravadora Philips, o mais espetacular elenco reunido pela dita MPB. Ali se demarcaram nitidamente divisões que ainda hoje vigoram: nomes como Chico Buarque, Elis Regina e Caetano Veloso vendiam relativamente pouco, mas rendiam à gravadora cacife e prestígio cultural, enquanto operários pop, como Odair José e Evaldo Braga, faziam tilintar as caixas registradoras da multinacional. Midani, hoje aposentado, descreve a situação pelo ponto de vista dos lojistas de música: “As lojas de discos em geral pertenciam a donos de origem modesta, que se inibiam em comprar das gravadoras gêneros musicais que eles consideravam estranhos. Tinham medo de comprar música que desconheciam, que poderia ficar encalhada no estoque. Melhor encomendar trilhas de novelas...”

Mas ele abraça a hipótese do preconceito: “A música existe para que as pessoas amem, chorem, sonhem, protestem, se emocionem. Se ela faz esse papel com dignidade e eficácia, ela terá cumprido sua missão e a chamada qualidade que vá para o inferno. Estamos diante de questões de preconceito de classe, sim. E de preconceitos de pertencer, como no futebol. Sou do Corinthians, então sou inteligente, e você, torcedor do Cruzeiro, é um imbecil”.

Em 2002, o historiador Paulo Cesar de Araújo cutucou um nervo doloroso dos preconceitos musicais em Eu não sou cachorro, não – Música popular cafona e ditadura militar. O livro, profundamente perturbador para quem se tenha disposto a compreendê-lo, situa nas diferenças e nos preconceitos de classe social o epicentro do terremoto que separou europas de “bom gosto” de áfricas de “mau gosto” e dividiu os brasileiros entre (poucos) “cultos” e (muitos) “incultos”, simples e maniqueísta assim.

Paulo Cesar destrincha um dos argumentos centrais de um livro empenhado em reabilitar nomes como Waldick Soriano (autor dos versos abolerados “eu não sou cachorro, não/ pra viver tão humilhado/ eu não sou cachorro, não/ para ser tão desprezado”), Cláudia Barroso, Odair José, Diana, Paulo Sérgio, Benito di Paula, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Dom & Ravel, Lindomar Castilho e dezenas de outros.

“Para ser bem qualificado pelas elites culturais, o repertório musical brasileiro precisa estar identificado ao que se considera ‘tradição’ (folclore, raízes do samba ou do forró) e/ou ao que se considera ‘modernidade’ (influências de vanguardas literárias ou musicais, jazz, bossa nova, tropicalismo)”, inicia. “Artistas populares, desde Anísio Silva e Waldick Soriano até Alexandre Pires e Zezé di Camargo são considerados de mau gosto pelas elites culturais, porque não estão identificados nem com a tradição nem com a modernidade. Veja que o rapper mais elogiado e premiado é Marcelo D2, exatamente porque ele aproxima o rap da batida do samba. Quanto mais longe da tradição e da modernidade, mais perto do mau gosto.”

Sua conclusão é provocativa e pisa em calos intocados, mas inchados, de intelectuais, formadores de opinião e consumidores cultos: “Esse apartheid musical é também reflexo da nossa desigualdade social. E isso se torna mais grave quando jornalistas, historiadores, sociólogos e museólogos não problematizam a questão e colocam seu gosto pessoal, ou o de sua classe social, como parâmetro para definir o presente e o passado cultural da nossa sociedade. Romper com essa visão autoritária e excludente deve ser o esforço de cada um de nós que trabalhamos com a memória”. Paulo Cesar demonstra que a cerca que separa bons e maus é de arame farpado, mas é também maleável e muda facilmente de lugar: “Para um fã de Gilberto Gil ou Jorge Ben Jor, a música de um cantor como Waldick Soriano parece muito simplória e banal. Mas, para um amante de jazz e música clássica, a música de Gil ou Ben Jor pode soar também muito simplória e banal. No passado, Lupicínio Rodrigues e Luiz Gonzaga eram considerados de muito mau gosto e só obtiveram reconhecimento da crítica quando seu período de maior sucesso popular já havia terminado”.

E oferece outro exemplo: “Os anos 1930- 1945 hoje são chamados de ‘era de ouro da música popular brasileira’, mas na época não foram percebidos assim pelas elites. Mario de Andrade, por exemplo, se referia à produção musical daquele período como ‘popularesca’. Em última instância, o que vale é o poder de quem tem o discurso competente para afirmar que tal produção é boa ou ruim”.

Na mesma direção, vai César Rasec, estudioso de cultura e sociedade na Universidade Federal da Bahia (UFBA), de quem voltaremos a falar mais adiante: “Tudo passa pela legitimação, não importa quem seja o legitimador. Podem ser o papa, os meios de comunicação, os acadêmicos. Só não pode ser o povo. Pelo senso comum, o povo ‘não pode’ e ‘não sabe’ legitimar porque é marionete conduzida pela força da grana de quem manipula a indústria cultural”.


DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
Músico identificado à MPB, o maranhense Zeca Baleiro gosta de beliscar o conflito e, volta e meia, grava músicas de (e/ou trabalha em parceria com) Fagner, Luiz Gonzaga, Luiz Caldas, Luiz Ayrão, Odair José, Wanderléa, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Charlie Brown Jr., Geraldo Vandré. E gosta de cutucar opositores da dita cafonice: “Os ‘modernos’ são patéticos. Aplaudem Pedro Almodóvar e renegam Waldick Soriano. O que fez Almodóvar? Estilizou a cafonice espanhola com humor e inteligência, sim, blindado por uma aura cult, transgressora. Mas não há muita disparidade entre o universo de seus filmes, que na verdade são novelas filmadas, e o universo que se vê nas canções dos ‘cafonas’”.

O músico percebe uma via de mão dupla no confronto: “Da mesma maneira como esses gêneros são discriminados por uma minoria de classe média e maior escolaridade, também o garoto da periferia que curte rap ou pagode tem preconceito contra o jazz ou a MPB. O preconceito não é só estético ou ideológico, a questão ficou mais complexa. Há uma dificuldade de compreensão, às vezes intolerância mesmo, a respeito de determinado gênero pelo que ele é como música, mas também pelo que simboliza como comportamento, atitude, origem e postura social”.

Os intermediadores da cultura acumularam poderio para orientar a legitimação (ou não) de artistas e estilos musicais. Mas é fato que esse poderio vem ruindo de forma espetacular desde o advento da internet. Intermediadores, como intelectuais, formadores de opinião, críticos e jornalistas, veem sua força encolher frente a cada novidade sobre pirataria, download, blog, Twitter etc.

Sob essa muralha esburacada, há cada vez mais quem se disponha a colocar a hidra do mercado midiático nas equações de gostos e preconceitos culturais. “Essas fronteiras, para mim, são hoje muito mais ditadas pelos meios de comunicação do que por qualquer outra coisa”, afirma Nei Lopes, escritor e sambista, compositor popular e historiador. “A música de mercado procura vender felicidade, riqueza, bem-aventurança, beleza, juventude, descompromisso. E a música cult serve para mostrar que há um grupo de pessoas ‘superiores’ a essas ‘coisas de pobres e iletrados’”.

Nei puxa a brasa para sua sardinha: “Engraçado, aí é que rola a contradição daquele aficionado do jazz que em samba só admite Cartola e Paulinho da Viola. Os redatores não têm a mínima noção da alta qualidade artística e da revolução que foi e continua sendo o chamado pagode de fundo do quintal. Mas qualquer dia alguém vai parar e pensar no que representa um Arlindo Cruz, de onde veio e onde poderá chegar. E saibam esses ‘informados’ e ‘cultos’ que eu conheço muito sambista que curte, além dos velhos negões do samba, Chet Baker e Gerry Mulligan”.

O poderio de gravadoras e mídia é tema também de quem já foi muito valioso àquela estrutura e depois deixou de ser. É o caso do baiano Luiz Caldas, filho da lambada, pai do fricote e precursor da axé music, que dominaria a música brasileira por toda a década de 1990. “Conturbado é o meio midiático, que precisa denominar ídolos a cada temporada. Se tem rádio que paga jabá, o empresário vai e cria uma bandinha. Se você leva sua música numa rádio popular, não tem espaço sem ser dos que pagam jabá. Na rádio sofisticada, a música nem entra”, afirma ele, hoje em carreira independente.

Embora campeão de vendagens nos anos 1980, ele conta que não foi uma estrada de tijolos amarelos o caminho do sucesso: “No começo, fui com disquinho debaixo do braço e encontrei todas as portas fechadas. Ouvi em gravadora até comentário do tipo ‘lá vem mais um baiano’. Voltei pra Salvador e estourei lá, correndo atrás, colando, eu mesmo, cartazes dos meus shows. Eu era o artista e era o peão. Consegui fazer revolução com os nãos que recebi”.

Autor de hits como Fricote (1985), Eu vou já (1986), Haja amor (1987) e Tieta (1989), Luiz interpreta sua música como algo que a indústria fonográfica foi forçada a assimilar: “Querer minha música, não queriam, de forma nenhuma. Gravadora queria era grana, né? Gostam de fazer o chamado banho de loja. Para me proteger disso, abri mão de luva de 100 mil dólares, carro e apartamento. Troquei por uma cláusula de que não poderiam interferir no conteúdo”.

DIGERIR É PRECISO
O caso de Luiz Caldas poderia ilustrar a ideia de que modismos musicais são passageiros e não resistem além do momento de estouro. Mas há indícios de uma reabilitação de sua música e do poder de sua guitarra: jovens roqueiros da Bahia o citam como referência, DJs ainda mais jovens do Espírito Santo fazem mashup de Lady Gaga com Luiz Caldas. O caso vira emblemático de como costumamos nos apegar à tradição e olhar o passado com generosidade bem maior que o presente.

E Luiz, em pessoa, voltou à carga num maluco e notável projeto de lançar 22 discos em dois anos, separando-os por gêneros musicais e reservando volumes exclusivos para MPB, axé, música clássica, forró, brega, rock pesado, jazz etc. Dez já foram lançados, entre eles um de música indígena, todo cantado em tupi. “Estou podendo catalogar os estilos todos que conheço. Vendo pela internet. Não existe o disco, eu vendo o sinal.”

Como parceiro nessa empreitada, Luiz tem César Rasec, aquele que foi citado anteriormente, curioso híbrido de acadêmico e compositor popular, que se pós-graduou em cultura e sociedade na UFBA com uma dissertação sobre, adivinhe, Luiz Caldas. “A versatilidade dele ainda não foi assimilada, está em processo. Pensam que é apenas o cara da axé music que dança descalço”, diz César. “Infelizmente, a chamada elite cultural olha apenas para o próprio umbigo. O fator determinante é o preconceito, conceito prévio sobre algo sem ao menos entendê-lo. Sem preconceito, o erudito consegue uma interseção com o popular. Foi isso que eu fiz.”

A discussão é complexa, intricada e não exatamente pacífica. Cada um dos personagens retratados (assim como o redator deste texto) guarda e exprime, por linhas ou entrelinhas, seus gostos, ideologias, idiossincrasias e mesmo preconceitos. Zeca Baleiro, por exemplo, afirma, com certa dose de humor: “Só não me peça para gostar de emo. Já tive minha fase metal, mas emo não dá. Soa fake, mais como uma defesa social e psicológica de um grupo, o dos adolescentes, do que como interesse musical de fato”. Nei Lopes também revela algumas de suas antipatias: “Para mim, a música melosa desses sertanejos se esgoelando é de extremo mau gosto. Da mesma forma, esse falso gospel e o som desses padres cantores que cobram cachês milionários por apresentação. Mas eles rendem muita grana para suas gravadoras e igrejas. Azar o meu.”

Amante de jazz e bossa nova, Zuza Homem de Mello hesita a princípio, mas aceita a provocação de que revele alguns gostos inconfessáveis: “Eu sempre gostei da Roberta Miranda. Ela tem uma postura muito parecida à da Dalva de Oliveira, a respeito de sinceridade, toque poético. Ouço com prazer, como ouvia Núbia Lafayette, uma das mais fantásticas e menos reconhecidas cantoras brasileiras. Marinês é outra, é mãe de várias cantoras nordestinas. Luiz Gonzaga tem sido mais homenageado, mas todos nos lembramos do período em que era renegado”.

Liquidificador de estilos nestes anos 2000, Luiz Caldas elabora sua crítica: “Existe um gosto camuflado do brasileiro. Ele adora música brega, mas não admite. A bossa nova é maravilhosa, mas tem uma proteção enorme. Dizem ‘não suporto música brega, só ouço bossa nova’, e não, não é verdade. Tem gente que diz que gosta de bossa nova por causa da harmonia, mas não sabe nem o que é harmonia”.

A diretora Helena Tassara prepara um documentário sobre (e com) os ditos “cafonas”, inspirada pelo livro de Paulo Cesar de Araújo e com assessoria musical de Zeca Baleiro. Ela arrisca uma interpretação psicanalítica sobre a origem dos preconceitos, sejam contra melôs “cafonas”, sejam contra os cabelos desconstruídos dos emos: “Em todos os casos, acho que é fruto do puro desconhecimento, que dá medo, que afasta. É muito mais fácil e menos dispendioso emocionalmente a pessoa ficar apenas naquilo que já conhece e que faz parte de sua história de vida, ambiente familiar, grupo de amigos. É comum a pessoa desistir de conhecer o novo, o diferente, na ânsia do conforto de se reconhecer naquilo que já sabe”. Inspirado numa balada triste de Odair José, o filme vai se chamar Vou tirar você desse lugar. “Porque é exatamente essa a ideia”, diz Helena.

Devagar, tabus, apartheids e preconceitos vão sendo derrubados por quem não queira ficar estacionado no mesmo lugar. E Zeca Baleiro nos deixa as palavras finais, logo após criticar os emos: “Mas quem sou eu para julgar? Vou parar, porque esse papo tá muito cabeça, assim, não vou chegar no moleque da perifa”. ©

Senado aprova indicação de general que criticou gays nas Forças Armadas (texto)

O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) as indicações do general Raymundo Nonato Cerqueira Filho e do almirante Álvaro Luiz Pinto para o Superior Tribunal Militar (STM). Durante sabatina do Senado, no início de fevereiro, o general afirmou que a tropa não obedece a militar homossexual.
A indicação de Cerqueira Filho foi aprovada por 46 votos a favor e 5 contrários. A de Luiz Pinto, por 40 votos a 4. Durante a votação desta quarta, os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Eduardo Suplicy (PT-SP) disseram que o general havia se retratado da declaração.
No STM, os dois novos aprovados farão parte de um grupo de 15 ministros militares. Como no Supremo Tribunal Federal (STF), a aposentadoria é compulsória a partir dos 70 anos de idade. O STM não soube informar a data da posse, pois o expediente já havia sido encerrado.

Na sabatina de fevereiro, o general e o almirante foram questionados sobre a admissão de gays nas Forças Armadas. Luiz Pinto foi mais comedido em sua resposta aos senadores.
 “É uma situação muito polêmica, mas eu vou lembrar um fato que aconteceu alguns anos atrás, na França, não nas Forças Armadas, mas na Igreja, em que foi feita a mesma pergunta. O teólogo pensou, pensou, pensou e respondeu: ‘Não tenho nada contra, desde que ele faça uso do voto da castidade, que é um dogma da Igreja’. Eu acho que fazendo uma similaridade com as Forças Armadas, eu não tenho nada contra desde que ele [o militar homossexual] mantenha sua dignidade, a dignidade da farda, do cargo e do trabalho que executa. Se ele exercer sua dignidade, sem nenhum problema." 
O general Cerqueira, no entanto, foi mais direto em sua resposta, dizendo-se contrário à presença de gays nas Forças Armadas. “Tem sido provado mais de uma vez, o indivíduo não consegue comandar. O comando, principalmente em combate, tem uma série de atributos, e um deles é esse aí. O soldado, a tropa, fatalmente não vai obedecer. Está sendo provado, na Guerra do Vietnã, tem vários casos exemplificados, que a tropa não obedece normalmente indivíduos desse tipo [homossexuais]”, declarou. 
Cerqueira sugeriu ainda que as atividade desempenhadas pelas Forças Armadas não são adequadas a homossexuais. “Talvez tenha outro ramo de atividade que ele [o militar homossexual] possa desempenhar”, afirmou durante a sabatina.

Ao saber da aprovação no Senado, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, voltou a criticar as declarações do general sobre homossexuais e disse esperar que ele tenha “refletido” sobre o que disse. “Esperamos que ele tenha refletido e não venha a emitir opiniões desse tipo novamente. Tenho certeza que ele não vai repetir isso. A opinião dele, podemos reafirmar, foi preconceituosa, discriminatória e conservadora”, afirmou Ophir ao G1.
O presidente da OAB explicou que a aprovação no Senado se atém aos requisitos constitucionais. “Do ponto de vista objetivo, dos requisitos constitucionais, o Senado o aprovou porque ele apresentou os requisitos necessários. Isso não significa que a opinião dele [sobre homossexuais] seja dominante no tribunal. O Superior Tribunal Militar é formado por militares e civis e certamente não espelha esse sentimento”, afirmou.
É lamentável que esse tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras”, disse Ophir, em fevereiro.

sábado, 13 de março de 2010

Superior Tribunal Militar afasta militar homossexual do Exército (texto)

O Superior Tribunal Militar decidiu nesta quinta-feira (11), por sete votos a três, reformar [aposentar] o tentente-coronel Osvaldo Brandão Sayd, que servia em Curitiba, por ele ter tido um relacionamento homossexual com um militar subordinado. Sayd foi acusado de ferir o decoro militar por ter tido relações com um soldado "fora da administração militar”, de acordo com o processo.
Para o relator do caso no STM, ministro José Américo, o comportamento do tenente-coronel “denegriuas Forças Armadas. Segundo ele, a condenação não se trata de coação devido à opção do militar, mas de punição a “excessos” incompatíveis com a função de oficial.
“A opção sexual não há de ser recriminada, mas excessos têm de ser tolhidos para o bem da unidade militar. Não se pode permitir liberalidade a ponto de denegrir o instamento militar”, disse o ministro. Américo, acompanhado de seis ministros, decidiram que o tenente-coronel “não reúne condições de permanecer como militar em exercício” e, portanto, deve serreformado.
Américo citou o depoimento do subordinado com quem o tenente-coronel teve relações sexuais. O soldado declarou que frequentou a casa de Sayd “porque tinha medo". "Sendo o tentente-coronel meu chefe, ele poderia não me dar engajamento. Meu sonho sempre foi ascender nas Forças Armadas”, disse o soldado.
No entanto, a ministra Maria Elizabeth Teixeira Rocha, revisora do caso, divergiu da opinião do relator. Para ela, a decisão da corte diz respeito, sim, à opção sexual de membros das Forças Armadas e que isso não pode ser motivo para afastar um militar. Elizabeth destacou que o tenente-coronel teve relações fora da administração militar e que, portanto, a opção sexual dele é uma questão de foro íntimo.
“O fato de o tenente-coronel ter tido relações sexuais com um subordinado fora da administração militar é comportamento que diz respeito apenas a uma questão pessoal, de foro íntimo, não afetando as Forças Armadas”, afirmou. Sobre a declaração do subordinado a respeito da relação que mantinha com Sayd, Elizabeth disse que ele tem, por lei, direito de mentir ou não se manifestar para evitar a produção de provas contra si.
Para a ministra, “rechaçar” um militar por ele ser homossexual é difundir o “discurso do ódio”. “Por que soldados homossexuais seriam menos valorosos do que os outros?”, questionou. “Afastar alguém das fileiras das Forças Armadas em virtude de sua orientação sexual é promover o discurso do ódio, quando é dever do Estado coibi-lo”, disse.
Segundo ela, se fosse o caso de um relacionamento entre um superior e uma subordinada, não haveria punição. “Haveria no máximo uma infração disciplinar, e olhe lá”, disse Elizabeth.
A ministra citou países que admitem homossexuais no Exército, como Espanha, França e Suíça. Ela ressaltou que em nenhuma das pelo menos 24 nações que admitem gays e lésbicas há registro de uma deterioração no desempenho dos soldados.
“Porém, não estamos sozinhos, Estados Unidos, Irã, Cuba, Venezuela, Panamá, Uganda, Afeganistão,Turquia, Arábia Saudita, Sudão, Iêmen e outros que, sem querer causar incidentes diplomáticos, não cito como exemplos de democracia, também proíbem homossexuais no Exército”, ironizou a ministra.
A defesa do tentente-coronel informou que ele está há mais de 20 anos nas Forças Armadas. Sayd confessou que teve relações sexuais "uma vez", em sua residência, com o subordinado. "Ele não cometeu crime. Aquilo faz parte da privacidade dele", disse o advogado de Sayd, Carlos Alberto Gomes.
Não cabe recurso da decisão de reformar o tenente-coronel, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) considera que trata-se de uma questão administrativa das Forças Armadas.
 

sexta-feira, 12 de março de 2010

Carregando pedras (texto)

Tô cansado. O dia, além de bem quente, não foi fácil!

O que fazer quando se faz uma grande M e não se pode voltar atrás? (texto)

Pois é, ontem num ato mecânico acabei retornando um e-mail de um amigo com questões pessoais (achando, é claro que eu estava apenas em contato com ele) para uma comunidade virtual da qual fazemos parte. Não me dei conta, até ele me escrever puto da vida (e com razão), de que isso havia acontecido. Uma grande merda mesmo porque o assunto, primeiro não dizia respeito à tal comunidade, e era, segundo ele, um segredo profissional guardado a sete chaves.
Fiquei passado com esse erro, mas a merda já havia sido feita e não poderia ser desfeita (eu não poderia voltar no tempo e não mandar o tal e-mail), restava-me apenas me desculpa, muito, sobre o ocorido.
É claro que ele não entendeu (quem entenderia?). Me desculpei mais duas vezez. Ele continuou não entendendo. Me desculpei mais uma vez e ele, finalmente, me mandou um outro e-mail ainda mais agressivo.
Não tive dúvida. Respondi que havia reconhecido a merda feita (diversas vezes) e que não havia jeito de desfazê-la, mas que, como ele insistia em não entender, eu não iria mais me desculpar.

quinta-feira, 11 de março de 2010

♫ Se tudo pode acontecer (Arnaldo Antunes) ♫

Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você

Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .

♫♫

♫♫

Gravada recentemente por Wanderléa. Estou apaixonado pela música. Clique aqui para ouvir no Youtube.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Richarlyson (texto)

Richarlyson é jogador do São Paulo. No dia 23 de janeiro de 2010, completou 200 jogos com a camisa tricolor e foi homenageado pela diretoria do clube com uma camisa com o número 200 estampado nas costas. Até onde sei (e sei pouco porque não acompanho os jogos do SP) o cara é um bom volante (também conhecido  como centromédio, médio-volante, cabeça-de-área, mediano, center-half, defensive midfielder, posição do futebol onde o jogador atua à frente dos zagueiros, protegendo a entrada da área e fazendo a ligação entre a defesa e o meio-campo.).
Em entrevista à revista Rolling Stone, o meio-campo falou sobre o preconceito que enfrenta. Ele afirma que sua família teme agressões: "É uma coisa que me entristece, o julgamento. A maioria dos que falam de mim, me denigre, perturba meu ambiente familiar, deixa meu pai, minha mãe e meu irmão preocupados. Minha família teme represália grotesca. Minha mãe acha que um cara sem noção pode me agredir a qualquer momento. Ela me manda tomar cuidado diariamente. "
Esses preconceitos, aos quais o são_paulino se refere, dizem respeito à sua sexualidade. Vira e mexe há comentários na imprensa, ou divulgados por ela, em torno desse assunto.
O Futebol é um ambiente machista. Há pouco, ou quase nenhum, espaço para   outros comportamentos que não reforcem esse machismo. Até bem pouco tempo era um esporte praticado exclusivamente por homens. Meninas que ousassem jogar futebol sofriam algum tipo de represália.
Richarlyson depois que colocou um aplique nos cabelos se assustou com a repercussão de seu novo visual. Ele tem passado por situações constrangedoras por conta das madeixas.
Aí fico por aqui pensando o que explicaria esse comportamento em torno da sexualiadade do jogador. Seria um espelho refletindo questões em torno da sexualidade de quem o agride? Freud explica. Porque, até onde consigo chegar, o que se deve esperar de um jogador de futebol é que ele exerça de forma exemplar a sua profissão, ou seja, defenda bem o time pelo qual é contratado. Agora, se ele tem cabelos compridos ou se é careca, se a cor dos cabelos é acaju ou grisalho pouco importa para o seu desempenho nos gramados.
Além disso, acho mesmo, que quem se preocupa muito com a vida sexual do outro ou tá afim de ir pra cama com o seu obscuro objeto de desejo ou ele, o objeto, é mesmo um espelho que o reflete e a visão que se tem incomoda.

terça-feira, 9 de março de 2010

Primeira impressão (texto)

Dizem que a primeira impressão (e não estou me referindo a impressoras ou coisas afins) é a que fica. Tenho dúvidas. A (pouca) experiência me ensinou que, às vezes, ela engana. Na verdade, ela quase sempre engana. Pra ser sincero, ela engana muito. De qualquer forma, como é impossível não ser tocado por esse primeiro contato (mesmo que depois eu tenha que refazer o texto), gostei, de uma forma geral, desse meu primeiro ano do curso de letras.
Uns alunos firmes em suas opiniões. Dentre esses, uns mais arredios. Uns engraçados, tímidos, mas de forma geral, atentos.
Fiz alguns pedidos a Papai-Noel no fim do ano passado. E como fui um bom menino (na verdade não muito, mas O Bom_Velhinho não ocupa o cargo só por ocupar), acho que ele resolveu atender alguns. Pedi, principalmente, tranquilidade e alunos interessantes (não que eu não os tenha tido, mas sempre se corre o risco de fome-zero, por isso, não custa nada reforçar).
Amanhã o nosso quarto encontro e um texto para ser lido. Até lá, expectativa.

Fernando Pessoa

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso
.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."