quinta-feira, 19 de julho de 2012

7 vidas (texto)

Dizem que gatos têm sete vidas, o meu não teve nem umazinha pra contar história. Cinco meses apenas, um outono e meio inverno, e lá se foi o Duscha, pro céu dos gatos, se é que gatos têm céu. 
Viajei e nem bem tinha chegado e já fiquei sabendo que o gato morreu, diferentemente daquele que atiraram tantas vezes o pau e ele continuou vivinho da silva.
Fazer o quê? Gatos, como homens, também morrem e sabe-se lá quando. Hoje bateu uma saudadezinha dele: correndo feito um louco pela casa, se escondendo para quando eu passasse ele pular sobre o meu calcanhar com um mordida ou as suas insistências para ficar no meu colo enquanto eu digitava (às vezes quieto dormindo, noutras tantas querendo pegar os meus dedos, mordendo o mouse etc.). 
Todo o movimento para ele era brincadeira. Nada lhe era indiferente: a própria sombra, a bolinha de papel, qualquer pedaço de qualquer coisa, as bolinhas do pet, o ratinho de borracha, os sininhos, a luz do laser.
Ele me irritava muito. Nem conto o quanto: toda manhã arranhava a porta do meu quarto para entrar ou se eu estava conzinhando  ele pulava sobre a mesa. Queria enforcar o gato.
Ele tb me fazia rir, muito: era eu tentar arrumar a cama e ele pular sobre as cobertas, se eu pegava a vassoura tava lá ele pronto para me atrapalhar. Não havia pano que ele não puxasse pela casa e nem galho que ele não quisesse comer ou brincar com as patinhas.
Sempre que eu chegava do trabalho eu o pegava no colo e fazia uns carinhos, ele ficava todo espichado nos meus braços. Fiz do gato gato e sapato. Quem sabe ele não foi feliz... eu fui.

Um comentário:

  1. Alexandre,
    Que notícia triste!!! Eu adorava seu gatinho!!! O que houve? Gosto dos animais porque eles são gratuitos nos seus "sentimentos", especialmente os gatos. Estou enlutada. Foi-se uma criatura adorável! Adquira outro. Irei gostar do mesmo modo.
    Abraço.

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