terça-feira, 8 de outubro de 2013

_Está tudo muito mal

Hoje, enquanto o meu almoço não vinha eu prestava atenção a uma senhora que estava a minha frente: sozinha em uma mesa, mas acompanhada de um cafezinho e um copo de água. Companhias frequentes dos portugueses de todas as idades, além, é claro, do cigarro.
O dono da tasca lhe perguntou como ela estava. Ela sequer respondeu. O garçom,  um pouco mais adiante, refez a pergunta. E ela, curta e grossa para os padrões brasileiros, respondeu: _"Está tudo muito mal, por quê?" (com uma cara de poucos amigos) Ele nada lhe disse. Ela não tocou no café e muito menos no copo de água enquanto eu me encontrei por ali.
O dono da taberna insistiu: _"D. Maria do Céu, a senhora está bem? Não vieste ontem!" Ela apenas balançou a cabeça em negativa (a cara, mantinha-a intacta). Ele continuou: _"Fulana de tal (não me recordo o nome da outra senhora a quem ele se referia) esteve aqui ontem a sua procura. Acho que queria ter contigo".
D. Maria do Céu não estava nos seus melhores dias. Resmungou, e entre os dentes nos disse: _"Não veio a minha procura, deve ter vindo por causa da outra senhora". Silêncio.
Eu já estava comendo. Não olhava para um ou para outro, apenas comia. 
Eis que entra uma outra senhora, tão idosa quanto D. Maria do Céu,  e se dirige a esta, se sentando à mesa. _"Estás bem?". Ela nada responde. A segunda senhora pergunta: _"Posso me sentar?" já se sentando. D. Maria, secamente, para não perder o hábito lhe diz: _"Se quiser..."
A segunda senhora insiste: __"Não esteve aqui ontem." D. Maria: _"Eu venho se me apetecer." Silêncio. A segunda senhora: _"Mas vinhas todos os dias." D. Maria do Céu nada lhe responde.
A segunda senhora tentou uma conversa falando do tempo. Perguntou sobre alguém, mas D. Maria do Céu, definitivamente, não estava para conversa.

Um comentário:

  1. Tem noites que vou sozinho ao bar e quero apenas comer, tomar cerveja e ficar sozinho. Mas, trato bem quem interrompe o desejado isolamento.

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